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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 29/09/2026

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SombrioRomanceCenário CanônicoHorrorPsicológicoHistória DomésticaHorror Corporal
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Laços de Tinta e Papel

O corredor oeste da Paper School estava envolto naquele silêncio sepulcral característico que sempre precedia o anoitecer. Longe das salas onde a Professora Circle e as outras docentes realizavam seus castigos sangrentos e impiedosos contra os alunos desavisados, uma atmosfera fria e pesada dominava o ar. O papel que compunha as paredes parecia sussurrar segredos antigos, levemente amarelado pelo tempo e pontilhado por manchas escuras que qualquer pessoa sã fingiria não notar.

Oliver caminhava com a postura despreocupada de quem sabia ser o dono do lugar. Suas botas pretas estalavam ritmicamente contra o piso quadriculado, ecoando pelas paredes brancas. Suas meias brancas, esticadas até os joelhos, contrastavam com a bermuda clara e a elegante camisa preta de gola alta, cujas listras brancas nas mangas e na barra dançavam suavemente a cada passo. No centro de seu peito, o símbolo em forma de losango com a barra transversal parecia quase solene.

Com a mão direita — onde reluzia um relógio prateado de pulso —, ele segurava uma barra retangular de sabonete de lavanda com aroma artificial. Sem qualquer cerimônia, levou o sabão à boca e mordeu um pedaço generoso, mastigando com estalos satisfeitos como se estivesse saboreando o mais refinado chocolate branco. Uma bolha de sabão lilás formou-se em seus lábios e estourou com um estalo suave.

Seus cabelos brancos, tão compridos que quase tocavam a altura dos tornozelos, estavam presos em um rabo de cavalo baixo e frouxo por um laço preto impecável. Uma mecha teimosa e pontiaguda se erguia no topo de sua cabeça, desafiando a gravidade como uma coroa rebelde. No lado direito de seus fios alvos, a marca vermelha em formato de "A+" se destacava vividamente, tão rubra quanto o sangue fresco deixado nos cadernos dos reprovados. Seus pequenos chifres negros curvavam-se entre os cabelos, completando sua aura de travessura maliciosa. Seu braço esquerdo, inteiramente feito de um lápis de grafite afiado, balançava ao lado do corpo, servindo tanto de ferramenta quanto de arma letal caso algum intrometido cruzasse seu caminho.

Havia acabado de se despedir de Zip e Edward após passarem a tarde pregando peças cruéis nos alunos mais novos. Colar as mesas de Claire e Engel no teto com fita adesiva dupla face fora divertido, mas agora ele tinha compromissos muito mais importantes. E infinitamente mais perigosos.

Oliver parou diante da enorme porta de carvalho escuro, selada por feitiços arcanos e trancas pesadas que nenhum outro estudante ousaria tocar. Apenas ele possuía a chave. Apenas ele tinha a permissão — e a audácia — de transpor aquele limiar. Ali vivia ∆lice. Sua amada namorada, a temida princesa demônio canibal, mantida isolada de todo o restante da escola por motivos que envolviam massacre, caos e apetites monstruosos.

Com um sorriso convencido brincando nos lábios, Oliver limpou os resquícios de espuma de sabonete do canto da boca com as costas da mão, tirou a chave do bolso e a girou suavemente na fechadura. A tranca cedeu com um estalo metálico que reverberou no corredor vazio.

— Amor? — chamou Oliver em tom cantante, empurrando a pesada folha de madeira e entrando no quarto. — Adivinha quem trouxe sobremesa? E não, dessa vez não é o sabonete de menta que você disse que tinha gosto de cera velha.

A resposta, no entanto, foi o vazio.

O interior do quarto de ∆lice não se parecia com nada no mundo exterior. As paredes eram cobertas por rabiscos caóticos, papéis rasgados e manchas escuras de tinta e sangue seco. Era um labirinto sombrio de pesadelos dobrados em origami, mas costumava haver movimento, murmúrios ou ao menos o brilho curioso dos olhos dela esperando por ele em algum canto.

Agora, o silêncio era absoluto. Uma quietude pesada, espessa como óleo.

— ∆lice? — Oliver franziu o cenho, dando alguns passos lentos para dentro. A porta se fechou atrás dele com um baque seco e definitivo, trancando-se sozinha por um mecanismo invisível. — Qual é, não brinque de esconde-esconde agora. Zip e Edward quase foram pegos pela Miss Thavel hoje e eu tô morrendo de fome...

Antes que pudesse terminar a frase, o ar ao seu redor pareceu ficar congelado. Uma névoa escura e opressiva começou a emergir das frestas do chão, densa e impregnada por um aroma metálico de cobre e cinzas.

Oliver levou a mão à têmpora. Sua visão, subitamente, começou a tremeluzir. As bordas do quarto se distorciam como páginas mergulhadas na água. As pernas do valentão perderam a firmeza habitual; seus joelhos cederam e ele cambaleou, tentando se apoiar em uma estante decadente com seu braço de lápis. O grafite riscou a madeira, mas não impediu a queda.

— Mas que... droga... — murmurou ele, a voz arrastada e fraca.

A barra de sabonete escorregou de seus dedos, rolando pelo piso empoeirado. O peso nas pálpebras de Oliver se tornou insuportável, como se garras invisíveis o puxassem para o fundo de um abismo negro. Ele desabou pesadamente sobre o chão de tábuas corridas, e o mundo apagou por completo.


A primeira sensação que atingiu Oliver ao recobrar a consciência foi o formigamento incômodo nas extremidades do corpo. Em seguida, veio o toque frio e implacável do couro e das cordas.

Ele tentou erguer o tronco, mas descobriu que não conseguia se mover nem um único centímetro. Seus braços estavam puxados para trás, amarrados firmemente com nós intrincados que prendiam tanto seu braço direito de carne quanto o esquerdo de lápis contra as suas costas. Suas pernas compridas estavam esticadas e unidas por correias de couro grosso, atadas até os tornozelos, anulando qualquer chance de chutar ou se levantar.

Pior ainda era a sensação em seu rosto. Uma grande bola de borracha preta preenchia totalmente sua boca, mantendo sua mandíbula aberta em um ângulo desconfortável, presa por tiras de couro que contornavam sua nuca e se afivelavam firmemente atrás de sua cabeça, entremeadas em seus longos cabelos brancos. Era uma mordaça clássica de bondage, justa e completamente restritiva.

— Mmmph?! — Oliver tentou gritar, mas o único som que conseguiu produzir foi um gemido abafado e patético que apenas fez a saliva escorrer pelo canto de seus lábios.

Foi então que o som começou.

Uma risada baixa, distorcida e profundamente maligna ecoou pela escuridão do quarto. Não era o riso tímido ou mimado que ela às vezes usava quando estavam sozinhos; era a melodia aterradora de um predador supremo prestes a devorar sua presa favorita.

Das sombras mais densas do canto do teto, a escuridão pareceu ganhar forma física, derretendo-se em direção ao chão como tinta derramada. Os olhos de Oliver se arregalaram.

Lá estava ela. Mas não em sua forma dócil e contida.

∆lice manifestava-se em sua versão sombria mais pura e aterradora. Chifres negros gigantescos e retorcidos coroavam sua cabeça; tentáculos e garras de pura sombra escorriam ao redor de sua silhueta majestosa e ameaçadora, como uma princesa nascida do mais profundo dos pesadelos de papel. Seus cabelos negros pareciam flutuar em um vácuo sem vento. E seus olhos... seus olhos brilhavam em um tom vermelho-sangue incandescente, iluminando o ambiente escuro com um fulgor quase hipnótico.

Ela caminhou lentamente até ele. Cada passo descalço parecia não fazer barulho algum, como um fantasma deslizando sobre as tábuas. Seu olhar estava impregnado de uma malícia irresistível e perigosa. Ao parar exatamente acima de Oliver, inclinando o corpo em um ângulo predatório, ela passou a ponta de sua língua escura e bífida sobre os lábios carnudos, saboreando a visão do garoto indefeso aos seus pés.

— Ora, ora, ora... — a voz de ∆lice soou duplicada, uma sobreposição de sussurros fantasmagóricos e um tom aveludado e zombeteiro. — Veja só o que caiu na minha armadilha. O grande valentão da escola. O terror dos corredores.

— Mmmff! Mmph-rrgh! — protestou Oliver, franzindo o cenho em pura indignação. Ele começou a se debater violentamente contra as amarras, contorcendo o quadril e tentando girar os ombros para usar a ponta de grafite afiada de seu braço contra as cordas.

Seus esforços, porém, foram completamente inúteis. As cordas eram reforçadas com magia demoníaca, apertando-se ainda mais conforme ele lutava, fazendo com que o couro afundasse em suas coxas e pulsos. A mecha pontiaguda no topo de sua cabeça sacudia freneticamente de um lado para o outro.

∆lice soltou uma risadinha deliciada, ajoelhando-se graciosamente sobre os quadris dele, montando-o com um peso que parecia muito maior do que seu corpo esguio sugeria. O tecido de sua saia escura cobriu as pernas amarradas de Oliver, enquanto suas garras afiadas desciam pelo peito do rapaz, traçando o desenho do losango em sua camisa preta com a precisão de um cirurgião.

— Tão agitado... — zombou ela, aproximando o rosto a poucos centímetros do dele. Oliver pôde sentir a respiração dela: fria, com um leve cheiro de cinzas e algo adocicado e proibido. — Você faz tanto barulho lá fora, não faz, querido? Bate nos alunos fracos, joga as coisas dos outros no lixo com seus amigos idiotas... Mas aqui dentro, no meu domínio... você é apenas o meu brinquedinho.

As bochechas de Oliver, normalmente pálidas como papel sulfite, começaram a queimar em um tom vermelho escarlate tão vivo quanto a marca de "A+" em seu cabelo. Ele estava furioso por ter sido pego de surpresa, mas, ao mesmo tempo, o domínio absoluto de ∆lice sobre ele enviava choques elétricos por toda a sua espinha. A humilhação de estar amarrado e amordaçado como um prisioneiro misturava-se a uma excitação confusa que ele jamais admitiria em voz alta — mesmo que sua boca estivesse livre para falar.

— O que foi, amorzinho? — provocou ∆lice, inclinando a cabeça para o lado enquanto seus olhos vermelhos cintilavam de pura diversão sádica. Suas garras subiram lentamente pelo pescoço dele, contornando a linha de sua mandíbula até tocarem a tira de couro da mordaça. — Não tem nenhuma piadinha sarcástica para me dizer agora? Nem uma daquelas suas gracinhas que me fazem querer arrancar sua garganta fora?

— Mmm-mmph! Nggh! — Oliver encarou-a fixamente, seus próprios olhos brilhando de raiva e desafio, recusando-se a abaixar o olhar. Seus músculos estavam tensos, o peito subindo e descendo com força contra o peso dela. Ele arqueou as costas em mais uma tentativa desesperada de desestabilizá-la, mas ela apenas riu mais alto, pressionando os joelhos contra o chão para travar os movimentos dele.

— Tão lindo quando fica irritado... — sussurrou ela, com a voz agora macia, quase carinhosa, embora o perigo mortal nunca deixasse o tom de suas palavras. — Você acha que só porque eu deixo você entrar aqui, você está no controle? Esqueceu o que eu sou, Oliver? Eu sou um monstro. Uma princesa demônio. E você... você é a única criatura viva em toda essa escola que tem o privilégio de ser devorada aos poucos por mim.

Ela abaixou a cabeça e enterrou o rosto na curva do pescoço de Oliver. Ele estremeceu imediatamente quando a língua dela traçou um caminho lento e úmido por sua pele sensível, logo abaixo da gola da camisa preta. Ela deu uma mordidinha leve, aplicando pressão suficiente para que a dor aguda o fizesse gemer alto contra a mordaça de borracha, antes de soltá-lo e lamber o local para aliviar o ardor.

— Hmmm... você tem gosto de sabão barato e arrogância — comentou ∆lice, erguendo o olhar novamente para encará-lo, lambendo os lábios negros com deleite. — Um sabor único no mundo.

Oliver bufou pelo nariz, o rubor em suas bochechas agora se espalhando até a ponta de suas orelhas e por trás dos pequenos chifres pretos. Ele tentou franzir as sobrancelhas para parecer ameaçador, mas a visão de um garoto com cabelos brancos desgrenhados até os pés, com uma mecha ridícula apontada para cima e uma bola preta estufando sua boca, apenas tornava o cenário comicamente patético para ela.

— Não me olhe com essa cara de cachorro bravo — continuou ela, deslizando uma das mãos escuras para segurar o queixo dele com firmeza, forçando-o a manter os olhos fixos nos seus. — Você sabe muito bem que adorou a surpresa. Olha só para você... nem está tentando usar sua força de verdade. Se quisesse mesmo fugir, já teria tentado quebrar esse seu bracinho de lápis contra o chão para se soltar das cordas. Mas você prefere ficar aqui... indefeso... à minha mercê.

Oliver parou de se debater por um instante, seus olhos se arregalando ligeiramente. O fato de ela conhecê-lo tão bem era irritante. Era verdade: ele poderia ter sido mais bruto, poderia ter quebrado a mobília ou arriscado danificar seu braço postiço, mas havia uma parte profundamente distorcida em sua mente que se sentia fascinada por aquele jogo. Ele amava a periculosidade dela. Amava o fato de que a garota mais aterrorizante daquele universo pertencia a ele — ou melhor, o reivindicava como propriedade exclusiva.

Percebendo a rendição temporária do garoto, o sorriso de ∆lice suavizou-se em algo menos monstruoso, embora não menos malicioso. Seus tentáculos de sombra recuaram lentamente, fundindo-se novamente à escuridão ao redor, e o brilho vermelho em seus olhos diminuiu de intensidade, tornando-se mais quente e íntimo.

Ela inclinou-se para frente mais uma vez, apoiando as palmas das mãos em ambos os lados da cabeça de Oliver, fazendo com que suas longas madeixas negras caíssem ao redor do rosto dele como uma cortina impenetrável que os isolava do resto do mundo.

— Agora você vai ficar quietinho aqui no chão comigo por um bom tempo — murmurou ela, roçando a ponta de seu nariz no dele carinhosamente. — Sem brincadeiras idiotas com Zip. Sem arremessar giz nos outros. Só você, eu... e o silêncio que você é obrigado a manter.

— Mmm... — Oliver soltou um suspiro abafado, revirando os olhos cinzentos em uma expressão clássica de derrota exasperada.

Ele relaxou o corpo contra as tábuas de madeira, aceitando que sua tarde seria gasta servindo de travesseiro e prisioneiro pessoal de sua namorada canibal. Afinal, pensou ele enquanto sentia o peso confortável dela deitando-se sobre seu peito, havia maneiras muito piores de passar o intervalo entre as aulas na Paper School.

∆lice fechou os olhos e sorriu satisfeita, ouvindo o ritmo acelerado das batidas do coração de seu valentão cativo, decidindo que talvez, apenas talvez, o soltasse a tempo para o jantar — contanto que o jantar não fosse sabonete.

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