
Under the orders of an omega
Fandom: EngLot
Criado: 01/10/2026
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O Silêncio de Veludo e o Peso da Coroa
O escritório no último andar da Waraha Tech era um santuário de vidro, aço e poder. Engfa Waraha, sentada atrás de sua mesa de mogno maciço, ajustou os óculos de armação fina enquanto seus olhos castanhos percorriam as linhas de códigos e contratos em sua tela. Aos trinta e seis anos, ela era o ápice da hierarquia alfa: uma presença que comandava silêncio apenas por entrar em uma sala. Seu cheiro, uma mistura inebriante de madeira de sândalo e tempestade iminente, costumava fazer os joelhos de seus subordinados tremerem.
No entanto, naquele momento, a alfa de sangue nobre não estava concentrada na fusão bilionária que ocorreria em poucas horas. Seus ouvidos, aguçados pela natureza lupina, estavam atentos ao som suave de páginas sendo viradas no sofá de couro a poucos metros dali.
Charlotte Austin estava lá, como sempre. Aos vinte e seis anos, a ômega de coelho era a única pessoa no mundo que não se curvava à aura de Engfa. Com seus cabelos castanho-claros caindo em ondas sobre os ombros e as sardas delicadas pontilhando o nariz, ela parecia uma pintura de inocência. Mas Engfa sabia melhor. Charlotte era fogo sob uma camada de gelo fino.
— Você está me encarando de novo, P'Fa — a voz de Charlotte cortou o silêncio, afiada e melodiosa. Ela nem sequer levantou os olhos do livro.
Engfa soltou um suspiro curto, um sorriso imperceptível brincando nos cantos de seus lábios.
— É meu privilégio observar o que me pertence — respondeu a CEO, sua voz rouca carregada de uma possessividade que faria qualquer outra pessoa recuar.
Charlotte finalmente ergueu o olhar. Seus olhos brilhavam com aquele desafio característico que Engfa tanto cobiçava.
— "Pertencer" é uma palavra muito forte para alguém que você comprou como se fosse uma peça de hardware antiga — provocou Charlotte, fechando o livro com um estalo.
Engfa levantou-se, seus 1,75m de altura preenchendo o espaço com uma elegância predatória. Ela caminhou até o sofá, ignorando a pilha de documentos que exigiam sua assinatura. Para o mundo, Engfa era a loba impiedosa; para Charlotte, ela era apenas uma alfa rendida.
— Eu não comprei você, Charlotte. Eu comprei a sua liberdade daquela família que não sabia o valor da joia que tinha — Engfa parou diante dela, as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria. — E você sabe que, nesta sala, quem dita as regras não sou eu.
Charlotte soltou uma risada sarcástica, levantando-se para ficar frente a frente com a alfa. A diferença de altura era pequena, mas a intensidade entre elas poderia incendiar o prédio.
— Engraçado... Não foi isso que ouvi o Grande Conselho Alfa dizer no jantar da semana passada. Eles disseram que você deveria me "domar". Disseram que uma ômega de coelho deveria ser vista e não ouvida.
Os olhos de Engfa escureceram instantaneamente. O rosnado baixo que vibrou em seu peito foi puramente instintivo.
— Aqueles velhos decrépitos não têm o direito de pronunciar seu nome, muito menos de sugerir como devo tratar minha companheira.
— Companheira? — Charlotte arqueou uma sobrancelha, um sorriso provocador surgindo. Ela estendeu a mão e tocou a gola da camisa de seda de Engfa, ajeitando-a com uma lentidão torturante. — Você ainda não me marcou, P'Fa. E, tecnicamente, eu ainda não aceitei seu pedido de casamento. O terceiro desta semana, se não me engano.
Engfa sentiu o cheiro de Charlotte — baunilha doce e um toque de lavanda — envolver seus sentidos. Era uma tortura deliciosa. Ela sabia que Charlotte a amava; sentia isso no modo como a ômega buscava seu calor à noite, na lealdade feroz que Charlotte demonstrava quando alguém ousava questionar a liderança de Engfa pelas costas. Mas Charlotte era orgulhosa. Ela queria que Engfa sofresse um pouco mais, que implorasse pelo privilégio de ter seus dentes cravados naquela pele macia do pescoço.
— Você gosta de me ver agonizar, não gosta? — sussurrou Engfa, inclinando-se para frente até que suas testas se encostassem.
— Gosto de ver a grande Engfa Waraha, a mulher que faz bilionários chorarem, ser reduzida a uma alfa carente que só quer um "sim" de uma coelhinha rebelde — Charlotte respondeu, a língua afiada como sempre.
Engfa fechou os olhos, inspirando profundamente o aroma de sua ômega.
— Eu daria o mundo a você, Charlotte. Eu já dei a você o controle das minhas contas, o poder de decisão na empresa e o meu coração. O que mais você quer?
Charlotte deslizou as mãos para o rosto de Engfa, retirando os óculos da alfa com cuidado e colocando-os na mesa lateral. Ela traçou o contorno da mandíbula forte de Engfa com o polegar.
— Eu quero que você continue sendo minha — disse Charlotte, o tom de voz mudando para algo mais suave, quase vulnerável, mas ainda mantendo sua força. — Sem marcas, sem contratos, apenas porque você escolhe estar aqui todos os dias, apesar da minha teimosia.
— Eu escolheria você em todas as vidas, em todas as circunstâncias — afirmou Engfa com uma devoção que beirava o religioso.
— Então prove — provocou a ômega, puxando Engfa pela gravata para um beijo que era metade desafio e metade promessa.
O beijo foi intenso, uma batalha de vontades que Engfa estava mais do que feliz em perder. Ela envolveu a cintura de Charlotte, puxando-a para mais perto, sentindo a fragilidade aparente da ômega contrastar com a força de sua personalidade. Engfa era protetora ao extremo; ela havia construído um império para garantir que Charlotte nunca mais passasse necessidade ou medo, mas ali, naquele momento, era Charlotte quem detinha todo o poder.
Elas se separaram ofegantes. Engfa encostou o nariz no pescoço de Charlotte, bem em cima da glândula de cheiro que ainda não portava sua marca. Ela deixou um beijo casto ali, um contraste gritante com o desejo possessivo que queimava em suas veias.
— O que você acha da proposta da TechGlobal? — perguntou Engfa subitamente, a voz ainda rouca.
Charlotte piscou, surpresa pela mudança de assunto, mas logo seu olhar se tornou analítico.
— Eles são gananciosos e a ética deles é questionável. Se você assinar, vai manchar a reputação que construímos. Eu diria para mandá-los para o inferno e investir na startup tailandesa que analisamos ontem.
Engfa sorriu, um brilho de orgulho nos olhos.
— Ouviu isso, mundo? — murmurou Engfa para o escritório vazio. — Minha rainha decidiu.
— Pare de ser ridícula, P'Fa — Charlotte corou levemente, as sardas parecendo mais proeminentes. — Vá trabalhar. Eu vou sair para almoçar com a Nudee.
O ciúme, aquele monstro verde que Engfa tentava manter sob controle, rosnou em seu estômago.
— Nudee? Aquela alfa da publicidade?
Charlotte soltou uma risada cristalina, divertindo-se com a reação imediata da companheira.
— Sim, ela mesma. Ela é engraçada e não passa o dia todo tentando me trancar em uma torre de ouro.
— Eu não tranco você — protestou Engfa, seguindo Charlotte enquanto ela pegava sua bolsa de grife. — Eu apenas... prefiro quando você está no meu campo de visão. Onde é seguro.
— Onde você pode rosnar para qualquer um que olhe para mim por mais de dois segundos — corrigiu Charlotte, parando na porta e olhando para trás. — Eu volto em duas horas. Tente não demitir ninguém por causa do seu mau humor possessivo.
— Charlotte — chamou Engfa, sua voz assumindo um tom de comando que ela raramente usava com a ômega.
Charlotte parou, a mão na maçaneta.
— Sim?
— Use o motorista. E leve os seguranças.
Charlotte revirou os olhos, mas havia um brilho de carinho em seu olhar. Ela sabia que, por trás do controle e da possessividade, havia um medo profundo de Engfa de perder a única coisa que realmente importava em sua vida de excessos.
— Tudo bem, alfa mandona. Mas só porque eu gosto do ar-condicionado daquele carro.
Quando a porta se fechou, o escritório pareceu subitamente frio e vasto demais. Engfa voltou para sua mesa, mas não para o trabalho. Ela abriu a gaveta de cima e retirou uma pequena caixa de veludo azul. Dentro, um anel de diamante raro brilhava sob a luz do sol.
Ela sabia que a sociedade a criticava. Diziam que ela era fraca por permitir que uma ômega de coelho a governasse. Diziam que ela deveria ter usado sua força para submeter Charlotte desde o primeiro dia. Mas o que eles não entendiam era que a verdadeira soberania de Engfa não vinha do medo que ela infundia nos outros, mas da lealdade que Charlotte lhe dava voluntariamente.
Engfa Waraha era a alfa mais poderosa do país, mas sua maior conquista não era sua empresa de tecnologia ou sua fortuna bilionária. Era o fato de que, todas as noites, a coelhinha mais rebelde e afiada da elite de Bangkok escolhia dormir em seus braços.
Ela guardou o anel e voltou aos códigos. Ela esperaria. Esperaria o tempo que fosse necessário para que Charlotte decidisse que a agonia de Engfa já tinha durado o suficiente. Afinal, para um lobo devoto, a espera era apenas outra forma de adoração.
Duas horas depois, exatamente como prometido, a porta do escritório se abriu. Charlotte entrou, mas desta vez não foi para o sofá. Ela caminhou diretamente para trás da cadeira de Engfa, inclinando-se e abraçando o pescoço da alfa por trás.
— O almoço foi tedioso — sussurrou Charlotte perto do ouvido de Engfa. — Nudee só falou de trabalho. Eu passei o tempo todo pensando em como você fica sexy quando está concentrada nesses gráficos chatos.
Engfa sentiu seu coração martelar contra as costelas. Ela girou a cadeira, puxando Charlotte para o seu colo. A ômega não resistiu, acomodando-se com uma familiaridade que sempre desarmava a CEO.
— É mesmo? — Engfa perguntou, as mãos descansando possessivamente nos quadris de Charlotte.
— É. E eu decidi uma coisa.
Engfa arqueou uma sobrancelha, o coração acelerado.
— Decidiu o quê, meu amor?
Charlotte passou os dedos pelo cabelo castanho-escuro de Engfa, puxando levemente os fios na base da nuca.
— Que talvez... apenas talvez... eu deixe você me marcar no próximo cio. Mas com uma condição.
— Qualquer coisa. Diga.
— Você vai ter que parar de usar esses óculos em público — Charlotte disse com um sorriso travesso. — Eles deixam você inteligente demais. As outras ômegas ficam olhando. E eu sou uma coelhinha muito ciumenta, P'Fa.
Engfa soltou uma gargalhada genuína, a primeira do dia. Ela puxou Charlotte para um abraço apertado, escondendo o rosto na curva do pescoço dela.
— Feito. Eu ficarei cega para o mundo, contanto que você seja a última coisa que eu veja todas as noites.
— Tão dramática — zombou Charlotte, mas ela retribuiu o abraço com a mesma intensidade, enterrando os dedos nas costas da alfa.
Ali, no topo do mundo, cercadas por vidro e ambição, a loba e a coelha encontraram seu equilíbrio. Uma não estava acima da outra; elas eram o centro do universo uma da outra. E enquanto o sol se punha sobre a cidade, Engfa Waraha finalmente entendeu que não era o poder que a tornava soberana, mas o amor feroz e indomável de Charlotte Austin.
— Eu amo você, sua alfa teimosa — murmurou Charlotte contra a pele de Engfa.
— Eu amo você mais do que a própria vida, minha pequena rebelde — respondeu Engfa, selando a promessa com um beijo que carregava o peso de mil contratos e a leveza de um coração finalmente em paz.
