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Skell

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 28/09/2026

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O Peso do Silêncio Mineral

Os corredores da Paper School nunca eram exatamente acolhedores, mas após o soar do último sinal, quando a penumbra devorava as paredes quadriculadas e o eco dos passos dos professores finalmente cessava, o lugar se transformava em um labirinto sufocante de papel e sombras pontiagudas.

Skell caminhava pisando duro, com os dentes trincados e a expressão azeda que parecia gravada permanentemente em sua face pálida. Ele odiava aquele colégio. Odiava as regras estúpidas, as tarefas idiotas e, acima de tudo, o fato de que nada parecia fazer sentido naquele inferno bidimensional. Uma de suas mãos esguias, pontiaguda como a lâmina de uma tesoura escolar, segurava uma pesada lanterna de metal, enquanto a outra empunhava seu inseparável telefone cinza. Seus chifres negros destacavam-se contra a escuridão, especialmente o esquerdo, cortado por duas listras brancas reluzentes. A cauda longa chicoteava o ar atrás de si, inquieta, e a única asa visível em suas costas tremulava com a tensão acumulada em seus ombros.

A cada passo pesado, o pequeno sino dourado preso à sua grossa coleira preta emitia um tilintar metálico e irritante.

— Droga de lugar... — resmungou ele para si mesmo, a voz rouca carregada de desprezo. — Se me pegarem aqui fora do horário de novo, aquela louca da Circle vai querer arrancar meu couro com uma bússola.

Ele ajustou o broche em formato de esqueleto que prendia sua franja escura e apontou o facho de luz amarelada para o final do corredor do bloco leste. Havia uma porta semiaberta que ele nunca tinha notado antes. Não havia placas de identificação, apenas marcas de arranhões profundos no batente, como se algo enorme tivesse sido arrastado para dentro à força. O ar que escapava daquela fresta cheirava a pó de giz velho, mofo e uma umidade mineral estranhamente pesada.

Impulsionado por uma mistura corrosiva de tédio e teimosia mórbida, Skell empurrou a porta com o pé pontiagudo. A dobradiça rangeu num gemido agudo que fez os pelos eriçados de seu torso se arrepiarem de imediato.

O feixe da lanterna varreu o interior e o garoto congelou.

Não era uma sala de aula comum. As carteiras estavam amontoadas contra as paredes, quebradas e reviradas, mas o centro do cômodo estava ocupado por dezenas de silhuetas imóveis. Dezenas de estudantes.

Skell deu um passo à frente, estreitando os olhos avermelhados, esperando ver idiotas pregando alguma pegadinha idiota.

— Ei... que palhaçada é essa? — chamou ele, mas a resposta foi apenas o eco oco de sua própria voz.

Nenhum movimento. Nenhuma respiração.

Ele se aproximou da figura mais próxima. Não era uma pessoa viva, nem mesmo um manequim. Era uma escultura de pedra cinzenta, opaca e fria, com detalhes tão assustadoramente precisos que pareciam ter sido moldados sobre a própria carne. A textura era áspera como granito rústico. A expressão do aluno petrificado exibia puro horror, olhos esbugalhados voltados para um teto invisível, uma mão erguida como se tentasse barrar um golpe fatal.

Um sorriso torto e sarcástico brotou no canto da boca de Skell, mascarando o primeiro calafrio que desceu por sua espinha.

— Mas que diabos...? Isso é arte conceitual agora? — murmurou ele, levantando o celular cinza.

O visor do aparelho iluminou seu rosto raivoso enquanto ele começava a tirar fotos. O som mecânico do obturador soava como pequenos tiros no silêncio da tumba: clique, clique, clique. Ele precisava registrar aquilo; se fosse uma pegadinha do grêmio estudantil ou um projeto bizarro, ele usaria para ridicularizar todo mundo no dia seguinte.

Para focar melhor uma imagem aproximada com a câmera do celular, Skell precisava das duas mãos livres. Sem pensar muito, ele apoiou a lanterna acesa bem no peito de uma das estátuas mais próximas, prendendo o tubo de metal entre a dobra do braço de pedra e o tórax rígido da escultura. O facho de luz cortou a poeira suspensa, criando um feixe dramático que cortava a sala ao meio.

Skell deu mais dois passos laterais, procurando outro ângulo grotesco. Seus dedos roçaram inadvertidamente o braço de uma estátua menor, posicionada logo atrás de uma pilha de livros empoeirados.

O contato com a pedra gelada fez seus dedos formigarem. Intrigado, ele ergueu o celular e aproximou a tela iluminada para examinar os traços daquela figura específica.

O ar sumiu instantaneamente dos pulmões de Skell.

A cabeça arredondada, os traços angulares e o contorno inconfundível do corpo mecânico e infantil.

Era a Ruby.

Não era uma cópia, nem uma escultura feita por um artesão talentoso. Era ela. A mesma Ruby que, horas atrás, caminhava pelos corredores com sua presença tímida e seus passos ritmados. Agora, ela era apenas rocha nua. Seus olhos artificiais estavam congelados em um grito mudo de pavor absoluto, a boca entreaberta como se seu último suspiro tivesse sido solidificado para a eternidade.

— Não... — balbuciou Skell, dando um passo involuntário para trás. — Ruby...?

A zombaria arrogante se desfez como papel molhado. As pernas finas de Skell começaram a tremer de forma incontrolável. O sino em seu pescoço tocou freneticamente, um tinido agudo e desesperado que delatava seu pavor crescente: blem-blem-blem-blem. O coração batia com tanta força contra a caixa torácica que ele sentia o sangue zumbir em seus ouvidos.

Na sua tentativa estabanada de se afastar, seu ombro bateu com violência contra a estátua que segurava a lanterna.

A escultura desequilibrou-se. Skell assistiu, em câmera lenta e com os olhos arregalados, o bloco maciço de pedra tombar pesadamente contra o piso de cerâmica.

O estrondo foi ensurdecedor. A estátua despedaçou-se em pedregulhos cinzentos e uma nuvem espessa de poeira sufocante, esmagando a lâmpada da lanterna sob o próprio peso.

A sala mergulhou instantaneamente em uma penumbra quase total, iluminada apenas pelo brilho pálido e insignificante da tela de seu telefone cinza.

Skell respirava com dificuldade, engolindo a poeira de pedra que flutuava no ar. Seus olhos se moveram devagar pelo chão quebrado até perceberem algo que fez seu sangue gelar por completo.

Projetada contra a parede oposta, alongando-se e crescendo como uma mancha de tinta negra sobre um pergaminho, havia uma sombra imensa.

Chifres pontiagudos, tentáculos sombrios e uma aura de pura maldade primordial.

Skell mal teve tempo de girar o pescoço. Uma presença fria, pesada como um abismo, caiu sobre suas costas. O mundo ao seu redor girou, a luz do celular foi engolida pelo preto absoluto e sua consciência apagou-se como uma vela soprada por uma tempestade.


A dor foi a primeira coisa a retornar. Uma queimação fria, como se agulhas de gelo estivessem sendo cravadas em suas têmporas.

Skell abriu os olhos com esforço, tossindo fracamente. Sua cabeça latejava com uma violência brutal. O chão onde estava deitado era terrivelmente gelado, úmido e duro. Ele tentou se levantar, mas uma sensação desconcertante de vulnerabilidade o atingiu de imediato.

Ele olhou para o próprio corpo e seus olhos se arregalaram em pânico.

Seu torso — que normalmente ostentava sua clássica aparência estilizada de camisa com botões e tufos de pelos protetores — estava completamente despido. Ele estava sem suas roupas habituais, reduzido apenas a uma cueca escura, com sua pele pálida, magra e frágil exposta àquele ar gélido e insalubre. Ele parecia ridículo, indefeso, despido de qualquer pose gótica ou fachada intimidadora.

— O quê... o que é isso?! — gritou ele, a voz quebrando em uma mistura de raiva e humilhação.

A poucos palmos de distância, caído sobre o ladrilho sujo, estava o seu telefone cinza. A tela trincada ainda emitia uma luz fraca, quase descarregando.

Foi então que um som cortou a escuridão daquele aposento esquecido. Risadinhas abafadas, cantaroladas em um tom melodioso e profundamente sádico.

Skell ergueu o queixo bruscamente e seu estômago despencou.

Surgindo das sombras mais densas da sala, com os longos cabelos pretos flutuando como tentáculos vivos e olhos que transbordavam uma fome sobrenatural, estava ∆lice. O terror supremo da Paper School. O monstro que todos temiam até mesmo sussurrar o nome durante as aulas. Ela usava aquele laço vermelho grotesco, e suas mãos gigantescas e garras afiadas arranhavam o chão à medida que dava passos lentos e teatrais em direção a ele.

A raiva, o desespero e o instinto primitivo de sobrevivência explodiram no cérebro de Skell.

— Fica longe de mim, sua aberração! — rugiu o garoto, impulsionando o corpo para a frente em um acesso cego de fúria.

Ele cerrou o punho esquelético e desferiu um soco com toda a força que lhe restava na direção da criatura.

Mas o golpe nunca atingiu o alvo.

No momento em que seu braço se esticou, uma dormência avassaladora subiu pelos seus calcanhares. Suas pernas simplesmente não responderam; perderam a flexibilidade, a carne e os ossos se tornando subitamente pesados como vigas de chumbo. Skell perdeu o equilíbrio de forma humilhante e caiu de cara no chão frio, soltando um gemido abafado.

— Merda... o que...?! — ele praguejou, virando a cabeça para trás com desespero.

Seus olhos quase saltaram das órbitas.

Seus pés pontiagudos e seus tornozelos não eram mais pretos e esguios. Tinham se transformado em pedra cinzenta, rígida e fosca. A textura áspera e sem vida estava subindo lentamente pelas suas canelas, avançando como uma praga silenciosa, devorando sua pele, endurecendo seus músculos e transformando sua matéria em mineral puro.

— Não, não, não! Pára! PÁRA! — Skell berrou, cravando as unhas no chão e tentando se arrastar para a frente com os braços.

Ele precisava alcançar o celular. Precisava pedir ajuda, precisava ligar para qualquer um, precisava de luz. Suas garras arranhavam a pedra, puxando o peso morto que sua metade inferior havia se tornado. O sino na coleira balançava em um ritmo doentio, tilintando com o pavor que escorria pelo seu suor frio.

Mas a petrificação não parava. A linha cinzenta e gélida engoliu seus joelhos, subiu pelas coxas e alcançou sua cintura. Ele perdeu completamente a sensibilidade da cintura para baixo; era como se aquela parte de seu corpo tivesse sido cimentada para sempre no chão da escola.

Passos lentos ecoaram atrás dele. Tap. Tap. Tap.

∆lice estava logo ali. Ela se aproximava sem pressa, saboreando cada segundo daquela agonia, como um gato que brinca com um pássaro ferido antes de estraçalhá-lo. Um sorriso cruel, repleto de dentes pontiagudos, rasgava seu rosto espectral.

— Tão irritadinho... — sussurrou ela, com a voz ecoando em camadas sussurradas e distorcidas que pareciam brotar de dentro do próprio crânio de Skell. — Sempre tão mal-humorado, Skell... Mas você não parece tão corajoso agora, parece?

— Cala a boca! Some daqui! — ele berrou, as lágrimas de pura frustração e terror finalmente vencendo sua pose endurecida.

Ele tentou puxar o próprio corpo mais uma vez, mas a onda mineral já havia alcançado seu abdômen. A sensação era indescritivelmente horrível: não doía como um corte ou uma queimadura, mas era o avanço inexorável de um frio absoluto que roubava o calor de suas vísceras, transformando seu estômago e sua carne em puro granito pesado. Ele sentia seus pulmões perderem o espaço para expandir.

∆lice ajoelhou-se elegantemente ao lado dele, ignorando completamente as tentativas patéticas do garoto de se debater. Com uma das garras afiadas, ela recolheu o celular cinza do chão, girando o aparelho entre

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