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Shopping day

Fandom: EngLot

Criado: 29/09/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraHistória DomésticaDiscriminação
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O Pequeno Império de Sonya

O som ambiente do shopping center em um sábado à tarde era uma mistura caótica de música pop, risadas infantis e o burburinho constante de centenas de pessoas. Para Engfa Waraha, aquele cenário normalmente seria um convite para o isolamento em sua biblioteca particular, cercada pelo cheiro de café e páginas de papel. No entanto, enquanto observava a pequena Sonya correr em direção à área de recreação, Engfa sentiu aquele calor familiar no peito que apenas sua família conseguia provocar.

Aos 31 anos, Engfa mantinha sua postura reservada, os olhos castanhos observando tudo com uma atenção meticulosa. Ao seu lado, Charlotte Austin, com seus 1,73m de elegância e os cabelos castanho-claros ondulados caindo sobre os ombros, segurava sua mão. As sardas no nariz de Charlotte, que Sonya herdara com perfeição, pareciam brilhar sob as luzes artificiais do local.

— Ela tem energia para abastecer a cidade inteira — comentou Charlotte, soltando um suspiro risonho. — Espero que o pula-pula dê conta do recado.

— Ela é uma Austin-Waraha, Char — Engfa respondeu, a voz calma e carregada de um sarcasmo leve. — A resistência está no DNA. E a teimosia também.

Elas se aproximaram da área de brinquedos, onde Sonya, de seis anos, já estava entusiasmada. A menina era uma mistura fascinante das duas: tinha os olhos penetrantes de Engfa, mas o sorriso radiante e as sardas de Charlotte. Naquele momento, Sonya estava encantada com uma pista de carrinhos de controle remoto e robôs articulados que ficava na vitrine de uma grande loja de brinquedos integrada ao espaço de lazer.

Sonya se aproximou de um grupo de crianças que brincava com protótipos de naves espaciais. Antes que pudesse tocar em um dos brinquedos, uma mulher de aparência austera, que vigiava um garotinho, colocou a mão na frente de Sonya.

— Oh, não, querida — disse a mulher, com um tom de voz condescendente que fez os pelos da nuca de Engfa se arrepiarem instantaneamente. — Esses são brinquedos de meninos. As bonecas e as cozinhas ficam do outro lado, veja como são rosas e bonitas. Vá para lá.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Sonya piscou, confusa, seus olhos buscando as mães. Charlotte deu um passo à frente, o rosto começando a ganhar aquele tom de determinação que Engfa conhecia bem, mas Engfa foi mais rápida. Ela se colocou ao lado da filha, a mão pousando protetoramente no ombro pequeno de Sonya.

Engfa não gritou. Ela nunca precisava gritar para ser intimidadora.

— Perdão? — A voz de Engfa era um sussurro gelado, seus olhos fixos na mulher. — Eu acho que não ouvi direito.

— Eu apenas disse que a menina deveria brincar com coisas de menina — a mulher insistiu, embora tenha recuado um passo diante do olhar de Engfa. — É confuso para eles misturar as coisas.

Engfa soltou um riso seco, desprovido de qualquer humor.

— O que é confuso, minha senhora, é a sua mentalidade limitada em pleno século vinte e um — Engfa disse, a voz subindo apenas um tom, o suficiente para atrair a atenção do gerente da loja que passava por perto. — Sonya, você quer brincar com esses carrinhos e com aquela nave espacial?

— Quero, Mama! — Sonya exclamou, embora ainda parecesse um pouco acuada. — Eu queria ver como o robô anda.

Engfa olhou para o gerente, um homem jovem que parecia querer desaparecer.

— Qual é o valor de estoque desta seção? — Engfa perguntou, tirando a carteira do bolso do casaco.

— Como... como disse? — o gerente gaguejou.

— Você me ouviu. Eu quero comprar tudo o que está nesta prateleira. E naquela ali também — Engfa apontou para a seção de naves e robótica. — Na verdade, por que parar por aqui? Quero que você feche a loja para o público pelos próximos trinta minutos. Minha filha vai brincar com o que ela quiser, sem comentários ignorantes ao fundo.

Charlotte arregalou os olhos, a boca levemente aberta.

— Engfa, você não pode estar falando sério — Charlotte sussurrou, puxando o braço da esposa. — Comprar a loja? Ou parte dela? Isso é... é absurdo!

— Absurdo é alguém dizer à nossa filha o que ela pode ou não ser — Engfa respondeu, o orgulho ferido brilhando em seus olhos. — Se ela quer ser uma astronauta ou uma pilota de corrida hoje, ela vai ser. E ninguém vai impedi-la.

— Mas e o estoque? O que vamos fazer com cem robôs? — Charlotte tentou argumentar, embora uma parte dela, a parte teimosa e protetora, estivesse secretamente vibrando com a atitude da esposa.

— Doaremos para o orfanato que você apoia, Char. Mas agora, Sonya é a dona do lugar — Engfa deu um sorriso de canto, aquele sorriso sarcástico que sempre desarmava Charlotte. — Cartão ou transferência?

A mulher ignorante, percebendo que havia mexido com a pessoa errada, pegou o filho pelo braço e saiu apressada, murmurando algo sobre "gente excêntrica".

Pelas próximas duas horas, o que era para ser apenas uma "brincadeira rápida" transformou-se em um evento. Sonya corria pelos corredores da loja agora vazia de outros clientes, fazendo os robôs lutarem entre si e montando pistas de corrida quilométricas. Charlotte, apesar de suas reclamações iniciais sobre o exagero de Engfa, acabou sentada no chão com a filha, ajudando-a a montar um complexo de naves espaciais.

— Você é impossível — Charlotte disse, olhando para Engfa, que estava encostada em uma prateleira, observando as duas com um olhar de pura adoração.

— Eu sou eficiente — Engfa corrigiu, aproximando-se e deixando um beijo rápido no topo da cabeça de Charlotte. — E você está se divertindo tanto quanto ela. Olhe para suas mãos, estão cheias de adesivos.

— É para o design da nave! — Charlotte defendeu-se, rindo.

Depois da maratona de brinquedos, a fome bateu. Sonya, exausta mas ainda elétrica, insistiu em fast food. Elas se acomodaram em uma mesa de canto na praça de alimentação. Sonya devorava batatas fritas, enquanto Engfa saboreava um café americano, observando o movimento.

Charlotte, por outro lado, estava em uma batalha pessoal com um milk-shake de morango exageradamente decorado.

— Isso tem açúcar suficiente para causar um colapso em um elefante — Charlotte reclamou, franzindo o nariz e limpando um pouco de chantilly do canto da boca. — Engfa, experimente isso. Está doce demais.

— Passo — Engfa disse, levantando a xícara de café. — Prefiro meu amargor habitual.

— Você é tão ranzinza às vezes — Charlotte brincou, esticando o pé por baixo da mesa para cutucar a canela de Engfa.

— Mama, olha! — Sonya interrompeu, com o rosto sujo de ketchup. — Eu sou um monstro de batata!

— Um monstro muito lindo — Engfa disse, pegando um guardanapo e limpando o rosto da filha com uma delicadeza que contrastava totalmente com a frieza que demonstrara na loja de brinquedos. — Mas monstros também precisam comer vegetais no jantar, ouviu bem?

— Ah, Mama... — Sonya fez um biquinho, mas logo se distraiu quando viu uma cabine de fotos instantâneas por perto. — Podemos tirar fotos? Por favor, por favor!

O resultado foram tiras de fotos reveladas na hora: Engfa tentando manter a seriedade enquanto Sonya puxava suas bochechas; Charlotte fazendo caretas engraçadas; e uma última foto, a favorita de todas, onde as três estavam abraçadas, Sonya no meio, os olhos brilhando de felicidade, Charlotte sorrindo abertamente e Engfa com um olhar suave, o tipo de olhar que ela reservava apenas para as duas.

A tarde continuou com uma maratona de compras mais "adulta", embora Sonya continuasse sendo o centro das atenções. Elas entraram em uma loja de artigos de arte, onde Charlotte se perdeu entre telas e pincéis novos.

— Esse azul é perfeito para a série de marinhas que quero começar — Charlotte comentou, analisando um tubo de tinta a óleo.

— Leve dois — Engfa disse, sem hesitar. — E leve aquele conjunto de carvão que você estava olhando semana passada na internet.

— Engfa, eu não preciso de tudo isso agora...

— Charlotte, você trabalha duro. Seus quadros são incríveis. Considere um investimento da sua fã número um — Engfa piscou, e Charlotte sentiu as bochechas esquentarem, a sensibilidade sempre à flor da pele quando se tratava do apoio da esposa.

Enquanto Charlotte escolhia seus materiais, Engfa e Sonya foram para a seção de calçados. Engfa tinha uma fraqueza por botas e coturnos de couro, e Sonya, claro, queria ser igual à mãe.

— Veja, Mama! — Sonya apontou para um par de coturnos minúsculos, pretos e brilhantes. — Igual aos seus!

— Escolha excelente, pequena — Engfa sorriu, sentando-se em um banco para experimentar um par de botas de cano curto para si mesma. — Vamos levar os dois. Vamos ser a dupla do couro hoje.

Ao final do dia, as três caminhavam em direção ao estacionamento. Engfa carregava a maioria das sacolas, mantendo a postura firme, enquanto Charlotte segurava a mão de Sonya, que agora caminhava com passos mais lentos, o cansaço finalmente vencendo a bateria infinita.

— Foi um bom dia — Charlotte disse, encostando a cabeça no ombro de Engfa por um breve momento enquanto esperavam o elevador.

— Foi um dia necessário — Engfa corrigiu. — Ninguém diz à minha filha o que ela pode ou não fazer. E ninguém deixa você sem suas tintas.

— Você é uma protetora nata, Waraha — Charlotte sorriu, apertando a mão de Engfa. — Mas da próxima vez, tente não comprar metade do shopping. O porta-malas do carro tem limites.

— Detalhes técnicos, Austin — Engfa respondeu com um sorrisinho.

Ao chegarem ao carro, Sonya já estava quase dormindo em pé. Engfa a pegou no colo, e a menina prontamente se aninhou no pescoço da mãe.

— Mama? — Sonya murmurou, a voz rouca de sono.

— Sim, pequena?

— O robô pode dormir no meu quarto hoje?

Engfa olhou para Charlotte, que apenas revirou os olhos com carinho.

— Pode, Sonya. O robô, a nave e o que mais você quiser — Engfa beijou a testa da filha. — Porque hoje, você provou que pode comandar o espaço sideral se quiser.

— E a mamãe Char vai pintar o espaço para mim? — a menina perguntou, já fechando os olhos enquanto era colocada na cadeirinha.

— Vou sim, meu amor — Charlotte respondeu, ajeitando o cinto de segurança da filha. — Com o azul mais bonito que a Mama Engfa comprou.

Enquanto dirigiam de volta para casa, com o silêncio confortável da noite começando a cair, Engfa olhou pelo retrovisor para ver a filha dormindo e depois para Charlotte, que observava a paisagem urbana pela janela. Engfa estendeu a mão, entrelaçando seus dedos com os de Charlotte sobre o console do carro.

Ela podia ser reservada, teimosa e, às vezes, exagerada em sua proteção, mas ali, naquele pequeno universo dentro de um SUV voltando do shopping, Engfa Waraha tinha tudo o que precisava. E se precisasse comprar o mundo inteiro para garantir o sorriso daquelas duas, ela o faria sem pensar duas vezes. Afinal, para Engfa, o amor não era apenas um sentimento quieto; era uma ação, muitas vezes barulhenta e cheia de sacolas de brinquedos.

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