
Vôlei família caos
Fandom: Vôlei
Criado: 03/10/2026
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Entre Saques, Fraldas e o Balanço da Rede
A mansão das Bergmann-Antropova nunca conhecia o verdadeiro silêncio. Se não era o som de uma bola de vôlei batendo no jardim, era o grito entusiasmado de Noah, de 10 anos, comemorando um gol no videogame, ou as reclamações típicas de Léo, que aos 19 anos já exibia a mesma cabeleira ruiva e o temperamento debochado da mãe, Júlia.
Naquela manhã de folga, o caos tinha um novo elemento: Bella. Com apenas seis meses, a caçula da família havia finalmente descoberto como engatinhar, e sua velocidade era proporcional à cor dos seus olhos azuis cristalinos — herdados de Kate — que brilhavam com cada nova travessura.
— Júlia! A Bella está tentando comer o cadarço do tênis do Lucas de novo! — Kate gritou da cozinha, a voz carregada daquele sotaque que Júlia tanto amava provocar.
Júlia, que atravessava a sala usando apenas um top de academia e um short curto, soltou uma risada anasalada. Ela se abaixou, pegando a pequena loirinha no colo antes que ela alcançasse o tio Lucas, que dormia pesadamente no sofá após uma noite de jogos com Gabi.
— Ela só tem bom gosto, Kate. Está inspecionando o material — Júlia respondeu, caminhando até a cozinha.
Ao entrar no recinto, Júlia fez questão de passar bem perto de Kate, que estava de costas preparando o café. O novo hábito de Júlia de frequentar a academia com foco total estava dando resultados óbvios. Suas pernas estavam mais torneadas, e as costas exibiam uma definição que fazia Kate perder o fio da meada em qualquer discussão.
Kate se virou, os olhos semicerrados, varrendo o corpo da esposa com um misto de desejo e irritação.
— Você está fazendo isso de propósito — murmurou Kate, aproximando-se e colando o corpo ao de Júlia, ignorando Bella que brincava com as mechas ruivas da mãe.
— Isso o quê, amor? — Júlia fez uma expressão de inocência, embora o brilho debochado em seus olhos entregasse tudo.
— Esse short. Essa pose. Você sabe que eu fico zangada quando não posso ter sua atenção total — Kate sussurrou no ouvido de Júlia, a voz descendo uma oitava. — Se você continuar assim, eu vou ter que testar o resultado desse agachamento novo hoje à noite. Com força.
Júlia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela adorava quando a russa ficava possessiva.
— Pois eu chego do treino depois das seis, Kate. Se você for boa o suficiente, talvez eu deixe você avaliar meu desempenho — Júlia provocou, selando a promessa com um beijo de língua profundo, daqueles que faziam o mundo ao redor desaparecer, interrompido apenas pelo balbucio de Bella, que decidiu puxar o nariz da russa.
— A pequena não deixa a gente ter um minuto de paz — Kate riu contra os lábios de Júlia, dando um tapa firme e sonoro na coxa da esposa, o que arrancou um suspiro surpreso da ruiva.
— Ei! — Júlia reclamou, embora estivesse sorrindo.
— É só um adiantamento — Kate piscou, pegando Bella no colo.
O dia seguiu com a energia vibrante da casa. Gabi, a melhor amiga e "tia" oficial, apareceu na sala com Lucas, e logo a conversa girava em torno do casamento de uma amiga em comum que aconteceria no mês seguinte.
— Eu só acho que a Júlia não deveria ir com aquele vestido verde decotado — comentou Gabi, jogando-se no tapete para brincar com Noah. — A Kate vai ter um infarto de ciúmes no meio da cerimônia.
— Eu não sou ciumenta — Kate rebateu imediatamente, cruzando os braços longos e fortes.
— Não, imagina — Léo interveio, passando pela sala. — Ontem o entregador de pizza deu um "boa noite" mais simpático para a mãe Júlia e a "Mama Kate" quase trancou o homem no portão.
— Ele estava olhando demais! — Kate se defendeu, o rosto ficando levemente vermelho.
Júlia apenas observava, deliciando-se com a cena. Ela adorava o jeito protetor de Kate, mesmo que às vezes fosse um pouco exagerado.
Ao entardecer, após o treino intenso de Júlia, o clima na mansão mudou para algo mais calmo, porém carregado de expectativa. As crianças já estavam sob os cuidados de Léo e Gabi, que iam assistir a um filme no andar de cima.
Júlia e Kate decidiram ir para a área externa. Havia uma rede grande e confortável armada entre duas colunas de madeira, de frente para o jardim iluminado por luzes quentes.
— Vem aqui — chamou Kate, já acomodada na rede.
Júlia se aproximou, sentindo o ar fresco da noite. Ela se deitou ao lado da esposa, o espaço ficando apertado, mas perfeito para o contato físico que ambas buscavam. O balanço era suave, e o cheiro do perfume de Kate misturado ao cheiro de banho de Júlia criava uma atmosfera inebriante.
— Você está tão bonita hoje — Kate murmurou, passando a mão pela cintura de Júlia, sentindo a firmeza dos músculos. — A academia realmente está fazendo milagres, Bergmann.
— Só a academia, Antropova? — Júlia arqueou a sobrancelha. — Achei que o mérito fosse todo da genética.
— A genética é boa, mas o esforço... — Kate deu outro tapa, dessa vez mais suave, na lateral do quadril de Júlia. — Eu gosto de como você fica quando está focada.
— E eu gosto de como você fica quando está com ciúmes — Júlia retribuiu, puxando Kate para um beijo lento.
As provocações começaram a subir de tom. Kate falava coisas no ouvido de Júlia que faziam a ruiva perder o fôlego, palavras ousadas sobre o que queria fazer com ela naquela noite. Júlia, abusada como sempre, tentou inverter as posições na rede, querendo ficar por cima da russa.
— O que foi, Júlia? Acha que manda aqui? — Kate provocou, segurando os pulsos da esposa.
— Eu sei que mando — Júlia riu, forçando o corpo para cima.
O resultado da luta brincalhona foi um desequilíbrio súbito. Em um segundo, elas estavam trocando carícias e provocações; no outro, a rede virou completamente, jogando as duas jogadoras de vôlei profissionais no gramado.
O silêncio durou apenas um instante antes que as duas caíssem na gargalhada.
— Viu só? Sua teimosia nos derrubou! — Kate disse, limpando um pouco de grama do ombro de Júlia.
— Mas a queda foi boa, admite — Júlia respondeu, ficando por cima de Kate ali mesmo na grama, sob o luar.
Elas ficaram ali por um tempo, entre beijos e frescuras, aproveitando a madrugada que começava a esfriar. O romance na rede (ou fora dela) era o combustível que mantinha o casamento de anos tão vívido quanto no primeiro dia.
No fim de semana seguinte, a família partiu para um dia de praia. O sol brilhava intensamente, e a areia estava lotada. Júlia, com um biquíni que deixava pouco para a imaginação e ressaltava seu novo físico, atraía olhares por onde passava.
Kate, usando óculos escuros e uma expressão de poucos amigos para qualquer um que olhasse por mais de dois segundos para sua esposa, passava protetor solar em Noah e Léo com uma força desnecessária.
— Relaxa, Kate. Eles só estão admirando a paisagem — Júlia disse, aproximando-se da esposa e deixando um beijo em seu pescoço.
— A paisagem é minha propriedade privada — Kate resmungou, mas não conseguiu segurar o sorriso quando Júlia a abraçou por trás.
A noite do casamento da melhor amiga finalmente chegou. A festa era luxuosa, e Júlia estava deslumbrante em seu vestido verde. Kate, em um terno feminino sob medida, não saía do lado da esposa.
Entre uma dança e outra, regadas a champanhe e risadas com Gabi e Lucas, o clima entre o casal esquentou. As mãos de Kate não saíam da cintura de Júlia, e os tapas discretos que dava ao longo da noite serviam como um lembrete do que aconteceria quando chegassem em casa.
Já de madrugada, no silêncio do quarto, o clima de festa deu lugar a uma intimidade profunda. Entre gemidos abafados e carícias intensas, o amor delas se manifestava em cada toque.
— Kate... — Júlia suspirou, o rosto escondido no pescoço da loira.
— O que foi, Júlia? — Kate perguntou, a voz rouca, parando por um momento para olhar nos olhos da esposa.
Júlia hesitou por um segundo, o coração batendo forte, não apenas pelo esforço físico, mas por um pensamento que vinha rondando sua mente desde que Bella aprendera a engatinhar.
— O que você acha de... talvez... um quarto filho? — A ruiva soltou a pergunta, o tom de voz misturando medo e desejo.
Kate parou completamente, os olhos azuis arregalados. Ela olhou para Júlia, processando a informação. A casa já era um caos, a carreira de ambas exigia muito, mas a imagem de mais um pequeno ser correndo pelos corredores com os traços das duas...
— Você quer me enlouquecer, não quer? — Kate sorriu, um sorriso largo e genuíno, antes de puxar Júlia para um beijo que selava qualquer dúvida. — Se o próximo vier com o seu deboche, eu estou perdida. Mas eu aceito.
A madrugada continuou, não mais com provocações, mas com a promessa de um futuro ainda mais barulhento, cheio de amor, ciúmes bobos e a felicidade inabalável da família Bergmann-Antropova.
