
O Manual Prático de Como Não Ter Paz
A sala de estar do apartamento compartilhado de Naruto e Sasuke parecia a zona de impacto de um pequeno desastre natural. Havia caixas de pizza empilhadas na mesinha de centro, almofadas espalhadas pelo tapete e um nível de decibéis que certamente renderia uma notificação do síndico até a manhã seguinte.
Era apenas a primeira noite do fim de semana prolongado de três dias, e o conceito de "descanso" já havia sido totalmente descartado.
— Naruto, se você encostar essa mão gordurosa de pepperoni no controle de novo, eu juro que quebro o videogame — avisou Sasuke, com a expressão gélida de quem já calculava quanto tempo de cadeia pegaria se cometesse um homicídio doloso.
— Relaxa, teme! Eu limpei na calça! — Naruto rebateu, gesticulando com o controle na direção da televisão.
Sentada no braço do sofá mais largo, Lis Uzumaki apoiou o queixo na mão e soltou uma risada debochada. Os cabelos pretos e volumosos, com as raízes vermelho-vivo brilhando sob a luz da sala, caíam sobre os ombros cobertos por um moletom preto três números maior que o seu. O moletom, é claro, pertencia a Itachi.
— O Sasuke tem razão, maninho. Você é um homem das cavernas — disparou Lis, girando um de seus vários anéis de prata no dedo indicador. — Aliás, se o Sasuke te expulsar de casa hoje, você não vai dormir no meu quarto. Já tem gente ocupando o meu espaço.
Ela olhou de lado para Itachi, que estava confortavelmente sentado logo abaixo dela, recostado contra as pernas de Lis. Ele segurava uma xícara de chá, perfeitamente alheio ao pandemônio ao redor. Quando os olhares dos dois se cruzaram, Itachi ergueu uma sobrancelha, um sorriso quase invisível brincando no canto dos lábios escuros.
— Eu não reclamei da invasão do meu casaco, então acho que estou imune a qualquer despejo — murmurou Itachi, a voz grave e aveludada sobressaindo-se com facilidade mesmo na confusão.
— Você me ama, Uchiha. Nem tente disfarçar — Lis retrucou, descendo uma das mãos para emaranhar os dedos nos fios longos e lisos dele, puxando-os de leve. — Além disso, preto fica melhor em mim.
— Menos, Lis, bem menos — Naruto resmungou, jogando uma almofada na direção da irmã.
Lis se esquivou com a agilidade de quem passou a vida inteira brigando por brinquedos e comida com o irmão. A almofada acertou em cheio o ombro de Shikamaru, que estava jogado no chão com a cabeça no colo de Temari.
— Que problemático... — Shikamaru murmurou, nem sequer se dando ao trabalho de abrir os olhos. — Dá para vocês dois se comportarem como adultos por cinco minutos?
— Não pede milagre, Shikamaru — Temari rebateu, batendo de leve na testa do namorado com a ponta dos dedos antes de olhar feio para os dois Uzumakis. — Se o Naruto e a Lis ficarem quietos, o universo entra em colapso.
No canto oposto da sala, a cena era um contraste gritante. Hinata e Sakura dividiam uma poltrona larga, cobertas pela mesma manta de flanela, conversando aos sussurros enquanto Sakura trançava uma mecha do cabelo escuro de Hinata. Ao lado delas, Ino gesticulava fervorosamente enquanto mostrava uma foto de decoração no celular para Sai, que mantinha aquele sorriso impassível de sempre, balançando a cabeça em concordância absoluta a cada exigência estética dela. Mais perto da sacada, Lee tentava convencer Gaara a apostar uma série de cem abdominais, enquanto Gaara apenas bebia sua água com a serenidade de um monge tibetano, ignorando sumariamente a proposta energética.
— Eu acho uma injustiça o Lee ter essa energia toda às onze da noite de uma sexta-feira — comentou Lis, deslizando do braço do sofá para se sentar diretamente no colo de Itachi.
Itachi não hesitou em passar os braços em volta da cintura dela, acomodando o peso da garota com naturalidade prática. Ele pousou a xícara na mesa lateral e enterrou o nariz na curva do pescoço de Lis, inalando o cheiro de baunilha e fumaça doce que ela sempre exalava.
— Você está inquieta hoje — observou ele, falando baixo, os lábios roçando na pele sensível sob o lóbulo da orelha dela.
— Culpa do tédio — mentiu Lis, sentindo o arrepio imediato que a voz dele sempre provocava. — Ou talvez eu só goste de ver o Sasuke surtando com o Naruto. É o melhor entretenimento gratuito da cidade.
— Você adora o caos, isso sim — Itachi constatou, apertando a lateral do quadril dela com firmeza suficiente para mandar uma mensagem silenciosa.
Lis sorriu, maliciosa. Inclinou a cabeça para trás, encarando os olhos escuros e indecifráveis do namorado. Poucas pessoas conseguiam ler Itachi, mas Lis conhecia cada microexpressão dele. Aquele olhar mais pesado, o aperto no seu quadril e a respiração quente contra sua pele diziam com clareza que a paciência dele com a multidão barulhenta estava chegando ao fim.
A turma continuou a algazarra por mais uma hora. Houve uma disputa acirrada de videogame em que Naruto e Sasuke quase terminaram o namoro pela décima vez na semana, Gaara finalmente cedeu e aceitou jogar cartas com Sakura, e Ino começou a fazer uma análise minuciosa da linguagem corporal de todo mundo.
Foi quando Lis viu a brecha perfeita.
Aproveitando o momento em que todos discutiam calorosamente se deveriam pedir mais refrigerante ou abrir uma garrafa de vinho, ela puxou a gola da camisa preta de Itachi.
— Vem comigo — sussurrou ela contra a boca dele, roubando um selinho rápido e atrevido.
Itachi não precisou de um segundo convite. Ele se levantou com fluidez, segurando a mão de Lis enquanto ela se esgueirava pelo corredor mal iluminado que dava para os quartos de hóspedes. Naruto até tentou berrar um "Ei, onde vocês pensam que vão?", mas Sasuke enfiou um pedaço de pizza na boca do loiro antes que a pergunta terminasse.
Assim que entraram no quarto de hóspedes e Lis bateu a porta, ela não perdeu tempo: girou a chave na fechadura com um clique definitivo.
O contraste entre a balbúrdia da sala e o silêncio repentino do quarto era quase ensurdecedor. A única iluminação vinha da janela ampla, refletindo os postes de luz da rua e as luzes distantes dos prédios da cidade.
— Trancou a porta? — perguntou Itachi, cruzando os braços e encostando-se na parede ao lado do guarda-roupa. A postura era relaxada, mas a intensidade no olhar escuro deixava evidente que ele sabia exatamente o que estava por vir.
— Se eu não trancar, meu irmão entra aqui pedindo carregador de celular ou querendo debater a teoria da relatividade dos lámens — Lis respondeu, aproximando-se dele a passos lentos, os coturnos quase sem fazer barulho no carpete felpudo.
Ela parou bem à frente dele, apoiando as duas mãos no peito largo de Itachi. Sentiu as batidas firmes e calmas do coração dele sob o tecido da camiseta.
— E por que você estava tão apressada para sair de lá? — ele indagou, descendo as mãos para a cintura dela, puxando-a para que os corpos colidissem suavemente.
— Porque você estava me olhando daquele jeito faz duas horas — Lis provocou, passando as unhas pintadas de preto pela nuca dele. — Aquele jeito de quem quer me rasgar no meio, mas tem que fingir que é um monge educado na frente dos outros.
Itachi soltou uma risada rouca, um som baixo e vibrante que ressoou contra o peito de Lis.
— Você fala demais, Lis.
Antes que ela pudesse soltar qualquer resposta sarcástica, Itachi segurou seu queixo com firmeza e tomou sua boca.
O beijo não começou calmo. Não havia espaço para a habitual paciência dele quando Lis decidia provocá-lo daquela forma. A língua de Itachi invadiu a dela com uma fome possessiva, profunda e urgente, fazendo com que Lis soltasse um gemido abafado contra seus lábios. Ele a empurrou de leve contra a porta trancada, prendendo o corpo dela entre a madeira sólida e seu próprio peito.
As mãos de Lis subiram apressadas, enroscando-se nos cabelos compridos de Itachi, puxando-o para mais perto enquanto suas pernas se abriam instintivamente para acolher o quadril dele. Quando Itachi pressionou a coxa entre as dela, a fricção firme sobre o tecido da calça jeans justa fez o ar faltar nos pulmões da garota.
— Itachi... — ela arquejou quando ele desceu os beijos para sua mandíbula, sugando com força a pele sensível logo abaixo da orelha.
— Quieta — sussurrou ele contra a pele dela, a voz carregada de uma autoridade que sempre a deixava em chamas. — Eles estão na sala. Você não quer que seu irmão venha bater na porta, quer?
— Você adora me mandar calar a boca — provocou ela, mas a voz saiu trêmula quando as mãos grandes de Itachi seguraram a barra do moletom que ela usava.
Com movimentos ágeis, ele puxou o casaco preto por cima da cabeça dela e o jogou em algum lugar no chão. Lis usava apenas um sutiã de renda escura por baixo, destacando o contraste de sua pele clara sob a penumbra. Os olhos de Itachi escureceram ainda mais ao percorrê-la, as pupilas completamente dilatadas.
Ele desceu as mãos pelas costelas dela, traçando o caminho até o botão da calça jeans de Lis. Em poucos segundos, ele desfez o fecho e empurrou o tecido pelas coxas torneadas dela, ajudando-a a se livrar dos sapatos e da calça até que ela estivesse apenas de lingerie, encostada na porta fria.
Itachi se ajoelhou à frente dela sem quebrar o contato visual por um segundo sequer. Lis respirou fundo, apoiando as mãos nos ombros largos dele enquanto sentia a madeira gelada nas costas e o calor sufocante emanando do homem aos seus pés.
Com dedos firmes e decididos, Itachi afastou o tecido fino da calcinha dela para o lado. O contato direto de seus dedos quentes contra o centro encharcado e pulsante fez Lis arquear a coluna, jogando a cabeça para trás contra a porta.
— Você está encharcada, Lis — ele constatou em um sussurro rouco, deslizando dois dedos pelo comprimento úmido dela antes de afundá-los devagar, sentindo o calor apertado acolhê-lo.
— Porra... Itachi... — Ela mordeu o lábio inferior com tanta força que quase tirou sangue, lutando para conter o gemido alto que ameaçava escapar.
Ele não esperou. Começou a mover os dedos em um ritmo constante, enquanto a boca encontrava a pele macia da parte interna das coxas dela, deixando beijos quentes e mordidas leves que a faziam estremecer por inteiro. O polegar dele encontrou o clitóris intumescido, massageando-o em círculos precisos, com a maestria de quem conhecia cada milímetro do corpo dela de cor.
Lis enterrou os dedos nos cabelos dele, puxando-o contra si enquanto seus quadris começavam a se mover involuntariamente, buscando mais atrito. O prazer veio em ondas rápidas e violentas, acumulando-se no fundo do ventre até que as pernas dela perderam a sustentação.
— Olha para mim — Itachi ordenou em voz baixa, acelerando o movimento dos dedos.
Ela baixou os olhos, trêmula, e encontrou o olhar dele fixo no seu, implacável e completamente focado nela. O contraste entre o rosto impassível dele e a devassidão do que suas mãos faziam com ela foi o gatilho final. O orgasmo a atingiu com força, fazendo seu corpo inteiro vibrar em espasmos deliciosos enquanto ela enterrava o rosto na curva do ombro dele para abafar o grito de prazer.
Itachi sustentou o peso dela enquanto os tremores diminuíam, depositando um beijo suave no topo de sua cabeça. Então, ergueu-se com determinação nos olhos.
Em um movimento fluido, ele a pegou no colo, fazendo Lis entrelaçar as pernas na cintura dele. Ela sorriu entre respirações entrecortadas, sentindo a ereção rígida dele pressionada contra sua intimidade através da calça dele.
— Minha vez — murmurou ele, jogando-a sobre o colchão macio da cama de hóspedes.
Rapidamente, Itachi desfez o cinto e livrou-se das próprias roupas, revelando o corpo definido, marcado pelas linhas elegantes e musculosas que Lis adorava arranhar. Ele se posicionou sobre ela, separando as pernas de Lis com os joelhos e se alinhando entre suas coxas.
Segurando os quadris dela com as duas mãos, firmando-a contra o colchão, ele posicionou a cabeça do membro na entrada úmida.
— Devagar... — ela pediu num sussurro manhoso, apenas para provocá-lo.
Itachi deu um meio sorriso quase imperceptível antes de empurrar o quadril para frente de uma só vez, enterrando-se fundo nela até a base.
Lis soltou um suspiro entrecortado, as unhas cravando-se imediatamente nas costas largas dele. A sensação de preenchimento era avassaladora, fazendo os dois pararem por um breve momento apenas para saborear a queimação boa e a respiração pesada que compartilhavam.
— Você nunca quis que eu fosse devagar, Lis — murmurou ele, inclinando-se para selar a boca dela enquanto começava a se mover.
O ritmo que se seguiu foi implacável. Itachi estocava fundo, firme, retirando-se quase por completo antes de mergulhar novamente, fazendo a cabeceira da cama bater de leve contra a parede a cada impulso. Lis tentava silenciar os próprios gemidos cravando os dentes no ombro dele, sentindo o gosto salgado da pele de Itachi enquanto suas unhas deixavam marcas vermelhas por toda a extensão das costas dele.
A fricção era intensa, rápida e crua. Cada investida certeira encontrava o ponto exato que a deixava sem ar, e logo o som dos corpos colidindo e das respirações entrecortadas preencheu o quarto silencioso. Lis ergueu as pernas, apoiando os calcanhares na lombar dele para permitir que ele entrasse ainda mais fundo, e Itachi perdeu a compostura de vez, aumentando a velocidade das estocadas com uma urgência quase desesperada.
— Lis... — ele grunhiu rente ao pescoço dela, a respiração quente e irregular. — Porra... você me desmonta inteiro.
Ouvir o controle inabalável de Itachi se espatifar daquela forma fez o calor subir novamente pelo corpo de Lis como lava. Ela apertou as pernas ao redor dele, acompanhando o ritmo das investidas, até que uma nova onda de espasmos tomou conta do seu ventre, apertando-o com força implacável por dentro.
Sentindo o clímax dela prendê-lo, Itachi deu mais três estocadas profundas, arfando pesadamente, antes de derramar-se quente e completamente dentro dela com um gemido abafado contra a curva do pescoço de Lis.
O silêncio voltou a reinar no quarto, quebrado apenas pelo som áspero das duas respirações se acalmando em uníssono.
Itachi desabou com cuidado ao lado dela, puxando o edredom escuro para cobrir os dois corpos suados. Lis se aconchegou imediatamente contra o peito dele, passando uma perna por cima das coxas de Itachi e apoiando a cabeça logo abaixo de seu queixo.
Ele começou a acariciar os cachos volumosos e bagunçados dela com os dedos compridos, o peito ainda subindo e descendo devagar.
— Você é um perigo — ele comentou com a voz rouca, os lábios roçando na testa de Lis.
— E você adora correr esse perigo — ela rebateu, com um sorriso sonolento, mas triunfante, esticado nos lábios.
Antes que Itachi pudesse responder, batidas frenéticas e desengonçadas soaram na porta de madeira do quarto, seguidas pela voz alta e estridente de Naruto do outro lado do corredor:
— Ô Lis! Itachi! Seus traíras! A Ino achou um jogo de tabuleiro da discórdia e a gente precisa de mais dois jogadores antes que o Sasuke tente me esfaquear com um garfo de plástico! Abre aí!
Lis enterrou o rosto no travesseiro para rir baixinho, enquanto Itachi fechava os olhos e suspirava longamente, recuperando a típica paciência inesgotável.
— O que nós respondemos? — sussurrou Lis, levantando a cabeça para encará-lo com os olhos brilhando de pura malícia.
— Nada — respondeu Itachi com extrema serenidade, puxando o edredom por cima das cabeças de ambos. — Nós estamos oficialmente mortos pelas próximas oito horas.
Lis riu contra o peito dele, concordando plenamente enquanto o fim de semana caótico lá fora continuava a existir, mas, ali dentro, pertencia apenas aos dois.
