
Vit0ri3 x Engel
Fandom: FPE Adult Au
Criado: 07/10/2026
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A Tentação Entre Quatro Paredes
A lâmpada amarelada sobre a mesa de mogno era a única fonte de calor naquele escritório silencioso. Pilhas de relatórios, folhas pautadas e plantas arquitetônicas cobriam quase toda a superfície de madeira polida. Engel soltou um suspiro longo e pesado, recostando-se momentaneamente. Ele ergueu uma de suas mãos pretas, com quatro dedos pontiagudos e afiados, passando cuidadosamente as garras pela têmpora para afastar uma mecha rebelde do cabelo. Seus fios brancos, longos e naturalmente despenteados, estavam presos em um rabo de cavalo baixo que caía sobre a gola impecável do seu terno branco.
No alto de sua cabeça, presas do lado direito com firmeza, duas penas vibrantes — uma azul profunda e outra vermelho-alaranjada — oscilaram de leve com o movimento. Ele ajeitou a gravata preta com delicadeza, sentindo o tecido liso entre as garras. Sob a cadeira, sua pequena cauda branca agitou-se num tique sutil de cansaço. Era tarde, e tudo o que Engel desejava era terminar de organizar aquelas planilhas para poder voltar para casa. Para os braços gentis e acolhedores de Claire. Ele olhou para a pequena aliança dourada reluzindo em seu dedo pontiagudo; a lembrança de sua esposa era como um porto seguro após um dia exaustivo.
No entanto, o silêncio daquela noite foi subitamente quebrado.
O ranger quase inaudível da dobradiça fez as orelhas de Engel se contraírem. Ele ergueu os olhos âmbar da papelada bem a tempo de ver uma figura escorregar para dentro do cômodo.
Era Vit0ri3.
Ela não deveria estar ali àquela hora. Seus cabelos roxos ondulados caíam em cascatas desalinhadas sobre os ombros, conferindo-lhe uma aura misteriosa e magnética. Ela usava um conjunto cor-de-rosa ajustado, que delineava com perfeição cada curva de seu corpo jovem e cheio de vida, contrastando fortemente com a paleta monocromática do escritório de Engel. Havia um sorriso enviesado desenhado em seus lábios pintados, um brilho puramente malicioso dançando em suas pupilas.
Antes que Engel pudesse abrir a boca para saudá-la com a cortesia e a gentileza habituais, a garota virou-se de costas para ele por um instante. Sua mão delgada girou a chave na fechadura.
Click.
O som metálico e seco ecoou pelas quatro paredes, soando estranhamente alto na calmaria do ambiente. Engel piscou, surpreso, apoiando as duas mãos pretas espalmadas sobre a mesa de madeira.
— Vit0ri3? — chamou ele, a voz naturalmente suave e amigável carregada de confusão. — O que está fazendo? Já passou da hora do expediente... você não deveria estar no seu dormitório?
Ela não respondeu de imediato. Em vez disso, virou-se lentamente, apoiando as costas contra a porta trancada, cruzando os braços sob o busto. O tecido rosa esticou-se suavemente. Ela o observou de cima a baixo, seus olhos devorando a silhueta dele no terno branco justo, a postura educada e um tanto vulnerável.
— Ora, Engel... você trabalha demais — disse ela, a voz saindo como um sussurro aveludado, carregado de uma doçura calculada. — Estava tão solitário ver essa luz acesa no fim do corredor. Pensei que você gostaria de uma companhia mais... interessante.
Ela começou a caminhar em direção a ele. O som compassado de seus passos cortava o espaço com uma calma predatória. A cada centímetro que diminuía entre eles, o coração de Engel dava um salto descompassado. Ele sempre fora alguém paciente, doce e avesso a conflitos, mas havia uma tensão palpável no ar que ele não conseguia decifrar direito — ou talvez compreendesse bem até demais.
— Eu aprecio a preocupação, mas estou quase acabando por aqui — respondeu ele, tentando manter o tom profissional, embora uma onda de calor começasse a subir pelo seu pescoço. — E seria melhor destrancar a porta. Se alguém passar e tentar abrir...
— Ninguém vai passar por aqui, meu anjo — interrompeu ela, apoiando as mãos na borda da mesa dele e inclinando o corpo para a frente. O perfume doce, floral e penetrante invadiu o espaço pessoal de Engel, fazendo suas penas na cabeça arrepiarem levemente. — Todos já foram embora. O prédio está completamente vazio. Somos só nós dois.
Engel recuou ligeiramente o tronco, sentindo o calor nos próprios malares aumentar. Um tom avermelhado contrastava intensamente com a brancura de sua pele e de seus cabelos.
— Vit0ri3, por favor... — murmurou ele, estendendo a mão esquerda, exibindo claramente o metal dourado brilhando em seu dedo. — Você sabe que eu sou casado. Eu amo a Claire.
Vit0ri3 soltou uma risadinha baixa, rouca e divertida. A menção à esposa dele parecia, na verdade, alimentar ainda mais o fogo de sua audácia. Ela era sua fã número um, uma fangirl obcecada que sonhara com aquele momento por meses a fio, e agora que o tinha encurralado, não pretendia recuar nem um milímetro.
— Eu sei, eu sei... a perfeitinha da Claire — disse ela, contornando a mesa com passos sinuosos. — Mas a Claire não está aqui agora, está? Ela está em casa, descansando, longe do homem maravilhoso que você é. Ela realmente valoriza o que tem diante dos olhos?
— Não fale assim dela — pediu Engel, virando a cadeira giratória para acompanhá-la com o olhar, tentando soar firme, mas a gentileza intrínseca de sua personalidade o impedia de ser agressivo. — Nós somos felizes juntos. E eu respeito o meu casamento.
Vit0ri3 já estava a menos de um palmo dele. Ela se inclinou, pousando os dedos delicados nos ombros largos do terno branco dele. O tecido macio parecia queimar sob o toque da garota.
— Eu também te respeito, Engel — murmurou ela, descendo as mãos lentamente pelas lapelas de seu paletó, aproximando o rosto a ponto de ele conseguir sentir o calor de sua respiração contra a bochecha. — Respeito tanto que passei dias imaginando como seria tocar nesse seu cabelo lindo... ver essas penas tremerem...
Engel engoliu em seco, paralisado. Seus quatro dedos afiados agarraram o tecido de suas próprias calças, os nós dos dedos sobressaindo em tensão.
— Você não deveria... — começou ele, a voz falhando perigosamente.
— Deveria sim — sussurrou ela contra seus lábios.
E antes que Engel pudesse articular qualquer outra desculpa racional, Vit0ri3 quebrou a distância restante. Ela colou sua boca na dele num beijo ousado, quente e avassalador.
Os olhos de Engel se arregalaram em choque absoluto. Era uma sensação proibida, vertiginosa e pesada. Os lábios dela eram macios e decididos, exigindo uma rendição que sua mente dizia para rejeitar, mas que seus sentidos embotados pelo cansaço tinham dificuldade em combater de imediato. A textura doce de seu batom, a pressão firme e o cheiro envolvente inundaram os pensamentos do rapaz. Suas penas coloridas estremeceram violentamente, eriçando-se no topo de sua cabeça, enquanto a pequena cauda branca presa atrás de sua cintura deu um solavanco involuntário.
O rosto de Engel queimou como brasa viva; ele estava completamente corado, a vergonha e a culpa competindo ferozmente com a onda de calor repentina que se espalhou por seu peito. Ele tentou colocar as mãos no peito dela para empurrá-la de maneira suave, temendo feri-la com suas garras afiadas, mas a hesitação foi sua ruína.
Vit0ri3 aprofundou o beijo por mais alguns segundos de puro domínio antes de se afastar devagar, seus lábios emitindo um estalo úmido e provocador. Ela olhou para ele, deliciando-se com a expressão estupefata e ruborizada do homem à sua frente.
— Viu só? — sussurrou ela, com os olhos brilhando em triunfo e malícia. — O mundo não acabou.
— Vit0ri3... isso foi... isso foi errado! — balbuciou Engel, tentando se levantar da cadeira, a respiração saindo entrecortada. — Eu não posso fazer isso, eu sou—
Com um movimento rápido e firme, as mãos de Vit0ri3 empurraram os ombros de Engel para baixo com força surpreendente. Sem equilíbrio, ele caiu sentado novamente no estofado macio da cadeira de escritório.
Antes que ele pudesse protestar ou tentar se erguer uma segunda vez, a garota deu um passo decisivo para a frente, encaixando-se entre os joelhos dele, prendendo-o efetivamente no lugar. Suas roupas rosas pareciam ainda mais vivas sob a luz da luminária, e os cabelos roxos pendiam ao redor do rosto dela como uma cortina que isolava os dois do restante do universo.
— Fique quietinho, Engel — ordenou ela com um tom doce, mas inflexível, que fez a espinha dele gelar. — Não seja tão puritano. Nós estamos completamente sozinhos. Não há câmeras, não há ninguém nos corredores... e a Claire nunca vai saber de nada a não ser que você queira contar.
— Isso não importa! — exclamou ele, a voz trêmula, as bochechas ardendo em vermelho escarlate. Ele tentou desviar o olhar, mas ela segurou gentilmente o queixo dele com dois dedos, forçando-o a encará-la. — Minha lealdade não depende de quem está olhando. Por favor, afaste-se...
— É tão fofo quando você tenta ser nobre — zombou ela, soltando o queixo dele apenas para deslizar a mão direita pelo peito coberto de branco, descendo pelo nó bem feito da gravata preta, passando sobre os botões alinhados do paletó.
O toque desceu implacável, traçando uma linha vertical que fez a respiração de Engel travar na garganta. Ele cerrou os dentes, os punhos negros cravando-se nos braços acolchoados da cadeira de escritório. Ele sentia-se encurralado, traído pelo próprio corpo que reagia involuntariamente à proximidade e ao toque daquela mulher audaciosa.
Quando a mão de Vit0ri3 desceu além da linha do cinto, ela não hesitou. Com um gesto audacioso, firme e deliberado, seus dedos pousaram sobre o tecido escuro da calça dele, tocando-o com evidente vontade e intenção.
Engel soltou um arquejo sufocado, a cabeça caindo ligeiramente para trás contra o encosto da cadeira.
— V-Vit0ri3...! Não toque aí! — implorou ele, o rubor espalhando-se agora por todo o seu rosto até a ponta das orelhas. O calor que emanava do ponto de contato era quase insuportável através do tecido.
— Por que não? — murmurou ela, seu olhar semicerrado descendo para onde suas mãos operavam a provocação. Ela apertou de leve, sentindo a tensão rígida sob suas palmas, a resposta inegável e biológica que ele tanto tentava negar com palavras. — Parece que você não está tão incomodado assim quanto diz estar...
— É uma reação... qualquer um... você está me forçando a isso! — Engel gaguejou, lutando contra o turbilhão de sensações proibidas. Ele ergueu uma de suas mãos garras, hesitando no ar logo acima do pulso dela. As pontas de seus dedos pretos eram perigosas, armas naturais que ele sempre teve o maior cuidado para não usar contra ninguém, muito menos uma colega. — Por favor... pense no que está fazendo. Você vai estragar tudo.
Vit0ri3 curvou-se mais sobre ele, seus cabelos roxos roçando o peito dele, o cheiro de flores e tentação envolvendo seus sentidos até torná-lo incapaz de pensar com clareza. Ela moveu a mão com lentidão sobre a calça dele, desenhando círculos lentos e calculados que faziam o abdômen do rapaz se contrair em espasmos de puro choque e eletricidade.
— Eu estou pensando exatamente no que eu quero, meu anjo — sussurrou ela no ouvido dele, a voz baixa, quente e rouca de desejo. — E eu quero você. Faz tanto tempo que eu assisto você ser o garoto bonzinho... o marido exemplar... Não está cansado de ser perfeito o tempo todo? Deixe-se levar só por esta noite. Ninguém precisa sofrer por isso.
A cauda branca de Engel açoitava o ar por trás da cadeira, suas penas coloridas pulsando com o calor de sua mente sobrecarregada. Ele fechou os olhos com força, tentando evocar o rosto sereno de Claire, o som da voz de sua esposa chamando-o pelo nome, o voto que fizeram. Mas a sensação física daquela mão invasora sobre sua calça, subindo e descendo com uma audácia pecaminosa, e o corpo macio de Vit0ri3 pressionado contra o dele eram realidades esmagadoras.
— Claire... — murmurou ele num gemido quase inaudível, uma tentativa desesperada de se ancorar à própria consciência moral.
Ao ouvir aquele nome novamente, em vez de se afastar, Vit0ri3 sorriu com ainda mais malícia. Ela aumentou a pressão do toque, deliciando-se com o tremor visível que percorreu todo o corpo do homem engravatado.
— Esqueça ela, Engel — ordenou ela suavemente, voltando a encará-lo de perto, com os olhos fixos nos lábios dele que ainda guardavam o calor do beijo de segundos atrás. — Ela não está aqui. Quem está tocando você... sou eu.
A sala permaneceu imersa em uma névoa densa de tensão ilícita, onde a honra de Engel e a volúpia insistente de Vit0ri3 travavam uma batalha silenciosa, protegidas apenas pelo silêncio cúmplice daquela porta trancada a chave.
