
Oliver! :3
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 04/10/2026
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Sombras e Grafite: O Reflexo Distorcido
— Oliver! Anda logo, cara! A Zip já está perdendo a paciência no corredor e você sabe como ela fica quando está com fome! — Edward gritou, esmurrando a porta do dormitório com o punho fechado.
O som das batidas ecoou pelo corredor vazio da Paper School, mas não houve resposta. Edward franziu o cenho, ajustando os óculos. Era estranho. Oliver era o tipo de pessoa que responderia com uma piada de mau gosto, um xingamento engraçado ou simplesmente atiraria algo contra a porta para fazer barulho. O silêncio que vinha de dentro do quarto era denso, quase palpável.
— Oliver? — Edward chamou novamente, desta vez com a voz um pouco mais baixa, a irritação dando lugar a uma leve confusão. — Tem alguém aqui querendo falar com você. É importante! Ou pelo menos a Zip disse que era...
Nada. Nem o som de passos, nem o ruído característico do braço de lápis de Oliver riscando alguma superfície, nem o cheiro onipresente de sabonete que costumava segui-lo por toda parte. Edward suspirou, passando a mão pelo cabelo. Ele conhecia Oliver. Aquilo tinha toda a cara de ser mais uma daquelas pegadinhas elaboradas. Provavelmente Oliver estava esperando atrás da porta com um balde de tinta ou pronto para pular e dar um susto que o faria perder o fôlego.
— Se isso for uma pegadinha, eu juro que vou quebrar o seu estoque de sabonetes de luxo, Oliver! — Edward ameaçou, girando a maçaneta devagar. — Eu estou entrando!
A porta rangeu ao abrir, revelando o interior do quarto. Edward entrou cautelosamente, os olhos varrendo o ambiente em busca de qualquer movimento suspeito. O quarto estava na penumbra, as cortinas meio fechadas bloqueando a luz do sol que costumava destacar o branco ofuscante do cabelo de Oliver.
Quando seus olhos finalmente se ajustaram, o coração de Edward falhou uma batida. Não era uma pegadinha. Pelo menos, não o tipo de pegadinha que Oliver faria.
Oliver estava sentado em uma cadeira de madeira no centro do quarto, posicionado diante de uma mesa. Seus longos cabelos brancos, que normalmente caíam em um rabo de cavalo elegante até os tornozelos, estavam espalhados de forma desordenada pelo chão e pelos ombros. Seus pulsos estavam firmemente amarrados atrás das costas com cordas grossas que pareciam apertar sua pele pálida.
Mas o que mais chocou Edward foi o rosto de seu amigo. Oliver estava amordaçado. Uma mordaça de bola amarela, presa por tiras de couro branco, forçava sua boca a permanecer aberta, impedindo-o de articular qualquer palavra. O contraste do amarelo brilhante com o rosto aterrorizado de Oliver era perturbador.
Assim que Oliver notou a presença de Edward, seus olhos se arregalaram. A marca vermelha de "A+" em seu cabelo parecia brilhar sob a luz fraca. Ele começou a se debater freneticamente, a cadeira rangendo contra o chão de madeira.
— Mmmph! Mmm-mmph! — Oliver tentou gritar, os sons saindo abafados e desesperados. Seus olhos, geralmente cheios de malícia e diversão, agora transbordavam uma mistura de medo e uma irritação profunda por estar naquela posição vulnerável.
— Oliver! Meu Deus, o que aconteceu?! — Edward deu um passo à frente, as mãos estendidas para desamarrar o amigo.
Antes que ele pudesse tocar a primeira corda, uma mão surgiu das sombras atrás de Oliver, pousando pesadamente em seu ombro. Edward congelou no lugar.
Das sombras, emergiu uma figura que fez o sangue de Edward gelar. Ele era a imagem cuspida de Oliver, mas envolta em uma aura de pura maldade e escuridão. Danger Oliver. O irmão sombrio, a versão que muitos sussurravam existir nos cantos mais obscuros da Paper School, mas que Edward sempre considerou um mito urbano.
Danger Oliver sorriu, um sorriso que não carregava a diversão infantil de Oliver, mas sim uma crueldade afiada. Ele inclinou a cabeça, observando Edward como um predador observa uma presa curiosa.
— Ora, ora... Vejam só quem decidiu aparecer para o resgate — disse Danger Oliver, sua voz era uma versão mais profunda e arrastada da voz de Oliver. — O pequeno cientista veio salvar o valentão de papel?
— Solta ele agora! — Edward rosnou, a irritação começando a superar o medo. — Eu não sei que tipo de jogo doentio você está jogando, mas isso termina aqui.
Danger Oliver soltou uma risada seca, seus dedos apertando o ombro de Oliver, que soltou um gemido abafado de dor e frustração.
— Termina quando eu disser que termina, Edward — Danger Oliver provocou, dando um passo para o lado, mas mantendo a mão no irmão. — Você acha que tem o que é preciso para tirá-lo de mim? Olhe para ele. Tão silencioso... Tão comportado. Não é muito melhor assim do que ouvindo as piadas idiotas dele?
— Cale a boca! — Edward avançou, mas Danger Oliver foi mais rápido, puxando o cabelo de Oliver para trás, forçando-o a olhar para o teto. Oliver soltou um som agudo de protesto por trás da mordaça amarela, seus pés chutando o ar em vão.
— Cuidado com o temperamento — Danger Oliver zombou. — Você sabe que eu posso ser muito mais criativo com essas cordas se você me irritar. E eu sei que você não quer ver o seu "melhor amigo" sofrer mais do que o necessário, não é?
Edward estava tremendo de raiva. O suor frio escorria por sua nuca. Ele olhou para Oliver, que agora o encarava com um olhar suplicante, algo que Edward nunca pensou que veria no rosto do garoto mais travesso da escola. A visão de Oliver naquela situação, impotente e silenciado, estava destruindo os nervos de Edward.
— O que você quer? — Edward perguntou, tentando manter a voz firme apesar do estresse que consumia seus sentidos.
Danger Oliver soltou o cabelo de Oliver e caminhou lentamente ao redor da mesa, o som de seus passos ecoando como batidas de um relógio de má sorte. Ele parou bem na frente de Edward, a diferença de altura e a aura de perigo fazendo Edward recuar meio passo inconscientemente.
— O que eu quero? — Danger Oliver repetiu, fingindo refletir. — Talvez eu queira ver até onde vai a sua lealdade. Ou talvez eu só queira ver você quebrar.
Edward tentou desviar para alcançar Oliver, mas Danger Oliver bloqueou seu caminho com uma agilidade sobre-humana. A provocação era constante, um jogo mental que estava deixando Edward no limite de sua sanidade.
— Você é fraco, Edward — Danger Oliver sussurrou, aproximando-se ainda mais. — Você se esconde atrás de seus experimentos e de seus amigos populares. Mas aqui, nesta sala, você não é nada.
— Eu não sou fraco! — Edward gritou, tentando empurrar a versão sombria, mas suas mãos passaram por Danger Oliver como se ele fosse feito de fumaça e sombra, apenas para ser agarrado pelos pulsos logo em seguida.
Danger Oliver inclinou-se para a frente, seu rosto a centímetros do de Edward. Oliver, na cadeira, observava a cena com olhos arregalados, o desespero aumentando ao ver seu defensor ser subjugado tão facilmente.
— Você acha que pode salvá-lo? — Danger Oliver sussurrou, desta vez diretamente no ouvido de Edward. Sua voz era como veneno escorrendo em seda. — Olhe para ele, Edward. Ele pertence a mim agora. E se você der mais um passo... eu vou garantir que ele nunca mais consiga segurar um lápis com aquele braço ridículo.
Edward sentiu o rosto esquentar. Não era apenas de raiva, mas de uma sensação avassaladora de impotência e algo mais que ele não conseguia identificar. O calor subiu por suas bochechas, pintando-as de um vermelho intenso. Ele olhou para Oliver, que estava imóvel agora, as lágrimas de frustração começando a se formar nos cantos de seus olhos.
Danger Oliver percebeu a reação de Edward e soltou um riso baixo e vitorioso. Ele continuou a sussurrar palavras que apenas Edward podia ouvir, promessas de sombras e consequências que faziam o coração do garoto disparar contra as costelas.
— Você sabe que não vai conseguir, não sabe? — Danger Oliver murmurou contra a orelha de Edward, o hálito frio arrepiando os pelos de seus braços. — Você sabe que, no fundo, você está com medo de mim. E esse medo é o que vai manter o seu querido Oliver exatamente onde ele está.
Edward fechou os olhos com força, o rosto ardendo. Ele queria lutar, queria gritar, queria usar toda a sua inteligência para tirar Oliver dali, mas a presença de Danger Oliver era sufocante. Era como tentar lutar contra a própria escuridão.
— Mmmph! — Oliver tentou chamar a atenção de Edward uma última vez, balançando a cabeça negativamente, como se dissesse para Edward sair dali, para se salvar.
Mas Edward não conseguia se mexer. Ele estava preso no jogo de Danger Oliver, paralisado pela provocação e pela percepção esmagadora de que, naquela tarde, na Paper School, as sombras tinham vencido o grafite.
Danger Oliver se afastou apenas o suficiente para olhar Edward nos olhos, um brilho de triunfo maligno em seu olhar.
— Bom garoto — ele disse, dando um tapinha condescendente no rosto corado de Edward. — Agora, por que você não vai lá fora e diz à Zip que o Oliver vai se atrasar um pouco? Temos muito o que conversar a sós.
Edward permaneceu ali, imóvel, o som da respiração abafada de Oliver e o riso silencioso de Danger Oliver preenchendo o quarto, enquanto a esperança de um resgate simples se dissolvia como papel na chuva.
