
Amorpio
Fandom: Diário de uma princesa desastrada
Criado: 29/09/2026
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O Segredo Sob o Teto dos Diabrotic
Querido Diário,
Eu ainda não consigo acreditar no que aconteceu. Minha mão está tremendo tanto que mal consigo segurar a caneta, mas usei um pouco daquela Poção Transcrevedora que a Vovó Dulce me ensinou (espero que ela não sinta falta dos ingredientes no estoque dela!). Assim, enquanto eu falo baixinho, as palavras vão aparecendo magicamente nestas páginas, porque se eu tentasse escrever do jeito normal, a letra sairia um garrancho completo de tanto nervosismo.
Você sabe, Diário, que ser a Florentina não é fácil. Esconder meus cabelos roxos vibrantes e meus cílios longos sob aquele disfarce de menina comum é um fardo que carrego para me proteger. Ninguém, absolutamente ninguém, além da Lila, sabe que a Florentina sem graça é, na verdade, a Amora. Ou pelo menos era o que eu achava até acordar em um lugar completamente estranho.
Mas vamos voltar um pouco, porque minha cabeça ainda está girando.
Ontem à noite, eu estava exausta. O dia na escola tinha sido puxado e a senhorita Dulce me deu tantas tarefas no castelo que eu apaguei assim que encostei a cabeça no travesseiro. Eu estava no meu quarto, segura, ou pelo menos pensava que estava. O que eu não sabia é que o Scorpio — sim, o Scorpio de cabelo espetado e sorriso que faz meu coração dar piruetas — tinha planos muito... digamos, peculiares.
Pelo que entendi agora, ele acha que eu moro no castelo porque sou neta da senhorita Dulce (o que tecnicamente é verdade, mas ele não sabe quem eu sou de verdade!). Ele deve ter entrado lá como um gato, silencioso e determinado. Ele me pegou no colo enquanto eu dormia! Consegue imaginar isso, Diário? Eu, desmaiada de sono, sendo carregada pelos braços do garoto por quem eu tenho um crush gigantesco, atravessando a noite até a Mansão Diabrotic.
Eu acordei hoje com um gosto estranho na boca e o cheiro de incenso de sândalo que é típico da casa dele. Mas antes de contar o que aconteceu quando abri os olhos, preciso te contar o que a Lila me disse depois, por mensagem mágica.
Hoje cedo, na escola, o clima estava tenso. A Lila, com aqueles cachos azuis maravilhosos e a pele escura brilhando sob a luz do sol, estava desesperada. Ela é a única que sabe meu segredo, então, quando não me viu chegar, ela entrou em pânico. A Sadi, prima do Scorpio, também estava lá. A Sadi é aquela garota que não tem medo nem de dragão faminto, sempre corajosa, mas até ela estava estranhando o meu sumiço.
— Lila, você viu a Florentina? — perguntou Sadi, cruzando os braços e olhando para os lados do pátio. — Ela nunca se atrasa para a primeira aula de Poções.
— Eu não sei, Sadi! — Lila respondeu, tentando disfarçar o tremor na voz. — Ela deve ter ficado ajudando a avó dela no castelo. Mas é estranho, ela teria me avisado.
As duas ficaram andando de um lado para o outro até que viram o Scorpio chegando. Ele estava com um ar misterioso, aquele sorrisinho de lado que ele faz quando acha que está no controle de tudo. As meninas não perderam tempo e foram direto para cima dele.
— Scorpio! — gritou Sadi. — Você viu a Florentina? Ela sumiu!
Scorpio parou, olhou para a prima e depois para a Lila. Ele é um ótimo ator, Diário. Um ótimo e terrível ator.
— A Florentina? — ele perguntou, fingindo indiferença, enquanto ajeitava o cabelo espetado. — Não faço a menor ideia de onde ela esteja. Por que eu saberia?
— Porque você está sempre de olho nela! — rebateu Lila, desconfiada.
— Bom, eu não a vi — mentiu ele, na maior cara de pau. — Agora, se me dão licença, tenho aulas para... bom, para ignorar.
Ele deu meia volta e saiu, mas a Lila me disse que sentiu que tinha algo errado. E ela estava certa. O Scorpio sabia exatamente onde eu estava: trancada em um dos quartos de hóspedes da imensa e sombria Mansão Diabrotic.
Enquanto elas se preocupavam na escola, eu comecei a despertar.
Meus olhos pesavam. A luz que entrava pelas cortinas pesadas de veludo roxo era fraca. Senti um colchão macio sob meu corpo, muito mais macio do que o meu lá no castelo. Quando finalmente consegui abrir os olhos e focar a visão, dei de cara com o teto alto e decorado com gárgulas esculpidas.
— Onde... onde eu estou? — sussurrei, minha voz saindo rouca.
— Você acordou.
Eu dei um pulo, ou tentei dar, mas meu corpo ainda parecia feito de gelatina. Scorpio estava sentado em uma poltrona no canto do quarto, observando-me com uma intensidade que me fez esquecer como se respira.
— Scorpio? — perguntei, confusa. — O que eu estou fazendo aqui? Por que você me trouxe para a sua casa?
Ele se levantou e caminhou até a beira da cama. O coração dele devia estar batendo tão rápido quanto o meu, mas ele mantinha aquela pose de garoto rebelde.
— Você não estava segura lá, Florentina — disse ele, usando meu nome falso. — O castelo é muito grande, muito exposto. Eu não podia deixar você lá sozinha.
— Mas eu moro lá! — eu exclamei, sentando-me e tentando ajeitar meu cabelo (que eu esperava que ainda estivesse sob o feitiço de disfarce, ou eu estaria perdida com meus fios roxos à mostra). — Você me sequestrou, Scorpio! Isso é loucura!
Ele se sentou na beira da cama, diminuindo a distância entre nós. O cheiro dele era tão bom que minha raiva começou a derreter, o que é um problema sério, Diário. Eu deveria estar brava, não querendo me inclinar para mais perto!
— Talvez seja loucura — ele admitiu, a voz baixinha agora. — Mas eu não conseguia parar de pensar que algo poderia acontecer com você. Eu precisava ter certeza de que você estaria bem. Você está bem?
— Eu... eu acho que sim — respondi, meu coração martelando contra as costelas.
— Que bom — ele murmurou.
E então, Diário... ah, Diário! Ele não disse mais nada. Ele apenas se aproximou, colocou a mão no meu rosto, acariciando minha bochecha com o polegar, e me beijou. Não foi um beijinho qualquer, foi um beijo demorado, profundo, daqueles que a gente lê nos livros de romance proibido que a Lila esconde na mochila.
Por um momento, eu esqueci que era a Amora disfarçada de Florentina. Esqueci que a Sadi e a Lila estavam me procurando feito loucas. Esqueci que estava em uma mansão sombria. Eu só conseguia sentir o calor do beijo dele e a forma como meu mundo inteiro parecia ter encontrado um novo centro.
Quando ele finalmente se afastou, seus olhos brilhavam.
— Eu queria fazer isso há muito tempo — confessou ele, com um sorriso quase tímido.
— Scorpio... — eu comecei, mas não sabia o que dizer.
Como eu posso contar para ele que eu não sou quem ele pensa? Ele tem um crush na Florentina, mas e se ele descobrir que eu sou a Amora? E se ele descobrir que eu escondo minha identidade por puro medo?
Agora ele saiu do quarto para "buscar algo para eu comer", mas eu sei que ele só quer me manter aqui por mais tempo. Eu consegui pegar meu diário na bolsa que, milagrosamente, ele também trouxe (acho que ele pensou em tudo!).
Eu preciso sair daqui antes que a Sadi chegue em casa e me encontre, ou antes que o disfarce da poção perca o efeito e meus cabelos roxos revelem toda a verdade. Mas, ao mesmo tempo... uma parte de mim, uma parte muito boba e apaixonada, nunca quis sair desse quarto.
— Florentina? — a voz dele ecoou no corredor. Ele está voltando.
Preciso esconder o diário. A poção transcrevedora está acabando e a tinta está falhando. Lila, se você de alguma forma sentir que estou em perigo (ou em um momento muito romântico e confuso), por favor, me ajude!
Até logo, Diário. Se eu sobreviver a este dia sem revelar quem eu sou ou sem desmaiar de novo nos braços do Scorpio, será um milagre.
— Amora (ou Florentina, nem eu sei mais).
