Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Vebgdj

Fandom: Esquadrão suicida

Criado: 11/10/2026

Tags

CrimeNoirSombrioAçãoDramaLinguagem ExplícitaViolência GráficaEstudo de PersonagemRomanceDivergência
≡ Índice

Veneno na Medida Certa

A chuva ácida de Gotham escorria pelo vidro fumê do táxi como lágrimas sujas, mas Clara mal prestava atenção no reflexo distorcido da cidade. Seus dedos tamborilavam impacientes sobre o tecido pesado do sobretudo escuro. Ela odiava aquele lugar. Odiava o cheiro de pólvora misturado com esgoto, odiava a névoa perpétua e, acima de tudo, odiava profundamente o fato de estar a caminho do único endereço que havia jurado nunca mais pisar.

Duas semanas. Fazia exatamente catorze dias que ela havia empacotado suas coisas, olhado nos olhos pintados daquele desgraçado e dito com todas as letras: "Acabou, seu psicopata de merda. Eu tenho amor à minha sanidade."

E ela tinha. Clara tinha a cabeça no lugar, um senso de autopreservação raro para quem circulava naquele submundo e nenhuma paciência para joguinhos teatrais. Aos vinte e nove anos, com seu um metro e sessenta e oito de altura e oitenta e cinco quilos distribuídos em curvas fartas, firmes e imponentes, ela nunca fora mulher de se encolher para ninguém. Nem mesmo para o rei autoproclamado do crime de Gotham. Ela era lúcida demais para o circo dele, e foi justamente por isso que pulou fora do picadeiro.

O problema era que o mundo real cobrava juros caros, e uma ponta solta daquele passado recente agora ameaçava desabar sobre a cabeça de sua irmã mais nova. Uma ameaça direta de um cartel associado que só um nome naquela cidade imunda tinha poder de pulverizar antes do amanhecer.

Ela não tinha escolha. E ter que admitir isso fazia seu sangue ferver a ponto de queimar.

O táxi parou em frente à fachada reluzente da boate mais barulhenta do centro. Neon roxo e dourado cortavam a escuridão, refletindo nas poças d’água da calçada. O som grave do baixo pulsava tão forte que Clara podia sentir as batidas no próprio esterno antes mesmo de abrir a porta do carro.

Ela desceu sem hesitar, ajeitando a gola do casaco. Os saltos grossos de suas botas batiam com firmeza contra o asfalto molhado. O segurança na entrada VIP — um brutamontes novo, com o pescoço tatuado e que claramente não estava ali há duas semanas — deu um passo à frente com o braço estendido para barrá-la.

Clara nem diminuiu o passo.

— Sai da minha frente antes que eu arranque esse dente de ouro da sua boca com o salto da minha bota — disparou ela, a voz cortante e baixa, mas carregada de uma autoridade tão violenta que o homem hesitou por um segundo crucial.

Foi o suficiente. Ela empurrou o braço dele com o ombro, avançando pelas cortinas de veludo e invadindo o corredor privativo. O cheiro de tabaco caro, champanhe e perigo preencheu suas narinas. Ela conhecia cada centímetro daquela toca dos infernos. Sabia exatamente qual porta levava aos cofres, qual levava às salas de tortura e qual dava no mezanino blindado onde ele costumava fingir que fazia negócios enquanto brincava com a vida alheia.

Subindo a escada de ferro aos passos largos, Clara sentia o ódio subir pela garganta como bile. Suas mãos estavam quentes, o coração disparado pela pura raiva de estar ali.

No topo da escadaria, duas portas duplas de mogno escuro separavam o barulho ensurdecedor da pista de dança da sala de reuniões particular. Havia dois homens de terno com metralhadoras em punho guardando a entrada. Quando a viram se aproximar como um vendaval, levaram as mãos às armas, mas Clara foi mais rápida: ela chutou uma das folhas da porta com força suficiente para fazer a madeira estalar e ecoar pelo espaço cavernoso.

A porta se abriu com um estrondo estridente.

Lá dentro, a cena congelou. O ambiente tinha pouca luz, cortada apenas por luminárias baixas e a fumaça espessa de charutos. Ao redor de uma mesa de vidro maciço, três chefes de gangues locais estavam sentados, com feições petrificadas de terror diante de contratos manchados de sangue.

E na cabeceira, relaxado como um imperador decadente em um trono de couro roxo, estava ele.

O Coringa vestia uma camisa de seda vinho entreaberta, exibindo as tatuagens caóticas no peito pálido. Os anéis dourados reluziam em suas mãos esguias enquanto ele girava uma adaga de prata entre os dedos. O cabelo verde neon estava jogado para trás, e a pele excessivamente branca destacava as olheiras fundas e o sorriso metálico.

No segundo em que a porta foi arrombada, os soldados dele que estavam nas sombras da sala reagiram por puro reflexo. Quatro homens deram um passo à frente, erguendo rifles automáticos e pistolas de grosso calibre diretamente na direção do peito de Clara. O som metálico das travas de segurança sendo destravadas estalou no ar.

Clara nem sequer piscou para o cano preto apontado a trinta centímetros de seu nariz. Aquilo foi apenas a gota d'água no oceano de fúria que ela vinha acumulando durante todo o trajeto.

Ela deu um passo adiante, empurrando o cano do rifle para o lado com a palma da mão espalmada, e cravou os olhos flamejantes diretamente no palhaço na cabeceira.

— Manda esses teus cachorros de merda abaixarem essas armas agora, seu pedaço de lixo desgraçado! — rugiu Clara, a voz ecoando com uma potência que fez os engravatados na mesa encolherem os ombros. — Você tem cinco segundos antes que eu pegue esse ferro e enfie na sua garganta até sair pelo outro lado, tá me ouvindo, Coringa?!

O silêncio na sala foi absoluto por uma fração de segundo. Ninguém nunca, em sã consciência, falava naquele tom dentro daquelas quatro paredes. Os mafiosos trocaram olhares apavorados, esperando que o chefe simplesmente abrisse a garganta da intrusa ali mesmo.

Mas o que aconteceu em seguida fez o ar congelar de uma forma totalmente diferente.

O Coringa soltou a adaga de prata sobre a mesa de vidro. O metal tilintou suavemente. Os olhos dele, que segundos antes estavam mortos de tédio e psicopatia, dilataram-se em uma centelha elétrica e maníaca. Ele piscou uma, duas vezes, como se estivesse vendo uma miragem deliciosa se materializar na sua frente.

Então, os lábios vermelhos se esticaram em um sorriso rasgado, revelando a grade de prata reluzente.

Ele jogou a cabeça para trás e gargalhou.

Era uma risada histérica, vibrante, que começou baixa na garganta e explodiu pela sala inteira, ecoando contra o vidro blindado. Ele riu até que lágrimas brotassem nos cantos dos olhos escuros, batendo a palma da mão na mesa repetidas vezes, claramente em êxtase.

— Ah, puta que pariu… — murmurou ele em meio aos espasmos de riso, levantando-se devagar do sofá.

O segurança ao lado de Clara, confuso com a reação do chefe e ainda tenso, manteve a arma semi-erguida.

O riso do Coringa cessou em um piscar de olhos, o rosto transformando-se em uma máscara de pura fúria homicida.

— Abaixa essa porra agora — sibilou ele para o capanga, a voz caindo para um registro gutural e aterrorizante. — Se você encostar um único dedo nela, se apontar esse pedaço de metal enferrujado pra mulher da minha vida outra vez, eu arranco os seus olhos com uma colher de sobremesa e faço você engolir. Entendeu?

O soldado empalideceu instantaneamente, baixando o rifle e recuando dois passos trôpegos.

— F-foi mal, chefe…

— Fora! — gritou o Coringa de repente, estalando os dedos com violência. Ele olhou para os homens de negócios engravatados, que pareciam prontos para desmaiar. — A reunião acabou! Peguem a merda dos seus papéis e sumam daqui antes que eu decida usar o sangue de vocês pra limpar o chão! Saiam! Todos vocês!

Foi uma debandada em massa. Homens armados e mafiosos tropeçavam uns nos outros para alcançar a saída secundária, desesperados para fugir do campo de visão daquele homem instável. Em menos de vinte segundos, a sala estava vazia.

Apenas os dois sobraram.

Clara permaneceu exatamente onde estava, parada no meio do tapete felpudo, os braços cruzados sobre o busto farto, os pés bem plantados no chão. Ela respirava fundo, o peito subindo e descendo com força sob o sobretudo que ela nem se deu ao trabalho de tirar.

O Coringa deu a volta na mesa, movendo-se com a elegância sinuosa de uma pantera branca. O sorriso havia voltado, mas agora não era maníaco — era possessivo, faminto, quase reverente. Seus olhos desceram sem qualquer pudor pelo corpo dela, apreciando a curva dos quadris largos, a firmeza das coxas sob a calça escura, o formato desenhado de seus lábios tensos. Ele lambeu os próprios lábios devagar.

— Clara… — ele suspirou o nome dela como se fosse uma prece profana. — Olha só pra você.

— Não começa, palhaço — retrucou ela entre dentes, os olhos faiscando. — Eu não vim aqui pra ver esse seu showzinho patético.

Ouvir os insultos dela só fez o brilho nos olhos dele queimar com mais força. Ele deu mais um passo, parando a pouco mais de um metro de distância. Ele adorava a altura dela. Gostava de como ela não precisava levantar muito o queixo para encará-lo de igual para igual.

— Duas semanas — disse ele, a voz tornando-se suave, rouca, carregada de uma mágoa distorcida. — Catorze dias inteiros sem o som da sua voz, boneca. Catorze noites olhando pro teto daquela porra de cobertura vazia. Você sabe o que é isso pra mim? Foi uma tortura. Uma tortura deliciosa, mas um inferno puro.

— Foi pouco tempo. Eu devia ter sumido por dois anos — disparou ela, sem recuar um milímetro. — E agora eu piso aqui e seus capangas de quinta categoria acham que têm moral pra apontar fuzil na minha cara? Você anda escolhendo muito mal seus lixeiros, Coringa.

Ele deu mais uma risada curta e deliciada, dando mais meio passo. A distância entre eles evaporava. O cheiro dele a atingiu em cheio: colônia importada, pólvora e aquele almíscar masculino que costumava deixá-la desnorteada.

— Você xingando é a coisa mais linda desse mundo — disse ele, inclinando a cabeça para o lado, os olhos brilhando intensamente. — Porra, Clara… Você não faz ideia do tesão que você me dá quando tá puta desse jeito.

— Vai pro inferno!

— Eu já tô nele desde que você fez as malas e bateu aquela porta na minha cara — rebateu ele sem hesitar, estendendo a mão pálida, com os dedos carregados de anéis pesados, tentando tocar a lapela do casaco dela.

Clara bateu na mão dele com força, afastando o toque com um estalo seco.

— Não toca em mim. Eu não sou mais seu brinquedo, e você sabe muito bem disso. Se eu tô aqui, é por um motivo muito sério, e você é a última pessoa no planeta que eu queria ver.

O Coringa recolheu a mão, mas não pareceu nem um pouco ofendido. Pelo contrário. Ele esfregou os nós dos dedos onde ela havia batido, sentindo a ardência com um prazer doentio. Ele preferia mil vezes a dor e o ódio dela do que o silêncio fúnebre das últimas duas semanas. O silêncio quase o deixara realmente louco — e não a loucura divertida, mas a vazia, que drenava a vida de suas veias.

— Fala comigo, então — pediu ele em um tom que beirava a súplica, embora a arrogância nunca abandonasse completamente seu rosto. — Briga comigo. Me bate se você quiser, quebra essa sala inteira na minha cabeça. Só não fica quieta. Eu odeio quando você fica calada.

Clara revirou os olhos, soltando uma expiração pesada pelo nariz, tentando manter a pulsação sob controle. Era sempre assim. Lidar com ele exigia o triplo da energia de lidar com uma pessoa comum. Ele se alimentava do caos, e ela era a única mulher capaz de desestabilizá-lo simplesmente existindo.

— Você é doente. Completamente biruta — disse ela, cruzando os braços novamente e encarando-o com uma firmeza inabalável. — Eu saí daquela casa porque eu tenho juízo. Porque eu tenho uma vida que não depende de tiroteio na esquina toda terça-feira. Eu não nasci pra ser a vadia de circo de ninguém.

— Você nunca foi vadia de ninguém — corrigiu ele na mesma hora, o tom tornando-se duro e protetor. Ele apontou um dedo para o peito dela. — Você é a minha rainha, Clara. A única mulher que já colocou o dedo na minha cara e saiu respirando. A única que eu deixo falar o que bem entende.

— Pois guarde sua coroa de lata pra quem quiser, porque eu tô fora — retrucou ela, sem paciência. — Mas tem um bando de vermes do East End que não entendeu o recado. Eles acham que, só porque eu mandei você pastar, a minha família virou alvo fácil pra cobrança de dívida de jogo que nem é minha.

A expressão do Coringa mudou instantaneamente. A postura provocadora e o deboche sumiram em um milésimo de segundo. As sobrancelhas verdes se arquearam, e a frieza assassina que fazia chefões do crime mijarem nas calças tomou conta de suas feições.

— Quem? — perguntou ele, a voz descendo uma oitava, tornando-se perigosamente mansa.

— A turma do Falcone. Eles cercaram o carro da minha irmã hoje de manhã na saída do hospital. Falaram que eu sabia demais e que você não ia se importar se eles cobrassem um "pedágio" da minha família pra manter a boca fechada.

Ouvir aquilo fez o Coringa fechar os punhos com tanta força que os anéis cravaram na própria pele. Ele deu um passo para trás, passando as duas mãos pelo cabelo verde, respirando fundo em um chiado contido. Seus olhos varreram a sala vazia, calculando a violência necessária para desmembrar uma dúzia de homens antes do amanhecer.

— Eles acham que eu não me importo? — murmurou ele, quase para si mesmo, antes de soltar uma risadinha seca e maníaca. — Eles acham que porque a minha mulher tá brava comigo, eu deixei de ser o dono dessa cidade imunda?

— Eu não sou sua mulher — Clara pontuou de imediato, a lucidez intransigente cortando a ilusão dele. — Não se confunda. Eu vim aqui porque eu sei que isso começou por causa da merda do seu nome respingando na minha vida. Eu não vou deixar a minha irmã pagar o pato pelas loucuras que você cria. Você limpa essa bagunça. Agora.

O Coringa parou os passos erráticos e voltou a olhar para ela. Havia uma adoração profunda e quase patética brilhando nos olhos dele. Ele deu dois passos rápidos para frente, encurtando o espaço entre eles até que a ponta dos sapatos dele tocasse as botas dela.

Ele era alto, mas Clara não recuou um centímetro, mantendo o queixo erguido e os olhos cravados nos dele. O corpo dela, macio e volumoso sob o casaco, emanava um calor que o atraía irresistivelmente.

— Eu vou matar cada um deles, Clara — disse ele, a voz rouca, quase num sussurro apaixonado, descendo os olhos para os lábios carnudos dela. — Vou queimar aquele armazém com todo mundo dentro antes das quatro da manhã. Vou pendurar a cabeça do Falcone na ponte de Gotham se você me pedir.

— Eu não tô te pedindo um massacre romântico, seu idiota — ela retrucou, mantendo a voz firme apesar da proximidade perigosa. — Eu tô mandando você resolver a merda que você atraiu pra cima de mim. Só isso. Depois disso, você volta pro seu canto e eu volto pro meu.

O Coringa soltou um som baixo na garganta, meio riso, meio gemido de frustração excitada. Ele ergueu as mãos, mantendo-as no ar, a centímetros do rosto dela, resistindo com todas as forças ao impulso de agarrar a nuca dela e puxá-la para um beijo desesperado.

— Você pode fugir o quanto quiser, Clara — disse ele, com um sorriso desafiador e repleto de promessas obscuras. — Pode ficar brava, pode me mandar pro inferno dez vezes por dia. Mas você veio até mim. Quando o bicho pegou, foi na minha porta que você bateu.

— Porque você é a porra do problema, e às vezes a gente precisa do veneno pra matar o rato! — disparou ela, dando um empurrão firme no peito dele para forçá-lo a se afastar.

Ele tropeçou um passo para trás com o impacto, mas não tirou os olhos dela. Pelo contrário: abriu os braços com um sorriso de pura vitória estampado na boca manchada de tinta.

— E eu sou o seu veneno favorito, meu amor — riu ele, piscando um dos olhos com descaramento absoluto. — Fica aqui. Senta aí naquele sofá, toma uma taça do melhor champanhe que o dinheiro roubado pode comprar. Eu vou ali fora matar uns filhos da puta pra te deixar segura, e quando eu voltar… a gente conversa sobre a sua volta pra casa.

Clara ajeitou o casaco com uma dignidade impecável, virando-se de costas para ele em direção à porta arrombada.

— Eu não vou ficar aqui nem mais trinta segundos — respondeu ela por cima do ombro, a voz gélida e inabalável. — Eu tô indo pra casa. E se você aparecer na minha janela, eu atiro no seu nariz com a pistola que eu sei que você esqueceu debaixo da minha cama.

Ela começou a andar em direção à saída, os quadris largos balançando com um ritmo natural, firme e pesado que prendia os olhos do homem atrás dela como um ímã irresistível.

O Coringa mordeu o lábio inferior, sentindo o gosto metálico do próprio sangue, observando-a marchar para fora de sua boate como se fosse a dona do lugar. Ele não a impediu. Não agora.

Ele sabia que ela estaria viva, segura e sã. E enquanto ela continuasse viva e furiosa com ele, ele teria um motivo para incendiar aquela cidade inteira.

— Amanhã eu te ligo, gostosa! — gritou ele pelo corredor, rindo alto enquanto a via mostrar o dedo do meio no ar antes de desaparecer na escadaria.

O Coringa soltou um longo suspiro satisfeito, passando a mão pelos cabelos verdes e virando-se para o interfone da parede. O sorriso sumiu, dando lugar aos dentes trincados de uma besta faminta.

— Tragam o meu casaco roxo e o lança-chamas — ordenou ele pelo rádio, a voz cortando o silêncio como uma lâmina fria. — Hoje o papai vai trabalhar feliz.

≡ Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic

Novidades do Fanfy

Um novo modelo para suas histórias

Atualizamos o modelo de geração para deixar suas histórias ainda melhores. O novo modelo já está ativado.

Se preferir a versão anterior, escolha «Anterior» no menu do perfil: clique no seu avatar no canto superior direito.

Seus capítulos já escritos serão mantidos. Sua escolha vale para as próximas gerações.