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Somebody Else

Fandom: Bad Omens

Criado: 29/09/2026

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Ecos e Confissões

O silêncio do quarto de hotel em Chicago era quebrado apenas pelo zumbido baixo do ar-condicionado e pela respiração pesada de Nina Moretti. Deitada de bruços, com os cabelos ruivos espalhados como uma mancha de sangue sobre os lençóis brancos, ela sentia cada músculo de seu corpo de um metro e cinquenta e cinco protestar. A intensidade daquela noite não havia sido apenas física; fora uma demolição controlada de todas as barreiras que eles ainda tentavam manter.

Noah Sebastian estava sentado na beira da cama, a silhueta imponente de seus um metro e noventa e dois recortada pela luz pálida que vinha da janela. As tatuagens que cobriam suas costas largas pareciam ganhar vida sob a penumbra. Ele segurava um bloco de notas e uma caneta, os dedos longos movendo-se com uma urgência que Nina reconhecia bem. Era o transe criativo.

— Você não vai dormir? — a voz de Nina saiu rouca, abafada pelo travesseiro.

Noah não respondeu de imediato. Ele inclinou a cabeça, os fios castanhos da franja curtain bangs caindo sobre os olhos de traços asiáticos. Ele parecia estar ouvindo uma melodia que só existia dentro de sua mente.

— Eu sei que dissemos que sexo não é amor — murmurou ele, a voz de barítono vibrando no peito —, mas parece ser o suficiente para nós.

Nina ergueu a cabeça, apoiando-se nos cotovelos. Ela observou a tensão nos ombros dele. Aquele era o Noah que o mundo raramente via: o homem que transformava a própria vulnerabilidade em hinos de metal moderno.

— O que você está escrevendo, Noah?

Ele finalmente se virou, os olhos castanhos encontrando os dela com uma intensidade que a fez recuar internamente. Havia uma possessividade ali que não se dissipava mais após o ato, uma âncora que ele havia lançado nela e que se recusava a recolher.

— O que estamos fazendo, Nina — disse ele, voltando a escrever. — Estou transformando esse entorpecimento em algo real. "I'm getting too numb to your touch". Porque quanto mais eu te toco, mais eu preciso de algo que a pele não consegue dar.

Nina sentiu um calafrio. Eles haviam concordado, meses atrás, que aquilo era apenas uma válvula de escape. Mas as "lições de natação" na piscina de Salt Lake City e a forma como ele a segurava agora, como se ela fosse sua única conexão com a terra firme, contavam uma história diferente.


Meses se passaram, e a música que nasceu naquela madrugada, "Somebody Else", tornou-se um fenômeno global. A letra era um enigma que os fãs tentavam decifrar obsessivamente. Quem era a pessoa que fizera o reservado Noah Sebastian admitir que o sexo não era mais apenas sexo?

A tensão nos bastidores da banda era palpável. A equipe técnica notava a mudança. Noah não era mais o líder apenas focado e introspectivo; ele estava mais assertivo, quase territorialista quando Nina estava por perto. E Nina, que sempre fora a mulher de personalidade forte e quadril largo que não aceitava ordens de ninguém, agora carregava um brilho de rendição nos olhos que apenas Noah conseguia provocar.

O ápice dessa tensão aconteceu em Los Angeles, nos estúdios onde Joel Madden, o icônico vocalista do Good Charlotte, gravava seu podcast. Joel não era apenas um colega de indústria para Nina; ele era o homem que a vira crescer na cena musical, um mentor que a chamava de "sobrinha" e que a protegia ferozmente.

Nina estava sentada nos sofás de couro do fundo do estúdio, escondida atrás de um MacBook, fingindo trabalhar na logística da turnê, enquanto Noah se acomodava à frente de Joel.

— Cara, o álbum está incrível — começou Joel, ajustando o boné e sorrindo para Noah. — Mas "Somebody Else"... aquela ponte, Noah. "I know we said that sex isn't love". Aquilo é muito específico. É uma confissão ou um aviso?

Noah deu um sorriso de canto, aquele que raramente chegava às fotos promocionais. Ele cruzou as pernas, os músculos das coxas definidos pelo jiu-jitsu tensionando o jeans escuro.

— É a verdade, Joel — respondeu Noah, sua voz calma mas carregada de uma nova confiança. — Por muito tempo, eu achei que podia separar as coisas. Eu sou uma pessoa reservada, você sabe. Eu gosto do meu espaço, da minha cultura geek, do meu silêncio. Mas tem alguém que invadiu tudo isso.

Joel arqueou as sobrancelhas, genuinamente intrigado.

— E essa pessoa sabe que a música é sobre ela?

Noah desviou o olhar por um segundo, encontrando Nina ao fundo da sala. O contato visual durou apenas um batimento cardíaco, mas foi o suficiente para incendiar o ar entre eles.

— Ela sabe — disse Noah, voltando-se para Joel. — Na verdade, eu estou cansado de fingir que é só uma "diversão". Eu estou apaixonado por ela. De um jeito que me assusta, porque ela é a única pessoa que tem o poder de me desarmar completamente.

Nina sentiu o coração martelar contra as costelas. Ela não esperava por aquilo. Não ali, não na frente de Joel.

Joel riu, recostando-se na cadeira.

— O grande Noah Sebastian finalmente foi fisgado. E quem é a mulher que conseguiu domar o vocalista mais enigmático do metal atual? Eu a conheço?

Noah respirou fundo, os ombros largos expandindo-se sob a camiseta preta. Ele não hesitou.

— Você a conhece muito bem, Joel. Ela está bem ali.

Noah apontou para o fundo da sala. Joel seguiu o gesto, e seu sorriso congelou por um instante ao ver Nina. A surpresa no rosto do veterano do pop-punk foi absoluta. Ele olhou de Nina para Noah, e depois de volta para Nina, processando a informação.

— Nina? — Joel exclamou, a voz subindo uma oitava. — Nina Moretti? A minha "sobrinha" Nina?

— Oi, Joel — disse ela, fechando o laptop e levantando-se. Ela caminhou até eles, a postura firme apesar da baixa estatura, as tatuagens nos braços expostas pela regata.

Joel levantou-se, olhando para Noah com uma mistura de choque e proteção fraternal.

— Você está namorando a Nina? Há quanto tempo isso está acontecendo debaixo do meu nariz?

— Alguns meses — respondeu Noah, levantando-se também e colocando a mão possessivamente na base das costas de Nina, puxando-a para perto de seu corpo alto. — E não é só "namorando". Ela é a minha âncora, Joel.

Joel cruzou os braços, analisando o casal. Ele conhecia Nina desde que ela era uma ruiva rebelde tentando encontrar seu lugar na indústria, e conhecia a reputação de Noah como alguém intensamente focado e, às vezes, frio. Ver a forma como Noah a segurava — com uma mistura de reverência e domínio — mudou sua percepção.

— Eu ia te dar um sermão sobre não quebrar o coração dela, Noah — disse Joel, finalmente relaxando os ombros —, mas olhando para vocês dois agora... eu acho que é você quem está em perigo se ela decidir te deixar.

Noah soltou uma risada curta e genuína, apertando Nina contra o quadril.

— Eu sei disso. Todos os dias.

— Isso vai ser um problema, você sabe — continuou Joel, agora em tom mais sério. — As fotos da piscina em Salt Lake City... as pessoas estão começando a ligar os pontos. A mídia vai cair matando. A equipe da banda está preocupada com a imagem de "solteiro cobiçado". Como vocês vão lidar com isso?

Nina olhou para cima, encontrando os olhos de Noah. Ela viu o homem que a ajudara a perder o medo da água, o homem que tatuara Itachi no braço por uma paixão geek que ela compartilhava, e o homem que, naquela madrugada em Chicago, admitira que o sexo era apenas o começo.

— Nós não vamos mais nos esconder — afirmou Nina, sua voz clara e decidida. — Eu não sou um troféu e o Noah não é um produto de marketing. Se a música é sobre nós, então o mundo que lide com a realidade da letra.

Noah inclinou-se e beijou o topo da cabeça ruiva de Nina, ignorando as câmeras do podcast que ainda gravavam.

— Ela tem razão — disse ele para Joel. — Se eu for cair, que seja publicamente e ao lado dela. A vulnerabilidade que eu cantei em "Somebody Else" não é uma fraqueza, Joel. É a minha maior força agora.

Joel Maiden sorriu, balançando a cabeça.

— Bem, acho que acabamos de ter o momento mais exclusivo da história deste podcast. Noah, você é um homem de sorte. Nina, tente não destruir o garoto completamente.

— Não prometo nada — brincou Nina, mas sua mão se entrelaçou na de Noah, os dedos pequenos desaparecendo na palma grande e calejada dele.

Ao saírem do estúdio, o ar fresco de Los Angeles os atingiu. Eles sabiam que, assim que aquele episódio fosse ao ar, nada seria como antes. Os contratos, a percepção dos fãs, a pressão da gravadora — tudo seria testado. Mas, enquanto caminhavam em direção ao carro, com Noah mantendo Nina sob sua proteção constante, a sensação de liberdade era mais inebriante do que qualquer sucesso de bilheteria.

Eles haviam atravessado a fronteira do "apenas sexo" e mergulhado em águas profundas. E, pela primeira vez, Nina não tinha medo de se afogar.

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