
Lieutenant and heiress
Fandom: EngLot
Criado: 08/10/2026
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Marcas de Propriedade e Perigo
O ar na mansão Austin era pesado, saturado com o cheiro de tabaco caro, uísque envelhecido e o aroma metálico de segredos que nunca deveriam vir à tona. No grande salão de mármore, as vozes baixas de dois homens poderosos ecoavam, selando destinos e lavando dinheiro enquanto o mundo lá fora acreditava na justiça.
Engfa Waraha estava encostada na parede de carvalho, a poucos metros da mesa onde seu pai, um delegado cujas mãos eram tão sujas quanto o chão de um abatedouro, apertava a mão do maior mafioso do país. Ela tinha 22 anos, 1,78m de pura insolência e um par de olhos castanhos que pareciam ler a alma de qualquer um. As cicatrizes leves em suas mãos, memórias de brigas de rua e motores quentes, eram troféus que ela não se esforçava para esconder.
Mas Engfa não estava prestando atenção nos negócios. Seus olhos estavam fixos na escadaria.
E então, ela apareceu.
Charlotte Austin descia os degraus com a indolência de quem sabe que o mundo gira ao seu redor. Aos 18 anos, ela era uma mistura perigosa de inocência visual e veneno destilado. O cabelo castanho-claro ondulava suavemente sobre os ombros, e as sardas que salpicavam seu nariz davam a ela um ar angelical que era, na melhor das hipóteses, uma mentira deslavada.
— Você está atrasada, boneca — murmurou Engfa, a voz rouca, carregada de um sarcasmo que só ela se atrevia a usar com a filha do patrão.
Charlotte parou no último degrau, cruzando os braços sobre o vestido de seda que custava mais do que o carro de luxo de Engfa. Ela arqueou uma sobrancelha, o olhar percorrendo a Waraha de cima a baixo com um desdém fingido.
— Eu não me atraso, Engfa. As pessoas é que chegam cedo demais — Charlotte rebateu, a voz doce e afiada como uma navalha. — E não me chame de boneca. Você sabe que eu odeio.
Engfa soltou uma risada curta, desencostando-se da parede e caminhando em direção a ela. O espaço entre as duas diminuiu até que a tensão sexual se tornasse quase palpável, um fio elétrico prestes a romper.
— Você odeia, é? — Engfa inclinou a cabeça, observando Charlotte com aquela possessividade que fazia o sangue da menor ferver. — Engraçado. Ontem à noite, quando eu estava te levando para casa depois daquele racha, você não pareceu odiar quando eu disse isso no seu ouvido.
Charlotte sentiu as bochechas esquentarem, mas não desviou o olhar. Ela era mimada, arrogante e adorava ter o controle, mas Engfa era o único furacão que ela não conseguia domar — e, secretamente, ela amava o caos que a Waraha trazia.
— Ontem foi ontem — Charlotte disse, aproximando-se ainda mais, até que a ponta de seus sapatos tocasse as botas de couro de Engfa. — Hoje eu quero um café. E quero que você me leve ao shopping. Agora.
— Seus desejos são ordens, princesa — Engfa ironizou, embora já estivesse pegando as chaves do carro no bolso da calça. — Mas o que eu ganho em troca?
Charlotte deu um sorriso manipulador, aquele que ela sabia que desarmava Engfa completamente. Ela se inclinou, roçando os lábios no lóbulo da orelha da mais velha.
— Talvez eu deixe você ver o que tem por baixo do meu umbigo hoje — sussurrou ela, sabendo perfeitamente da obsessão de Engfa pelo seu piercing. — Se você se comportar.
Engfa cerrou os dentes, a mão subindo instintivamente para a cintura de Charlotte, apertando o tecido fino. A possessividade rugiu em seu peito. Ela odiava o quanto Charlotte a tinha na palma da mão, e adorava cada segundo disso.
— Vamos logo antes que eu resolva te levar para outro lugar que não seja o shopping — rosnou Engfa.
O shopping era o território de Charlotte. Ela desfilava pelas lojas de grife, apontando para bolsas e sapatos sem sequer olhar para a etiqueta de preço. Engfa a seguia, carregando as sacolas com uma expressão de tédio que enganaria qualquer um, exceto Charlotte. A Waraha estava atenta a cada movimento, cada olhar que algum homem ousava lançar para a Austin.
— Aquele cara ali — Engfa murmurou, aproximando-se de Charlotte enquanto ela examinava um sérum de skin care — está olhando para você há cinco minutos. Se ele não desviar o olhar nos próximos dez segundos, eu vou quebrar os dentes dele no balcão de vidro.
Charlotte olhou pelo reflexo do espelho, um sorriso satisfeito surgindo em seu rosto. Ela adorava o ciúme impulsivo de Engfa.
— Deixe ele olhar, Engfa. É para isso que servem as coisas bonitas. Para serem admiradas.
— Você não é uma "coisa", Charlotte — Engfa disse, a voz subindo um tom, a teimosia brilhando nos olhos. — E você é minha. Ele pode olhar para o inferno, se quiser.
Charlotte virou-se de frente para ela, colocando as mãos pequenas no peito de Engfa, sentindo o coração da outra bater acelerado.
— Eu sou sua? — provocou Charlotte, arqueando as sobrancelhas. — Eu não me lembro de ter assinado nenhum contrato, Waraha.
Engfa largou as sacolas no chão, ignorando as pessoas ao redor. Ela segurou o queixo de Charlotte com firmeza, forçando-a a olhar diretamente em seus olhos. A força daquele gesto fez o ar escapar dos pulmões de Charlotte.
— Você não precisa assinar nada — Engfa disse, a voz baixa e perigosa. — Está escrito em cada vez que você me chama no meio da noite. Está escrito no jeito que você treme quando eu te toco. Em breve, Charlotte, você vai ser uma Waraha oficialmente. E eu vou me certificar de que o mundo inteiro saiba disso.
Charlotte sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela era inteligente e manipuladora, mas diante daquela intensidade bruta, ela se sentia pequena — e estranhamente protegida. Ela puxou a gola da jaqueta de Engfa, trazendo-a para perto.
— Você fala demais — Charlotte desafiou. — Me beija logo e cala a boca.
Engfa não precisou de um segundo convite. Ela tomou os lábios de Charlotte ali mesmo, no meio da loja de cosméticos, um beijo faminto, possessivo, que ignorava qualquer regra de etiqueta. As mãos de Engfa desceram para a curva das costas de Charlotte, sentindo a pele macia sob o vestido, enquanto Charlotte enterrava os dedos nos cabelos castanho-escuros da mais velha.
Era o prêmio de Engfa. A recompensa por sua obediência fingida.
De volta à mansão, o clima era de festa. Os pais de ambas estavam na varanda, rindo e brindando a mais um carregamento bem-sucedido. Engfa e Charlotte estavam na cozinha, supostamente pegando bebidas para os convidados.
A adrenalina de estarem tão perto de serem pegas era o combustível que elas mais gostavam.
Engfa prensou Charlotte contra a bancada de granito frio. A luz da lua entrava pela janela, iluminando as sardas de Charlotte que Engfa tanto amava contar com a ponta da língua.
— Seu pai está a dez metros daqui, Charlotte — Engfa sussurrou, a mão subindo pela coxa da garota, levantando o vestido. — Se ele entrar agora, ele me mata e te tranca em um convento.
— Ele não vai entrar — Charlotte ofegou, a arrogância ainda presente, mesmo com a respiração falha. — E se entrar... eu digo que você me forçou.
Engfa soltou uma risada sombria, beijando o pescoço de Charlotte.
— Mentirosa. Você adora o perigo tanto quanto eu.
— Eu adoro ver você arriscar a vida por mim — Charlotte corrigiu, puxando o rosto de Engfa para que ela olhasse para o seu piercing no umbigo, que brilhava sob a luz fraca. — Olha, Engfa. É o seu lugar favorito, não é?
Engfa rosnou, a obsessão brilhando em seus olhos. Ela adorava cada centímetro daquele corpo, mas a rebeldia de Charlotte era o que mais a instigava. Ela desceu os beijos pelo abdômen da garota, sentindo Charlotte arquear as costas e segurar seu cabelo com força.
— Você é tão mimada — Engfa murmurou contra a pele dela.
— E você é tão minha escrava — Charlotte rebateu, dando um sorrisinho vitorioso.
Engfa subiu novamente, parando na altura do pescoço de Charlotte. Ela ouviu os passos dos pais se aproximando da porta da cozinha. O som das risadas estava mais alto. O perigo era iminente.
Em vez de se afastar, Engfa sorriu. Ela se inclinou e, com uma rapidez impulsiva, cravou os dentes na nuca de Charlotte, bem na linha onde o cabelo começava. Foi uma mordida forte, marcada pela possessividade, uma marca que ficaria ali por dias.
Charlotte soltou um gemido abafado, os olhos arregalados pela audácia.
— Engfa! — ela sussurrou, horrorizada e excitada ao mesmo tempo. — Eles vão ver!
— Deixe que vejam — Engfa disse, afastando-se apenas um centímetro, observando a marca avermelhada na pele clara. — Está escondido o suficiente para o seu pai não notar de longe, mas exposto o suficiente para que, quando você prender esse cabelo, todos saibam que alguém te marcou.
A porta da cozinha se abriu. O pai de Charlotte, o mafioso temido, entrou acompanhado pelo pai de Engfa.
— Meninas? — o Sr. Austin perguntou, olhando para as duas. — Onde estão os uísques?
Charlotte se virou rapidamente, ajeitando o vestido com uma calma impressionante, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas. Ela deu um sorriso doce para o pai, o mesmo sorriso que usava para conseguir tudo o que queria.
— Aqui, papai. Engfa estava me ajudando a abrir a garrafa nova. Ela é tão... eficiente — Charlotte disse, lançando um olhar de soslaio para a Waraha.
Engfa apenas assentiu, a expressão agora séria e imponente, a máscara de filha de policial corrupto perfeitamente colocada de volta.
— Apenas cumprindo meu dever, senhor — Engfa disse, a voz firme.
Os dois homens riram, pegando as bebidas e saindo novamente para a varanda, comentando sobre como era bom que as filhas se dessem tão bem.
Assim que a porta se fechou, Charlotte virou-se para Engfa, os olhos brilhando com uma mistura de raiva e desejo.
— Você é louca. Você quase nos matou.
Engfa deu um passo à frente, segurando Charlotte pela cintura mais uma vez, colando seus corpos. Ela deslizou o polegar sobre o lábio inferior da Austin.
— Mas você amou, não amou? A adrenalina, a marca... o fato de que eu te domino mesmo quando você finge que manda em mim.
Charlotte tentou manter a expressão arrogante, tentou ser a menina mimada que não se deixava abalar. Mas, ao sentir o cheiro de café e couro que emanava de Engfa, ela cedeu. Ela se inclinou e mordeu o lábio inferior de Engfa, uma provocação final.
— Eu odeio você, Waraha.
— Não, você não odeia — Engfa sorriu, vitoriosa, antes de tomá-la em outro beijo. — Você me ama porque eu sou a única que tem coragem de te incendiar.
E ali, entre o crime e a lei, entre a obediência e a rebeldia, Engfa e Charlotte continuavam seu jogo perigoso. Um tornado e uma rainha, destruindo tudo ao redor, mas perdidas uma na outra. Engfa sabia que, em breve, não haveria mais "lados opostos". Haveria apenas o que ela queria desde o primeiro dia: Charlotte Austin, marcada, possuída e completamente sua.
