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Oliver:$

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 01/10/2026

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O Traço Final do Grafite

A escuridão não era apenas a ausência de luz; era uma massa densa, quase pegajosa, que parecia sufocar os sentidos antes mesmo que a consciência despertasse por completo.

Quando Oliver finalmente abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi a pontada aguda na parte de trás da cabeça, uma dor latejante que descia pela nuca e reverberava até a ponta de seus pequenos chifres pretos. A boca tinha um gosto horrível, uma mistura amarga de poeira e o retrogosto distante de sabonete de lavanda, sua guloseima preferida daquele início de manhã. Ele tentou erguer a mão para massagear a testa, mas seu corpo simplesmente não respondeu como deveria.

Um puxão áspero conteve seus pulsos.

Oliver piscou várias vezes, tentando forçar suas pupilas a se ajustarem à penumbra quase absoluta. O ar cheirava a celulose velha, mofo e óleo de máquina. Ao tentar mover as pernas, percebeu que suas botas pretas estavam firmemente presas aos pés de uma cadeira de madeira pesada. Cordas grossas e ásperas envolviam seu torso, prendendo sua camisa preta de gola contra o encosto rígido, amassando o detalhe em forma de losango com barra transversal estampado no centro do tecido. Suas meias brancas até os joelhos estavam sujas de fuligem, e suas bermudas brancas pareciam pinicar contra a pele imóvel.

Ele estava completamente imobilizado. Até mesmo seu longo e volumoso cabelo branco, que normalmente caía em uma cascata perfeita até a altura dos tornozelos preso por um delicado laço preto, estava embaraçado e espalhado pelo chão empoeirado. A mecha arrepiada no topo de sua cabeça parecia murcha, sem vida.

— Mas que droga é essa...? — murmurou Oliver, a voz saindo rouca e falha pela garganta seca.

Ele tentou girar o braço esquerdo, aquele que não possuía carne ou osso, mas sim a estrutura cônica e rígida de um lápis gigante de madeira e grafite afiado. A ponta raspou inutilmente contra o braço da cadeira, soltando farpas que caíram sobre suas pernas. O relógio no pulso direito marcava um tique-taque distante, mas o vidro estava tão escuro que ele sequer conseguia ver as horas.

De repente, um clique metálico ecoou no fundo do cômodo.

Uma lâmpada fluorescente solitária, pendurada por um fio descascado no teto alto, piscou com um zumbido elétrico irritante antes de explodir em uma luz branca, fria e cirúrgica. Oliver apertou os olhos com a claridade repentina, soltando um gemido irritado. Quando a visão se estabilizou, ele reconheceu o ambiente: parecia ser uma das oficinas abandonadas do porão da Paper School, cercada por armários de metal enferrujados, pilhas de apostilas rasgadas e mesas de desenho destruídas.

E, a poucos metros dele, em pé sob a luz crua, estava alguém que ele conhecia muito bem.

— Edward? — Oliver soltou uma risada fraca, metade aliviada, metade incrédula. O garoto travesso dentro dele tentou reassumir o controle da situação. — Cara, que palhaçada é essa? Foi a Zip que teve essa ideia idiota? Se isso for uma pegadinha por causa daquele sabão que eu escondi na mochila dela, vocês dois foram longe demais! Me desamarra logo antes que a senhorita Circle apareça por aqui e dê um jeito na gente.

Edward não respondeu de imediato. Ele permaneceu parado, com os braços caídos ao lado do corpo, ajustando os óculos sobre o nariz com um dedo enluvado. Seu rosto, geralmente inclinado para um sorriso sarcástico durante as traquinagens pelo corredor, estava assustadoramente inexpressivo.

Nas mãos de Edward, repousava um objeto peculiar.

Oliver olhou para baixo e arqueou uma sobrancelha, seus chifres pretos reluzindo sob a lâmpada fraca. O objeto parecia, à primeira vista, um brinquedo saído de uma loja de presentes infantis. Era uma motosserra elétrica, mas pintada em um tom suave de rosa-pastel e azul-bebê. Havia adesivos de coelhinhos sorridentes e pequenos laços colados na carcaça de plástico brilhante. No entanto, a lâmina dentada de metal cromado que se projetava daquela estrutura adorável era inegavelmente real. Os dentes de aço reluziam com um polimento cruel, cobertos por uma fina camada de óleo industrial.

— Edward...? — Oliver chamou novamente, e pela primeira vez um tom de incerteza quebrou a arrogância de sua voz. A marca vermelha em forma de "A+" no lado direito de seu cabelo parecia quase pulsar em contraste com a palidez repentina de seu rosto. — O que você tá fazendo com essa coisa?

Edward deu dois passos lentos para a frente, o rangido de seus passos quebrando o silêncio fúnebre do porão. Ele inclinou a cabeça de lado, como um cientista curioso observando um inseto preso sob uma lente de aumento.

— Sabe, Oliver — começou Edward, com uma calma pausada e fria —, eu sempre me perguntei quanto tempo duraria essa sua pose. O grande valentão. O rei dos corredores. O garoto que acha que o mundo inteiro é apenas um caderno de rascunhos esperando para ser rasgado.

Oliver tentou rir, mas o som morreu em sua garganta como um engasgo.

— Qual é, Edward! Nós somos amigos, lembra? Nós três! Você, eu e a Zip! Quem colocou essa ideia na sua cabeça? Você perdeu a cabeça de vez?

— Amigos? — Edward soltou um suspiro zombeteiro, e um sorriso lento e torcido começou a rasgar seus lábios. — É assim que você chama? Você manda, você exige, você quebra as coisas dos outros e espera que eu limpe a sujeira com a minha inteligência. Mas hoje... hoje eu decidi fazer um projeto prático diferente. Uma avaliação final, se você preferir.

Edward ergueu a motosserra fofa na altura do peito, acariciando os adesivos infantis com a ponta dos dedos.

— Linda, não é? — continuou ele, o olhar brilhando por trás das lentes dos óculos. — Eu mesmo a montei. O motor elétrico é silencioso, mas a rotação por minuto é impressionante. Ela corta celulose, madeira, plástico... e carne com a mesma facilidade que você mastiga seus sabonetes nos armários.

O coração de Oliver disparou contra as costelas com a força de um martelo pneumático. A realização do que estava prestes a acontecer desceu sobre ele como um balde de água gelada. Aquilo não era uma brincadeira. Não havia câmeras escondidas, Zip não iria pular de trás dos armários rindo histericamente com um celular na mão.

Edward estava falando sério. Ele pretendia matá-lo.

— Para com isso... — A voz de Oliver falhou, transformando-se em um sussurro trêmulo. — Edward, por favor. Isso não tem graça nenhuma! Para com essa porra agora!

— Por favor? — Edward riu alto, uma risada aguda e desprovida de qualquer calor humano que ecoou pelas paredes de concreto. — O grande Oliver dizendo "por favor"? Eu deveria gravar isso. Talvez eu devesse tocar no alto-falante da escola para todo mundo ouvir o valentão implorando como um pedaço de papel molhado.

Oliver começou a se debater com violência desesperada. O suporte da cadeira bateu contra o chão, emitindo estalos surdos de madeira cedendo. Ele tentou a todo custo usar seu braço esquerdo, cravando a ponta de grafite afiado contra as cordas que prendiam seus quadris. A madeira do lápis gemeu sob a pressão, mas as amarras eram grossas demais, feitas de náilon reforçado que mal se desgastava. Suas botas batiam inutilmente contra as pernas da cadeira, e seu longo cabelo branco chicoteava pelo chão como serpentes agitadas.

Gotas de suor frio escorriam por sua testa, borrando a linha dos olhos.

— Me solta! Me solta, seu desgraçado! — Oliver gritou, a respiração vindo em golfadas curtas e dolorosas. — Alguém me ajuda! Socorro! Senhorita Grace! Senhorita Circle! SOCORRO!

Edward apenas balançou a cabeça em negação, aproximando-se ainda mais. A distância entre os dois encurtou para meros passos. A luz da lâmpada fazia uma sombra longa do agressor sobre o prisioneiro amarrado.

— Ninguém vai te ouvir aqui embaixo, Oliver — sussurrou Edward com uma suavidade aterrorizante. — As paredes são grossas demais. E mesmo que ouvissem... quem viria salvar você? As pessoas que você atormenta todos os dias? Os alunos que você faz chorar no recreio? Ninguém se importa com o rascunho depois que a folha é jogada no lixo.

— Eu não quero morrer! — O desespero finalmente quebrou todas as barreiras do orgulho de Oliver. Lágrimas quentes começaram a rolar por suas bochechas pálidas, manchando o colarinho de sua camisa. Ele se contorcia como um animal encurralado, o relógio no pulso batendo contra o metal da cadeira. — Edward, me desculpa! Eu juro que mudo! Eu faço o que você quiser! Por favor, não faz isso! A gente conserta isso!

Edward não demonstrou a menor hesitação. Seus olhos estavam fixos, frios, decididos.

Com um clique suave, o polegar de Edward pressionou o botão de segurança na empunhadura rosa-pastel. Em seguida, puxou o gatilho.

O motor elétrico não rugiu como um motor a combustão; em vez disso, soltou um zumbido estridente, agudo e aterrorizante, como o zumbido de uma broca gigante misturado ao assobio de uma turbina. As correntes de aço cromado tornaram-se um borrão mortal, girando a milhares de rotações por minuto, levantando uma corrente de ar frio que fez os fios soltos do cabelo de Oliver esvoaçarem desordenadamente.

— Boa noite, Oliver — despediu-se Edward em tom de sussurro. — Sua nota nesta aula... é zero.

Oliver arregalou os olhos até o limite de suas órbitas, vendo a lâmina reluzente, enfeitada com corações e coelhinhos, descer em sua direção.

— NÃO! EDWA—

O grito foi brutalmente interrompido pelo choque mecânico ensurdecedor.

O metal giratório atingiu primeiro o braço de lápis que Oliver tentou erguer em um último reflexo instintivo. O grafite espesso estourou em uma nuvem negra de pó denso e estilhaços pontiagudos de madeira que voaram pelo ar como confetes sombrios. A lâmina não desacelerou por um milésimo de segundo sequer; continuou seu curso implacável, rasgando o tecido da camisa preta listrada, devorando o losango com a barra transversal no centro e penetrando o peito de Oliver com uma voracidade mecânica devastadora.

O som que se seguiu foi uma mistura nauseante de papel grosso sendo violentamente dilacerado, estalos de ossos quebrando e o chiado elétrico da serra operando sob pressão.

Oliver sentiu uma dor que ultrapassava qualquer descrição humana, um fogo gélido que varreu sua consciência em um único golpe esmagador. O ar fugiu de seus pulmões em um suspiro borbulhante e escarlate. Ele tentou gritar novamente, mas a boca apenas se encheu do sabor metálico e espesso de sangue misturado a cinzas de celulose. Seus olhos reviraram em direção à lâmpada solitária no teto, vendo a luz piscar, oscilar e, gradualmente, começar a se apagar.

A motosserra continuou seu trabalho impiedoso por mais alguns segundos agoniantes, dentes afiados atravessando camadas e texturas, até que o motor finalmente soltou um gemido mais baixo e silenciou.

O silêncio que caiu sobre a sala foi imediato, denso e sepulcral, quebrado apenas pelo gotejar ritmado que caía sobre o chão empoeirado.

A cadeira de madeira rangeu uma última vez. A cabeça de Oliver tombou para o lado, inerte. A grande mecha arrepiada de seu cabelo desmoronou sobre os olhos sem brilho, e a marca vermelha do "A+" agora estava manchada por um respingo escuro e viscoso. O braço de lápis estava reduzido a uma haste partida e estilhaçada, pendurada por farpas quebradas. Seu peito não subia nem descia mais; o garoto travesso e barulhento da Paper School havia sido apagado para sempre, como um erro grosseiro retirado violentamente da página por uma borracha implacável.

Edward deu um passo para trás, respirando um pouco mais pesado, mas com uma expressão quase serena. Ele olhou para a lâmina da motosserra fofa, limpando casualmente uma gota espessa que havia caído sobre um dos adesivos de coelho com a manga de seu uniforme.

Ele olhou para o corpo sem vida de Oliver por mais alguns segundos, ajustou os óculos com calma e desligou a chave geral da ferramenta.

— Fim da aula — disse Edward para a sala vazia, dando as costas para o cadáver amarrado na cadeira e sumindo na escuridão dos corredores, deixando para trás apenas o cheiro acre de óleo, serragem e o eco do que um dia fora uma risada arrogante.

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