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"Just colleagues"

Fandom: EngLot

Criado: 06/10/2026

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RomanceDramaAngústiaPsicológicoEstudo de PersonagemSombrioCiúmes
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Cimento, Sangue e Obsessão

O sol de Bangkok não tinha piedade, mas o calor que emanava do asfalto não era nada comparado à tensão que saturava a sala de reuniões da Waraha Enterprises. Charlotte Austin ajustou a gola de seu blazer bege, sentindo o suor frio escorrer por suas costas. Ela conhecia aquele cheiro: uma mistura de perfume caro francês e o aroma metálico de perigo.

Engfa Waraha estava sentada na cabeceira da mesa, girando uma caneta Montblanc entre os dedos longos e ágeis. Os cabelos castanho-escuros caíam perfeitamente sobre os ombros, e o olhar, afiado como uma navalha, estava fixo na planta baixa estendida sobre a mesa.

— Isso está medíocre, Charlotte — disse Engfa, sua voz arrastando-se com uma arrogância que fazia os pelos do braço de Charlotte se arrepiarem. — Eu pedi um shopping que fosse um monumento ao meu nome, não um depósito de mercadorias para a classe média.

Charlotte respirou fundo, tentando manter a voz estável. Ela sabia que Engfa estava apenas testando seus limites, como sempre fazia.

— Os cálculos estruturais exigem essas colunas de sustentação, Engfa. Se você quer estética acima de segurança, chame um decorador, não uma engenheira.

Engfa levantou os olhos. O castanho de suas íris parecia brilhar com um deleite sádico. Ela se levantou, caminhando lentamente ao redor da mesa até parar atrás da cadeira de Charlotte. A proximidade era sufocante. Charlotte podia sentir o calor do corpo de Engfa, o mesmo calor que um dia a consumiu por inteiro.

— Você sempre foi tão teimosa — sussurrou Engfa, inclinando-se para que seus lábios ficassem próximos ao ouvido de Charlotte. — É uma pena que essa sua firmeza só funcione para o trabalho. Porque nós duas sabemos que, entre quatro paredes, você nunca conseguiu me dizer "não".

Charlotte cerrou os punhos sobre a mesa. A dependência emocional era uma ferida que nunca cicatrizava de verdade; bastava um toque, uma palavra certa, e a crosta se rompia.

— Isso é passado, Engfa. Agora somos sócias. Colegas. Nada mais.

Engfa soltou uma risada seca, desprovida de qualquer humor real.

— "Colegas". Que palavra patética. Você realmente acha que pode me relegar a um cargo tão insignificante na sua vida? Eu sou o sol, Charlotte. E você ainda está orbitando ao meu redor, mesmo que finja que não.

— Você é um buraco negro, Engfa — retrucou Charlotte, virando-se para encará-la. — Você suga tudo o que há de bom nas pessoas até que não sobre nada além de cascas vazias. Eu não sou mais o seu prêmio de exibição.

O rosto de Engfa mudou em um milésimo de segundo. A máscara de sarcasmo caiu, dando lugar a uma expressão de fúria fria. Ela bateu a mão na mesa, fazendo os papéis voarem.

— Você deveria me agradecer! — explodiu Engfa, a voz subindo de tom. — Quem era você antes de mim? Uma engenheira recém-formada com sonhos medíocres. Eu te dei brilho! Eu te dei status! E você me retribui com essa ingratidão barata?

— Você me deu uma coleira de ouro! — Charlotte levantou-se, ficando frente a frente com a mulher mais alta. — E eu prefiro andar descalça no cascalho do que usar essa coleira de novo.

O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de anos de ressentimento e um desejo que nenhuma das duas admitia. Engfa observou Charlotte, seus olhos percorrendo o rosto da ex-namorada, notando o leve tremor nos lábios dela. A raiva de Engfa, volátil como sempre, transformou-se em uma curiosidade predatória.

— Você está tremendo, Charlie — notou Engfa, a voz voltando a ser suave, quase carinhosa, o que era ainda mais aterrorizante. — É medo ou é saudade?

— É ódio — mentiu Charlotte.

Engfa deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Charlotte.

— O ódio e o amor são vizinhos de quarto. E a parede entre eles é muito fina.

Antes que Charlotte pudesse responder, a porta da sala se abriu e um assistente entrou, parando bruscamente ao notar a atmosfera elétrica.

— Com licença, Sra. Waraha... o mestre de obras está na linha dois. Há um problema com o concreto no setor C.

Engfa não desviou o olhar de Charlotte por vários segundos, antes de finalmente estalar a língua e se afastar.

— Diga a ele que estarei lá em dez minutos. E leve a Srta. Austin com você. Ela precisa ver como o "mundo real" funciona fora dos desenhos dela.


O canteiro de obras era um labirinto de andaimes, poeira e o som constante de britadeiras. Engfa caminhava pelo terreno acidentado com a confiança de quem era dona de cada grão de areia ali presente. Charlotte a seguia, tentando ignorar a forma como o capacete de segurança emoldurava o rosto de Engfa, tornando-a irritantemente atraente mesmo em meio ao caos da construção.

— O concreto não está curando no tempo certo — explicou o mestre de obras, apontando para uma fundação úmida.

Engfa cruzou os braços, observando a estrutura.

— É a umidade excessiva ou a mistura está errada? — perguntou ela, demonstrando a observação aguçada que Charlotte sempre admirou.

— A umidade, senhora. As chuvas de ontem...

— Eu não quero desculpas sobre o clima! — Engfa gritou, assustando os operários próximos. — Eu pago para que vocês prevejam o clima! Se esse cronograma atrasar um dia sequer, eu vou descontar do fundo de reserva de vocês! Cambada de incompetentes!

Charlotte interveio, aproximando-se da fundação.

— Engfa, gritar não vai secar o concreto. Precisamos de aceleradores químicos ou coberturas térmicas.

Engfa virou-se para ela, os olhos em brasa.

— Não me diga como gerir meus gastos, Charlotte.

— E não me diga como fazer meu trabalho! — Charlotte rebateu, o ciúme profissional misturando-se com a frustração pessoal. — Você trata todo mundo como se fossem seus súditos. Eles são seres humanos.

Engfa deu uma risada sarcástica, aproximando-se de Charlotte até que as abas de seus capacetes quase se tocassem.

— Humanos são substituíveis. Resultados, não. Mas você sempre foi a "boazinha", não é? A Charlotte que se preocupa com o sentimento de todo mundo, enquanto eu me preocupo em construir um império.

— Um império de solidão, Engfa.

A provocação atingiu o alvo. O rosto de Engfa se contraiu. Ela agarrou o braço de Charlotte, não com força suficiente para machucar, mas com a possessividade de quem reivindica um território.

— Venha comigo. Agora.

Ela arrastou Charlotte para um dos escritórios temporários, um contêiner adaptado que ficava nos fundos do canteiro, longe dos olhos dos trabalhadores. Assim que entraram, Engfa chutou a porta para fechá-la e empurrou Charlotte contra a parede de metal.

— O que você pensa que está fazendo? — perguntou Charlotte, a respiração ofegante.

— Eu estou cansada de você me desafiar na frente dos outros — disse Engfa, a voz rouca. — Você acha que, porque terminamos, você tem o direito de me olhar de cima?

— Eu terminei com você porque eu estava morrendo, Engfa! — Charlotte gritou, as lágrimas finalmente vencendo a barreira de seus olhos. — Eu não era uma pessoa ao seu lado, eu era um acessório. Você me exibia nas festas como se eu fosse um relógio caro, e depois me trancava no seu mundo onde só a sua vontade importava.

Engfa parou, sua expressão suavizando por um breve momento ao ver a dor no rosto de Charlotte. Mas o narcisismo era uma armadura difícil de romper.

— Você era o meu prêmio porque você é a única coisa que realmente vale a pena neste mundo medíocre — disse Engfa, sua mão subindo para acariciar o rosto de Charlotte, o polegar limpando uma lágrima. — Eu só queria que o mundo soubesse que você era minha. Só minha.

— Esse é o problema — sussurrou Charlotte, fechando os olhos sob o toque, odiando a própria fraqueza. — Eu não sou um objeto.

— Então por que você ainda treme quando eu te toco? — Engfa se inclinou, seu hálito quente contra os lábios de Charlotte. — Por que você ainda usa o perfume que eu te dei no nosso primeiro aniversário?

Charlotte abriu os olhos, surpresa por Engfa ter notado aquele detalhe. A observação dela era sempre sua arma mais letal.

— Eu... eu só não queria desperdiçar...

— Mentirosa — interrompeu Engfa, e então, ela a beijou.

Não foi um beijo gentil. Foi uma colisão. Havia desespero, raiva e uma fome que meses de separação não conseguiram aplacar. Charlotte tentou empurrá-la no início, suas mãos batendo contra os ombros firmes de Engfa, mas a dependência emocional agiu como um ímã. Seus dedos se enroscaram nos cabelos castanhos de Engfa, puxando-a para mais perto, querendo fundir-se àquela toxicidade que ela conhecia tão bem.

Engfa soltou um gemido baixo, prensando seu corpo contra o de Charlotte. Suas mãos desceram para a cintura da engenheira, apertando com força, marcando sua posse.

— Diga que sentiu minha falta — ordenou Engfa entre beijos, a arrogância voltando a transparecer. — Diga que nenhum daqueles idiotas com quem você saiu chega aos meus pés.

— Eu te odeio — arfou Charlotte, enquanto seu pescoço era alvo dos beijos vorazes de Engfa.

— Diga — insistiu Engfa, mordendo levemente o lóbulo da orelha de Charlotte.

— Eu senti sua falta — confessou Charlotte, a voz quebrada, sentindo-se derrotada pela própria necessidade. — Senti tanta falta que dói respirar, Engfa.

Engfa sorriu contra a pele dela. Era a vitória que ela buscava. Ela se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Charlotte, um brilho de triunfo e desejo ardente.

— Viu? Você sempre volta para casa, Charlie.

— Isso não é uma casa, Engfa. É uma prisão — disse Charlotte, embora não fizesse menção de sair de perto dela.

— Então vamos queimar a prisão juntas — respondeu Engfa, voltando a atacar os lábios de Charlotte com uma urgência renovada.

O som das britadeiras lá fora continuava, o shopping continuava sendo construído sobre alicerces de concreto e aço, mas ali dentro, entre as paredes de metal do contêiner, a estrutura que elas tentavam manter — a de colegas profissionais, a de estranhas que se superaram — estava desmoronando.

Charlotte sabia que, assim que saíssem daquela sala, Engfa provavelmente voltaria a ser a mulher fria e impulsiva que a menosprezava. Ela sabia que as recaídas eram apenas o combustível para o ciclo de dor que as unia. Mas, naquele momento, enquanto as mãos de Engfa exploravam seu corpo com uma familiaridade devastadora, Charlotte não se importava.

— Você é minha, Charlotte — murmurou Engfa, a voz carregada de uma possessividade doentia. — A construtora pode ser sua, o shopping pode ser meu, mas você... você sempre será minha obra-prima.

Charlotte não respondeu com palavras. Ela a puxou para outro beijo, um beijo que selava seu destino mais uma vez. Elas eram como dois elementos químicos que, quando misturados, criavam algo brilhante, mas altamente instável e explosivo.

Minutos depois, Engfa se afastou, ajeitando a camisa e recuperando a postura em um piscar de olhos. A transição de sua personalidade era tão rápida que deixava Charlotte tonta.

— Limpe o rosto — disse Engfa, voltando ao tom sarcástico e autoritário. — Temos uma reunião com os investidores em meia hora. E tente não parecer tão... afetada. Não quero que pensem que minha engenheira-chefe é emocionalmente instável.

Charlotte olhou para ela, incrédula. A mulher que a beijara com tanta paixão segundos atrás agora a tratava com um desdém quase clínico.

— Você é inacreditável, Engfa.

— Eu sou necessária — corrigiu Engfa, caminhando até a porta. Ela parou com a mão na maçaneta e olhou por cima do ombro. — E Charlotte? Se o concreto não estiver seco até amanhã, eu mesma vou jogar você dentro da fundação.

Ela saiu, deixando o eco de seu salto alto no chão de metal. Charlotte ficou para trás, encostada na parede, o coração batendo descompassado. Ela odiava Engfa. Ela amava Engfa. E, acima de tudo, ela sabia que enquanto aquele shopping estivesse sendo construído, ela estaria cavando sua própria cova emocional, centímetro por centímetro, sob o olhar vigilante da mulher que era, ao mesmo tempo, seu paraíso e seu inferno.

Ela limpou o batom borrado com as costas da mão, respirou fundo e colocou o capacete. O presente era uma repetição do passado, e o futuro parecia apenas uma sombra do que elas nunca conseguiram consertar. Mas, por enquanto, o cheiro do perfume de Engfa ainda estava em sua pele, e isso, infelizmente, era o suficiente para mantê-la ali.

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