
Brook e Chopper
Fandom: One Piece
Criado: 07/10/2026
Tags
O Vovô Esqueleto e o Pequeno Grande Médico
A luz suave da manhã filtrava-se pelas janelas do dormitório masculino do Thousand Sunny, criando padrões de luz que dançavam sobre as redes vazias. Chopper bocejou, um som longo e agudo, enquanto esfregava os olhos com suas pequenas patas. Ele se sentou, sentindo o corpo ainda pesado pelo sono, e franziu o nariz. O navio estava estranhamente silencioso. Normalmente, a essa hora, ele já ouviria os gritos de Luffy pedindo carne, o som das espadas de Zoro treinando no convés ou as explosões culinárias de Sanji na cozinha.
Mas hoje, o silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo suave ranger da madeira e o som das ondas batendo contra o casco.
Ainda meio tonto de sono, Chopper desceu de sua cama e caminhou lentamente em direção ao convés. Suas patas faziam um som suave de "ploc-ploc" no chão de madeira. Ao abrir a porta, a claridade do sol o cegou por um momento. Quando sua visão se ajustou, ele viu uma figura alta e esguia sentada calmamente no gramado do convés.
Era Brook. O músico estava sentado em uma cadeira de vime, com uma xícara de chá fumegante em uma das mãos e a outra repousando sobre o joelho. Ele parecia a personificação da paz.
Chopper sorriu. Ele ainda estava naquele estado de sonolência onde tudo parece mais aconchegante. Ele se aproximou por trás do esqueleto e, sem dizer uma palavra, envolveu seus braços curtos ao redor do pescoço de Brook, dando-lhe um abraço apertado nas costas.
— Bom dia, Chopper-san! — exclamou Brook, sua voz vibrante e melódica, embora ele não tenha se movido para não derrubar o chá. — Dormiu bem, meu pequeno colega?
— Oi, Brook... — Chopper murmurou contra a casaca preta do músico, soltando um bocejo logo em seguida. — Cadê todo mundo? O navio está tão quieto que eu achei que tinha ficado surdo.
Brook soltou uma risadinha, o clássico "Yohohoho" que sempre aquecia o coração de Chopper.
— Ah, os outros foram explorar a ilha que avistamos ontem à noite — explicou Brook, tomando um gole de seu chá, apesar de não ter estômago. — Eles disseram que a vegetação parecia densa e que levaria tempo para mapear tudo. Só devem voltar daqui a cinco dias.
Chopper arregalou os olhos, soltando o abraço e dando a volta para encarar Brook.
— Cinco dias? E eles deixaram a gente sozinhos?
— Exatamente! — Brook colocou a xícara na mesinha ao lado e olhou para a rena com suas órbitas vazias, mas expressivas. — E, nestes dias, eu sou o responsável pelo Sunny e por você.
Chopper inclinou a cabeça, processando a informação, e um sorriso largo se abriu em seu rosto.
— Atá! Então somos só nós dois? — Ele deu um pulinho de alegria. — Ok! Vai ser divertido!
Brook estendeu a mão ossuda e começou a fazer um carinho suave na cabeça de Chopper, bem entre as orelhas e o chapéu. O toque era leve, mas cheio de afeição.
— Isso mesmo — disse Brook, inclinando-se para frente com um tom de voz doce e provocador. — E quem é o netinho mais fofuchinho do seu avô, hein?
Chopper congelou por um segundo. Suas bochechas instantaneamente ganharam um tom de vermelho vivo que rivalizava com a cor do seu nariz em dias de frio. Ele começou a balançar o corpo de um lado para o outro, tentando esconder o sorriso bobo que insistia em aparecer.
— Brook! Não diga essas coisas! — Chopper exclamou, embora suas pernas estivessem bambas de felicidade.
— Yohohoho! — Brook riu, batendo levemente no próprio peito. — É você! Você é o netinho mais fofo do mundo, Chopper-san!
Chopper tentou fazer uma cara de bravo, mas falhou miseravelmente, acabando por se esconder atrás dos próprios cascos enquanto soltava um risinho tímido.
Algum tempo depois, Chopper decidiu que precisava organizar seus suprimentos médicos na enfermaria. Ele caminhava pelos corredores internos do navio, cantarolando uma melodia que Brook estivera tocando no violino mais cedo. O silêncio do navio não era mais assustador; era relaxante.
De repente, ele sentiu uma presença atrás de si. Antes que pudesse se virar, duas mãos grandes e frias, mas gentis, o envolveram. Brook o pegou por trás, levantando-o do chão como se ele fosse um pequeno filhotinho de estimação.
— Peguei você! — anunciou Brook de forma triunfante.
— Ei! Brook! — Chopper protestou, mas sem lutar contra o aperto.
O esqueleto o acomodou contra o peito, segurando-o no colo com um braço enquanto a outra mão voltava a acariciar seus pelos. Brook começou a caminhar pelos corredores, balançando Chopper levemente, como se estivesse ninando uma criança.
— Quem é o bebezinho do vovô? — Brook perguntou, aproximando o rosto (ou o que restava dele) de Chopper. — Quem é o pequeno tesouro desse navio?
Chopper estava tão vermelho que parecia que ia soltar fumaça pelas orelhas. Ele tentou manter a dignidade, cruzando os bracinhos sobre o peito, mas a sensação de ser carregado daquele jeito era boa demais.
— Brook... eu não sou um bebê! — ele resmungou, embora sua voz tivesse saído fina e sem convicção nenhuma. — Eu sou um médico de renome mundial! Tenho uma recompensa!
Brook soltou outra gargalhada gostosa, o som ecoando pelas paredes de madeira do Sunny.
— Um médico magnífico, sem dúvida! — concordou o músico. — Mas então, se você não é um bebê, por que gosta tanto quando eu canto uma música de ninar para você dormir nas noites de tempestade?
Chopper desviou o olhar, as orelhas abaixando levemente. Ele brincou com os dedos das patas, falando em um tom extremamente fofo e baixo:
— É que... é que a sua voz é muito bonita, Brook. E eu me sinto seguro.
Brook parou de caminhar por um momento. Ele sentiu uma onda de calor (metafórica, claro, já que ele não tinha pele) invadir seu ser. Ele apertou Chopper um pouco mais contra o peito, encostando o queixo no topo da cabeça da rena.
— Obrigado, Chopper-san. Você é a doçura em pessoa — Brook disse, voltando a caminhar. — Minha música é sempre melhor quando tenho um público tão especial quanto você.
Eles continuaram o passeio pelo navio. Brook não dava sinais de que pretendia colocar Chopper no chão tão cedo, e Chopper, secretamente, esperava que ele não o fizesse. Eles passaram pela cozinha, pela biblioteca e subiram novamente em direção à gávea.
— Sabe, Chopper-san — Brook comentou enquanto subiam as escadas, com Chopper ainda aninhado em seus braços —, é bom ter esse tempo só para nós. Às vezes o navio é tão barulhento que eu esqueço de dizer o quanto você é um bom menino.
Chopper respirou fundo, sentindo o cheiro de chá e de música que parecia emanar de Brook. Ele relaxou completamente o corpo, deixando a cabeça pender contra o ombro do esqueleto.
— Quem é o bom menino? — Brook perguntou novamente, com aquele tom de voz que avós usam para mimar seus netos preferidos.
Chopper fechou os olhos, entregando-se totalmente ao mimo.
— Eu... — ele respondeu baixinho, com um sorriso de orelha a orelha.
— Isso aí! — Brook exclamou, dando um beijo estalado (ou o som de um) no topo da cabeça de Chopper. — O melhor menino de todos os mares!
E assim eles passaram a tarde. Brook continuou mimando seu "netinho", contando histórias de suas antigas viagens e cantando versos improvisados sobre como Chopper era o médico mais corajoso e fofo que já existira. Para Chopper, aqueles cinco dias sem o resto da tripulação não pareciam mais um isolamento, mas sim as férias perfeitas com seu avô esqueleto favorito.
Enquanto o sol começava a se pôr no horizonte, pintando o mar de laranja e roxo, a única coisa que se ouvia no Thousand Sunny era o som da risada de uma rena feliz e a canção suave de um músico que, mesmo sem coração, amava sua família mais do que qualquer coisa.
