
Oliver!!:$
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 11/10/2026
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O Nó na Garganta de Grafite
O mundo de Oliver havia se tornado um borrão cinzento. O cheiro de sabonete, que antes lhe trazia um conforto estranho e nostálgico, agora parecia impregnado com o odor metálico de sangue e o perfume pesado e sobrenatural de ∆lice. Ele se lembrava da imagem de Edward, seu amigo, o gênio dos inventos, reduzido a um monte de carne trêmula sob as garras daquela que Oliver chamava de namorada. A última coisa que sentiu antes da escuridão total foi uma vertigem avassaladora, como se o chão da Paper School tivesse se transformado em papel molhado, cedendo sob seus pés.
Quando as pálpebras de Oliver finalmente se abriram, a primeira coisa que sentiu foi o frio. Não o frio de uma sala de aula com o ar-condicionado ligado, mas um frio ancestral, vindo de algum lugar onde a luz não ousava tocar. Ele tentou levar a mão direita à cabeça para afastar a tontura, mas seu braço não se moveu.
Um puxão seco. Um ruído de cordas esticadas.
Oliver arregalou os olhos. Ele não estava mais no laboratório. O cenário havia mudado para um corredor infinitamente longo e escuro, cujas paredes pareciam pulsar como se estivessem vivas. Ele estava suspenso, seus pulsos presos por cordas grossas e ásperas que queimavam sua pele pálida. O braço esquerdo, o grande lápis que era sua marca registrada e sua ferramenta de intimidação, estava imobilizado contra uma viga de madeira escura, envolto em voltas e mais voltas de corda naval. Até seus pés, calçados com as botas pretas habituais, estavam atados, deixando-o vulnerável e esticado.
O rosto de Oliver esquentou instantaneamente. Uma onda de calor, um rubor intenso de vergonha e pânico, subiu por seu pescoço até as bochechas. Ele, o valentão da escola, o garoto que fazia todos tremerem com um simples olhar de desprezo, estava ali, exposto e impotente.
— Mas que diabos... — sua voz saiu rouca, falhando no final.
Ele começou a se debater violentamente. O rabo de cavalo longo e branco chicoteava o ar, e seus chifres pretos quase batiam na viga acima. Ele forçou o braço de lápis, tentando usar a ponta afiada para rasgar as fibras da corda, mas quanto mais ele se movia, mais os nós pareciam se apertar, como se tivessem vontade própria.
— Me solta! — gritou ele para o vazio, a irritação começando a sobrepor o medo. — ∆lice! Isso não tem graça! Se for uma das suas brincadeiras, já deu!
Um riso baixo e melódico ecoou pelo corredor. Não vinha de uma direção específica; parecia emanar das próprias sombras.
— Engraçado... — a voz de ∆lice surgiu, suave como veludo e afiada como uma navalha. — Você sempre achou a dor dos outros tão divertida, Oliver. Por que a pressa agora?
As sombras à frente dele começaram a se contorcer e a se aglutinar, formando a silhueta alta e aterrorizante da entidade. ∆lice emergiu da escuridão, sua forma sombria oscilando entre o físico e o etéreo. Seus olhos brilhavam com uma malícia que Oliver nunca quis reconhecer enquanto estavam "juntos".
— Cadê o Edward? — Oliver rosnou, embora seu coração batesse tão forte contra as costelas que ele sentia que poderia desmaiar de novo. — O que você fez com ele?
∆lice se aproximou lentamente, seus passos não emitindo som algum no chão escuro. Ela estendeu uma mão longa e garrada, tocando levemente a marca de "A+" no cabelo de Oliver. O toque era gélido.
— Edward está onde todos os brinquedos quebrados vão parar, meu querido — disse ela, inclinando a cabeça de forma inumana. — Mas ele não é mais o foco. Ele foi apenas o aperitivo. O prato principal é a sua desobediência.
— Eu não te desobedeci! — Oliver gritou, debatendo-se novamente, o suor escorrendo por sua testa e fazendo a mecha arrepiada de seu cabelo murchar levemente. — Eu sou seu namorado, droga! A gente manda nessa escola juntos!
∆lice soltou uma gargalhada genuína, um som que fez os pelos da nuca de Oliver se arrepiarem.
— "Namorado"? — ela repetiu a palavra como se fosse um conceito alienígena e patético. — Você é um acessório, Oliver. Um animal de estimação que eu deixei latir um pouco mais alto que os outros. Mas você cometeu o erro de sentir empatia. Você olhou para aquele garoto e sentiu... pena?
— Ele é meu amigo! — Oliver rebateu, a raiva finalmente vencendo o choque. — E o Zip? Você vai pegar ela também? Se você tocar nela, eu juro que...
— Você jura o quê? — ∆lice interrompeu, apertando o pescoço de Oliver com uma força súbita. Não o suficiente para matá-lo, mas o suficiente para interromper seu fluxo de ar e forçá-lo a olhar diretamente nos olhos abissais dela. — Você vai me riscar com seu lápis de brinquedo? Vai me jogar um pedaço de sabão? Olhe para você, Oliver. Você não é nada sem o medo que os outros têm de você. E aqui... aqui você é quem deve ter medo.
Oliver tentou chutar, tentou cuspir, mas a pressão em seu pescoço aumentou. Ele viu o mundo começar a escurecer nas bordas novamente. A humilhação de estar naquela posição, sendo tratado como um aluno fraco que ele mesmo costumava atormentar nos corredores, era pior do que a dor física.
— O que você quer? — ele engasgou quando ela afrouxou o aperto.
— Quero ver o que resta de você quando o "valentão" morre — respondeu ela, afastando-se e começando a circular o corpo suspenso de Oliver. — Quero ver se você ainda vai rir quando eu trouxer a Zip para este mesmo corredor. Quero ver se você vai tentar protegê-la ou se vai implorar pela sua própria pele, como o covarde que eu sei que você é no fundo.
— Não envolve a Zip nisso — Oliver implorou, sua voz perdendo a força agressiva e assumindo um tom de desespero que ele odiava. — Por favor, ∆lice.
— "Por favor" — ela saboreou a expressão. — Essa é a minha palavra favorita vinda da sua boca.
A entidade sombria deslizou para trás dele, e Oliver sentiu algo frio e afiado pressionar as costas de seu braço de lápis.
— Você se orgulha tanto dessa prótese, não é? — sussurrou ela em seu ouvido. — Ela te faz sentir forte. Diferente. Mas no final das contas, é apenas madeira e grafite. Facilmente quebrável.
— Não... — Oliver tentou puxar o braço, mas as cordas eram implacáveis.
— Diga-me, Oliver — continuou ∆lice —, quem é você agora? Sem seus amigos para rir das suas piadas cruéis, sem o Edward para construir suas engenhocas, sem o poder de intimidar os mais novos... Quem é o garoto de cabelos brancos preso na minha teia?
Oliver fechou os olhos com força, as lágrimas de frustração e estresse começando a arder. Ele tentou buscar em sua mente aquela arrogância que costumava ser seu escudo, mas tudo o que encontrou foi o vazio. A imagem de Edward sofrendo no laboratório voltou com força total, uma ferida aberta em sua consciência. Ele percebeu, com um terror paralisante, que sua identidade estava atada à aprovação de ∆lice e ao medo dos outros. Sozinho, ele era apenas um papel em branco, esperando para ser rasgado.
— Eu sou... — ele começou, mas as palavras morreram em sua garganta.
— Você é meu — sentenciou ∆lice.
De repente, o corredor começou a tremer. As paredes de papel sombrio começaram a se rasgar, revelando um vazio ainda mais profundo por trás delas. Oliver sentiu as cordas queimarem seus pulsos com um calor súbito, como se estivessem pegando fogo.
— O que está acontecendo?! — gritou ele.
— O tempo de brincar acabou, Oliver — disse ∆lice, sua voz agora soando como mil vozes sobrepostas. — A escola está esperando. Mas lembre-se: toda vez que você olhar para a Zip, toda vez que você tentar agir como o rei da Paper School, você vai se lembrar deste corredor. Você vai se lembrar do cheiro do medo. E você vai saber que, a qualquer momento, eu posso puxar as cordas de volta.
Com um estalo violento, as cordas se romperam. Oliver sentiu a gravidade puxá-lo para baixo, um mergulho infinito na escuridão. Ele gritou, mas nenhum som saiu.
Ele acordou com um solavanco, caindo da cadeira no laboratório agora silencioso. O chão estava frio e duro. Ele ofegava, o peito subindo e descendo freneticamente, a mão direita agarrando o braço de lápis para verificar se ainda estava lá, se ainda estava inteiro.
O laboratório estava vazio. Edward não estava lá. ∆lice não estava lá. Apenas o silêncio opressor e o cheiro persistente de ozônio e algo podre.
Oliver se levantou trêmulo, suas pernas parecendo feitas de gelatina. Ele olhou para seus pulsos; não havia cordas, mas a pele estava vermelha, marcada, como se tivesse sido apertada por horas. Ele caminhou até a porta do laboratório, cada sombra no corredor da escola agora parecendo um monstro pronto para devorá-lo.
— Oliver? — uma voz familiar chamou do fim do corredor.
Ele deu um pulo, o coração quase saltando pela boca. Era Zip. Ela estava parada perto dos armários, mastigando um chiclete, com sua expressão habitual de tédio e travessura.
— Onde você se meteu? — perguntou ela, aproximando-se. — A gente perdeu a aula da Miss Circle. O Edward sumiu, achei que ele estivesse com você.
Oliver olhou para ela, e por um momento, a imagem de Zip presa no corredor escuro, gritando por socorro, sobrepôs-se à realidade. Ele sentiu uma náusea súbita.
— Oliver? — Zip franziu a testa, notando o estado deplorável do amigo. — Cara, você tá pálido. E seu cabelo tá todo bagunçado. O que aconteceu? Você comeu sabonete estragado ou o quê?
Oliver abriu a boca para responder, para contar sobre a forma sombria, sobre o cativeiro de Edward, sobre o pesadelo. Mas, antes que pudesse emitir um som, ele sentiu um formigamento na nuca. Um sussurro inaudível pareceu passar pelo vento do corredor: "Lembre-se das cordas".
Ele engoliu em seco, a arrogância que costumava ser sua armadura parecendo agora um traje de papel molhado, pesado e inútil.
— Nada — disse ele, sua voz saindo mais fina do que o normal. — Eu só... eu só perdi a noção do tempo.
— E o Edward? — insistiu Zip, estreitando os olhos. — Ele não aparece desde cedo.
Oliver olhou para o laboratório atrás de si, a porta entreaberta como uma boca faminta.
— Eu não sei, Zip — mentiu ele, sentindo a primeira de muitas rachaduras permanentes em sua alma. — Eu acho que ele... ele deve ter ido para casa mais cedo.
Zip deu de ombros, sem desconfiar da profundidade do abismo que agora separava Oliver do resto do mundo.
— Tanto faz. Vamos sair daqui, esse corredor me dá arrepios.
Enquanto a seguia, Oliver olhou para o próprio braço de lápis. Ele sempre o usara para machucar, para marcar, para dominar. Agora, ele se perguntava se algum dia teria coragem de usá-lo para lutar contra a escuridão que o tinha marcado primeiro.
A Paper School continuava a mesma por fora, com seus desenhos de papel e regras rígidas. Mas para Oliver, as paredes agora eram feitas de segredos terríveis, e ele era apenas mais um desenho prestes a ser apagado por uma mão que ele um dia pensou amar. A transformação do valentão estava completa: ele não era mais o predador. Ele era a presa que ainda não tinha percebido que já havia sido capturada.
