
Tatsuro
Fandom: Vingadores guerra infinita
Criado: 04/10/2026
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Conexões Estelares e o Peso do Destino
A tensão no complexo dos Vingadores era quase sólida, uma massa invisível que dificultava a respiração. O ar cheirava a ozônio e ao suor frio de heróis que, pela primeira vez em muito tempo, sentiam o gosto amargo da incerteza. A Ordem Negra de Thanos já havia deixado sua marca em Nova York, e o silêncio que se seguiu ao primeiro ataque era apenas o prelúdio de uma tempestade devastadora.
No centro da sala de reuniões, a mesa holográfica projetava mapas estelares e dados fragmentados. Steve Rogers, com o semblante carregado, trocava olhares preocupados com Natasha e Sam. Tony Stark, inquieto como sempre, andava de um lado para o outro, enquanto Peter Parker, o mais jovem ali, tentava controlar o tremor nas mãos, ajustando nervosamente o disparador de teia. Bruce Banner, Doutor Estranho e Visão — este último visivelmente enfraquecido pela Joia da Mente — discutiam as probabilidades, que não eram nada animadoras.
Nick Fury, o homem que sempre parecia saber onde cada peça do tabuleiro estava escondida, afastou-se do grupo. Ele pegou um dispositivo de comunicação que parecia saído de um filme de ficção científica dos anos 80, mas que carregava uma tecnologia que poucos ali compreenderiam. Ele digitou um código, murmurou algumas palavras ininteligíveis e guardou o aparelho. Quando voltou para perto dos outros, manteve-se em um silêncio enigmático, observando a discussão acalorada entre Tony e Steve sobre a jurisdição da defesa terrestre.
Quarenta minutos se passaram em um clima de funeral antecipado. A discussão foi interrompida bruscamente por uma voz sintética carregada de urgência.
— Senhor Stark, detecto um objeto de massa considerável adentrando a atmosfera superior — anunciou Sexta-Feira, a voz ecoando pelas paredes metálicas. — A trajetória indica o nosso pátio central. A velocidade é... impossível para qualquer tecnologia terrestre conhecida.
— O quê? — Tony ativou seu bracelete, a armadura começando a se formar em torno de seu pulso. — Thanos decidiu vir pessoalmente para o chá da tarde?
— Todos para fora, agora! — ordenou Steve, pegando seu escudo circular.
Os heróis correram para o vasto campo gramado que cercava a base. O céu, antes azul, foi rasgado por uma trilha de fogo. Uma nave enorme, de design angular e cores vibrantes que contrastavam com a sobriedade militar da Terra, desceu em uma manobra de pouso que desafiava as leis da física. O vento gerado pelas turbinas quase derrubou o Homem-Formiga, que se segurou na perna de Rhodey.
— Preparem-se — gritou Bucky, sacando sua arma.
— Relaxem, cavalheiros — disse Fury, com um sorriso de canto que ninguém esperava ver em um momento daqueles. — Eu chamei reforços.
— Reforços? — Wanda perguntou, as mãos brilhando em um vermelho escarlate. — De onde?
A rampa da nave baixou com um chiado hidráulico. De dentro da névoa de resfriamento, um grupo eclético começou a descer. À frente estava um homem com uma jaqueta de couro avermelhada e um capacete tecnológico que se retraiu para revelar um rosto humano e confiante.
— Terra... — Peter Quill respirou fundo, embora logo fizesse uma careta. — Continua com cheiro de poluição e decisões erradas.
Atrás dele, a comitiva era ainda mais estranha: uma mulher de pele verde com uma espada nas costas, um brutamontes cinzento tatuado, um guaxinim armado até os dentes carregando um pequeno broto de árvore em um vaso, e uma mulher com antenas que parecia fascinada pela grama.
Mas foram os dois últimos que chamaram a atenção dos Vingadores mais jovens.
Tatsuyo desceu a rampa com uma elegância letal. Seus cabelos pretos, longos até a cintura e com ondas suaves, brilhavam sob o sol da tarde. A pele parda contrastava com o traje tecnológico leve que ela usava, projetado para não limitar seus movimentos como espadachim. Seus olhos pretos, profundos e analíticos, percorreram o complexo em segundos, processando dados arquitetônicos e sistemas de defesa antes mesmo de Tony Stark terminar de escanear a nave.
Ao lado dela, Kuro caminhava com uma arrogância juvenil. Ele era alto, musculoso, com a pele clara e cabelos brancos curtos e repicados que pareciam desafiar a gravidade. Ele vestia uma regata que deixava seus braços definidos à mostra, e seus olhos castanhos brilhavam com uma malícia divertida.
— Você achou mesmo que era o único com um exército, Stark? — Fury perguntou, cruzando os braços.
— Quem diabos são eles? — perguntou Rhodes, baixando a arma.
— Nós somos os Guardiões da Galáxia — anunciou Quill, estufando o peito. — E, tecnicamente, eu sou da Terra. Então, de nada pelo resgate.
— Guardiões da Galáxia? — Peter Parker deu um passo à frente, os olhos arregalados sob a máscara. — Isso é... incrível! Vocês têm uma nave irada!
Tatsuyo caminhou até o centro do grupo de Vingadores, ignorando o deslumbramento do Homem-Aranha. Ela parou diante de Stark e do Doutor Estranho.
— O sistema de defesa orbital de vocês é arcaico — disse ela, sua voz era calma, mas carregada de uma autoridade intelectual que fez Tony arquear as sobrancelhas. — Eu detectei três brechas de segurança na rede de satélites enquanto entrávamos. Se eu fosse o Titã Louco, já teria transformado este prédio em poeira antes mesmo de pousar.
— E quem é você, a estagiária do espaço? — Tony retrucou, embora estivesse secretamente impressionado com a precisão do comentário dela.
— Esta é Tatsuyo — apresentou Rocket, o guaxinim, enquanto ajustava um canhão que parecia maior que ele mesmo. — Ela é o cérebro da nossa operação. E confie em mim, lata velha, ela é mais inteligente que todos vocês juntos. E eu não digo isso com facilidade, porque eu sou um gênio.
— Ela é humana? — perguntou Natasha, observando a garota.
— Cem por cento — respondeu Tatsuyo, mantendo o contato visual com Stark. — Nascida na Terra, criada no setor de Berhert. Minha mãe morreu no espaço quando eu era bebê. Eu aprendi a sobreviver com tecnologia que vocês ainda nem sonharam em descobrir.
Kuro se aproximou, colocando um braço sobre o ombro de Tatsuyo. Ela não o afastou, mas revirou os olhos.
— E eu sou o Kuro — disse ele, dando uma piscadela para Wanda, que apenas o olhou com confusão. — Metade humano, filho de saqueadores e o cara que vai fritar qualquer um que chegar perto dessa gracinha aqui.
Ele apontou para Tatsuyo, que lhe deu uma cotovelada nas costelas.
— Ele é um idiota — disse Tatsuyo para o grupo. — Mas é útil.
— Útil? — Kuro riu, e de repente, faíscas azuis começaram a dançar entre seus dedos. O som de mil pássaros gorjeando preencheu o ar enquanto uma esfera de eletricidade pura se formava em sua palma. — Eu sou o Chidori em pessoa, gatinha.
— Chega de apresentações — cortou Gamora, aproximando-se de Steve Rogers. — Thanos está vindo. Ele já tem as Joias do Poder e do Espaço. Se ele conseguir a da Mente e a do Tempo, metade do universo deixará de existir. Enquanto vocês se preocupavam com as fronteiras deste planeta, nós estávamos protegendo sistemas inteiros da influência dele. Mas desta vez, a Terra é o campo de batalha final.
O grupo entrou no complexo, onde o clima de cooperação forçada começou a se estabelecer. Tatsuyo imediatamente se dirigiu aos terminais de computador, seus dedos voando sobre as teclas holográficas.
— O que você está fazendo? — perguntou Peter Parker, aproximando-se com curiosidade. — Eu sou o Peter, a propósito. Peter Parker.
— Eu sei quem você é — disse Tatsuyo sem olhar para ele. — Seu traje é uma mistura interessante de nanotecnologia e tecido sintético. Mas a lógica de processamento do sensor de movimento tem um atraso de 0,02 milissegundos. Estou corrigindo isso e integrando os sensores da nossa nave ao seu sistema. Assim você verá o inimigo antes mesmo de ele pensar em atacar.
Peter ficou boquiaberto.
— Você fez isso em... dez segundos?
— Doze — corrigiu ela, finalmente olhando para ele com um pequeno sorriso. — Você é inteligente para um terráqueo, Peter. Mas o universo é muito maior do que o Queens.
Kuro, que estava encostado em uma parede próxima observando a interação, sentiu uma pontada familiar de ciúme, embora tentasse disfarçar com seu habitual tom jocoso.
— Ei, Parker, não gasta o processamento dela — interrompeu Kuro, caminhando até eles. — A Tatsuyo tem coisas mais importantes para fazer, como me ajudar a calibrar meus limitadores de voltagem.
Tatsuyo soltou um suspiro longo, mas havia uma suavidade em seus olhos quando olhou para Kuro.
— Seus limitadores estão finos, Kuro. Você só quer atenção.
— E se eu quiser? — ele se inclinou para perto dela, baixando o tom de voz para que apenas ela ouvisse. — Você sabe que eu não funciono direito sem você me dizendo o que fazer.
— Então tente não morrer nos próximos cinco minutos — ela respondeu, a voz firme, mas a mão dela roçou brevemente a dele antes de voltar ao teclado. — O sinal de energia que a Joia da Mente está emitindo é como um farol para Thanos. Eu estou tentando criar um abafador de frequência, mas preciso de mais poder de processamento.
— Use o núcleo da nave — sugeriu Kuro, subitamente sério. — Eu posso canalizar o Chidori para sobrecarregar as células de energia se precisar de um pico de voltagem.
— Isso é perigoso para você — ela disse, olhando-o nos olhos.
— Eu aguento — ele sorriu, a confiança inabalável voltando ao rosto. — Desde que você esteja lá para me consertar depois.
Enquanto isso, no centro da sala, Fury e Quill explicavam a estratégia. A chegada dos Guardiões mudara a dinâmica. Eles tinham informações sobre a frota de Thanos que os Vingadores desconheciam.
— Nós cuidamos do espaço, vocês cuidam do chão — resumiu Rocket. — Mas Tatsuyo e o garoto elétrico ficam aqui. Ela é a única que consegue entender a tecnologia do Visão rápido o suficiente para talvez... só talvez... remover a Joia sem matar o boneco de lata.
Doutor Estranho observava a jovem humana com interesse.
— Você afirma ter o conhecimento para manipular uma Joia do Infinito? — perguntou o Mago Supremo.
Tatsuyo levantou a cabeça, encarando o homem que portava o Olho de Agamotto.
— Eu não manipulo a Joia — disse ela com calma. — Eu manipulo a realidade física ao redor dela. A ciência e a magia são apenas nomes diferentes para a mesma coisa quando você entende como os átomos vibram. E agora, se me dão licença, temos um universo para salvar.
A tensão ainda estava lá, mas agora havia algo novo no ar: esperança. Os Vingadores, os heróis da Terra, olhavam para aquele grupo de desajustados espaciais e viam, pela primeira vez, que a luta não era apenas deles.
Kuro aproximou-se de Tatsuyo novamente, observando-a trabalhar. O mundo podia estar prestes a acabar, mas ali, no brilho azul das telas holográficas, ele só conseguia pensar no quanto ela era incrível. E Tatsuyo, apesar de toda a sua lógica e intelecto superior, sentia seu coração bater um pouco mais rápido toda vez que a eletricidade de Kuro estalava perto dela.
— Ei, Tats — chamou ele suavemente.
— O quê? — ela respondeu, sem desviar os olhos dos códigos.
— Quando isso acabar... a gente devia ir a um encontro de verdade. Na Terra. Ouvi dizer que eles têm algo chamado "hambúrguer".
Tatsuyo parou por um segundo. Um pequeno sorriso, genuíno e doce, apareceu em seus lábios.
— Se você sobreviver sem explodir nada importante, Kuro... eu aceito o hambúrguer.
Ele riu, sentindo-se mais pronto para a guerra do que nunca. A batalha de suas vidas estava batendo à porta, mas os Guardiões da Galáxia e os Vingadores estavam, finalmente, na mesma página. O destino do universo dependia daquela união improvável entre a força bruta, a magia, a tecnologia terrestre e a genialidade de uma garota que chamava as estrelas de lar.
