
Helliam
Fandom: Five Nights at Freddy's
Criado: 04/10/2026
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Engrenagens e Obsessões
A chuva batia ritmicamente contra as vidraças da oficina de Henry Emily, um som metálico que ecoava pela sala repleta de carcaças de endoesqueletos e ferramentas espalhadas. Henry, uma figura imponente de dois metros e dezessete, estava debruçado sobre uma mesa de projetos. Seus cabelos ruivos curtos estavam levemente bagunçados, e a luz da luminária de mesa acentuava sua mandíbula bem feita, livre da barba que costumava ostentar nos dias de trabalho pesado.
Ele olhou para o relógio de parede. Eram quase dez da noite. Ele o havia chamado, e a expectativa criava um nó apertado em seu peito. Por anos, o sentimento que Henry nutria por William Afton era um amálgama de ódio puro e repulsa. Ele conhecia a escuridão que habitava o sócio, a frieza psicopática que se escondia sob a fachada de um homem de negócios. Mas, em algum momento entre as noites em claro projetando animatrônicos e os segredos compartilhados, o ódio sofreu uma mutação dolorosa. Ele se apaixonou pelo monstro.
O som da campainha interrompeu seus pensamentos. Henry se levantou, sua altura fazendo o teto da oficina parecer subitamente baixo. Ele caminhou até a porta e a abriu, encontrando a figura encharcada de William Afton.
William tinha um metro e oitenta, o que o tornava consideravelmente menor que Henry, mas sua presença sempre preenchia o ambiente de uma forma sufocante. Seu cabelo castanho, cortado em um mullet característico que caía sobre a nuca, estava grudado na testa pela chuva. Seus olhos cinzentos, geralmente desprovidos de qualquer calor humano, suavizaram-se apenas um pouco ao ver Henry.
— Você demorou — disse Henry, sua voz profunda e calma vibrando no ar frio da entrada.
— O trânsito estava um caos, e Michael resolveu dificultar as coisas antes de eu sair — respondeu William, entrando e sacudindo o casaco. Sua voz era gélida para o mundo, mas carregava uma nota de cansaço que ele só permitia que Henry ouvisse.
Henry fechou a porta e trancou-a. Ele observou William retirar o casaco molhado, revelando a camisa social por baixo. O contraste entre eles era gritante: Henry, o gigante gentil com mãos que criavam vida; William, o homem magro com mãos que semeavam o caos.
— Você parece exausto, Will — comentou Henry, aproximando-se.
— A vida é exaustiva, Henry. Especialmente quando se vive cercado por idiotas — William deu um meio sorriso cínico, mas seus olhos procuraram os de Henry. — Por que me chamou aqui hoje? Algum problema com os circuitos do Bonnie?
Henry não respondeu de imediato. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles até que William tivesse que inclinar a cabeça para trás para encará-lo. A diferença de altura sempre fora algo que Henry usava para protegê-lo, mas agora, servia para dominá-lo de uma forma diferente.
— Não é sobre os robôs — disse Henry, levando a mão ao rosto de William. Seus dedos eram grandes, mas o toque era de uma delicadeza extrema. — Eu só precisava que você estivesse aqui. Comigo.
William fechou os olhos por um momento, entregando-se ao toque. Para qualquer outra pessoa, ele era um predador, um homem sem escrúpulos. Mas ali, sob o olhar de Henry, ele permitia que suas defesas caíssem. Ele era carinhoso com seus filhos, à sua maneira distorcida, mas Henry era o único adulto que conseguia atravessar a armadura de gelo que ele construíra ao redor de si mesmo.
— Você é um homem estranho, Henry Emily — sussurrou William, abrindo os olhos. — Amar alguém como eu... é um erro que eu pensei que você fosse inteligente demais para cometer.
— Eu nunca disse que era inteligente quando se trata de você — Henry respondeu, sua voz baixando para um tom quase inaudível.
Sem mais palavras, Henry inclinou-se e selou seus lábios nos de William. O beijo começou lento, um reconhecimento de território, mas rapidamente se intensificou. William envolveu o pescoço de Henry com os braços, puxando-o para mais perto, enquanto Henry segurava a cintura de William com firmeza, sentindo a fragilidade aparente daquele homem que causava tanto medo nos outros.
William soltou um suspiro contra a boca de Henry, um som que misturava rendição e desejo. Henry o conduziu para longe da porta, em direção ao sofá de couro desgastado que ficava no canto da oficina, cercado por plantas baixas e o cheiro de óleo de máquina e café.
— Henry... — William murmurou quando os beijos desceram para seu pescoço. — Você tem certeza disso?
Henry parou por um segundo, olhando nos olhos de William. Ele via o psicopata, via o homem que ele deveria odiar, mas via também o parceiro de anos, o homem que ele não conseguia deixar de querer.
— Eu nunca tive tanta certeza de algo na minha vida — afirmou Henry, sua voz firme e cheia de uma possessividade calma.
Ele ajudou William a se livrar da camisa úmida, revelando a pele pálida marcada por algumas cicatrizes de acidentes na oficina. William, por sua vez, desabotoou a camisa de Henry com dedos ágeis, embora levemente trêmulos. A visão do peito largo de Henry e de seus ombros maciços sempre fazia William se sentir pequeno, uma sensação que ele secretamente apreciava apenas naquele contexto.
Henry deitou William no sofá, posicionando-se sobre ele. A diferença de peso e tamanho era evidente, mas Henry era cuidadoso, usando seus braços fortes para sustentar a maior parte do próprio peso enquanto distribuía beijos pela clavícula de William.
— Você é meu, Will — sussurrou Henry no ouvido dele. — Apesar de tudo o que você fez, apesar de quem você é.
— E você é o único que eu deixaria chegar tão perto — respondeu William, sua voz falhando enquanto as mãos de Henry exploravam seu corpo. — O único que não me olha com medo.
— Eu não tenho medo de você — Henry disse, voltando a beijá-lo com mais urgência. — Eu conheço seus demônios. Eu os criei junto com você.
O clima na oficina mudou. O som da chuva lá fora parecia abafado pela tensão elétrica entre os dois. Henry era o lado ativo, o guia naquela dança de sombras e luzes. Ele movia-se com uma confiança gentil, garantindo que William estivesse confortável, mas mantendo o controle da situação. William, o homem que sempre precisava estar no comando de tudo em sua vida, entregava-se completamente à vontade de Henry, encontrando um alívio perverso em ser dominado por alguém que ele respeitava e, à sua maneira sombria, amava.
As mãos de Henry percorriam o corpo de William com uma reverência que beirava o religioso. Ele conhecia cada curva, cada reação. Quando William arqueou as costas, soltando um gemido baixo que foi abafado pelo peito de Henry, o ruivo soube que não havia volta. Eles estavam ligados não apenas pelo sangue nas mãos de William ou pelos projetos de engenharia, mas por uma necessidade física e emocional que desafiava a lógica.
— Olhe para mim — pediu Henry, sua voz soando como um comando suave.
William abriu os olhos, a visão levemente embaçada pelo prazer. Ele viu o rosto de Henry, iluminado pela luz fraca da oficina. Não havia julgamento ali, apenas uma afeição profunda e perigosa.
— Eu te odeio por me fazer sentir assim — mentiu William, puxando Henry para outro beijo fervoroso.
— Eu sei — Henry sorriu contra seus lábios. — E eu te amo por ser exatamente quem você é.
A noite avançou entre sussurros e o som de respirações pesadas. Naquele espaço sagrado, os crimes de William e a conivência dolorosa de Henry não importavam. Eles eram apenas dois homens perdidos um no outro, tentando encontrar algum tipo de redenção ou destruição nos braços um do outro.
Horas depois, a chuva havia diminuído para uma garoa fina. William estava deitado com a cabeça no peito de Henry, o som dos batimentos cardíacos do gigante servindo como um metrônomo para sua própria respiração. Henry passava os dedos pelo cabelo longo de William, desembaraçando os fios castanhos com paciência.
— Você vai ficar? — perguntou Henry, quebrando o silêncio.
William ficou em silêncio por um longo tempo, observando as sombras das máquinas nas paredes.
— Por enquanto — respondeu ele, fechando os olhos. — Pelo menos até o sol nascer e os monstros terem que voltar para suas tocas.
Henry o apertou um pouco mais forte contra si.
— Eu não vou deixar nada te levar, Will. Nem mesmo você.
William não respondeu, mas apertou a mão de Henry que estava em seu ombro. Naquela oficina, cercados por metal frio e segredos sombrios, eles encontraram um calor que o resto do mundo jamais entenderia. A raiva de Henry havia se transformado em algo muito mais complexo e duradouro, e a frieza de William havia encontrado, finalmente, um lugar para derreter.
Eles sabiam que o amanhã traria os mesmos problemas, as mesmas sombras e a mesma escuridão que cercava a Fazbear Entertainment. Mas, por aquela noite, as engrenagens da vida haviam parado, permitindo que o criador e o destruidor fossem apenas um.
