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Legendary lovers

Fandom: BTS

Criado: 08/10/2026

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Suor, Silêncio e Outros Acidentes

A turnê mundial era uma máquina voraz que consumia cada grama de energia de Kim Taehyung. O brilho dos palcos, os gritos ensurdecedores de milhares de pessoas e a adrenalina constante deixavam rastros de insônia que nem mesmo os lençóis de seda do hotel cinco estrelas em Londres conseguiam curar. Eram três da manhã. O silêncio nos corredores do hotel era absoluto, quebrado apenas pelo som suave do carpete sob seus passos rápidos.

Taehyung não queria companhia. Ele não queria os olhares de adoração das fãs, nem as perguntas preocupadas dos outros membros do BTS, e muito menos a vigilância constante dos seguranças. Ele queria apenas o cansaço físico que silenciasse sua mente agitada. Ele era conhecido por seu charme perigoso, pelo sorriso de lado que prometia muito e entregava pouco em termos de compromisso emocional. Para Taehyung, a vida era um banquete de momentos efêmeros, e ele não tinha intenção de se prender a ninguém.

Ao chegar à porta da academia do hotel, ele sorriu sozinho. Estaria vazia. Finalmente, um pouco de paz.

No entanto, ao empurrar a porta de vidro, o som metálico de uma esteira em movimento ecoou pelo recinto. Taehyung parou abruptamente. No fundo da sala, uma silhueta feminina se movia com intensidade.

Vitória não ouviu a porta abrir. Os fones de ouvido estavam no volume máximo, tocando uma playlist brasileira agitada que a ajudava a esquecer a pressão esmagadora sobre seus ombros. Aos vinte e poucos anos, ela estava vivendo o que qualquer atriz chamaria de "a grande chance". O papel principal em um longa-metragem internacional de época estava sendo gravado ali mesmo, na Inglaterra, e cada cena exigia dela uma perfeição física e emocional que a deixava exausta.

Ela aumentou a velocidade da esteira, os cabelos castanhos presos em um coque frouxo que já ameaçava cair. Estava concentrada no ritmo, na respiração, no futuro da sua carreira que dependia das filmagens do dia seguinte.

Taehyung, movido por uma curiosidade que sempre fora seu maior defeito — ou virtude, dependendo de quem perguntasse —, aproximou-se sem fazer barulho. Ele pretendia apenas usar os pesos do outro lado, mas a visão daquela mulher, totalmente alheia à sua presença, o hipnotizou. Ela não parecia uma fã. Não havia câmeras, não havia histeria. Havia apenas esforço bruto.

Ele deu mais um passo, e sua sombra se projetou contra o espelho à frente da esteira de Vitória.

O susto foi instantâneo. Vitória viu o vulto alto e desconhecido pelo reflexo e, em um reflexo de pânico, tentou parar a esteira bruscamente. Seus pés se atrapalharam na borracha em movimento, o equilíbrio sumiu e, antes que pudesse gritar, seu corpo foi lançado para trás.

— Cuidado! — exclamou Taehyung, reagindo por instinto.

Ele tentou segurá-la, mas o impulso da queda foi maior. Vitória caiu de mau jeito, o tornozelo virando com um estalo seco que pareceu ecoar por toda a academia silenciosa. Ela soltou um gemido agudo de dor, encolhendo-se no chão.

Taehyung ajoelhou-se ao lado dela imediatamente, o rosto transbordando uma preocupação genuína que raramente mostrava a estranhos.

— Ei, você está bem? Me desculpe, eu não queria te assustar — disse ele, a voz profunda e aveludada soando urgente.

Vitória apertava o tornozelo, os olhos marejados. Ela olhou para cima, pronta para soltar um xingamento em português, mas as palavras morreram em sua garganta. À sua frente, a poucos centímetros, estava Kim Taehyung. O rosto que estampava outdoors em Seul, Paris e Nova York estava ali, sem maquiagem, com o cabelo bagunçado e uma expressão de culpa quase adorável.

— Você... — Ela começou, a voz falhando. — O que você está fazendo aqui?

Taehyung franziu a testa, surpreso pelo fato de ela não ter começado a gritar seu nome.

— Eu moro aqui. Quer dizer, o grupo está hospedado aqui — explicou ele, estendendo a mão para tocar o pé dela, mas hesitando. — Deixe-me ver isso. Você se machucou feio.

— Não, não, não... — Vitória tentou se levantar, mas a dor lancinante no tornozelo a fez cair novamente sobre o braço dele. — Eu não posso estar machucada. Eu tenho uma cena de dança amanhã. O filme... meu Deus, o contrato.

Taehyung percebeu o pânico real nos olhos dela. Não era o pânico de uma fã, era o medo de alguém que tinha muito a perder. Ele a segurou pelos ombros, sentindo a pele quente e suada dela contra suas mãos.

— Calma. Respire — disse ele, usando aquele tom de voz que costumava acalmar estádios inteiros. — Como você se chama?

— Vitória — respondeu ela, tentando controlar o choro. — Eu sou atriz. Se eu não puder andar amanhã, eles vão me substituir. Eu sei como esse diretor é.

Taehyung olhou para o tornozelo dela, que já começava a inchar. Um sentimento de culpa o atingiu, misturado com uma atração súbita e inoportuna. Ela era linda, mesmo com o rosto vermelho de esforço e dor. E era brasileira — ele reconheceu o sotaque leve que ela carregava ao falar inglês.

— Vitória... — Ele repetiu o nome, saboreando a pronúncia. — Eu vou te ajudar. Mas primeiro, precisamos colocar gelo nisso e tirar você do chão.

— Eu consigo andar — teimou ela, tentando se apoiar no equipamento ao lado.

— Não, você não consegue — rebateu Taehyung com um sorriso de lado, recuperando um pouco de sua arrogância charmosa. — E, a menos que você queira ser carregada pelos seguranças do hotel e virar notícia de fofoca amanhã, você vai aceitar a minha ajuda.

Vitória olhou para ele, indignada.

— Você é muito convencido, sabia?

— É o que dizem — ele deu de ombros, passando o braço dela pelo seu pescoço. — No três. Um, dois...

Ele a levantou com uma facilidade impressionante. Vitória era pequena perto dele, e o contraste de seus corpos fez o coração de Taehyung dar um salto atípico. Ele a levou até um dos bancos de supino e a sentou com cuidado.

— Fique aqui. Vou buscar gelo no dispensador do corredor — ordenou ele.

— Taehyung? — Ela o chamou antes que ele saísse.

Ele parou e olhou para trás, a luz fluorescente da academia destacando as linhas perfeitas de seu perfil.

— Obrigada. E... me desculpe por não ter surtado. Eu sei quem você é, mas minha cabeça está em outro lugar.

Taehyung riu, um som baixo e rouco que arrepiou os braços de Vitória.

— Sinceramente? É refrescante. Não se mova, brasileira.

Ele voltou minutos depois com um balde de gelo e algumas toalhas. Ajoelhou-se aos pés dela, ignorando completamente o fato de que era uma das maiores estrelas do planeta prestando socorro a uma desconhecida. Com delicadeza, ele acomodou o gelo sobre o inchaço.

— Ai! — Ela sibilou.

— Shh... vai ajudar — ele disse, olhando nos olhos dela. — Então, você é atriz? Um filme grande?

— O maior da minha vida — suspirou Vitória, encostando a cabeça na parede. — Dez anos estudando, fazendo testes, ouvindo "não". E agora que eu consigo, Kim Taehyung resolve aparecer na academia às três da manhã e me fazer cair da esteira.

Taehyung soltou uma risadinha, seus dedos roçando levemente a canela dela por cima da toalha.

— Eu tenho esse efeito nas pessoas. Mas geralmente elas caem de amores, não de esteiras.

Vitória revirou os olhos, mas não conseguiu conter um sorriso.

— Você é inacreditável. Não tem nenhum pingo de modéstia?

— Modéstia é para quem não tem nada a oferecer, Vitória — ele respondeu, aproximando o rosto do dela. O clima na sala mudou instantaneamente. O cheiro de perfume caro dele se misturava ao ambiente, e a tensão entre os dois tornou-se palpável. — E eu tenho muito a oferecer.

Vitória sentiu a respiração falhar. Ela tinha dez anos a menos que ele, estava no início de sua jornada, mas não era ingênua. Ela via o brilho de desafio nos olhos dele, a promessa de algo perigoso e passageiro.

— Eu não sou uma das suas modelos de revista, Taehyung — disse ela, a voz firme apesar do coração acelerado. — E eu realmente preciso focar no meu trabalho.

Taehyung inclinou a cabeça, fascinado pela resistência dela. Ele estava acostumado a ter tudo o que queria com um estalar de dedos. O fato de ela estar machucada por culpa dele o deixava em dívida, mas o fato de ela o desafiar o deixava intrigado.

— Quem disse que eu quero uma modelo? — Ele sussurrou, a mão subindo levemente pela perna dela, parando logo acima do joelho. — Eu gosto de atrizes. Elas sabem como fingir... mas os olhos nunca mentem. E os seus estão dizendo que você está morrendo de medo de me beijar e gostar.

Vitória engoliu em seco. A dor no tornozelo parecia ter ficado em segundo plano diante da eletricidade que emanava dele.

— Você é um problema, não é? — perguntou ela.

— O melhor problema que você terá nesta turnê — ele sorriu, mas logo sua expressão suavizou. — Ouça, sobre o seu filme... eu conheço um fisioterapeuta incrível aqui em Londres. Ele trabalha com o grupo. Se eu ligar, ele atende você agora mesmo, no seu quarto. Ele faz milagres com entorses.

Vitória o olhou com esperança.

— Você faria isso? Por quê?

Taehyung deu de ombros, levantando-se e oferecendo a mão para ajudá-la a se equilibrar.

— Primeiro, porque eu te derrubei. Segundo... porque eu quero ver você dançar amanhã. E terceiro, porque assim você vai ficar me devendo um favor.

— Eu sabia que tinha uma pegadinha — murmurou ela, aceitando o apoio dele.

— Não é uma pegadinha, Vitória. É um investimento.

Ele a ajudou a sair da academia, caminhando lentamente pelo corredor deserto. O braço dele envolvia a cintura dela com firmeza, e Vitória não pôde deixar de notar como se sentia protegida, apesar de saber que Kim Taehyung era o tipo de homem que deixava corações partidos por onde passava.

Ao chegarem à porta do quarto dela, ele parou.

— Qual o número? — perguntou ele.

— 402.

Taehyung pegou o celular, digitou algo rapidamente e depois olhou para ela.

— O Dr. Miller estará aqui em quinze minutos. Diga que é uma amiga pessoal do V. Ele não fará perguntas.

— Obrigada, Taehyung. De verdade.

Ele se aproximou, encurtando a distância até que seus lábios estivessem a milímetros da orelha dela.

— Não me agradeça ainda. Amanhã à noite, depois que você brilhar no seu set, eu vou querer saber se o tornozelo está bom o suficiente para um jantar. Sem câmeras, sem fãs. Apenas eu e a atriz que não se impressiona fácil.

Antes que Vitória pudesse responder, ele depositou um beijo casto, mas carregado de intenção, no canto de sua boca e se afastou, caminhando de costas pelo corredor com aquele sorriso enigmático que era sua marca registrada.

Vitória entrou no quarto, encostando-se na porta enquanto sentia o coração martelar contra as costelas. Ela olhou para o tornozelo inchado e depois para o corredor vazio. Sua carreira estava em jogo, sua vida estava um caos, e Kim Taehyung acabara de declarar guerra aos seus sentidos.

A gravação do filme seria um desafio, mas sobreviver a Taehyung... isso sim seria o papel da sua vida.

Enquanto isso, Taehyung caminhava de volta para seu quarto, o tédio da madrugada completamente esquecido. Ele não gostava de compromissos, odiava amarras, mas havia algo naquela brasileira — uma mistura de vulnerabilidade e força — que o fazia querer quebrar suas próprias regras.

— Vitória... — ele murmurou para o vazio do elevador. — Vamos ver se você atua tão bem quanto resiste.

A turnê estava apenas começando, e para Kim Taehyung, o show mais interessante acabara de ganhar uma nova protagonista.

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