
A mafiosa é o jogador
Fandom: Off campus e rosario tijeiras
Criado: 01/10/2026
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Entre o Gelo e o Aço
A neve de Massachusetts não era como a chuva ácida da Cidade do México. O frio aqui não apenas molhava; ele cortava, entrava nos ossos e transformava o fôlego em fumaça. Rosario Tijeras apertou a alça da sua mochila tática contra o ombro, sentindo o peso reconfortante da sua Beretta e dos pentes reserva. O mundo parecia estar se fechando ao seu redor. O encontro com os contatos da máfia russa em Boston tinha sido uma emboscada — não da polícia, mas de um cartel rival que achava que poderia derrubar a herdeira do Pégaso em solo estrangeiro.
Eles estavam errados, é claro. Rosario deixou três corpos para trás em um beco escuro perto do porto, mas perdeu seu transporte e seu rádio de comunicação foi esmagado durante a fuga. Sem GPS, sem aliados imediatos e com o som de sirenes ecoando à distância, ela correu.
Ela pulou o muro alto, ignorando a dor no tornozelo ao aterrissar no gramado perfeitamente aparado. Seus olhos negros e afiados varreram o ambiente. Placas de metal indicavam "Universidade Briar". Um campus. O último lugar onde procurariam por uma assassina de aluguel procurada pela Interpol e braço direito do cartel mais perigoso do México.
Eram quase duas da manhã. As luzes dos postes de Briar iluminavam o caminho de forma intermitente. Rosario se moveu como uma sombra, evitando as câmeras de segurança com a perícia de quem nasceu no caos. Ela precisava de um lugar para baixar a poeira, limpar o sangue seco em sua bochecha e planejar o próximo passo.
Foi quando ela viu a casa. Era uma construção grande, de madeira clara, típica de repúblicas estudantis americanas, mas estranhamente silenciosa. Quase todas as luzes estavam apagadas, exceto por uma pequena lâmpada na varanda dos fundos.
Rosario forçou a fechadura da janela da cozinha com a ponta de sua faca. O clique foi quase imperceptível. Ela deslizou para dentro, o cheiro de pipoca amanhecida e desinfetante barato atingindo suas narinas. Ela tirou a arma do coldre, mantendo o dedo fora do gatilho, mas pronta.
Fez a ronda no andar de baixo. A sala estava uma bagunça: controles de videogame jogados no sofá, camisas de time penduradas nas cadeiras e um cheiro persistente de testosterona e pós-barba. Não havia ninguém. Ela subiu as escadas, verificando os quartos. Vazios. Parecia que os moradores tinham saído para alguma festa ou estavam viajando.
Rosario soltou um suspiro longo, permitindo-se fechar os olhos por cinco segundos. Ela guardou a faca, mas manteve a Beretta na mão direita. Ela caminhou até a cozinha, sentindo a adrenalina começar a baixar, dando lugar a um cansaço avassalador.
De repente, o som de uma chave girando na fechadura da porta da frente cortou o silêncio como um tiro.
Rosario reagiu instantaneamente. Ela se posicionou atrás da bancada da cozinha, as sombras a escondendo parcialmente, o cano da arma erguido e firme.
John Tucker entrou em casa com os ombros caídos. O treino noturno tinha sido brutal, e o peso da bolsa de hóquei em suas costas parecia ter dobrado nos últimos dez minutos. Ele estava com o celular na mão esquerda, o polegar digitando rapidamente enquanto chutava a porta para fechar atrás de si.
— Cara, o Logan não atende — resmungou Tucker para si mesmo, olhando para a tela.
Ele enviou uma mensagem rápida no grupo: "Vocês vão dormir em casa ou vão ficar na festa da Kappa? Se eu chegar e o Garrett estiver transando no sofá de novo, eu vou jogar o taco de hóquei na cabeça dele."
Tucker guardou o celular no bolso da calça de moletom e suspirou, jogando o taco de hóquei sobre o ombro. Ele esticou o braço para acender a luz da cozinha, mas parou no meio do caminho.
Havia algo diferente. Um cheiro de perfume caro misturado com pólvora e algo metálico.
Quando ele finalmente olhou para a frente, o ar fugiu de seus pulmões.
Parada no meio da sua cozinha, iluminada apenas pela luz fraca do micro-ondas, estava a mulher mais perigosa e, estranhamente, mais bonita que ele já tinha visto. Ela vestia roupas pretas justas, o cabelo escuro estava levemente bagunçado e seus olhos brilhavam com uma intensidade predatória.
E ela estava apontando uma pistola diretamente para a testa dele.
Tucker congelou. Ele tinha 1,90m de altura, era um atleta de elite, mas naquele momento sentiu-se como um cervo diante dos faróis de um caminhão.
— Nem mais um passo, caubói — disse Rosario. A voz dela era baixa, rouca, com um sotaque espanhol que normalmente Tucker acharia atraente, se não fosse pelo fato de que ela parecia pronta para matá-lo.
Tucker engoliu em seco, as mãos subindo instintivamente, embora ainda segurasse o taco de hóquei com a ponta dos dedos.
— Ei... calma. Eu moro aqui — ele disse, tentando manter a voz estável, o tom sulista saindo mais arrastado pelo nervosismo.
— Eu não perguntei onde você mora — rebateu Rosario, dando um passo à frente. A luz atingiu o cano da arma. — Quem é você? E bota esse taco de não sei nem para que serve isso aí no chão. Agora. Antes que eu mesma dê uma função para ele que você não vai gostar nada.
Tucker olhou para o taco de hóquei, depois para a expressão implacável da mulher. Ele percebeu que ela não estava brincando. Havia uma cicatriz leve perto da sobrancelha dela e um olhar de quem já tinha visto coisas que fariam os veteranos de hóquei da Briar chorarem.
— Tudo bem, tudo bem — Tucker disse, baixando o taco lentamente até que ele repousasse no chão de madeira. — Meu nome é Tucker. John Tucker. Eu jogo hóquei. Isso é só um equipamento esportivo, juro.
Rosario inclinou a cabeça, os olhos semicerrados.
— Hóquei? — Ela cuspiu a palavra como se fosse um insulto. — Vocês americanos e seus jogos idiotas. Tem mais alguém na casa?
— Não. Meus amigos... eles estão fora. Logan, Garrett e Dean. Devem estar em alguma festa — Tucker respondeu, tentando ler a situação. — Olha, você está sangrando.
Ele apontou para o pequeno corte na bochecha dela. Rosario nem piscou.
— Se você se mover sem eu mandar, o próximo sangue a cair no chão vai ser o seu — ela avisou, a voz fria como o gelo da arena onde ele treinava.
— Eu não duvido — murmurou Tucker, o coração batendo contra as costelas. — Mas você está na casa errada para se esconder, moça. A polícia faz ronda nesse campus a cada meia hora.
Rosario deu um sorriso de lado, um gesto rápido e perigoso que fez o estômago de Tucker dar um solavanco estranho.
— Eu já lidei com exércitos, caubói. A polícia de uma universidade não me assusta. O que me preocupa é o que eu vou fazer com você para garantir que mantenha essa boca fechada.
Tucker olhou para a Beretta, depois para os olhos de Rosario. Ele sabia que deveria estar aterrorizado — e estava —, mas havia algo naquela mulher, uma força magnética e selvagem, que o impedia de desviar o olhar.
— Eu não sou de falar muito — disse Tucker, recuperando um pouco da sua calma característica. — Mas acho que a gente devia começar de novo. Você quer água? Ou talvez abaixar isso antes que um dos meus amigos bêbados entre por aquela porta e leve um tiro por acidente?
Rosario não abaixou a arma. Ela deu mais um passo, entrando totalmente no espaço pessoal de Tucker. Mesmo sendo muito mais baixa que ele, ela parecia dominar o ambiente.
— Você é calmo demais para alguém com um cano de nove milímetros na cara — ela observou.
— É o que dizem sobre os defensores no hóquei — Tucker respondeu com um meio sorriso tenso. — A gente não entra em pânico sob pressão.
— Vamos ver se isso é verdade quando a pressão aumentar, John Tucker.
O silêncio voltou a reinar na casa, carregado de uma tensão que não era apenas perigo. Rosario Tijeras estava em território desconhecido, cercada por um mundo de festas universitárias e dramas de atletas, mas, pela primeira vez em muito tempo, ela encontrou alguém que não desviou o olhar diante da sua morte iminente.
— Senta no sofá — ordenou ela, gesticulando com a arma. — E se o seu celular tocar, é melhor você ter uma ótima desculpa para não atender.
Tucker obedeceu, sentindo que sua noite — e provavelmente sua vida organizada na Briar — tinha acabado de mudar de rumo permanentemente.
