
Lorna x Luke x Robbie
Fandom: Terrible Mouse
Criado: 11/10/2026
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Ecos de um Delírio Branco
O silêncio do hospital abandonado não era mais preenchido pelo som metálico de bisturis arrastando no chão ou pelos gritos de pavor que ecoavam nos corredores de azulejos descascados. Agora, o ar estava espesso, carregado com uma tensão diferente, algo que oscilava entre o perigo mortal e uma intimidade doentia. Luke sentia o coração martelar contra as costelas, mas não era mais o medo que impulsionava seu sangue; era uma curiosidade mórbida, um fascínio pela criatura que, momentos antes, tentara estripá-lo.
Lorna, a enfermeira híbrida cuja pelagem branca como a neve agora parecia desgrenhada, mantinha os olhos amarelos fixos no chão. O rasgo em seu uniforme, provocado pelo ímpeto desesperado de Luke, havia quebrado algo dentro dela. A predadora insana dera lugar a uma figura encolhida, cujas orelhas de rato tremiam violentamente. As garras, antes prontas para rasgar carne, estavam recolhidas, escondidas sob a pele macia de suas patas.
— Por que você ainda está aqui? — A voz dela saiu em um sussurro agudo, desprovido daquela cadência maníaca de antes. — Você deveria ter corrido com o outro. O Robbie... ele foi esperto.
Luke deu um passo à frente, ajustando o gorro azul na cabeça. Ele limpou o sangue de um arranhão na bochecha, observando as sardas de Lorna sob a luz bruxulante das lâmpadas de emergência.
— O Robbie é um covarde — respondeu Luke, sua voz falhando levemente, mas mantendo uma nota de ousadia. — E você... você não parece mais querer me matar. Pelo menos, não agora.
Lorna levantou o rosto. O rubor rosa em suas bochechas parecia brilhar contra a brancura de sua face. Ela estendeu uma mão trêmula, tocando a gola alta da blusa de Luke, onde o desenho do gato preto parecia ironicamente observar a cena.
— Venha — disse ela, subitamente decidida, embora sua timidez ainda fosse palpável. — Este lugar não é seguro para humanos... mas o meu quarto é.
Ela o guiou por corredores escuros, passando por macas enferrujadas e poças de substâncias químicas não identificadas. Luke a seguia como um hipnotizado. Ele sabia que deveria estar correndo para a saída, buscando a liberdade da noite lá fora, mas havia algo na vulnerabilidade de Lorna que o prendia mais do que qualquer corrente.
Enquanto isso, Robbie, que havia conseguido se esconder em um duto de ventilação próximo à ala leste, observava a cena de longe, incrédulo. Ele esperava que Luke estivesse logo atrás dele, mas ver seu amigo seguir a "Rata Assassina" voluntariamente fez seu sangue ferver.
— Aquele idiota... — rosnou Robbie para si mesmo, socando a parede de metal do duto. — Ele vai ser devorado e eu vou ter que carregar a culpa.
Robbie desceu do duto silenciosamente. A raiva começava a suplantar o terror. Ele não podia simplesmente ir embora; a curiosidade e o instinto de autopreservação travavam uma batalha em sua mente. Ele decidiu seguir os dois, mantendo-se nas sombras, o bisturi que Lorna deixara cair anteriormente agora firme em sua mão trêmula.
Lorna abriu uma porta pesada no final de um corredor isolado. O quarto era um contraste bizarro com o resto do hospital. Havia cortinas de renda rasgadas, almofadas velhas e um cheiro persistente de éter misturado com perfume de rosas. Era o ninho da predadora.
— Entre — murmurou Lorna, fechando a porta atrás de Luke.
O que se seguiu foi uma quebra definitiva de todas as regras que Luke conhecia. A atmosfera de horror se dissolveu em um transe febril. Lorna, movida por uma necessidade instintiva de conexão que sua mente psicopata raramente permitia, envolveu Luke em um abraço que era metade carinho, metade posse. A humilhação que sentira momentos antes transformara-se em um desejo ardente de ser vista, de ser tocada de uma forma que não envolvesse violência.
Do lado de fora, no corredor silencioso, Robbie encostou o ouvido na porta de madeira compensada. Ele esperava ouvir gritos, o som de carne sendo rasgada ou Luke implorando por misericórdia. Em vez disso, o que chegou aos seus ouvidos o fez paralisar.
Eram gemidos. Claros, agudos e carregados de um prazer que parecia profano naquele cenário de morte. Lorna soltava sons que misturavam pequenos guinchos de rato com suspiros profundamente humanos.
Robbie sentiu o rosto queimar. O calor subiu por seu pescoço, tingindo sua pele de um vermelho vivo.
— Não pode ser... — sussurrou ele, a mão apertando o cabo do bisturi até os nós dos dedos ficarem brancos. — Ele está realmente... com aquela coisa?
A mistura de nojo, inveja e confusão o dominou. Ele não conseguia se afastar. Era como assistir a um acidente de carro em câmera lenta; era horrível, mas impossível de desviar o olhar. Impulsionado por um impulso autodestrutivo, Robbie girou a maçaneta lentamente. Para sua surpresa, a porta estava apenas encostada.
Ele abriu uma fresta.
O quarto estava mergulhado em uma penumbra avermelhada. No centro, sobre uma cama de hospital improvisada com mantas luxuosas, a cena se desenrolava. Lorna estava coberta apenas por um lençol fino que deixava seus ombros brancos e parte de sua pelagem à mostra. Ela estava visivelmente suada, os cabelos cor creme desfeitos dos coques, espalhados pelo travesseiro. Seus olhos amarelos brilhavam com uma intensidade febril, e o nariz rosa em forma de coração movia-se rapidamente enquanto ela recuperava o fôlego.
Luke estava ao lado dela, sentado na beirada da cama. Ele estava sem a blusa, o peito subindo e descendo com o cansaço. Suor escorria por suas sardas, e seus olhos cinzentos pareciam distantes, como se ele ainda estivesse tentando processar a realidade do que acabara de acontecer.
O rangido da porta fez ambos virarem a cabeça.
Lorna não reagiu com agressividade. Em vez disso, um sorriso lento e malicioso surgiu em seu rosto, revelando um dos dentes afiados que Luke tanto temera. Ela se inclinou para trás, puxando o lençol propositalmente para baixo, expondo mais de sua natureza híbrida.
— Olha só quem decidiu se juntar à festa — disse Lorna, sua voz agora uma mistura sedutora de doçura e veneno. — O pequeno Robbie voltou para buscar o amigo... ou para ver o que estava perdendo?
Robbie ficou estático, o bisturi pendendo frouxo em sua mão. Ele não conseguia parar de olhar para a forma como o suor brilhava na pele de Lorna.
— Luke, o que você... o que você fez? — gaguejou Robbie, a voz falhando miseravelmente.
Luke olhou para Robbie, o rosto ficando vermelho instantaneamente. Ele tentou puxar o lençol para se cobrir, mas Lorna segurou sua mão, entrelaçando seus dedos com as garras dela, agora curtas e inofensivas.
— Eu... eu não sei, Robbie — disse Luke, a voz rouca. — As coisas apenas... mudaram.
Lorna soltou uma risadinha, um som que parecia o tilintar de vidro quebrado. Ela fixou o olhar em Robbie, lambendo os lábios de forma provocativa.
— Sabe, Robbie... o Luke é muito mais corajoso do que você. Ele não correu. Ele ficou para ver o que havia por trás da enfermeira má. E ele descobriu que eu posso ser... muito receptiva.
Ela se aproximou de Luke, roçando o nariz rosa no pescoço dele, enquanto mantinha os olhos cravados em Robbie, desafiando-o.
— Por que você não entra, Robbie? — provocou ela, a voz caindo para um tom perigosamente baixo. — O bisturi na sua mão... você quer me cortar ou quer que eu ensine a você o que o Luke acabou de aprender?
Robbie sentiu um tremor percorrer seu corpo. A imagem de Lorna, aquela criatura que era simultaneamente um monstro e uma visão de beleza distorcida, estava gravada em sua mente. A atração que ele sentia agora era uma doença, um vírus que se espalhava por seus nervos.
— Você é louca — disse Robbie, embora seus pés dessem um passo involuntário para dentro do quarto.
— Todos somos loucos aqui, querido — respondeu Lorna, soltando a mão de Luke para fazer um gesto de convite com a palma para cima. — O hospital é grande, a noite é longa... e eu ainda tenho muita energia.
Luke olhou de Lorna para Robbie. Ele via a mesma confusão e desejo nos olhos do amigo que ele próprio sentira. A dinâmica de poder havia mudado completamente. A predadora não precisava mais de garras para caçá-los; ela os tinha capturado com algo muito mais eficaz: a quebra de suas sanidades.
Lorna recostou-se na cabeceira da cama, observando os dois rapazes com a satisfação de quem acabara de realizar a cirurgia mais bem-sucedida de sua carreira. Ela não era apenas uma enfermeira ou uma assassina; ela era a mestre de um jogo que Luke e Robbie estavam apenas começando a entender.
— Então? — perguntou Lorna, inclinando a cabeça, os círculos rosa em seu rosto brilhando sob a luz fraca. — Vamos continuar, ou vocês vão ficar aí parados como ratinhos assustados?
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração pesada dos três. O hospital abandonado, com seus segredos e horrores, parecia ter se fechado ao redor deles, criando um mundo onde apenas aquela sala existia. O perigo ainda estava lá, oculto sob a pele branca de Lorna, mas, naquele momento, nenhum deles se importava. Eles haviam cruzado a linha, e não havia mais volta para a luz do dia.
