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Tatsuro

Fandom: It a coisa

Criado: 11/10/2026

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Sombras de Derry e Curvas de Tatsu

O calor de julho em Derry não era apenas abafado; era pesado, como se o próprio ar estivesse carregado com o cheiro de lodo e segredos antigos. Dentro do esconderijo subterrâneo que o Clube dos Otários havia construído com tanto esforço no Barrens, o clima era um pouco mais fresco, mas a tensão hormonal de nove adolescentes de quatorze anos compensava qualquer queda de temperatura.

Tatsuyo estava sentada em um caixote de madeira, concentrada em limpar a sujeira debaixo das unhas com um canivete pequeno. Ela usava sua jardineira jeans favorita sobre uma regata branca que, ultimamente, parecia estar ficando perigosamente justa. Seus longos cabelos pretos e lisos estavam presos em um rabo de cavalo alto, revelando os traços fortes de sua ascendência nativa e a pele parda que brilhava levemente com o suor.

Ao lado dela, Kuro, com seu cabelo branco espetado e a raiz castanha já denunciando o tempo desde a última coloração, tentava equilibrar um taco de hockey improvisado no queixo.

— Ei, Tatsu, se você continuar encarando esse canivete, ele vai acabar perdendo o corte de medo — brincou Kuro, abrindo um sorriso travesso que sempre o tornava o centro das atenções, mesmo entre os excluídos.

Tatsuyo revirou os olhos pretos, mas não conseguiu conter um meio sorriso.

— E se você não parar de agir como um idiota, Kuro, eu vou testar o corte dele na sua rede de hockey.

— Uuuuh, agressiva! — Richie gritou do canto, ajeitando os óculos de aro grosso que insistiam em escorregar pelo nariz. — Cuidado, Kuro, as águas de Derry estão calmas demais, e a Tatsu tá parecendo um vulcão prestes a entrar em erupção. Ou talvez seja só a puberdade batendo na porta com um pé de cabra.

— Cala a boca, Richie — disseram Eddie e Stan em uníssono.

Eddie estava ocupado verificando se sua bombinha de asma estava ao alcance da mão, enquanto Stan tentava organizar um maço de cartas de baralho que estavam cobertas de poeira. Bill, sentado perto da entrada, desenhava mapas nervosamente em um caderno, a mente sempre voltada para o irmão desaparecido, Georgie.

— A-a-a gente precisa focar — gaguejou Bill, apontando para as anotações de Ben espalhadas pela mesa central. — O B-B-Ben descobriu que essas coisas... esses desaparecimentos... eles a-a-acontecem em ciclos.

— É, tipo a menstruação da Beverly — Richie soltou, recebendo um tapa imediato no braço vindo da própria ruiva.

— Você é um nojento, Richie Tozier — Beverly disse, rindo apesar de si mesma. Ela se aproximou de Tatsuyo e sentou-se ao lado dela, passando o braço pelos ombros da amiga. — Ignora eles, Tatsu. Eles só estão com inveja porque você está ficando gata pra caralho e eles continuam parecendo joelhos de bode.

Tatsuyo sentiu o rosto esquentar. Ela sabia que seu corpo estava mudando. As jardineiras, que antes ficavam largas, agora marcavam sua cintura e seus quadris de um jeito que a deixava autoconsciente.

— Eu vou buscar mais refrigerante — anunciou Tatsuyo, levantando-se bruscamente. — O estoque do Mike no canto acabou.

— Eu ajudo! — Kuro fez menção de se levantar, mas Tatsuyo o empurrou de volta pelo ombro.

— Fica aí, bonitão do hockey. Eu sei onde as garrafas estão escondidas.

Ela subiu a escada de madeira e saiu pelo alçapão, deixando os oito amigos para trás na penumbra do esconderijo.

Assim que o som dos passos de Tatsuyo desapareceu na superfície, o silêncio no buraco mudou de tom. Richie foi o primeiro a se inclinar para frente, com um olhar conspiratório.

— Cara... vocês viram aquilo? — perguntou ele, a voz subindo um oitavo.

— Vimos o quê? — perguntou Mike, embora soubesse exatamente do que ele estava falando.

— A Tatsu, porra! — Richie gesticulou freneticamente no ar, desenhando curvas imaginárias. — Aquela jardineira tá pedindo socorro. A bunda dela tá ficando... redondinha. Tipo, muito redondinha.

— Richie, isso é horrível — disse Eddie, embora suas bochechas estivessem vermelhas. — Mas... é verdade. Ela não parece mais a menina que brigava com a gente no ano passado.

— Ela está maravilhosa — Beverly concordou, acendendo um cigarro escondido. — Eu disse isso pra ela. A cintura dela afinou tanto que parece que vai quebrar se a gente apertar, mas o resto... caramba.

Kuro, que geralmente era o mais falante, estava estranhamente quieto, brincando com a fita adesiva do seu taco.

— O que foi, Kuro? — Ben perguntou, percebendo o olhar distante do amigo. — Você é o melhor amigo dela. Não notou?

— É claro que eu notei, seus idiotas — rosnou Kuro, mas sem raiva real. — Eu conheço a Tatsu desde que a gente usava fralda. Mas agora... toda vez que ela passa por mim, ou quando ela se abaixa pra pegar um livro... eu sinto que meu cérebro vai derreter.

— Os peitos dela — Stan comentou baixinho, quase como se estivesse fazendo uma observação científica para não se sentir culpado. — Eles parecem... macios. Tipo, fofos.

— Stanley Uris falando de peitos! O mundo vai acabar! — Richie começou a comemorar, mas logo voltou ao assunto sério. — Mas ele tem razão. Aquela regata branca hoje é um crime contra a humanidade. Eu quase esqueci como se fala "palhaço assassino" quando ela se inclinou sobre a mesa do Ben.

Kuro apertou o taco com mais força. Em sua mente, ele conseguia imaginar exatamente o que Stan havia dito. Ele tinha uma vontade absurda, quase incontrolável, de simplesmente esticar a mão e apertar aquela maciez que a regata agora revelava com tanta clareza. Ele a chamava de "gatinha" desde os doze anos como uma piada, mas agora a palavra tinha um peso diferente.

— Ela é a nossa Tatsu — Bill disse, tentando retomar a ordem, embora seus olhos também tivessem vacilado quando ela subiu a escada. — A gente n-n-não pode ser tão babaca.

— A gente é adolescente, Bill — rebateu Richie. — Ser babaca é o nosso trabalho em tempo integral. E a Tatsu... ela é uma deusa nativa. Se o Pennywise não comer a gente, eu morro de ataque cardíaco só de olhar pra ela de short curto.

— Ela está vindo — Mike avisou, ouvindo o mato estalar lá fora.

Imediatamente, o grupo mudou de assunto. Richie começou a contar uma piada suja sobre um rabino e um padre, enquanto Ben fingia ler intensamente o livro sobre a história de Derry.

Tatsuyo desceu as escadas com um fardo de garrafas de vidro, equilibrando-o no quadril. O movimento fez com que sua jardineira se ajustasse ainda mais ao seu corpo, e o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor.

— O que foi? — perguntou ela, desconfiada, colocando as bebidas sobre a mesa. — Por que está todo mundo quieto? Richie, você perdeu a voz? Se sim, é um milagre de Natal antecipado.

— Nada, Tatsu — disse Kuro, levantando-se e pegando uma das garrafas. Ele chegou perto dela, sentindo o cheiro de sabonete e suor doce que emanava de sua pele. — A gente só estava discutindo... táticas de hockey.

— Sei — ela disse, estreitando os olhos. — E desde quando o Stan se importa com hockey?

— Eu me interesso por... aerodinâmica — Stan mentiu descaradamente.

Tatsuyo deu de ombros e sentou-se novamente. O clima de camaradagem voltou, mas havia um novo elemento no ar. Eles voltaram a falar sobre o "Incidente do Black Spot" e as anotações de Ben, mas os olhares continuavam fugindo para Tatsuyo.

— B-B-Ben, você disse que a cidade tem uma história de violência que ninguém explica — Bill retomou, sua voz firme apesar da gagueira. — As crianças somem e ninguém faz n-n-nada.

— É como se Derry quisesse que a gente esquecesse — explicou Ben, mostrando um recorte de jornal antigo. — Mas a gente não vai esquecer. O Georgie não era apenas uma estatística.

Tatsuyo sentiu um arrepio. Ela olhou para Kuro, que estava sentado ao seu lado. Ele colocou a mão sobre a dela, um gesto de conforto que eles trocavam desde pequenos, mas desta vez, o toque pareceu elétrico.

— A gente vai descobrir, Bill — disse Tatsuyo suavemente. — Todos nós juntos.

— É isso aí, gatinha — Kuro sussurrou no ouvido dela, fazendo os pelos da nuca de Tatsuyo se arrepiarem.

Richie, do outro lado da mesa, deu uma piscadela para Eddie e apontou discretamente para a mão de Kuro sobre a de Tatsuyo, depois para o quadril da garota que ainda estava em evidência na posição em que ela estava sentada. Eddie apenas balançou a cabeça, mas não desviou o olhar.

A amizade deles era o que os mantinha vivos em uma cidade que parecia querer devorá-los, mas a infância estava ficando para trás, dando lugar a algo muito mais complicado, quente e perigoso do que qualquer lenda urbana de Derry. E enquanto discutiam monstros e mapas, o verdadeiro mistério para aqueles meninos era como a pequena Tatsu tinha se transformado naquela mulher que tirava o fôlego de todos eles a cada respiração.

— Ei, Tatsu — chamou Richie, quebrando o momento de seriedade. — Se a gente for morrer por um monstro no esgoto, você promete que seu último desejo vai ser usar aquele biquíni que a Beverly disse que você comprou?

Tatsuyo pegou um pedaço de pão velho que estava sobre a mesa e atirou com precisão na cara de Richie.

— Em seus sonhos, Tozier!

— Ah, você não tem ideia do que acontece nos meus sonhos, Tatsu! — Richie gritou enquanto todos riam, aliviando a tensão que o amadurecimento trazia para o pequeno esconderijo subterrâneo.

Kuro riu junto, mas seus olhos castanhos brilharam com uma intensidade que Tatsuyo não percebeu de imediato. Ele sabia que, em Derry, as coisas mudavam rápido demais, e ele pretendia estar bem perto de sua "gatinha" quando as mudanças finalmente se completassem.

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