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Our secret

Fandom: EngLot

Criado: 07/10/2026

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Marcas de Batom e Pólvora

O cheiro de couro novo, café forte e o perfume floral excessivamente caro de Charlotte Austin era uma mistura inebriante que Engfa Waraha já havia decorado. Sentada na poltrona de veludo no canto do escritório sombrio, Engfa ajustou os óculos de grau no rosto, observando através das lentes a tensão palpável entre os dois homens mais poderosos daquela cidade.

De um lado, seu pai, o Comissário Waraha, cuja farda impecável escondia a alma vendida ao crime organizado. Do outro, o Sr. Austin, um homem cujos olhos eram tão frios quanto o aço da arma que ele carregava no coldre sob o paletó italiano.

Mas Engfa não estava interessada em política, suborno ou nas novas rotas de contrabando. Seus olhos castanhos, afiados e possessivos, estavam cravados na garota de dezessete anos que folheava uma revista de moda no sofá oposto, parecendo mortalmente entediada.

Charlotte tinha o cabelo castanho-claro caindo em ondas perfeitas sobre os ombros, e a luz do abajur revelava as pequenas sardas que salpicavam seu nariz e bochechas — as mesmas sardas que Engfa já havia contado, uma por uma, em momentos que seus pais jamais imaginariam.

— Engfa, preste atenção — rosnou o Comissário, batendo com os nós dos dedos na mesa de carvalho. — Estou falando sobre a segurança do perímetro da corrida ilegal de amanhã. Você vai estar lá, não vai?

Engfa desviou o olhar de Charlotte por apenas um segundo, um sorriso sarcástico brincando em seus lábios.

— Estarei lá, pai. E ganharei, como sempre. A menos que alguém decida me distrair.

Charlotte soltou um suspiro audível e fechou a revista com força, o som ecoando na sala silenciosa.

— Papai, estou com fome — declarou Charlotte, a voz doce e autoritária ao mesmo tempo. — E o ar-condicionado deste escritório está acabando com a hidratação da minha pele.

O Sr. Austin soltou uma risada curta, a única demonstração de afeto que permitia a qualquer ser humano.

— Vá para a cozinha, querida. Peça para prepararem algo. Engfa, por que não acompanha a senhorita Austin? Garanta que ela não se perca nos corredores.

Engfa levantou-se num movimento fluido, sua altura de 1,70 e a postura imponente de quem não temia nada nem ninguém transparecendo em cada passo.

— Com prazer, senhor Austin.

Assim que as portas pesadas do escritório se fecharam atrás delas, o silêncio do corredor foi quebrado pelo som dos saltos de Charlotte. Ela não caminhava; ela desfilava, ciente de que cada movimento seu era monitorado pelos olhos famintos da Waraha.

— Você demorou a se oferecer — disse Charlotte, sem olhar para trás. — Achei que estivesse mais interessada nos esquemas de corrupção do seu pai do que em mim hoje.

Engfa deu dois passos largos, alcançando a garota e segurando-a firmemente pelo pulso, girando-a até que as costas de Charlotte batessem contra a parede de mármore do corredor.

— Você sabe que eu não dou a mínima para o que eles discutem, Charlotte — sussurrou Engfa, aproximando o rosto, a respiração quente batendo na pele da outra. — E você adora me fazer esperar. É uma sádica.

Charlotte sorriu, um sorriso pequeno e vitorioso. Ela levou a mão livre ao peito de Engfa, puxando a gola da camisa dela.

— Eu sou mimada, Engfa. Você sabe disso. E eu quero o meu café. Agora.

— O café pode esperar — rebateu Engfa, a voz rouca.

— Não, não pode. E eu quero que você coloque exatamente duas pedras de açúcar, nem mais, nem menos. Se fizer isso direito... talvez eu deixe você me beijar antes de voltarmos.

Engfa revirou os olhos, mas o brilho de adoração em seu olhar era inegável. Ela era a definição de uma rebelde, uma corredora de carros que desafiava a morte toda semana, mas ali, no corredor da mansão Austin, ela era apenas o brinquedo favorito de Charlotte.

— Você me trata como se eu fosse sua empregada — reclamou Engfa, embora já estivesse caminhando em direção à cozinha gourmet.

— E você ama cada segundo disso — Charlotte cantarolou, seguindo-a com um olhar de pura satisfação.

Na cozinha, enquanto Engfa preparava o café com uma precisão cirúrgica — temendo a birra que Charlotte faria se o sabor não estivesse perfeito —, a Austin sentou-se na ilha de granito, balançando as pernas e observando as costas largas de Engfa.

— Ouvi dizer que você se envolveu em outra briga na semana passada — comentou Charlotte, fingindo desinteresse enquanto examinava as próprias unhas impecáveis.

— O cara falou demais sobre o que não devia — respondeu Engfa, entregando a xícara de porcelana para a garota. — Ninguém desrespeita o que é meu.

Charlotte deu um gole lento, fechando os olhos para apreciar o sabor.

— E o que exatamente é seu, Waraha?

Engfa se inclinou sobre a mesa, diminuindo a distância entre elas. O reflexo de seus óculos escondia a intensidade de sua obsessão por um momento, antes que ela os retirasse e os colocasse sobre o balcão.

— Tudo o que eu decido que é. E você sabe que eu decidi sobre você no momento em que nos vimos pela primeira vez, naquela apreensão de drogas falsa que nossos pais armaram.

— Tão possessiva — Charlotte provocou, deixando a xícara de lado e passando os braços pelo pescoço de Engfa, puxando-a para mais perto. — E se eu não quiser ser sua? Se eu quiser ser de outra pessoa?

O aperto de Engfa na cintura de Charlotte tornou-se quase doloroso, uma possessividade crua brilhando em seus olhos castanhos.

— Eu queimaria a cidade inteira antes de deixar outra pessoa tocar em um centímetro da sua pele, Charlotte.

Charlotte soltou uma risadinha deliciada. O perigo a excitava. O fato de Engfa ser uma força da natureza, um tornado de impulsividade e violência, e ainda assim ser completamente domada por um comando seu, era o seu vício secreto.

— Prove — desafiou Charlotte.

Engfa não precisou de um segundo convite. Ela atacou os lábios de Charlotte com uma urgência faminta. O beijo era uma batalha de vontades; a língua de Engfa explorava a boca da outra com uma autoridade que Charlotte tentava, sem sucesso, combater. Charlotte mordeu o lábio inferior de Engfa, sentindo o gosto metálico de sangue, e sorriu contra a boca dela.

A adrenalina de estarem ali, a poucos metros de onde seus pais discutiam negócios que poderiam levá-las à prisão ou à morte, era o melhor afrodisíaco.

— Elas estão demorando — a voz do Sr. Austin ecoou vinda do corredor, distante, mas se aproximando.

Engfa se afastou apenas alguns centímetros, a respiração ofegante. Charlotte tinha o batom borrado e os olhos nublados de desejo, mas um sorriso travesso ainda brincava em seu rosto.

— Elas devem estar conversando sobre a faculdade — a voz do Comissário Waraha respondeu, seguida pelo som de passos pesados.

— Rápido — sussurrou Charlotte, apontando para o pescoço.

Engfa entendeu o comando silencioso. Ela segurou o queixo de Charlotte com firmeza, forçando-a a inclinar a cabeça para o lado. A Waraha olhou para a pele alva e macia da nuca de Charlotte, onde os fios de cabelo castanho-claro haviam se afastado.

Com um movimento rápido e deliberado, Engfa cravou os dentes na nuca de Charlotte, deixando uma marca profunda e avermelhada. Charlotte soltou um arquejo baixo, suas unhas cravando-se nos ombros de Engfa.

— Isso é para você se lembrar de quem você é — murmurou Engfa perto do ouvido dela.

A marca estava estrategicamente posicionada. Se Charlotte deixasse o cabelo solto, ninguém veria. Mas se ela o prendesse, ou se o vento soprasse do jeito certo, a marca da Waraha estaria lá para o mundo — e especialmente para seus pais — verem. Era um risco calculado, uma provocação direta ao destino.

As portas da cozinha se abriram no exato momento em que Engfa se afastava, pegando seus óculos e colocando-os de volta com uma calma irritante. Charlotte estava sentada na banqueta, bebendo seu café como se nada tivesse acontecido, embora suas bochechas estivessem mais rosadas que o normal.

— Tudo certo aqui? — perguntou o Comissário, lançando um olhar desconfiado para a filha.

— Perfeito, pai — disse Engfa, a voz fria e controlada. — A senhorita Austin só estava me dando algumas instruções sobre como ela prefere ser escoltada na corrida de amanhã.

O Sr. Austin olhou para a filha, que lhe deu um sorriso angelical.

— Engfa é muito prestativa, papai. Ela faz tudo o que eu peço.

O mafioso assentiu, satisfeito.

— Ótimo. Vamos, Charlotte. Temos muito o que preparar para o carregamento de amanhã.

Enquanto os Austin se retiravam, Charlotte olhou por cima do ombro. Ela passou a mão pelo pescoço, sentindo a ardência da mordida de Engfa, e piscou para a garota de óculos.

Engfa ficou parada na cozinha, observando-as partir. Ela sentia o coração martelar contra as costelas, a adrenalina ainda correndo em suas veias. Ela sabia que Charlotte era perigosa. Sabia que aquela garota mimada e manipuladora poderia destruí-la com um estalar de dedos.

Mas, enquanto limpava o resto de batom de Charlotte de seus próprios lábios, Engfa Waraha só conseguia pensar em uma coisa.

Charlotte Austin era um vício que ela não tinha a menor intenção de curar.

— Você ainda vai ser minha por inteiro, Charlotte — sussurrou Engfa para a sala vazia, um sorriso predatório surgindo em seu rosto. — E eu vou adorar ver você tentar me impedir.

Ela caminhou em direção à saída, já pensando no motor do seu carro de corrida, no cheiro de asfalto queimado e na próxima vez que teria a filha do mafioso sob seu controle, mesmo sabendo que, na verdade, era ela quem estava na palma da mão de Charlotte.

A guerra entre as duas famílias poderia estourar a qualquer momento, mas para Engfa e Charlotte, o verdadeiro campo de batalha era o desejo proibido que as consumia, um beijo roubado e uma marca na nuca por vez.

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