
Lorna Sus:3
Fandom: Terrible Mouse
Criado: 11/10/2026
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O Ninho de Marfim e Pecado
O ar dentro do quarto de descanso da ala cirúrgica estava pesado, saturado com o cheiro metálico de antisséptico velho e o odor doce, quase enjoativo, do suor de três corpos. A iluminação vinha apenas de uma lâmpada fluorescente que piscava ritmicamente no corredor, lançando sombras longas e distorcidas que pareciam dançar nas paredes descascadas.
Lorna estava estirada sobre os lençóis amarelados da cama de metal, uma visão que desafiava qualquer lógica de sobrevivência. Seus coques baixos, antes perfeitamente simétricos, agora eram uma confusão de fios cor creme que se espalhavam pelo travesseiro. A pelagem branca como a neve, que Luke inicialmente achara angelical, brilhava sob a luz fraca, mas eram seus olhos que prendiam a atenção. A esclera amarela parecia emitir um brilho próprio, e as pupilas brancas estavam dilatadas, fixas nos dois rapazes à sua frente.
Luke estava sentado no chão, encostado na parede fria, o gorro azul jogado em um canto qualquer. Seu peito subia e descia em arfadas curtas, e o rosto, geralmente marcado por uma expressão de valentia barata, estava agora banhado em um rubor profundo que fazia suas sardas saltarem. Ao seu lado, Robbie parecia ainda mais desorientado. O bisturi que ele trouxera como uma promessa de proteção jazia esquecido no tapete de linóleo, a poucos centímetros de sua mão trêmula.
Lorna soltou um riso baixo, um som que começou como um ronronar felino e terminou com o estalo agudo de um roedor. Ela passou a língua pelos dentes afiados, que brilhavam com uma umidade predatória.
— Vocês parecem tão... exaustos — disse ela, a voz arrastada, carregada de uma malícia que fazia a espinha de Robbie gelar. — E pensar que, horas atrás, vocês estavam correndo pelos corredores como ratinhos assustados.
Luke levantou os olhos cinzentos, encontrando o olhar de Lorna. Não havia medo neles, pelo menos não o medo de morrer. Havia algo pior: uma aceitação devota.
— Você disse que seria diferente — murmurou Luke, a voz rouca. — Você disse que se parássemos de lutar, a dor pararia.
Lorna inclinou a cabeça, os círculos rosa em suas bochechas parecendo queimar. Ela se arrastou pela cama com uma agilidade desumana, aproximando-se da borda até que seu rosto estivesse a poucos centímetros do de Luke.
— E parou, não parou, meu querido Luke? — Ela estendeu uma mão, as garras retraídas sob as almofadas rosadas dos dedos, e tocou um dos arranhões no rosto dele. — Agora, a única dor que você sente é a de querer mais.
Robbie, que observava a cena com uma mistura de repulsa e um desejo incontrolável que ele odiava admitir, tentou recuperar um resquício de sanidade.
— Isso é doentio — ele sussurrou, embora não fizesse menção de se levantar. — Você é um monstro, Lorna. Você nos trancou aqui.
Lorna virou o pescoço de forma abrupta para Robbie, seus olhos brilhando com uma diversão cruel.
— Monstro? — Ela soltou uma gargalhada curta. — Eu sou a única coisa que mantém vocês vivos neste lugar. Lá fora, o hospital é frio, escuro e vazio. Aqui dentro... aqui dentro vocês são reis. Meus reis.
Ela se sentou, cruzando as pernas e deixando a bata de enfermeira, agora desalinhada, revelar a força de seus membros híbridos. A dualidade dela era hipnótica; a fragilidade de um rato e a ferocidade de um gato fundidas em uma forma que Luke e Robbie não conseguiam mais rejeitar.
— Diga-me, Robbie — provocou ela, inclinando-se para a frente —, por que você ainda segura esse bisturi com tanta força na mente, se suas mãos nem conseguem tocá-lo? Você quer me cortar? Quer ver o que tem dentro de mim?
Robbie engoliu em seco, sentindo o calor subir pelo pescoço.
— Eu deveria ter usado isso quando tive a chance — respondeu ele, embora sua voz falhasse no final da frase.
— Mas não usou — Lorna ronronou, aproximando-se dele agora, deslizando para fora da cama como uma sombra branca. — Porque você gosta do jeito que eu olho para você. Você gosta de saber que, a qualquer momento, eu posso morder seu pescoço... ou beijá-lo.
Ela tocou o queixo de Robbie com a ponta de uma garra afiada, apenas o suficiente para picar a pele. Uma gota de sangue surgiu, e Lorna a observou com uma fome que não era apenas alimentar.
Luke observava a interação, sentindo uma pontada de ciúme que o surpreendeu. Ele, o valentão da escola, o garoto que resolvia tudo no soco, agora se sentia um satélite orbitando a insanidade de Lorna.
— Robbie — chamou Luke, fazendo o amigo desviar o olhar da enfermeira por um segundo.
— O quê? — Robbie respondeu, a respiração pesada.
— Você ainda quer ir embora? — A pergunta de Luke foi direta, desprovida de qualquer ironia. — Honestamente. Você acha que conseguiria voltar a ser quem era depois... disso tudo?
Robbie olhou para as próprias mãos, depois para o teto manchado de infiltrações, e finalmente para Lorna, que sorria, exibindo seus dentes amarelos e afiados. O silêncio se arrastou, preenchido apenas pelo zumbido da eletricidade.
— Eu não sei — admitiu Robbie, a voz quebrada. — Eu sinto que, se eu sair por aquela porta, eu vou simplesmente desaparecer. Como se este hospital fosse o único lugar onde eu ainda sou real.
Lorna bateu palmas silenciosamente, um gesto infantil que contrastava terrivelmente com sua aura predatória.
— Resposta correta! — exclamou ela. — Vocês são meus agora. A escola, suas famílias, as ruas... tudo isso é um sonho ruim do qual vocês finalmente acordaram.
Ela se aproximou de Luke novamente, passando os braços em volta do pescoço dele, enquanto mantinha uma mão no joelho de Robbie.
— Vocês não percebem? — continuou ela, a voz sussurrada no ouvido de Luke. — Eu não sou a predadora de vocês. Eu sou a salvadora. Eu tirei o peso da escolha das costas de vocês. Agora, vocês só precisam sentir.
— Sentir o quê? — perguntou Luke, fechando os olhos enquanto Lorna roçava o nariz rosa em sua bochecha.
— O êxtase de não ter para onde fugir — respondeu ela de forma maliciosa.
Lorna se afastou um pouco, olhando para os dois com uma expressão de falsa inocência, seus olhos amarelos brilhando com uma inteligência perversa.
— Mas ainda temos a noite toda — disse ela, ajeitando um dos coques desarrumados de forma provocante. — E eu ainda não decidi qual de vocês é o meu favorito. Talvez eu precise de mais... demonstrações de lealdade.
Luke olhou para Robbie, e Robbie olhou de volta. Havia um entendimento tácito entre eles, uma cumplicidade nascida do trauma e da manipulação. Eles sabiam que Lorna era perigosa. Sabiam que ela provavelmente mataria um deles, ou ambos, quando se cansasse da brincadeira. Mas, naquele momento, sob o efeito do transe que ela tecera com tanta habilidade, a morte parecia um preço pequeno a pagar pela atenção daquela criatura.
— O que você quer que a gente faça? — perguntou Robbie, sua resistência finalmente desmoronando por completo.
Lorna sorriu, um sorriso que revelava toda a sua natureza híbrida — a doçura do rosto redondo e a crueldade das presas felinas.
— Quero que vocês esqueçam que o mundo existe — disse ela, puxando-os para mais perto. — Quero que este ninho seja o seu universo. E, em troca, eu prometo que a próxima mordida... não vai doer nada.
Ela se inclinou e, com um movimento rápido, apagou a única lanterna que ainda restava acesa no chão. O quarto mergulhou na escuridão, restando apenas o som das respirações entrecortadas e o riso suave, agudo e mortal de Lorna, que ecoava pelas paredes do hospital como uma sentença de luxúria e morte.
— Luke? — sussurrou Robbie no escuro.
— Sim?
— Você acha que ela é real?
Antes que Luke pudesse responder, a voz de Lorna surgiu de algum lugar perto de seus ouvidos, carregada de uma promessa sombria.
— Eu sou a única coisa real que restou para vocês, meus lindos ratinhos. Agora, fiquem quietos. A diversão está apenas começando.
Na escuridão, o brilho amarelo dos olhos de Lorna era a última coisa que viam, um farol de insanidade que os guiava cada vez mais para o fundo do abismo que ela chamava de amor. O hospital, antes uma prisão de concreto e metal, agora era um santuário de carne e desejo, onde a enfermeira psicopata reinava absoluta, transformando valentões em servos e o medo em uma forma distorcida de devoção. E enquanto a noite avançava, os gritos e risos que escapavam daquela sala não eram de dor, mas de uma entrega absoluta a uma predadora que soubera, com perfeição, como transformar suas presas em cúmplices de sua própria destruição.
