
Uma noite quente em Paris
Fandom: BTS
Criado: 01/10/2026
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Ecos de Veludo em Paris
O suor da última música ainda parecia queimar sob a pele de Kim Taehyung, mesmo depois de uma ducha quente no banheiro de mármore da suíte presidencial. Paris ainda vibrava lá fora, sob uma garoa fina que transformava as luzes dos bulevares em manchas douradas e prateadas. O rugido de oitenta mil vozes no Stade de France continuava ressoando em seus tímpanos como um zumbido elétrico e viciante, uma onda de adrenalina que banho nenhum, bebida nenhuma e massagem nenhuma conseguiriam dissipar.
Taehyung vestiu uma camisa de seda preta com os primeiros botões abertos, deixando à mostra a linha elegante de suas clavículas, e uma calça de corte reto que desenhava suas pernas longas. Bagunçou os cabelos castanhos e ondulados com a ponta dos dedos em frente ao espelho. O reflexo lhe devolvia o olhar afiado de um predador entediado. Ele conhecia muito bem a própria fama e o poder devastador de seu sorriso torto. As regras da indústria eram rígidas e quase asfixiantes, mas Taehyung sempre encontrava frestas pelas quais escapar. Não gostava de rédeas, não suportava promessas e detestava compromissos. Liberdade, para ele, era o único luxo inegociável.
Ignorando as recomendações expressas da equipe de segurança para permanecer no quarto, ele desceu pelo elevador privativo até o bar subterrâneo do hotel — um refúgio exclusivo e quase clandestino, com iluminação âmbar, poltronas de veludo escarlate e jazz tocando em um volume discreto. Era o tipo de lugar onde discrição não era uma cortesia, mas uma mercadoria de alto preço.
Foi ali, encostada no balcão de madeira escura com uma taça de vinho entre os dedos finos, que ele a viu.
Ela não gritou. Não puxou o celular para uma foto clandestina, nem arregalou os olhos como se estivesse diante de uma divindade intocável. Apenas sustentou o olhar quando os olhos felinos de Taehyung cruzaram o salão e a encontraram. Havia uma pulseira com a fita roxa do setor VIP do show amarrada delicadamente em seu pulso, contrastando com o vestido verde-esmeralda que parecia ter sido esculpido diretamente sobre suas curvas.
Taehyung sentiu o canto da boca se erguer em um sorriso lento. Um desafio. Ele caminhou com a elegância preguiçosa de quem sabe exatamente o efeito que causa, sentando-se no banco ao lado dela.
— Uma noite e tanto lá fora, não acha? — murmurou ele em um inglês aveludado, com seu timbre grave vibrando baixo, quase imperceptível para qualquer outra pessoa no recinto.
A mulher virou o rosto com calma, exibindo traços marcantes e lábios pintados de um carmim provocante. Ela deu um gole lento no vinho antes de responder, também em inglês, com um sotaque charmoso e arrastado.
— O espetáculo foi impecável — disse ela, fitando-o diretamente nos olhos —, mas tenho a impressão de que o vocalista principal ainda está procurando um motivo para desacelerar o coração.
Taehyung riu, um som rouco e genuíno que nasceu no fundo de sua garganta.
— Desacelerar nunca foi meu forte — admitiu ele, inclinando-se ligeiramente na direção dela. — E você... o que está fazendo aqui sozinha a essa hora?
— Fugindo do barulho — respondeu ela, deslizando o indicador pela borda de cristal da taça. — E talvez esperando para ver se o homem que hipnotizou uma multidão inteira é tão ousado nos bastidores quanto parece no palco.
O ar entre eles estalou como eletricidade estática. Taehyung adorava o jogo. Adorava a ausência de cerimônia, a certeza de que ambos sabiam exatamente onde aquilo iria terminar, sem a necessidade hipócrita de juras ou amarras. Ele pediu uma dose dupla de conhaque ao barman com um aceno de cabeça, mas mal tocou no copo. A proximidade daquela mulher, o cheiro de baunilha negra e jasmim que emanava de sua pele, já agiam sobre seus sentidos de forma muito mais potente do que qualquer álcool.
— Você não tem medo de se queimar? — perguntou ele, a voz caindo para um sussurro quase inaudível, deslizando o polegar com audácia pela lateral da mão dela, sentindo a pele macia.
— Fogo só assusta quem não sabe dançar com ele, Kim Taehyung — retrucou ela, sem desviar o olhar nem por uma fração de segundo.
Taehyung não precisou de mais nada. Deixou algumas notas dobradas sobre o balcão, entrelaçou os dedos nos dela sem hesitação e a guiou de volta aos corredores silenciosos.
O trajeto no elevador até o último andar foi uma tortura deliciosa de toques contidos e respirações curtas. Taehyung a prensou de leve contra a parede espelhada da cabine, as mãos firmes segurando a cintura fina, enquanto seus olhos percorriam o contorno da boca dela. Ele não a beijou ali; preferiu saborear a antecipação, deixando que o calor de seus corpos colados dissesse o que as palavras não ousavam traduzir.
No instante em que a porta da suíte se fechou com um clique abafado, a contenção ruiu por completo.
Taehyung a puxou pela nuca, enredando os dedos compridos nos cabelos dela, e colou seus lábios com uma urgência febril. Foi um beijo faminto, profundo, carregado da safadeza que ele escondia com tanto esmero sob a camada de ídolo impecável. Ela retribuiu com a mesma intensidade, arqueando o corpo contra o dele, as mãos subindo pelo peito largo coberto de seda, arranhando de leve suas costas enquanto ele a conduzia até a enorme cama coberta de lençóis brancos.
— Você fala demais com os olhos — murmurou Taehyung entre beijos, a respiração quente descendo pelo pescoço perfumado dela, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha.
— E você é muito bom em fingir que é um santo — gemeu ela baixinho, soltando os botões restantes da camisa dele, deslizando as palmas das mãos pela pele quente e definida de seu torso.
— Nunca disse que era um santo — sussurrou ele com a voz embargada de desejo —, e esta noite, você não vai querer que eu seja.
A noite se desdobrou em um turbilhão de toques desenfreados, sussurros roucos e um prazer quase doloroso de tão cru. Taehyung descobriu cada centímetro daquele corpo com uma voracidade que surpreendeu a si mesmo. Ele não tinha pressa, mas agia com uma precisão lasciva, arrancando dela gemidos sôfregos que ecoavam pelas paredes forradas de veludo da suíte parisiense. A mulher não recuava diante de suas investidas; pelo contrário, puxava-o para mais perto, cravava as unhas em seus ombros e ditava o próprio ritmo, deixando o cantor completamente à mercê de sua pele e de seu calor.
Foram horas em que o mundo exterior deixou de existir. Não havia BTS, não havia turnê mundial, não havia fotógrafos ou milhões de expectativas pesando sobre seus ombros. Havia apenas os corpos entrelaçados, o suor brilhando à meia-luz do abajur, o atrito constante dos lençóis amassados e o som ritmado de respirações entrecortadas. Taehyung se entregou como poucas vezes havia feito na vida, explorando cada limite, beijando-a como se ela fosse a única coisa real naquele continente inteiro.
Quando finalmente caíram exaustos na imensidão da cama, as luzes da madrugada já começavam a pintar o horizonte de azul-escuro. A respiração dela estava compassada, o rosto aninhado na curva de seu braço. Taehyung passou a ponta dos dedos pelos cabelos soltos dela, sentindo um peso incomum no peito — uma sensação estranha e perigosa que ele se recusou a nomear.
— Não vá se acostumar com isso — pensou ele em voz alta consigo mesmo, antes que o cansaço vencesse suas defesas e o fizesse fechar os olhos, deslizando para um sono pesado.
Quando acordou, o sol já banhava a Torre Eiffel à distância através da imensa janela panorâmica.
Taehyung esticou o braço preguiçosamente para o lado direito da cama, esperando encontrar a curva macia de um quadril ou a respiração morna contra seu peito. Seus dedos tocaram apenas o linho frio e esticado.
Ele abriu os olhos abruptamente.
O quarto estava em silêncio. Um silêncio sepulcral e cortante. O lado da cama onde ela dormira estava vazio. O vestido verde não estava mais no chão. As taças de cristal permaneciam intocadas sobre a mesa de centro, e na mesinha de cabeceira não havia bilhete, número de telefone, cartão de visitas, nada.
Apenas o travesseiro ainda guardava a leve depressão de sua cabeça e o cheiro inconfundível de baunilha e jasmim.
Taehyung sentou-se na cama, passando a mão pelo rosto, atordoado. Ele era quem costumava sair de fininho. Ele era o mestre das noites passageiras, aquele que garantia que nenhuma mulher alimentasse esperanças de um reencontro, que partia sem deixar rastros para proteger sua carreira e sua preciosa solitude. Agora, no entanto, fora abandonado sem cerimônia, reduzido a uma lembrança de uma única noite em um hotel de luxo.
Deveria ter sentido alívio. Afinal, aquilo era a perfeição para um homem que repudiava laços e compromissos: sexo incrível, sem cobranças, sem drama, sem despedidas incômodas.
Mas ele sentiu apenas um nó seco no estômago.
— Merda — resmungou ele para o teto dourado da suíte.
Três meses se passaram.
O ritmo implacável da vida de uma das maiores estrelas do planeta não dava espaço para divagações. Taehyung voou de Paris para Londres, de Londres para Berlim, e finalmente retornou a Seul para um breve período de descanso antes de iniciar as gravações do novo álbum de estúdio. Ele estava de volta à sua rotina milimetricamente cronometrada: sessões de fotos de moda, entrevistas com roteiros pré-aprovados, coreografias exaustivas na sala de ensaios com piso de madeira da empresa.
Deveria ter esquecido. Deveria ter sido apenas mais uma história inconsequente para alimentar seu ego nos dias de tédio.
Contudo, a imagem daquela mulher simplesmente não o abandonava.
Taehyung se pegava olhando distraidamente para o nada no meio de uma pausa para o café, sentindo o fantasma de unhas percorrendo suas omoplatas. Durante as noites de insônia em seu apartamento de luxo no distrito de Hannam-dong, com vista para o Rio Han, ele fechava os olhos e não via as coreografias que precisava memorizar; via o brilho esmeralda de um vestido caindo sobre o tapete e ouvia a risada abafada dela contra o seu peito.
Certa tarde, na sala de ensaios, Jimin percebeu seu distanciamento. A música tinha parado há minutos, mas Taehyung continuava encostado no espelho, a toalha pendurada no pescoço, o olhar perdido além das janelas envidraçadas.
— Você está errando o tempo da ponte desde ontem, Tae — disse Jimin, aproximando-se com duas garrafas de água e estendendo uma para ele. — Onde é que está a sua cabeça?
Taehyung piscou, voltando à realidade com esforço. Aceitou a garrafa, destampando-a e bebendo um longo gole antes de responder.
— Em lugar nenhum — disse ele, dando de ombros com um sorriso fraco. — Só um pouco cansado. O fuso horário de Paris parece que não saiu do meu corpo.
Jimin semicerrou os olhos, com a sagacidade de quem o conhecia há mais de uma década.
— Você nunca demora meses para se recuperar de uma viagem. E você odeia Paris no outono — observou Jimin, cruzando os braços. — Tem alguma coisa diferente em você desde aquele show. Você está quieto. Não foi a nenhuma festa, não chamou ninguém... Está parecendo um monge.
— Eu não sou um monge, Jimin — retrucou ele, a voz ríspida demais, traindo sua habitual pose relaxada.
— Não mesmo — concordou Jimin, rindo baixinho. — Por isso mesmo é bizarro. Quem foi ela?
Taehyung travou o maxilar. Odiava ser tão transparente, mas a verdade é que não conseguia mentir para os seus.
— Não tem ela nenhuma — desconversou ele, levantando-se e caminhando até o centro da sala. — Vamos passar a coreografia de novo. Quero acertar o passo da transição.
Jimin suspirou, mas não insistiu, sabendo que quando Taehyung erguia seus muros, nada passava.
Mais tarde, sozinho na penumbra de seu quarto em Seul, Taehyung ligou o som ambiente. Um jazz suave começou a tocar. Ele serviu-se de uma dose de uísque, girando o líquido âmbar no copo com desdém. Ele já havia tentado de tudo para purgar aquela memória. Havia saído para beber, havia flertado com atrizes e modelos conhecidas nos bastidores das premiações de fim de ano, mas nenhuma delas despertava a menor faísca de interesse. Toda vez que uma mulher sorria para ele com intenções claras, Taehyung só conseguia comparar o perfume dela com o jasmim parisiense, e a constatação era sempre a mesma: nenhuma chegava aos pés daquela fã anônima.
Ele nem sequer sabia o nome dela.
A ironia era amarga, quase cômica. O homem que zombava de romances melodramáticos, o rapaz que jurava para quem quisesse ouvir que relacionamentos eram prisões douradas para os tolos, agora estava acorrentado à sombra de alguém que mal conhecera por dez horas.
Ela havia invertido o jogo. Ela o havia usado para uma noite extraordinária e depois simplesmente seguiu com sua vida, deixando-o para trás com a mente em chamas e a vaidade em frangalhos.
Taehyung caminhou até a varanda do apartamento, sentindo o vento gélido da noite coreana bater contra seu rosto. Olhou para as luzes da cidade estendidas sob a escuridão, tão distantes e diferentes dos lampiões antigos de Paris. Ele levou o copo aos lábios, sentindo o uísque descer queimando pela garganta, mas a sensação de queimação não apagou a lembrança do toque dela em sua pele.
— Quem diabos é você? — sussurrou ele para o vento noturno, com um sorriso amargo e derrotado no canto dos lábios.
Taehyung sabia que a turnê recomeçaria em poucos meses. Sabia que visitariam dezenas de cidades, que cantaria para milhões de pessoas ao redor do globo. Mas, no fundo de sua alma inquieta, sabia também que passaria cada minuto no palco procurando um par de olhos confiantes no meio do oceano de rostos, desejando, pela primeira vez na vida, que a sua liberdade não fosse nada além de uma mentira para trazê-la de volta.
