
a filha do buzeira
Fandom: biel drake e Rafaela e kabrinha e sn e nino e Lívia e feijuca e pecinha e nz e Joãozinho vt e tuto e buzeira e Hillary e jhow e guizeira e migalzeira e Valentina e Isaque
Criado: 02/10/2026
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Olhares Cruzados na Mansão
A mansão em Alphaville parecia pulsar no mesmo ritmo dos graves que saíam das caixas de som espalhadas pela área da piscina. O sol de fim de tarde dourava a água cristalina e refletia nos vidros escuros dos carros importados estacionados no pátio. Para qualquer pessoa de fora, aquele era o cenário perfeito do luxo exagerado e da ostentação descomplicada, mas para Rafaela, era apenas mais um sábado na rotina agitada da sua família.
Com dezesseis anos recém-completados, Rafaela herdara os traços marcantes da mãe, Hillary, e a postura firme e atenta do pai, Buzeira. Sendo a filha mais velha, ela sempre carregou consigo uma maturidade que parecia destoar de sua idade, embora ainda guardasse no olhar a curiosidade típica de quem está prestes a descobrir o mundo por conta própria.
Naquela tarde, a casa estava lotada. Hillary circulava entre as mesas da varanda gourmet com sua elegância natural, conferindo se todos estavam bem servidos, enquanto Buzeira dominava o centro do gramado, cercado pelos amigos de longa data. Kabrinha e Feijuca disputavam quem contava a história mais exagerada da última gravação, fazendo Guizeira e Migalzeira caírem na gargalhada. Mais adiante, Nino e Lívia conversavam encostados na mureta de vidro, trocando sorrisos cúmplices, enquanto Valentina e Isaque tentavam gravar um vídeo para as redes sociais com a ajuda de Pecinha e Jhow, que mais atrapalhavam do que ajudavam com a iluminação.
Rafaela desceu as escadas de mármore que davam acesso ao deck, segurando um copo de suco com gelo. Ela vestia um conjunto leve de linho branco e mantinha os cabelos castanhos soltos sobre os ombros. Ao passar pela área coberta, encontrou S/N encostada perto do bar, observando a movimentação com um meio sorriso.
— Seu pai hoje acordou com a corda toda — comentou S/N, erguendo um copo em saudação. — Acho que ele comprou mais carne do que Alphaville inteira consegue comer.
— Você conhece o meu pai — respondeu Rafaela, rindo baixinho. — Para ele, se não parecer um banquete de rei, não tem graça nenhuma.
— Pior que é verdade — concordou S/N. — E a Hillary só finge que briga, mas adora a casa cheia.
— Adora mesmo. — Rafaela olhou ao redor, vendo a mãe rir de uma piada que Buzeira soltou do outro lado do quintal.
O portão principal emitiu um sinal sonoro suave, anunciando a chegada de mais um carro. O ronco grave de um motor esportivo chamou a atenção de metade das pessoas que estavam no jardim. Pecinha parou o que estava fazendo para espiar, e NZ assobiou alto ao reconhecer o veículo que manobrava com perfeição na entrada.
— Olha quem resolveu dar as caras! — gritou NZ, acenando na direção do estacionamento. — Pensei que ia furar com a tropa hoje!
Joãozinho VT e Tuto se aproximaram logo em seguida, acompanhando a recepção barulhenta. Quando a porta do carro se abriu, quem desembarcou foi Biel Drake. Aos vinte e um anos, Biel carregava uma presença marcante, misturando uma postura tranquila com uma energia magnética que não passava despercebida. Ele vestia uma camiseta preta oversized de grife, correntes de prata discretas no pescoço e óculos escuros que logo empurrou para o topo da cabeça, revelando olhos castanhos expressivos e atentos.
— Jamais furaria com vocês — disse Biel, com a voz calma e firme, cumprimentando NZ e Joãozinho com um aperto de mão e um toque de ombros. — O trânsito na Castello Branco estava um caos, mas cheguei a tempo do churrasco.
— Chegou na hora boa, irmão — disse Tuto, dando dois tapinhas nas costas de Biel. — O homem lá na churrasqueira acabou de tirar a picanha.
Buzeira, ao ver a movimentação, ergueu o pegador de carne no ar e deu um berro característico:
— Biel Drake na área! Chega pra cá, moleque, vem comer que você tá muito magro!
Biel riu, balançando a cabeça, e caminhou em direção a Buzeira para cumprimentá-lo com respeito evidente. A relação de Biel com a turma era construída na lealdade e na amizade sincera, e ele sabia o quanto Buzeira valorizava a consideração e a postura correta de quem frequentava a sua casa.
Rafaela continuava encostada na bancada do bar, observando a cena de longe. Ela já tinha ouvido o nome de Biel Drake muitas vezes nas conversas do pai e nos comentários dos meninos, e até já tinha visto alguns clipes e fotos dele na internet, mas nunca haviam coincidido em um mesmo ambiente de forma próxima. Havia algo na maneira serena como ele se movimentava, sem precisar forçar simpatia para ser notado, que chamou sua atenção de imediato.
— Esse é o Biel Drake, né? — perguntou Rafaela, voltando-se para S/N em tom casual, tentando disfarçar o interesse repentino.
— É ele mesmo — confirmou S/N, observando a expressão da garota de soslaio. — O menino é gente boa, muito talentoso. E vive na dele, focado nos projetos dele.
— Ele parece ser bem mais tranquilo do que a maioria dos amigos do meu pai — pontuou Rafaela, sorrindo de lado ao ver Kabrinha tentar empurrar Feijuca para dentro da piscina.
— Isso é porque ele ainda não começou a falar de música ou de carro — brincou S/N. — Quando junta ele, o Tuto e o Joãozinho VT, ninguém segura.
Poucos minutos depois, Biel terminou de cumprimentar Buzeira e Hillary. Ao afastar-se do calor da brasa, procurou um lugar para se refrescar e caminhou até o balcão onde Rafaela e S/N estavam. Seus passos eram calmos, mas os olhos percorreram o espaço até se fixarem em Rafaela.
O olhar durou apenas uma fração de segundo a mais do que o esperado, mas foi o suficiente para criar uma faísca silenciosa no ar.
— E aí, S/N, beleza? — disse Biel, estendendo a mão para cumprimentá-la com um sorriso cordial.
— Tudo certo, Biel. Seja bem-vindo de novo ao covil da loucura — respondeu S/N, bem-humorada.
— Loucura boa, pelo menos — retrucou Biel. Em seguida, ele virou o rosto na direção de Rafaela. O sorriso dele se abrandou, tornando-se mais contido, quase hesitante, ao notar a postura impecável da menina. — E aí.
— Oi — respondeu Rafaela, mantendo a postura ereta e o tom de voz equilibrado.
S/N percebeu o clima sutil que se formou e logo tratou de apresentá-los formally:
— Biel, essa é a Rafaela. Filha do homem ali. Rafa, esse é o Biel Drake.
Biel ergueu as sobrancelhas de leve, surpreso, mas sem perder o charme:
— Filha mais velha do Buzeira? Eu já tinha ouvido falar bastante de você, mas acho que nunca tínhamos nos cruzado por aqui.
— Pois é — disse Rafaela, abrindo um sorriso discreto. — Eu costumo ficar na minha quando essas resenhas gigantes acontecem. Muito barulho, muita gente falando ao mesmo tempo.
— Te entendo perfeitamente — concordou Biel, apoiando os antebraços no balcão e olhando-a diretamente nos olhos. — Eu também prefiro lugares mais calmos, mas às vezes não dá para fugir da bagunça do Buzeira. Ele tem uma energia que puxa todo mundo.
— Ele não deixa ninguém em paz até ter certeza de que todo mundo comeu e bebeu — comentou ela, achando graça na sinceridade dele. — É o jeito dele demonstrar carinho, acho.
— É um bom jeito — afirmou ele, mantendo o tom suave. — Prazer em te conhecer, Rafaela.
— Só Rafa, por favor. Ninguém me chama pelo nome inteiro a não ser quando eu faço alguma besteira.
Biel soltou uma risada sincera, com covinhas surgindo nos cantos da boca:
— Combinado, então. Só Rafa. E para você, é só Biel. Nada de "Drake" por aqui.
Enquanto conversavam, Valentina e Lívia se aproximaram, chamando S/N para resolver um impasse sobre a trilha sonora da caixa principal, que estava conectada ao celular de Nino.
— S/N, vem cá rápido antes que o Nino coloque modão sertanejo dos anos noventa de novo! — pediu Lívia, puxando-a pelo braço.
— Já vou! Salvem os ouvidos de vocês! — despediu-se S/N, lançando um olhar rápido para Rafaela antes de se afastar.
Com a saída dos outros, um silêncio confortável se instalou por alguns segundos entre Biel e Rafaela. O vento suave de fim de tarde agitava as folhas das palmeiras que contornavam o muro alto da mansão. O céu começava a ganhar tons alaranjados e violetas, criando uma atmosfera cinematográfica.
— Você estuda aqui por perto? — perguntou Biel, querendo manter o diálogo vivo sem parecer invasivo.
— Sim, estudo em um colégio aqui em Santana de Parnaíba — respondeu Rafaela. — Falta pouco mais de um ano para eu terminar o ensino médio.
— E já sabe o que quer fazer depois? — indagou ele, genuinamente interessado.
— Estou pensando em Administração ou Publicidade. Meu pai diz que eu tenho cabeça boa para negócios, e a minha mãe quer que eu tenha minha própria autonomia antes de qualquer coisa — explicou ela, revelando com naturalidade o peso das expectativas familiares. — E você? A música sempre foi sua única opção?
Biel olhou para o copo de água com gás que acabara de pegar com o garçom, refletindo por um instante antes de responder:
— No começo era só um sonho distante, sabe? Muita gente falava que não ia dar em nada, que viver de arte no Brasil é ilusão. Mas eu tinha vinte e um motivos para tentar e nenhum para desistir. Fui trabalhando, produzindo, aprendendo com quem já estava no corre, como o Joãozinho e o Tuto. Hoje as coisas estão acontecendo, mas eu sei que é só o começo. Manter os pés no chão é a parte mais difícil.
Rafaela ouviu com atenção redobrada. Ela estava acostumada com pessoas que falavam alto, que contavam vantagens sobre dinheiro, carros e números de seguidores. O jeito centrado e reflexivo de Biel soava diferente, maduro, e ao mesmo tempo acessível. Havia uma segurança tranquila nele que a deixava curiosa.
— Meus pais sempre me dizem isso — disse Rafaela, inclinando o rosto suavemente. — Que o sucesso sobe para a cabeça muito fácil se você não lembrar de onde veio.
— E eles estão certíssimos — concordou Biel. — Seu pai é uma das pessoas mais generosas que eu já conheci nesse meio, mas ele também é esperto como poucos. Ele não deixa qualquer um entrar na casa dele, muito menos perto da família dele.
— É... ele é bem protetor comigo — admitiu Rafaela, com um meio sorriso que carregava uma ponta de aviso sutil.
— Deu para perceber pela olhada que ele acabou de dar na nossa direção — comentou Biel em tom baixo, sem desviar o olhar do dela, apenas arqueando uma sobrancelha com diversão.
Rafaela olhou de relance para a área da churrasqueira. Buzeira estava fingindo cortar uma peça de picanha com a faca gigante, mas seus olhos pequenos e perspicazes estavam cravados exatamente onde os dois conversavam. Hillary, ao lado dele, tocou em seu braço e falou algo no seu ouvido, fazendo-o rir e voltar a atenção para a grelha, embora sem relaxar totalmente a guarda.
— Não liga para ele — disse Rafaela, sentindo o calor subir pelas bochechas, embora mantivesse a voz firme. — Ele faz isso com qualquer pessoa que pare mais de dois minutos para conversar comigo.
— Não tiro a razão dele — disse Biel, sustentando o olhar de Rafaela com uma calma desconcertante. — Se eu tivesse uma filha como você, também cuidaria para que ninguém chegasse com más intenções.
A resposta direta fez com que o coração de Rafaela desse um salto inesperado dentro do peito. Não era um galanteio barato, mas uma constatação honesta, dita com respeito e firmeza.
Nesse instante, Joãozinho VT e Tuto se aproximaram, interrompendo a conversa:
— Biel, chega aí no lounge rapidinho! — chamou Joãozinho, com o celular na mão. — O produtor mandou a prévia daquela track nova e queremos ouvir no fone para ver o que você acha do refrão.
— É dois minutos, Rafaela, desculpa aí roubar o artista — pediu Tuto com um sorriso amigável.
— Imagina, podem ir lá — respondeu ela com gentileza.
Biel virou-se para Rafaela antes de seguir os amigos. Ele deu um passo mais perto, mantendo uma distância respeitosa, mas suficiente para que ela sentisse o perfume amadeirado e marcante que ele usava:
— A gente continua essa conversa depois, Rafa?
— Claro — respondeu ela, sustentando o olhar com um brilho desafiador nos olhos. — Se você sobreviver às exigências musicais do Joãozinho, a gente continua sim.
— Eu sobrevivo — garantiu ele, piscando um dos olhos com um charme quase involuntário antes de se afastar em direção aos outros meninos.
Rafaela ficou parada no mesmo lugar por alguns instantes, observando as costas de Biel enquanto ele caminhava até o sofá perto da área de jogos. O jeito dele de andar, a postura segura, a forma educada e ao mesmo tempo intensa com que tinha falado com ela deixaram uma marca nítida.
— Parece que alguém gostou do novo convidado — sussurrou uma voz ao lado dela.
Rafaela deu um leve sobressalto e encontrou Hillary parada ao seu lado, segurando uma taça de água e com um olhar cúmplice e perspicaz que só as mães conseguem ter.
— Mãe! Que susto — reclamou Rafaela, tentando recompor a expressão neutra. — A gente só estava conversando.
— Eu vi — disse Hillary, com um sorriso sereno nos lábios. — O Biel é um rapaz muito educado, focado. O seu pai gosta muito dele, acha ele muito trabalhador.
— Sério? Nem parecia, do jeito que o pai ficou encarando da churrasqueira — rebateu a garota.
— O Buzeira é o Buzeira, filha. Ele sempre vai fingir que é o leão da montanha protegendo o território — brincou Hillary, acariciando os ombros da filha com carinho maternal. — Mas ele sabe reconhecer quem é de verdade e quem é de mentira. Só toma cuidado com a cabeça, tá? Você tem dezesseis anos e um futuro brilhante pela frente. Ele tem vinte e um e já está na correria da vida adulta.
— Eu sei, mãe. Eu não sou boba — respondeu Rafaela com sinceridade.
— Eu sei que não é, meu amor. Você é esperta demais — disse Hillary, dando um beijo carinhoso na testa dela antes de voltar para perto dos convidados, onde Valentina e Isaque agora chamavam todos para dançar.
A noite caiu de vez sobre Alphaville. As luzes subaquáticas da piscina foram acesas, tingindo a água de um azul neon vibrante, e as tochas ao redor do jardim criaram um clima acolhedor. A música continuava animada, com Nino e Kabrinha no comando das caixas de som, enquanto Guizeira e Migalzeira tentavam ensinar passos cômicos para Pecinha.
Rafaela decidiu caminhar até a borda da piscina, longe do tumulto das caixas de som, onde a vista da cidade iluminada no vale se descortinava como um mar de pequenas estrelas douradas. Ela cruzou os braços contra a brisa fresca da noite, perdida em pensamentos.
Passos suaves ecoaram sobre a madeira do deck atrás dela. Ela não precisou se virar para saber quem era; o perfume característico anunciou a chegada de Biel antes mesmo que ele dissesse qualquer palavra.
— A faixa nova do Joãozinho ficou incrível — disse ele, parando ao lado dela, respeitando o espaço de um metro entre os dois. Ele olhou para a paisagem noturna. — Mas o clima aqui fora está bem melhor do que lá dentro.
— Você conseguiu escapar rápido — comentou Rafaela, voltando o rosto para encará-lo sob a luz tênue do luar.
— Eu disse que ia sobreviver — respondeu ele, com um sorriso calmo. — E também porque eu queria terminar de ouvir o que você tinha para falar.
— Eu não tinha parado em nenhuma frase específica — brincou ela.
— Não precisa de um assunto específico — disse Biel, virando o corpo de frente para ela e apoiando uma das mãos no corrimão. — Eu só queria continuar conversando com você. Tem gente que tem uma energia que faz a gente querer ficar por perto, sabe?
Rafaela sentiu uma onda de calor percorrer suas costas, mas manteve a compostura, sustentando o olhar firme que tanto puxara de Buzeira:
— E você costuma ficar por perto de quem mal conhece, Biel?
— Só de quem eu sinto que vale a pena conhecer de verdade — respondeu ele com voz tranquila e segura, sem qualquer traço de hesitação.
O vento da noite soprou suave entre os dois, balançando os cabelos de Rafaela e trazendo a batida abafada da música ao longe. Ali, entre o brilho das luzes da mansão e a sombra protetora do jardim, um novo capítulo começava a se desenhar sem que nenhum dos dois pudesse prever exatamente onde iria terminar.
