
Amor
Fandom: It a coisa
Criado: 11/10/2026
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Fumaça, Suor e Segredos no Barrens
O sol de Derry parecia estar tentando cozinhar o asfalto, mas dentro do esconderijo subterrâneo do Clube dos Otários, o ar era úmido e cheirava a terra fresca e tabaco barato. O refúgio, construído com tábuas de madeira e esforço bruto, era o único lugar no mundo onde eles não eram apenas os "esquisitos" da escola.
Richie Tozier estava jogado em um canto, ajustando os óculos fundo de garrafa que insistiam em escorregar pelo nariz suado. Ao lado dele, Eddie Kaspbrak segurava sua bombinha de asma como se fosse um talismã sagrado, enquanto Bill Denbrough espalhava o mapa da cidade sobre um caixote velho.
— O-o-onde ele foi visto pela última vez? — Bill perguntou, a voz falhando na gagueira, mas os olhos fixos na busca desesperada pelo irmão, Georgie.
— Perto do bueiro da Jackson Street — respondeu Mike, limpando a fuligem da calça jeans. — Mas a polícia parou de procurar lá faz semanas, Bill.
Kuro, sentado em um caixote mais alto, balançava as pernas com a displicência de quem sabia que era bonito demais para aquele lugar, mas gostava da companhia. O cabelo branco repicado brilhava sob a luz da lanterna, contrastando com a pele pálida. Ele deu uma tragada no cigarro que dividia com Richie e soltou a fumaça em anéis perfeitos.
— A polícia é inútil, Bill. Se a gente quiser achar o moleque, vai ter que ser por conta própria — Kuro disse, com um sorriso de canto que sempre deixava as meninas da escola suspirando. — Mas antes, a gente precisa de mais suprimentos. Tatsuyo! Cadê a lanterna reserva?
Tatsuyo, que estava agachada em um canto escuro remexendo em uma mochila, levantou-se. Ela usava uma jardineira jeans sobre uma regata branca, o cabelo preto liso caindo como uma cascata até o meio das costas. A pele parda brilhava levemente com o calor do esconderijo.
— Está aqui, Kuro. Para de reclamar, parece uma velha — ela retrucou, jogando o objeto para ele com precisão.
— Valeu, gatinha — Kuro piscou, o tom de voz carregado daquela malícia adolescente que ele nunca fazia questão de esconder.
Tatsuyo revirou os olhos, mas havia um sorriso contido ali. Eles se conheciam desde que usavam fraldas; ela estava acostumada com o jeito "engraçadinho" e levemente tarado dele.
— Eu vou lá fora ver se o Henry Bowers ou os capangas dele estão por perto — Tatsuyo anunciou, limpando o pó das mãos na jardineira. — Se eu não voltar em cinco minutos, rezem por mim.
Assim que ela subiu a escada improvisada e a tampa do esconderijo se fechou, o clima no buraco mudou instantaneamente. O silêncio durou apenas três segundos.
— Puta merda — Richie soltou, tirando os óculos e limpando-os na camisa. — Vocês viram como aquela jardineira fica nela? A bunda da Tatsuyo tá ficando... redonda. Tipo, muito redonda.
— Richie! — Eddie exclamou, embora suas orelhas estivessem vermelhas. — Isso é desrespeitoso. E anti-higiênico falar assim da anatomia alheia.
— Ah, cala a boca, Eddie! — Richie riu. — Até o Stanley notou, não é, Stan?
Stanley Uris, que estava organizando seus pássaros de papel, desviou o olhar, visivelmente desconfortável.
— Ela está... mudando — Stanley admitiu em voz baixa. — O corpo dela não é mais o de uma criança.
Beverly, que estava sentada ao lado de Ben, deu um sorriso de lado, cruzando os braços. Ela era a única que não parecia intimidada pela conversa.
— Ela está gata pra caralho — Beverly afirmou, sem papas na língua. — Se eu fosse um de vocês, estaria babando também. A cintura dela afinou e... bom, vocês notaram a regata hoje, né?
— Os peitos dela parecem... macios — Ben murmurou, ficando instantaneamente da cor de um tomate assim que as palavras saíram de sua boca. — Digo... eu não quis dizer...
— Relaxa, Benji — Kuro interrompeu, inclinando-se para trás com as mãos na nuca. — Eu conheço a Tatsuyo desde que ela não tinha nada ali na frente. E agora... caramba. Às vezes eu tenho uma vontade absurda de apertar só para ver se é tão fofo quanto parece.
— Você é um nojento, Kuro — Richie riu, dando um tapa no ombro dele. — Mas eu entendo. Ela tá virando um mulherão bem na nossa frente. E a gente ainda é um bando de otário jogando conversa fora num buraco.
— E-e-ela é nossa amiga — Bill interveio, tentando manter a ordem, embora seus olhos também tivessem vacilado quando Tatsuyo se abaixou mais cedo. — Temos que focar no G-G-Georgie.
— A gente está focando, Bill — Kuro disse, agora com um tom um pouco mais sério, mas ainda com aquele brilho nos olhos castanhos. — Mas a Tatsuyo é a melhor coisa para se olhar nesse grupo, convenhamos. A pele dela, o jeito que o cabelo balança... Ela é diferente da Bev. A Bev é... a Bev. A Tatsuyo tem aquele ar de quem vai te dar um soco e depois te beijar.
— Ela vai te dar um soco se ouvir você falando assim — Mike comentou, soltando uma risadinha.
— Que ela bata — Kuro sorriu largo. — Eu gosto quando ela fica brava. As bochechas ficam rosadas e ela morde o lábio inferior. É de matar.
Lá em cima, o som de passos sobre a terra seca fez o grupo silenciar. A tampa se abriu e a luz do sol invadiu o ambiente, revelando a silhueta de Tatsuyo. Ela desceu as escadas com agilidade, sem perceber que seis pares de olhos estavam fixos em cada movimento de seu corpo.
— Limpo — ela disse, pulando o último degrau. — O carro do Belch passou pela estrada, mas eles não viram nada. O que eu perdi?
— Nada — Richie respondeu rápido demais. — Só o Eddie tendo um ataque de pânico sobre germes de formiga.
— Mentira! — Eddie gritou.
Tatsuyo caminhou até Kuro e sentou-se ao lado dele no caixote, o ombro dela roçando no dele. Kuro sentiu o calor da pele dela e o cheiro de sabonete barato misturado com o suor do verão. Ele olhou de soslaio para o decote lateral da regata dela, onde o início da curva dos seios era visível.
— Você está bem, Kuro? Tá encarando o nada — ela perguntou, virando o rosto para ele.
Kuro deu um sorriso preguiçoso e esticou o braço, passando-o pelos ombros dela de forma possessiva e natural.
— Só pensando no quanto a gente vai se divertir quando encontrar o Georgie e puder sair desse buraco para ir ao cinema — ele mentiu com a maior facilidade do mundo.
— O-o-o plano é o seguinte — Bill chamou a atenção, apontando para o mapa. — Amanhã vamos até os canos de esgoto principais. Se o Georgie... se ele foi levado pela água, é lá que as coisas se acumulam.
— Os esgotos? — Eddie parecia prestes a desmaiar. — Vocês sabem o que vive nos esgotos? Bactérias coliformes! Hepatite!
— E palhaços comedores de criancinhas — Richie brincou, fazendo uma voz de monstro.
Tatsuyo riu, um som claro que pareceu iluminar o esconderijo mais do que as lanternas. Ela se inclinou para frente para ver o mapa, e a jardineira tensionou sobre suas coxas. Kuro, logo atrás dela, trocou um olhar cúmplice com Richie. O "Clube dos Otários" tinha muitos segredos, muitos medos e uma missão perigosa pela frente. Mas ali, naquele verão de 1989, entre o medo do desconhecido e a busca por um irmão perdido, havia também o despertar de algo que nenhum mapa de Derry poderia explicar.
— A gente vai estar junto, Bill — Tatsuyo disse, a voz firme. — Todos nós.
Kuro apertou levemente o ombro dela, os dedos roçando a alça da regata.
— É isso aí, gatinha — ele murmurou perto do ouvido dela. — Até o fim.
Enquanto Bill continuava a traçar rotas e Eddie continuava a reclamar das doenças, o grupo se sentia mais unido do que nunca. Eles eram excluídos, eram estranhos, eram os Otários. Mas naquele esconderijo, sob a terra de Derry, eles eram os donos do próprio destino, cercados por cigarros, mapas e os primeiros e confusos desejos da juventude.
