
Ressonância Magnética
O silêncio do quarto de hotel em Salt Lake City era denso, carregado com o peso de tudo o que havia sido dito e, principalmente, do que fora demonstrado na piscina horas antes. A luz âmbar dos abajures criava sombras longas, desenhando a silhueta imponente de Noah Sebastian contra a janela que dava para as luzes distantes da cidade. Ele ainda usava apenas a calça de moletom preta, o tecido pendendo baixo em seus quadris, revelando a linha em V que levava à intimidade escondida.
Nina Moretti estava sentada na beira da cama king-size. Seus pés mal tocavam o chão, um lembrete constante da diferença abismal de altura entre os dois. A pele dela, ainda levemente avermelhada pelo sol e pelo cloro, formigava sob o olhar castanho e profundo dele. Nina não era uma mulher de se encolher, mas a forma como Noah a encarava agora — não como o vocalista tímido, mas como o homem que a reivindicara diante de todos — fazia seu sangue correr mais rápido.
— Você ainda está tremendo — observou Noah, sua voz um barulho grave que parecia vibrar diretamente nos ossos dela.
Ele cruzou o quarto com passos silenciosos, a graça de um predador que também era um lutador. Os ombros largos e as costas cobertas por tinta pareciam ocupar todo o espaço do ambiente.
— Não é de frio, Noah. E você sabe disso — Nina respondeu, erguendo o queixo. A dominância que ela costumava exercer era uma armadura, mas ali, entre aquelas quatro paredes, ela estava começando a apreciar o peso da rendição.
Noah parou diante dela. A diferença de 1,92m para 1,55m era gritante. Ele se inclinou, apoiando as mãos nos joelhos de Nina, forçando-a a abrir as pernas para que ele se encaixasse entre elas. O calor que emanava dele era quase insuportável.
— As aulas de natação acabaram lá fora — ele sussurrou, a franja curtain bangs caindo sobre os olhos, emoldurando o rosto de traços asiáticos que ela tanto adorava traçar com as pontas dos dedos. — Aqui dentro, as regras são outras.
Nina levou as mãos ao peito dele, sentindo a textura das tatuagens sob as palmas. O coração de Noah batia forte, um ritmo frenético que contrastava com sua expressão calma.
— Eu não quero regras, Noah. Eu quero que você pare de ser o "bom garoto" que a mídia acha que você é.
Um sorriso lento e perigoso surgiu nos lábios grossos de Noah. Ele a pegou pela cintura, as mãos grandes circulando quase toda a circunferência de sua cintura fina, e a levantou como se ela não pesasse nada, colocando-a de pé sobre o colchão para que seus olhos ficassem no mesmo nível.
— Você não tem ideia do que está pedindo, Nina.
— Tenho cada grama de certeza — ela retrucou, puxando-o pela nuca, enterrando os dedos nos cabelos castanhos curtos dele.
O beijo que se seguiu não teve nada de tímido. Foi uma colisão de dentes e línguas, uma fome que vinha sendo alimentada por semanas de turnê, olhares roubados e a pressão constante da fama. Noah a prensou contra a cabeceira da cama, o peso do corpo dele esmagando-a deliciosamente contra o estofado. Nina gemeu contra a boca dele, sentindo a rigidez do corpo de Noah, o resultado de anos de jiu-jitsu e disciplina, agora focado inteiramente em subjugá-la com carinho.
As mãos de Noah desceram pelas costas dela, encontrando a curva dos quadris largos e das coxas grossas que ele tanto idolatrava. Ele a apertou com força, deixando claro que ela era dele, e de mais ninguém.
— Nina... — ele murmurou entre beijos, descendo para o pescoço dela, mordendo a pele macia logo abaixo da orelha. — Se as fotos da piscina vazarem, o mundo vai ver o quanto eu sou obcecado por você. Você está pronta para isso?
— Deixe que vejam — ela arfou, jogando a cabeça para trás. — Deixe que saibam que o grande Noah Sebastian pertence a uma mulher latina que não tem medo de colocar ele de joelhos.
Noah soltou uma risada rouca, um som que enviou arrepios por toda a espinha de Nina. Ele se afastou apenas o suficiente para tirar a calça de moletom, revelando-se inteiramente para ela. Nina perdeu o fôlego por um segundo. Ele era uma obra de arte viva, cada músculo definido, cada centímetro de pele contando uma história através da tinta. A tatuagem de Itachi em seu braço parecia observá-la, um símbolo da cultura geek que ele amava e que ela aprendera a respeitar como parte essencial de quem ele era.
Ele voltou para a cama, subindo sobre ela com uma agilidade impressionante. Noah a despiu com uma urgência controlada, seus olhos castanhos devorando cada nova parte da pele ruiva e tatuada de Nina que era revelada. Quando ela ficou nua sob ele, a luz da lua que entrava pela fresta da cortina fazia as tatuagens de ambos se misturarem, como se fossem uma única peça de tapeçaria.
— Você é a coisa mais linda que eu já vi — ele disse, a voz falhando levemente, a timidez voltando por um breve segundo antes de ser engolida pelo desejo.
— Menos conversa, Noah. Mais ação.
Ele obedeceu. Noah a tomou com uma intensidade que Nina nunca havia experimentado. Não era apenas sexo; era uma reivindicação. Cada estocada dele era profunda e deliberada, ancorada pela força de seus ombros largos. Nina cravou as unhas nas costas dele, marcando a pele acima das tatuagens, enquanto suas pernas grossas se envolviam na cintura dele, puxando-o para mais perto, querendo fundir seus corpos.
O som no quarto era apenas o da respiração pesada, o impacto dos corpos e os gemidos baixos que Noah soltava contra o ombro dela. Ele era protetor, mesmo naquele momento, cercando-a com seus braços, garantindo que ela estivesse segura enquanto ele a levava ao limite.
— Noah... por favor... — ela implorou, a voz quebrada pela luxúria.
Ele parou por um segundo, sustentando o próprio peso nos braços fortes, olhando-a nos olhos. O suor brilhava em sua testa, e a expressão de Noah era de pura adoração misturada com uma possessividade selvagem.
— Diga que você é minha — ele exigiu, a voz de comando que ele usava nos palcos, mas agora carregada de uma intimidade que apenas ela conhecia.
— Eu sou sua. Sempre fui — Nina respondeu, puxando-o para um beijo final e desesperado.
Quando o ápice chegou, foi como uma explosão que os deixou sem fôlego, perdidos um no outro. Noah desabou sobre ela, cuidadoso para não depositar todo o seu peso, escondendo o rosto na curva do pescoço de Nina. O silêncio voltou a reinar, mas agora era um silêncio de satisfação e paz.
Minutos depois, ainda entrelaçados, Noah acariciava os cabelos curtos e ruivos dela.
— Você sabe que a equipe viu como eu olhei para você hoje, não sabe? — ele perguntou baixinho.
— Eu sei. E sei que o Josh vai fazer piada sobre isso no café da manhã — Nina riu, sentindo o peito de Noah vibrar contra o dela.
— Deixe que façam. Eu não me importo mais em esconder. A "proteção" que eu sinto por você... é maior do que a minha timidez.
Nina se afastou um pouco para olhar para ele. Noah parecia vulnerável agora, o olhar suave que ele reservava apenas para os momentos em que a música ou o amor o tocavam profundamente.
— Eu não preciso que você me proteja do mundo, Noah. Eu preciso que você esteja ao meu lado enquanto eu enfrento ele.
— Eu estarei — ele prometeu, beijando a testa dela. — Mas ainda vou te dar aulas de natação amanhã. Não pense que escapou.
Nina revirou os olhos, mas sorriu. Ela sabia que a exposição pública seria um desafio. Sabia que as fãs poderiam ser cruéis e que a pressão da banda era imensa. Mas, enquanto estivesse nos braços daquele homem gigante e gentil, que era metade metal e metade coração, ela sentia que poderia enfrentar qualquer tempestade, mesmo que fosse em águas profundas.
— Noah? — ela chamou, quando ele já estava quase pegando no sono.
— Hum?
— A tatuagem do Itachi... ela ainda me deixa com um pouco de ciúmes.
Noah soltou uma risada sonolenta e a apertou mais forte contra o peito.
— Ela é só um desenho, Nina. Você é a única realidade que importa para mim.
E ali, no coração de Utah, o vocalista do Bad Omens e a mulher que o dominava encontraram o seu próprio ritmo, uma melodia que ninguém mais poderia ouvir, uma ressonância perfeita entre dois mundos que, contra todas as probabilidades, haviam se tornado um só. A manhã traria as câmeras, os boatos e a estrada, mas aquela noite pertencia apenas ao silêncio e à verdade que haviam compartilhado entre os lençóis amassados.
