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Oliver x Oliver kid

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 30/09/2026

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Linhas Cruzadas e Ecos de Papel

A sala vazia parecia respirar em compassos irregulares. O ar cheirava a grafite raspado, papel sulfite envelhecido e um leve toque artificial de lavanda química, vindo diretamente do bolso de Oliver. O chão xadrez, desenhado com linhas pretas rígidas e imperfeitas, estendia-se em direção às sombras pesadas que engoliam os cantos do teto alto da Paper School. Ali, naquele espaço isolado onde as leis da física pareciam ter sido dobradas como uma folha de caderno esquecida, o silêncio era quebrado apenas pelo choro baixinho, quase rítmico, de uma criança encolhida.

Oliver Kid tremia da cabeça aos pés. Sua camisa laranja brilhante, agora ligeiramente amassada, contrastava de forma berrante com a paleta austera e monocromática daquele colégio aterrador. Suas pernas curtas, cobertas pelo short verde, batiam uma contra a outra em um espasmo incontrolável de pânico, enquanto as solas de seus sapatos pretos arranhavam o piso de papel rígido na vã tentativa de encontrar apoio para fugir. Ele esfregava os olhos avermelhados, soluçando sem parar, com o nariz escorrendo e a voz engasgada.

— Eu quero ir para casa... — murmurava o menino, com as lágrimas escorrendo pelo rosto rechonchudo. — Papai Manlur... Mamãe Iggy... Por favor, onde eles estão? Por que você tá fazendo isso?

A resposta não veio com palavras imediatas, mas com o som seco de passos pesados ecoando pelo tablado. As botas pretas de cano curto aproximaram-se sem pressa, estalando contra o piso com uma autoridade predatória. Acima delas, as meias brancas que subiam até os joelhos e a bermuda clara compunham uma silhueta alta, esguia e assustadoramente familiar.

Oliver parou a menos de um metro da criança. O contraste entre os dois era um paradoxo vivo. O adolescente exibia com orgulho seus chifres negros e pontiagudos que se erguiam entre as mechas alvas de cabelo, cuja extensão colossal caía em cascata pelas suas costas, alcançando a altura dos tornozelos antes de ser presa em um rabo de cavalo baixo por um laço preto perfeitamente ajustado. Uma mecha rebelde e pontuda despontava no topo de sua cabeça, desafiando a gravidade, enquanto no lado direito de sua franja brilhava, em um tom escarlate vivo, a marca inconfundível em formato de "A+".

Com a mão direita — onde um relógio de pulso marcava um tempo que parecia não correr —, Oliver levou aos lábios um pedaço retangular e leitoso de sabonete em barra. Ele mordeu uma lasca generosa com a naturalidade de quem saboreia um doce requintado. O som crocante e macio ao mesmo tempo ecoou pela sala silenciosa. Ele mastigou com calma, engoliu e soltou um suspiro satisfeito, deixando escapar uma minúscula bolha de sabão translúcida que flutuou no ar antes de estourar perto do rosto do menino.

— Casa? — A voz de Oliver era aveludada, mas carregada de um escárnio cortante, pontuada por uma risadinha divertida. — Ah, pobrezinho do bebezinho chorão. Sempre o Manlur, sempre a Iggy... Você nunca muda, não é? Ou melhor, você ainda não aprendeu a mudar. É quase patético olhar para trás e ver que um dia eu tive essa cara de quem vai derreter na primeira chuva.

Com um movimento rápido e desprovido de qualquer hesitação, Oliver abaixou-se. Seu braço esquerdo — uma haste longa, afiada e cilíndrica de lápis no lugar de carne e osso — avançou como uma lança. Com a ponta de grafite escura e afiada, ele cutucou o peito da camisa laranja da criança, empurrando-a com força suficiente para fazê-la tombar para trás contra as pernas de uma cadeira pesada de madeira que estava posicionada no centro da sala.

— Fica quieto aí — ordenou Oliver, abrindo um sorriso largo onde dentes brancos e afiados brilharam sob a luz fraca. — Você chora demais. Sabia que o choro atrai coisas ruins por aqui? A senhorita Circle adoraria ouvir esse berreiro nos corredores. Ela ia adorar afiar o compasso naquele seu pescocinho fino.

Oliver Kid arregalou os olhos amendoados, o terror paralisando sua respiração por uma fração de segundo.

— Não! Não chama ela! — implorou a criança, tentando se encolher ainda mais, as mãos pequenas buscando cobrir a cabeça. — Eu fico quieto! Eu prometo! Só me deixa ir embora...

— Promessas de papel molhado não valem nada — zombou o adolescente.

Num piscar de olhos, Oliver pegou um rolo de cordas grossas que trouxera escondido sob a mesa de aula. Com uma agilidade assustadora, fruto de anos pregando peças cruéis com Zip e Edward pelos cantos da Paper School, ele passou a envolver os membros da criança. A ponta de lápis de seu braço esquerdo servia como uma ferramenta precisa, puxando as voltas com força impiedosa, laçando os pulsos pequenos de Oliver Kid atrás do encosto da cadeira e prendendo seus tornozelos aos pés de madeira sólida.

— Não! Solta! Tá doendo! — gritava o pequeno Oliver, debatendo-se desesperadamente, mas seus nós infantis e músculos fracos nada podiam contra a técnica implacável do seu "eu" mais velho.

— Claro que tá doendo. A vida na escola dói, fedelho — respondeu Oliver, rindo abafado enquanto puxava um nó cego com a mão direita, ajustando a pressão de modo que o garoto não pudesse mover um único centímetro sem sentir a corda queimar sua pele pálida. — Se Edward estivesse aqui, provavelmente jogaria um aviãozinho de papel em chamas na sua cabeça só para ver você espernear. E Zip... bem, Zip ia rir tanto que esqueceria de respirar. Mas hoje é um dia especial. Hoje é só você e eu.

Quando os nós foram dados, Oliver deu um passo para trás, admirando sua obra. O menino estava completamente imobilizado. A camisa laranja estava amarrotada contra as cordas tensas, o short verde esticado pela posição forçada das pernas, e os sapatos pretos batiam inutilmente contra a madeira. Ele ofegava, as lágrimas escorrendo torrencialmente, caindo sobre o colarinho e manchando o tecido com pequenas gotas circulares e escuras.

— Por... por que você tá fazendo isso comigo? — soluçou o pequeno, a voz fraca e rouca. — Eu sou você... Não sou? Você é tão mau...

— Mau? — Oliver colocou a mão no queixo, fingindo uma ponderação inocente, enquanto sua mecha pontuda balançava com a inclinação de sua cabeça. — Não seja dramático. Eu sou divertido! Eu sou o cara mais popular desse lugar, sabia? Eu tiro notas excelentes, sou um doce de pessoa... pelo menos para quem merece. Mas você? Você é uma vergonha. Olhar para você me dá uma azia pior do que quando eu tentei comer sabão em pó no ano passado.

Oliver enfiou a mão direita no bolso fundo da bermuda branca e puxou algo que fez os olhos da criança se arregalarem em puro choque. Era um objeto pesado e intimidador: uma mordaça feita com tiras de couro preto envernizado e fivelas prateadas, no centro da qual repousava uma esfera rígida e brilhante. O couro rangeu sinistramente quando Oliver o esticou com as mãos.

— Você fala demais, chora demais e reclama demais — anunciou o adolescente, aproximando-se com passos deliberados, o olhar brilhando com uma satisfação sádica. — E eu já disse: barulho atrai monstros. Então, vou te fazer um favor. Vou te ensinar a ficar em silêncio.

— Não! Tira isso! — gritou Oliver Kid, entrando em pânico total ao perceber o que estava prestes a acontecer. Ele tentou fechar os lábios com força e virar o rosto para os lados, sacudindo a cabeça descontroladamente. — Mamãe! Socorro!

— Ah, para com isso. Não vai adiantar nada — disse Oliver com uma risada fria.

Com uma rapidez surpreendente, a ponta de lápis de Oliver pressionou com precisão cirúrgica a bochecha macia do menino, forçando sua mandíbula a se destrancar pelo reflexo da dor leve e do susto. No instante em que os lábios infantis se separaram, Oliver introduziu a esfera firme entre os dentes do garoto, empurrando-a com firmeza até que ela bloqueasse completamente a cavidade bucal, impedindo qualquer articulação de palavras.

Oliver Kid arregalou os olhos ao extremo, sentindo a língua ser forçada para trás e a respiração ter de ser puxada às pressas pelo nariz. Com habilidade metódica, o Oliver adolescente passou as grossas tiras de couro pelos lados da cabeça da criança, contornando a massa de cabelos brancos idênticos aos seus, e prendeu as fivelas firmemente na parte posterior do crânio, ajustando os pinos de metal no último furo possível.

— Prontinho — sussurrou Oliver, puxando a ponta da tira de couro para conferir a firmeza do aperto. — Um visual bem mais comportado.

Oliver Kid ficou paralisado por um segundo, assimilando a nova e aterrorizante realidade. O calor subiu vertiginosamente pelo seu pescoço até cobrir todo o seu rosto; uma vermelhidão intensa e vívida tomou conta de suas bochechas pálidas, tingindo-as de escarlate puro diante daquela humilhação avassaladora. Ele não era apenas um prisioneiro indefeso; agora estava silenciado, ridicularizado e exposto à mercê de sua própria versão futura.

O menino tentou gritar, mas tudo o que saiu foi um som abafado, grave e patético:

— Mmmff! Mmm-rrrgh!

Ele começou a se contorcer furiosamente na cadeira. O corpo pequeno arqueava-se contra as amarras, as pernas curtas batiam, e os ombros tentavam girar para afrouxar as cordas, mas a única consequência foi o aperto das tiras de couro afundando um pouco mais em suas bochechas ruborizadas, forçando pequenas lágrimas frescas a brotarem dos cantos de seus olhos apertados. Ele corava ainda mais pela vergonha de estar tão vulnerável, emitindo murmúrios entrecortados que denunciavam seu desespero absoluto.

Oliver deu dois passos lentos para trás, cruzou os braços sobre o peito — a ponta do lápis apontando perigosamente para cima — e soltou uma gargalhada genuína, ecoando ruidosamente pela sala vazia.

— Olha só para a sua cara! — exclamou o adolescente, inclinando-se para frente e batendo palmas com a mão direita contra a coxa. — Você parece um tomate pronto para explodir! Ficou com vergonha, bebezinho? É isso? O grande e terrível Oliver do passado não passa de um tomatinho amarrado que nem consegue pedir ajuda para os pais!

— Hnng! Mmmf-nnn! — protestou o menino, sacudindo a cabeça em negativa, as lágrimas escorrendo agora por cima do couro preto da mordaça. O contraste da esfera rígida contra o rosto infantil e corado parecia divertir Oliver além da conta.

— O que você disse? — Oliver fing

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