
Lorna :3
Fandom: Terrible Mouse
Criado: 11/10/2026
Tags
O Diagnóstico do Desejo
O cheiro de antisséptico e ferrugem pairava no ar pesado do hospital abandonado. Os passos rápidos e desajeitados de Luke ecoavam pelos corredores de azulejos descascados, acompanhados pela respiração ofegante de Robbie. Atrás deles, uma risada infantil e aguda cortava o silêncio, um som que gelava o sangue e fazia os pelos da nuca de Luke se arrepiarem sob o seu gorro azul.
Lorna não estava apenas caçando; ela estava se divertindo. A enfermeira híbrida, que momentos antes parecia uma criatura saída de um livro de contos infantis com sua pelagem branca como a neve e nariz de coração, agora era a personificação de um pesadelo. Seus olhos de esclera amarela brilhavam na penumbra, e as garras felinas, geralmente ocultas, arranhavam as paredes de metal conforme ela avançava.
— Onde vocês pensam que vão, meus pacientes favoritos? — a voz de Lorna soou doce, mas carregada de uma loucura frenética. — A consulta ainda não terminou! Eu ainda não abri vocês para ver como funcionam por dentro!
Luke e Robbie dobraram a última esquina do corredor, avistando a luz vermelha da saída de emergência. A esperança brilhou por um segundo, mas morreu assim que Luke agarrou a maçaneta de metal e a puxou com toda a força.
— Droga! Está trancada! — Luke gritou, esmurrando a porta reforçada. As sardas em seu rosto pareciam saltar contra a palidez de sua pele, e seus caninos estavam à mostra em uma expressão de puro pavor e raiva.
— Luke, ela está vindo! — Robbie recuou, olhando para o final do corredor onde a silhueta de Lorna aparecia, caminhando lentamente, balançando um bisturi que refletia a luz bruxuleante das lâmpadas do teto.
Lorna parou a poucos metros deles. Seus coques baixos de cor creme balançavam levemente enquanto ela inclinava a cabeça para o lado. Os círculos rosa em seu rosto, que deveriam parecer um rubor fofo, agora pareciam manchas de guerra. Ela riu novamente, um som estridente que fez Luke apertar os punhos.
— Não tem saída, meninos — disse ela, mostrando os dentes afiados. — O Doutor Morte está pronto para recebê-los.
Luke sentiu o suor escorrer por baixo de sua blusa de gola alta. Ele olhou para Robbie, esperando que o amigo tivesse alguma ideia brilhante, mas o que viu foi a expressão de Luke se transformar de terror em uma determinação desesperada.
— Luke, eu tenho um plano — sussurrou Robbie, aproximando-se do ouvido do amigo.
— Um plano? Agora? — Luke rosnou, a voz rouca de ódio. — A gente vai morrer e você quer planejar?
— Escuta, é a nossa única chance. Ela é... ela é instável, certo? A gente precisa quebrar o ritmo dela, desestabilizar a "fofura" que ela acha que tem.
Robbie continuou sussurrando, detalhando uma estratégia que fez os olhos cinzentos de Luke se arregalarem. O plano era absurdo, arriscado e, acima de tudo, completamente "duvidoso".
— Você enlouqueceu? — Luke sussurrou de volta, o rosto ficando vermelho de indignação. — Eu não vou fazer isso!
— É isso ou o bisturi no pescoço, Luke! Escolha agora! — Robbie o empurrou levemente para frente.
Lorna deu um passo à frente, as garras estendidas, pronta para o bote final.
— Chega de conversa! — gritou ela, saltando na direção deles com uma agilidade felina.
Em um impulso de pura adrenalina e desespero, Luke não recuou. Em vez disso, ele avançou. Ele era um valentão de escola, acostumado a usar a força bruta, e seus reflexos foram mais rápidos do que a mente psicopata da enfermeira poderia prever.
Ele a agarrou pelos ombros, impedindo o avanço do bisturi, e com um movimento brusco e violento, suas mãos se fecharam no tecido do uniforme médico de Lorna. Com um rasgo seco e alto que ecoou pelo corredor, Luke puxou o tecido para baixo com toda a sua força.
O som do pano rasgando foi seguido por um silêncio mortal.
Lorna soltou um grito agudo, mas não era um grito de fúria. Era um som de choque puro. O impacto do movimento de Luke foi tão súbito que ela perdeu o equilíbrio, caindo sentada no chão frio.
A parte superior de seu uniforme estava em farrapos, pendendo inútil pelas laterais de seu corpo. O contraste da pelagem branca como a neve com a pele clara sob a luz fluorescente era gritante. Seus seios ficaram completamente à mostra, expostos ao ar frio do hospital e ao olhar atônito dos dois rapazes.
— O que... o que você... — a voz de Lorna falhou.
A psicopata assassina havia desaparecido em um piscar de olhos. Em seu lugar, estava uma criatura que parecia genuinamente vulnerável. O rubor em suas bochechas, que antes parecia artificial, tornou-se um rosa intenso e real, espalhando-se por todo o seu rosto e orelhas. Ela tentou cobrir o peito com as mãos pequenas, as garras retraindo-se instantaneamente enquanto o bisturi caía no chão com um tilintar metálico.
Luke, que ainda segurava os restos do tecido, congelou. Sua respiração, que antes era de raiva, tornou-se pesada e errática. Ele olhou para baixo, para a figura pequena e agora trêmula diante dele. O ódio que sentia foi subitamente substituído por algo avassalador e inesperado.
O rosto de Luke ardeu. O calor subiu por seu pescoço, tingindo suas bochechas de um vermelho profundo que rivalizava com o de Lorna. Ele observou a curva suave de seus ombros, a brancura imaculada de sua pelagem e a expressão de choque em seus olhos amarelos, que agora pareciam grandes e úmidos, desprovidos de qualquer malícia.
— Eu... — Luke tentou falar, mas sua voz falhou.
Ele sentiu o coração martelar contra as costelas, não mais pelo medo da morte, mas por uma atração magnética e proibida. A visão da enfermeira "monstro" naquele estado de fragilidade e beleza crua despertou algo nele que ele nunca soube que existia. Ele sempre fora atraído pelo perigo, pela agressividade, mas ver aquela mistura de predadora e presa diante dele o deixou paralisado.
Robbie, vendo a oportunidade, correu para a porta lateral que Luke não tinha visto antes, uma pequena passagem de serviço.
— Luke! Agora! Vamos embora! — gritou Robbie, já segurando a porta aberta.
Mas Luke não se moveu. Ele continuou ali, parado, olhando para Lorna.
— Luke, cara, o que você está fazendo? — Robbie insistiu, confuso. — Vamos!
Lorna levantou os olhos para Luke. A confusão em seu rosto era evidente. Ela esperava ser atacada, ou que ele risse, ou que fugisse. Mas o olhar que Luke lhe devolvia era de puro fascínio, quase adoração.
— Você... — Lorna murmurou, a voz trêmula, o rubor ainda mais forte. — Por que está me olhando assim?
Luke engoliu em seco. Ele deu um passo à frente, ignorando os gritos de Robbie ao fundo. Seus olhos cinzentos estavam fixos nos dela, e um sorriso pequeno e quase inconsciente surgiu em seus lábios, revelando seus caninos de uma forma que não era mais ameaçadora, mas sim... interessada.
— Eu não sabia... — começou Luke, a voz agora mais baixa e rouca. — Eu não sabia que você era tão bonita quando não está tentando me estraçalhar.
Lorna piscou, chocada. O bisturi estava esquecido no chão. A atmosfera no corredor havia mudado drasticamente; o perigo de morte havia sido substituído por uma tensão elétrica e carregada de desejo.
— Luke, seu idiota, ela vai te matar se você não vier agora! — Robbie gritou uma última vez antes de, por puro instinto de sobrevivência, atravessar a porta de serviço e deixá-la fechar atrás de si, deixando o amigo para trás.
Luke não se importou. Ele não conseguia desviar o olhar. Ele se ajoelhou na frente de Lorna, que ainda tentava se cobrir, embora suas mãos estivessem tremendo demais para serem eficazes.
— Você é uma maluca, sabia? — Luke disse, estendendo a mão cautelosamente, como se estivesse tentando tocar uma fera selvagem que poderia mordê-lo a qualquer momento. — Uma psicopata completa.
Lorna soltou um pequeno suspiro, seus olhos seguindo o movimento da mão dele. A agressividade felina parecia ter sido domada pelo choque da exposição e pela reação inesperada de Luke.
— E você é um valentão estúpido — ela respondeu, embora não houvesse veneno em suas palavras, apenas uma timidez confusa que a tornava ainda mais atraente aos olhos dele.
Luke finalmente tocou o rosto dela, o polegar roçando levemente o círculo rosa em sua bochecha. A pele dela era macia, e o calor que emanava dela era reconfortante no hospital frio.
— Talvez — admitiu Luke, aproximando seu rosto do dela. — Mas acho que acabei de encontrar um motivo para ficar neste hospital um pouco mais de tempo.
Lorna, a enfermeira que matava a todos, sentiu seu coração humano e animal falhar uma batida. Pela primeira vez em muito tempo, ela não queria usar suas garras. Ela queria ver até onde aquele humano atrevido iria. E Luke, o valentão que nunca teve medo de briga, percebeu que estava perdidamente apaixonado pelo perigo mais fofo e mortal que já conheceu.
