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nos bastidores do meu coração

Fandom: Stray Kids

Criado: 05/10/2026

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RomanceDramaAngústiaCiúmesPsicológicoEstudo de PersonagemCenário Canônico
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Sombras e Silêncios

O ar nos bastidores do Music Bank era denso, carregado com o cheiro de spray de cabelo, maquiagem cara e a eletricidade estática que precedia uma grande performance. Mary caminhava pelos corredores com a confiança de quem conhecia cada centímetro daquele labirinto. Como assistente de produção, ela era o fantasma que garantia que tudo funcionasse, mas sua beleza coreana, afiada e intensa, tornava impossível que ela passasse despercebida. Seus olhos escuros, profundos como um oceano à noite, capturavam reflexos de luz enquanto ela conferia o cronômetro em seu pulso.

Ela não esperava que, ao dobrar o corredor em direção ao camarim do Stray Kids, fosse colidir contra um peito sólido. O impacto a fez cambalear, mas mãos firmes seguraram seus ombros antes que ela pudesse cair.

— Cuidado — disse uma voz suave, mas carregada de uma ressonância que a fez estremecer.

Mary ergueu o olhar e encontrou Hyunjin. Ele estava com o figurino de palco, uma combinação de couro e seda que acentuava sua figura esguia e elegante. O cabelo loiro caía sobre os olhos, e a maquiagem dramática destacava a beleza surreal que o tornava um ídolo global. No entanto, de perto, Mary viu algo que as câmeras raramente captavam: uma vulnerabilidade silenciosa em suas pupilas.

— Sinto muito, Hyunjin-ssi — respondeu ela, recuperando a compostura rapidamente. Sua voz era calma, escondendo a batida acelerada de seu coração. — Eu estava distraída com o horário.

Hyunjin não soltou seus ombros imediatamente. Ele a observou com uma curiosidade que beirava a insolência. Ele já a tinha visto antes, nos ensaios, mas nunca tão perto.

— Você é a garota que nunca sorri para as câmeras — observou ele, um meio sorriso brincando em seus lábios. — Mary, certo?

— Eu trabalho atrás delas, não na frente, Hyunjin-ssi — ela respondeu, desvencilhando-se gentilmente. — E sorrisos são para quem tem tempo a perder.

Aquele foi o início. O que começou como uma troca de olhares nos corredores evoluiu para mensagens trocadas às três da manhã, quando o mundo estava em silêncio e as pressões da fama pesavam sobre os ombros dele. Hyunjin descobriu que Mary era o seu porto seguro, a única pessoa que não o olhava como uma mercadoria, mas como o homem sensível e sonhador que ele era. E Mary, por sua vez, encontrou em Hyunjin uma chama que aquecia seu coração habitualmente blindado.

Mas havia um problema. Um problema chamado Lee Minho. Ou, como todos o conheciam, Lee Know.

Lee Know era o tipo de homem que amava com uma intensidade perigosa. Ele conhecia Mary há anos; conhecia o jeito que ela prendia o cabelo quando estava nervosa, o fato de ela preferir café amargo e a maneira exata como seus olhos brilhavam quando ela estava prestes a tomar uma decisão difícil. Ele a amava demais, e sabia disso. E, acima de tudo, ele era possessivo.

Semanas depois, em uma festa privada após o encerramento da turnê, o clima estava tenso. Hyunjin e Mary estavam em um canto afastado da varanda, protegidos pelas sombras.

— Eu não aguento mais ter que fingir que você é apenas uma colega de trabalho — sussurrou Hyunjin, puxando-a para mais perto pela cintura. Seus dedos acariciaram a pele exposta das costas dela, um toque que queimava. — Quero você perto de mim o tempo todo, Mary.

— Você sabe que é impossível — Mary respondeu, embora tenha inclinado a cabeça para o lado, permitindo que ele beijasse a curva de seu pescoço. — O risco é grande demais para a sua carreira. E eu... eu não sou alguém que aceita ser escondida por muito tempo.

Hyunjin apertou o aperto, seu ciúme latente vindo à tona.

— Se eu pudesse, trancaria você em um lugar onde só eu pudesse te ver. O jeito que os outros funcionários olham para você... o jeito que o Minho olha para você... isso me consome.

Mary se afastou ligeiramente, encarando-o com seu olhar profundo.

— Minho é meu amigo, Hyunjin. Ele me conhece bem, só isso.

— Ele conhece você bem demais — rebateu Hyunjin, os olhos brilhando com uma intensidade possessiva. — Ele olha para você como se fosse o dono do seu passado. Mas eu quero ser o dono do seu presente.

Antes que ela pudesse responder, a porta da varanda se abriu com um estrondo suave. Lee Know estava parado ali, a expressão ilegível, mas os olhos fixos em Mary. Ele não parecia surpreso, o que era ainda mais perturbador. Ele sabia. Ele sempre sabia.

— O gerente está procurando por você, Hyunjin — disse Lee Know, sua voz fria como gelo picado. — E Mary, seu turno acabou. Eu te levo para casa.

O silêncio que se seguiu foi cortante. Hyunjin deu um passo à frente, colocando-se parcialmente na frente de Mary, um gesto instintivo de proteção e posse.

— Ela não precisa de carona, Minho-hyung. Eu cuido disso.

Lee Know soltou uma risada curta e sem humor, caminhando para dentro do círculo de luz da varanda.

— Você cuida disso? — Lee Know arqueou uma sobrancelha, o olhar fixo em Mary, ignorando Hyunjin por um momento. — Mary odeia o banco de couro do seu carro, Hyunjin. E ela está com dor de cabeça, dá para ver pelo modo como ela está apertando a têmpora esquerda. Ela precisa de silêncio e de um chá específico que só eu sei onde comprar a esta hora.

Mary sentiu um arrepio. A atenção de Lee Know aos detalhes era, ao mesmo tempo, reconfortante e sufocante.

— Eu posso decidir para onde vou — interveio Mary, sua voz firme, embora o conflito interno a estivesse dilacerando. Ela amava a lealdade e a profundidade de Minho, mas a paixão avassaladora de Hyunjin a fazia se sentir viva de uma forma que nunca experimentara.

— Então decida — disse Hyunjin, virando-se para ela, o olhar suplicante e, ao mesmo tempo, exigente. — Fique comigo. Vamos sair daqui pelos fundos.

— Ou venha comigo — disse Lee Know, dando um passo em direção a ela, a mão estendida. — Sem segredos, sem riscos de escândalos, apenas o que sempre fomos.

Mary olhou para os dois. Hyunjin, o ídolo brilhante que escondia um coração possessivo e carente sob a elegância. Minho, o amigo de longa data cujo amor era uma âncora pesada e ciumenta.

— Vocês dois estão agindo como se eu fosse um troféu — Mary disse, a voz subindo de tom, revelando a faísca de perigo que sempre carregava. — Eu não pertenço a nenhum de vocês.

Ela caminhou até a beirada da varanda, olhando para as luzes de Seul abaixo.

— Hyunjin, você me quer porque eu sou o único mistério que você ainda não resolveu. E Minho, você me quer porque tem medo de que, se eu for embora, ninguém mais vá entender o seu silêncio.

Hyunjin se aproximou, ignorando a presença de Lee Know. Ele pegou a mão de Mary e a levou aos lábios, os olhos fixos nos dela.

— Não é um mistério, Mary. É uma necessidade. Eu sinto ciúmes até do ar que você respira porque ele chega mais perto de você do que eu posso chegar em público.

Lee Know soltou um suspiro pesado, a inquietação evidente em seus ombros tensos.

— Você não entende, Hyunjin. Você a vê como uma musa. Eu a vejo como a pessoa que me impede de desmoronar. Se você a envolver no seu mundo de flashes, vai destruí-la. E eu não vou permitir isso.

— Você não vai permitir? — Hyunjin soltou uma risada amarga. — Quem é você para permitir qualquer coisa?

— Eu sou aquele que sabe que ela está usando esse perfume hoje só porque eu disse, meses atrás, que gostava do aroma de jasmim — respondeu Lee Know, os olhos faiscando. — Eu sou aquele que sabe que ela não suporta o toque de estranhos, mas deixa você tocá-la porque é impulsiva.

Mary sentiu o peso das palavras de Minho. Ele estava certo sobre os detalhes, como sempre. Mas Hyunjin... Hyunjin a fazia querer ser impulsiva.

— Chega — disse Mary, afastando-se de ambos. — Eu vou para casa sozinha.

Ela começou a caminhar em direção à porta, mas Hyunjin segurou seu pulso. O toque dele era possessivo, a força nos dedos denunciando o medo de perdê-la.

— Mary, por favor. Não me deixe assim. Não depois de tudo o que dissemos nas madrugadas.

Ela olhou para Hyunjin e depois para Lee Know, que permanecia parado, como uma estátua de mágoa e vigilância.

— Nós precisamos conversar, Hyunjin. Mas não aqui. E não com o Minho assistindo.

— Eu não vou a lugar nenhum — declarou Lee Know, cruzando os braços. — Eu conheço você, Mary. Você vai tentar ser leal a ele e vai acabar se machucando.

— Minha lealdade é algo que eu decido a quem dar — Mary rebateu, o olhar afiado voltando-se para o amigo. — E hoje, Minho, você está cruzando a linha.

Ela se soltou de Hyunjin, mas antes de sair, sussurrou algo apenas para ele, baixo o suficiente para que Minho não ouvisse:

— Me encontre no lugar de sempre em uma hora. Se você for visto, a culpa é sua.

Hyunjin assentiu, um brilho de triunfo e desejo em seus olhos. Ele viu Mary desaparecer pelo corredor, o som de seus saltos ecoando no silêncio tenso da varanda.

Restaram apenas os dois homens. O ídolo e o dançarino. O sonho e a realidade.

— Você vai perdê-la, Hyunjin — disse Lee Know, sua voz agora apenas um sussurro desolado. — O seu mundo é brilhante demais para alguém que ama as sombras como ela.

— Talvez — respondeu Hyunjin, ajustando a jaqueta, a elegância voltando a cobrir sua turbulência interna. — Mas enquanto ela estiver comigo, eu serei o único sol que ela vai querer ver. E o seu ciúme, hyung... ele só prova que eu já ganhei.

Hyunjin saiu, deixando Lee Know sozinho na varanda. O mais velho apertou o parapeito com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Ele sabia exatamente para onde ela estava indo. Ele sabia o caminho, o horário e o que ela diria. Mas, pela primeira vez, saber tudo sobre Mary não era o suficiente para tê-la.

Uma hora depois, em um pequeno estúdio de arte escondido em um bairro pacato, a porta se abriu. Hyunjin entrou, ainda ofegante, tendo despistado dois fotógrafos no caminho. Mary estava sentada em um banquinho, cercada por telas em branco.

— Você veio — disse ela, sem se virar.

Hyunjin caminhou até ela e a abraçou por trás, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Eu sempre vou vir. Eu não consigo evitar.

— O Minho... ele não vai desistir — Mary avisou, fechando os olhos e aproveitando o calor dele. — Ele ama demais, Hyunjin. E ele é perigoso quando sente que está perdendo algo que considera dele.

— Ele tem que entender que você não é dele — Hyunjin murmurou, virando-a para que ficassem de frente. — Você é sua. E, se você permitir, você é minha.

Ele a beijou com uma fome que misturava amor e uma possessividade desesperada. Mary respondeu com a mesma intensidade, sua lealdade começando a pender perigosamente para o lado do caos que Hyunjin representava.

Lá fora, estacionado a uma quadra de distância, um carro preto permanecia com as luzes apagadas. Lee Know observava a entrada do prédio, os olhos fixos na janela iluminada do segundo andar. Ele sabia que eles estavam juntos. Ele sabia o que estavam fazendo.

Ele pegou o celular e olhou para uma foto antiga dele e de Mary, de anos atrás, quando a vida era simples.

— Você não sabe no que está se metendo, Mary — sussurrou ele para o vazio do carro. — Mas eu vou estar aqui para juntar os pedaços quando ele te quebrar.

O triângulo estava traçado. De um lado, o desejo avassalador e o brilho perigoso da fama com Hyunjin. Do outro, a obsessão silenciosa e o conhecimento profundo de Lee Know. E no centro, Mary, uma garota que não fazia nada pela metade e que estava prestes a descobrir que, no jogo do amor e do ciúme, ninguém sai ileso.

Hyunjin a apertou mais contra si no estúdio, sentindo o cheiro de jasmim que Minho tanto mencionara. Ele sabia que estava arriscando tudo — sua carreira, sua amizade com Minho, sua paz de espírito. Mas, ao olhar para Mary, ele percebeu que o risco era a única coisa que o fazia se sentir vivo.

— Não importa o que aconteça amanhã — Hyunjin disse, encostando a testa na dela. — Esta noite, você é o meu único mundo.

— E amanhã? — perguntou Mary, o olhar afiado buscando a verdade nele.

— Amanhã — respondeu Hyunjin, um brilho sombrio e apaixonado nos olhos —, eu vou lutar contra qualquer um que tente te tirar de mim. Inclusive contra o Minho.

A guerra fria entre os dois amigos tinha apenas começado, e Mary era o território que nenhum dos dois estava disposto a ceder. Entre mensagens apagadas, encontros furtivos e olhares carregados de eletricidade, o segredo deles tornava-se uma bomba-relógio, pronta para explodir no coração do Stray Kids.

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