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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 11/10/2026

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Sombras de Giz e Silêncio de Papel

A luz fria dos corredores da Paper School refletia-se no longo cabelo branco de Oliver, que balançava de um lado para o outro enquanto ele caminhava com seu habitual ar de superioridade. O rabo de cavalo baixo, preso por aquele laço preto impecável, quase tocava o chão, mas ele não se importava. Ele tinha coisas mais importantes para fazer, como encontrar Edward e planejar a próxima travessura com Zip.

Oliver parou diante da porta pesada do laboratório de ciências. Ele franziu o cenho, ajeitando o relógio no pulso direito. O braço esquerdo, aquele lápis gigante e afiado que servia como um lembrete constante de sua natureza peculiar, arranhou levemente a superfície da madeira enquanto ele se preparava para bater.

— Edward! — gritou Oliver, batendo com força. — Abre logo essa porta, cara! Eu trouxe aquele sabonete de lavanda que você disse que era ruim. Quero provar na sua frente que é melhor que o de limão!

Silêncio.

Oliver inclinou a cabeça, a mecha arrepiada no topo de sua testa balançando com o movimento. Era estranho. Edward e Zip raramente perdiam a chance de uma boa discussão sobre as iguarias não comestíveis da escola. Ele bateu novamente, desta vez com mais força.

— Edward? Se você estiver dormindo aí dentro, eu juro que vou desenhar na sua cara com o meu braço! — Oliver tentou girar a maçaneta. Para sua surpresa, ela cedeu. — Lá vou eu...

Ao abrir a porta, Oliver esperava encontrar Edward cercado por engrenagens ou talvez escondido atrás de algum projeto maluco. O que ele viu, no entanto, fez o sabonete que ele estava mastigando mentalmente perder todo o sabor.

O laboratório estava mergulhado em uma penumbra densa, quebrada apenas por uma luz bruxuleante vinda do teto. No centro da sala, Edward não estava trabalhando. Ele estava em cima da mesa principal, mas não de forma voluntária.

— Mas o que... — As palavras de Oliver morreram na garganta.

Edward estava sentado, com as costas eretas contra um suporte metálico, firmemente amarrado por cordas grossas que prendiam seus pulsos com uma força cruel. O que mais chocou Oliver, porém, foi o rosto de seu amigo. Uma mordaça de bola amarela, presa por tiras de couro preto que circulavam sua cabeça, impedia qualquer som articulado.

Os olhos de Edward se arregalaram ao ver Oliver. Havia uma mistura frenética de terror e uma raiva impotente em seu olhar. Ele tentou se debater, mas as cordas apenas rangiam contra a madeira da mesa.

— Edward! Quem fez isso com você? — Oliver deu um passo à frente, o pânico começando a subir por sua espinha. A marca de "A+" em seu cabelo parecia pulsar sob a luz fraca. — Calma, eu vou te tirar daí.

Oliver estendeu o braço de lápis para tentar cortar as cordas, mas antes que pudesse dar o segundo passo, o ar na sala ficou subitamente gélido. Um calafrio percorreu sua nuca, e ele sentiu um peso familiar, porém aterrorizante, pousar em seu ombro direito.

Uma mão. Mas não uma mão humana. Eram garras longas, negras e afiadas, que perfuraram levemente o tecido de sua camisa preta.

Oliver congelou. Ele conhecia aquele toque, mas nunca o sentira carregado de tanta malícia pura. Ele virou o rosto lentamente, rezando para estar errado.

Mas ele não estava.

Lá estava ela. ∆lice. Sua namorada. A princesa demônio canibal que ele tanto admirava e temia. Mas ela não estava em sua forma "normal". Ela estava envolta em sua forma Sombria, uma massa de escuridão e poder que parecia devorar a pouca luz que restava na sala. Seus olhos brilhavam com uma fome antiga, e um sorriso predatório adornava seu rosto distorcido.

— Indo a algum lugar, meu querido Oliver? — A voz de ∆lice ecoou, não como uma voz humana, mas como o som de papel rasgando misturado a um sussurro de mil almas.

Oliver tremeu violentamente. O valentão da Paper School, o garoto que não temia professores ou regras, sentiu suas pernas fraquejarem. O trauma de ver a verdadeira natureza de ∆lice exposta daquela forma, direcionada a um de seus melhores amigos, era demais para processar.

— ∆-∆lice... — gaguejou ele, as botas pretas rangendo no chão enquanto ele tentava não desabar. — O que você está fazendo? O Edward... ele é meu amigo. Solta ele, por favor.

∆lice soltou uma risada seca, deslizando as garras do ombro de Oliver para o seu pescoço, contornando a gola da camisa com uma lentidão torturante.

— Amigos são tão... efêmeros — disse ela, aproximando o rosto sombrio do ouvido dele. — E Edward estava sendo particularmente barulhento hoje. Eu achei que ele precisava de um pouco de disciplina. Você não concorda, Oliver? Você adora disciplina, não adora? Especialmente quando é você quem a aplica.

Edward soltou um gemido abafado através da mordaça amarela, seus olhos implorando por ajuda, mas Oliver estava paralisado. O medo que emanava de ∆lice era físico, uma pressão que esmagava seus pulmões.

— Por favor... — sussurrou Oliver, as lágrimas começando a arder em seus olhos. — Não machuca ele. Eu faço o que você quiser.

— Você já faz o que eu quero, Oliver — provocou ela, apertando levemente as garras, o suficiente para ele sentir a ponta afiada contra a pele. — Mas hoje, eu quero que você assista. Quero ver se esse "A+" no seu cabelo realmente significa que você é o melhor em tudo... inclusive em suportar a dor dos outros.

Oliver olhou para Edward. O amigo estava aterrorizado, a irritação inicial substituída por um desespero puro. Oliver queria avançar, queria usar seu braço de lápis para lutar, para ser o herói que Zip sempre achava que ele era. Mas ele não conseguia se mexer. O trauma de saber do que ∆lice era capaz, de ver a escuridão que ela carregava, o transformou em uma estátua de papel frágil.

— Você não vai salvá-lo, vai? — a voz de ∆lice era agora um ronronar cruel. — Você é apenas um garotinho travesso que gosta de comer sabonete e brincar de valentão. Mas aqui, no escuro... você é apenas meu.

Ela se afastou um centímetro, apenas para contornar o corpo de Oliver e se posicionar entre ele e a mesa onde Edward estava preso. Ela olhou para a vítima com um apetite evidente, as garras estalando uma contra a outra.

— Olhe para ele, Oliver — ordenou ela.

— Eu não consigo... — Oliver fechou os olhos com força, o rabo de cavalo tremendo.

— ABRA OS OLHOS! — o grito de ∆lice fez as janelas do laboratório vibrarem.

Oliver obedeceu por puro instinto de sobrevivência. Ele viu Edward sacudir a cabeça desesperadamente, as tiras de couro da mordaça rangendo. Oliver sentiu um vazio profundo no peito. Ele percebeu, com uma clareza dolorosa, que não haveria resgate. Ele era o valentão da escola, o rei dos corredores, mas diante da verdadeira escuridão, ele era apenas papel pronto para ser rasgado.

— Sinto muito, Edward... — sussurrou Oliver, a voz falhando completamente.

∆lice soltou uma gargalhada triunfante que preencheu a sala, enquanto Oliver, o garoto de cabelos brancos e braço de lápis, permanecia imóvel, quebrado pelo medo e pela traição, assistindo ao início do seu pior pesadelo.

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