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Night of mischief - Halloween

Fandom: EngLot

Criado: 28/09/2026

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RomanceDramaAngústiaCiúmesLinguagem ExplícitaEstudo de Personagem
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Marcas de Máscaras e Garras

A música pulsava através das paredes de pedra do ginásio, uma batida grave que fazia o peito de Engfa Waraha vibrar. O ar estava saturado com o cheiro de ponche barato, suor e a névoa artificial das máquinas de fumaça. Para a maioria dos alunos, aquela era a festa de Halloween do ano. Para Engfa, era apenas mais uma oportunidade de exibir sua superioridade, mesmo que por trás de uma máscara de borracha branca e um manto negro.

Ela ajustou a máscara de Ghostface, sentindo o calor do plástico contra sua pele. Com 1,70m de altura e uma postura que exalava uma confiança quase irritante, Engfa observava a multidão com olhos atentos. Ela adorava o anonimato que a fantasia lhe proporcionava, permitindo que seu sarcasmo interno corresse livre enquanto julgava as fantasias alheias.

— Belo cubo, Waraha. Pena que sua personalidade não é tão fácil de resolver quanto ele — uma voz melodiosa, carregada de um veneno familiar, soou logo atrás dela.

Engfa não precisou se virar para saber quem era. Aquele tom de deboche era exclusivo de Charlotte Austin.

Ao girar o corpo, Engfa deu de cara com a visão que, secretamente, assombrava seus pensamentos mais do que qualquer filme de terror. Charlotte estava deslumbrante. A fantasia de lobisomem não era algo caricato; era estilizada, perigosa. Ela usava um corpete de couro, calças justas e orelhas de pelagem realista presas nos cabelos castanho-claros que caíam em ondas perfeitas sobre seus ombros. As lentes de contato âmbar brilhavam sob as luzes estroboscópicas, dando-lhe um ar predatório.

— Austin — Engfa rebateu, a voz abafada pela máscara, mas ainda assim carregada de desdém. — Achei que você viria de girassol, algo mais condizente com sua necessidade desesperada de atenção e luz.

Charlotte soltou uma risada seca, cruzando os braços. Seus 1,73m de altura permitiam que ela olhasse Engfa levemente de cima, um fato que Engfa detestava.

— E eu achei que você viria de espelho, já que não consegue passar por um sem se admirar por dez minutos — Charlotte retrucou, aproximando-se um passo. — Mas Ghostface? Sério? Um assassino que tropeça nos próprios pés? Que previsível.

— É um clássico, sua mesquinha — Engfa deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal da outra. — Melhor do que esses monstros de romances baratos que você lê. Onde está o seu alfa, Charlotte? Ou você está esperando que um vampiro brilhante apareça para te salvar?

— Eu não preciso de salvamento, Engfa. E seus filmes de terror são apenas gritos vazios. Não há profundidade, não há paixão. Apenas sangue e sustos baratos.

Elas ficaram ali, no meio da pista de dança, dois polos magnéticos que se repeliam com a mesma força com que se atraíam. O ódio era palpável, uma barreira construída ao longo de anos de competições acadêmicas e disputas de popularidade. Mas, sob a superfície, havia algo mais. Um ciúme possessivo que ardia toda vez que viam a outra conversando com alguém, um orgulho que as impedia de admitir que a obsessão que nutriam uma pela outra não era apenas hostilidade.

— Você é insuportável — rosnou Engfa.

— E você é arrogante — Charlotte devolveu, estreitando os olhos.

Duas horas e várias rodadas de tequila depois, o cenário mudou. A música havia se tornado um ruído de fundo distante. O corredor que levava aos banheiros dos fundos estava deserto, mergulhado em uma luz avermelhada e sombria.

Charlotte estava encostada contra a parede de azulejos frios, a respiração ofegante. A máscara de Engfa estava jogada no chão, esquecida. A morena tinha as mãos espalmadas na parede, cercando Charlotte, enquanto seus olhos castanhos queimavam com uma intensidade que nada tinha a ver com raiva.

— Então... — Engfa sussurrou, a voz rouca pelo álcool e pelo desejo reprimido. — Ainda acha que o Ghostface é previsível?

Charlotte soltou um gemido baixo quando Engfa inclinou o pescoço, distribuindo beijos úmidos e mordidas leves na linha de sua mandíbula. As mãos de Charlotte subiram para os ombros de Engfa, as unhas — pintadas de preto para a fantasia — cravando-se no tecido do manto negro.

— Eu acho... — Charlotte tentou manter o tom sarcástico, mas falhou miseravelmente quando a língua de Engfa traçou o contorno de sua orelha. — Eu acho que você está tentando provar um ponto.

Engfa se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos âmbar de Charlotte.

— Admita, Austin. O Ghostface é muito melhor do que qualquer um desses monstros literários que você idolatra.

Charlotte soltou uma risada curta, a cabeça pendendo para trás.

— Você fica sexy de Ghostface, Waraha. Eu admito. Mas ficaria muito melhor de vampira. Pelo menos assim você teria uma desculpa para essa sua obsessão em morder minha pele.

— Eu não preciso de desculpas para marcar o que eu quero — Engfa declarou, sua possessividade vindo à tona.

Ela atacou os lábios de Charlotte com uma urgência faminta. O beijo era uma batalha, uma extensão da rivalidade que compartilhavam na luz do dia. Não havia delicadeza; era uma troca de poder, de dentes batendo contra dentes, de línguas que se entrelaçavam em um desafio silencioso.

Charlotte puxou o cabelo de Engfa, forçando-a a aprofundar o contato. O cheiro de café que sempre emanava de Engfa se misturava ao perfume floral de girassóis de Charlotte, criando uma fragrância inebriante que as deixava ainda mais tontas do que a bebida.

— Você é minha — Engfa murmurou contra os lábios de Charlotte, as mãos descendo para apertar a cintura da garota mais alta. — Entendeu? Minha.

Charlotte arqueou uma sobrancelha, mesmo com o rosto corado e os lábios inchados. O orgulho ainda brilhava em seus olhos.

— Eu não sou de ninguém, Waraha. Mas, por hoje... você pode fingir que eu sou.

— Eu não finjo nada — Engfa rosnou, descendo o rosto para o pescoço de Charlotte.

Ela sugou a pele macia logo abaixo da orelha, deixando uma marca arroxeada que seria impossível de esconder no dia seguinte. Charlotte soltou um arquejo, suas mãos descendo para as costas de Engfa, puxando-a para mais perto, querendo fundir seus corpos.

— Você é tão teimosa — Charlotte disse, a voz trêmula. — Por que não admite logo que me odeia tanto que chega a ser amor?

— Porque eu não te amo, Austin — mentiu Engfa, embora seu coração batesse o nome de Charlotte contra as costelas. — Eu só gosto de ver você perder o controle.

— Então estamos empatadas — Charlotte rebateu, puxando a gola do manto de Engfa para trazer seu rosto de volta. — Porque eu adoro ver essa sua máscara de orgulho cair.

Elas voltaram a se beijar, um ciclo vicioso de mordidas e carícias possessivas. No espelho do banheiro, o reflexo mostrava duas garotas que o colégio inteiro acreditava serem inimigas mortais. A popular extrovertida que resolvia cubos mágicos em segundos e a artista talentosa que se perdia em romances sombrios.

Ninguém acreditaria se as vissem ali. Engfa, sempre tão protetora de sua imagem, agora estava completamente vulnerável sob o toque de Charlotte. Charlotte, sempre tão observadora e contida, estava entregue ao caos que Engfa provocava.

As marcas que deixavam uma na outra eram troféus de uma guerra que nenhuma das duas queria vencer. Eram lembretes de que, embora na frente de todos elas trocassem insultos e olhares gélidos, entre quatro paredes — ou em banheiros de festas de Halloween — elas falavam uma língua que só as duas entendiam.

— O Ghostface... — Charlotte ofegou, enquanto Engfa traçava o caminho de sua clavícula com a ponta dos dedos. — ... ainda perde para o lobisomem no final.

Engfa parou por um momento, um sorriso sarcástico e charmoso brincando em seus lábios.

— Nos seus livros, talvez. Mas aqui? — Ela pressionou o corpo contra o de Charlotte, sentindo a pulsação acelerada da outra. — Aqui, eu sempre ganho o que eu quero.

— Convencida — Charlotte murmurou, mas não a afastou. Em vez disso, ela envolveu o pescoço de Engfa com os braços, puxando-a para um beijo mais lento, quase carinhoso, antes que seu orgulho a lembrasse de que deveria ser agressiva.

A música lá fora mudou para algo mais lento, mas elas não se importavam. O tempo parecia ter parado naquele cubículo abafado.

— Amanhã — Engfa disse, afastando uma mecha de cabelo do rosto de Charlotte —, eu vou agir como se você fosse a pessoa mais irritante do planeta.

— E amanhã — Charlotte respondeu, ajeitando o corpete —, eu vou dizer a todos que sua fantasia era ridícula.

— Ótimo.

— Perfeito.

Elas se olharam por mais alguns segundos, o silêncio carregado de palavras não ditas. "Eu te amo" estava na ponta da língua de ambas, mas o orgulho era uma muralha alta demais para ser escalada em uma única noite.

Engfa pegou sua máscara do chão, limpando-a com o manto. Ela olhou para Charlotte uma última vez antes de sair.

— Cubra essa marca no pescoço, Austin. Ou as pessoas vão pensar que o lobisomem finalmente encontrou alguém que morde mais forte.

Charlotte sorriu, um sorriso genuíno que raramente mostrava para os outros.

— Deixe que pensem. Eu sei exatamente quem foi o monstro que me marcou.

Engfa saiu do banheiro primeiro, colocando a máscara de Ghostface e desaparecendo na fumaça da festa. Poucos minutos depois, Charlotte saiu, limpando o batom borrado e ajeitando as orelhas de lobo.

Elas voltaram para seus respectivos grupos de amigos. Engfa voltou a ser a sarcástica e popular corredora que todos conheciam. Charlotte voltou a ser a artista sofisticada e observadora. Mas, durante o resto da noite, toda vez que seus olhares se cruzavam pelo ginásio, um choque elétrico percorria suas espinhas.

O ódio ainda estava lá, alimentado pela competição e pela teimosia. Mas agora, sob as fantasias de monstros e assassinos, havia uma verdade secreta que queimava mais do que qualquer chama de Halloween. Elas eram inimigas, sim. Mas eram inimigas que pertenciam uma à outra, marcadas não apenas pela pele, mas pela alma, esperando pela próxima oportunidade de deixarem as máscaras caírem.

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