
Teoria e Prática
A risada estridente das duas garotinhas no andar de baixo era o único som que preenchia a casa espaçosa. Hana e Mia, ambas com seis anos de idade e uma imaginação infinita, estavam completamente entretidas espalhando bonecas e lápis de cor pelo tapete da sala. Tatsuyo observava a cena da ponta da escada, ajeitando a alça da mochila no ombro e torcendo a barra da própria blusa com os dedos inquietos.
Com seus um metro e sessenta e três de altura, pele parda e longos cabelos pretos, lisos mas com ondas suaves que batiam na altura da cintura, ela parecia ainda menor perto da figura encostada no batente da cozinha.
Kuro estava ali, imóvel, observando-a.
Ele tinha dezoito anos, ostentava um metro e oitenta de pura presença física, ombros largos moldados pelos treinos exaustivos de hóquei no gelo, a pele clara contrastando com o cabelo branco, curto e repicado, e olhos castanhos tão escuros que pareciam queimar quando focavam nela. Sob a camiseta cinza ligeiramente justa, o contorno do abdômen definido era evidente, a personificação do atleta popular e intocável do colégio.
E também o garoto que passava os dias no colégio infernizando a vida de Tatsuyo.
— Vai ficar parada aí com essa cara de quem viu um fantasma, quatro-olhos? — Kuro quebrou o silêncio, a voz rouca carregada daquele tom provocador habitual, embora a ponta de suas orelhas estivesse estranhamente avermelhada. — As meninas não vão sair da sala tão cedo. Se você ficar plantada no meio do caminho, vai acabar caindo da escada com essa sua falta de jeito.
Tatsuyo apertou os lábios, sentindo o coração acelerar. Ela o conhecia bem demais para se deixar abalar por completo, mas a proximidade forçada sempre mexia com suas defesas.
— Eu só estava vendo se elas precisavam de alguma coisa — rebateu ela em voz baixa, os olhos pretos e tímidos desviando do peitoral dele. — E eu não sou desajeitada.
— É sim. Esquisita e estabanada — retrucou ele, passando por ela e subindo os degraus em passos largos, o perfume amadeirado deixando um rastro inconfundível. No topo da escada, ele virou a cabeça de lado, sem olhar diretamente para ela. — Sobe logo. O treino de hoje acabou comigo e eu não vou ficar mofando na sala. Você pode fingir que estuda no meu quarto enquanto elas brincam.
Tatsuyo hesitou por dois segundos antes de segui-lo. Por trás de toda a casca de garoto rude, das piadas ácidas nos corredores da escola e do apelido constante de "nerd esquisita", ela sabia. Sentia no ar a tensão que faiscava toda vez que ele a encurralava contra os armários, notava a respiração descompassada dele quando ficavam perto demais e conhecia o próprio peito apertado de quem também nutria uma paixão secreta e quase masoquista pelo capitão do time de hóquei.
O quarto de Kuro era espaçoso, decorado em tons escuros, com tacos e patins encostados num canto e uma cama de casal desarrumada ao centro. Assim que Tatsuyo passou pela porta, o som do clique da tranca ecoou pelo ambiente.
Ela girou nos calcanhares, sobressaltada.
— Por que você trancou?
Kuro não respondeu de imediato. Ele deu um passo à frente, encurtando o espaço entre os dois de uma forma predadora. O olhar castanho ardia, despido de qualquer zombaria escolar. Restava apenas uma fome crua, acumulada durante meses de provocações vazias que serviam apenas para mascarar o desespero de tê-la por perto.
— Porque eu cansei — murmurou ele, a voz descendo uma oitava, rouca e pesada.
— Cansou de quê? — Tatsuyo recuou meio passo, as costas encontrando a madeira sólida da porta fechada.
— De fingir que não quero arrancar essa sua roupa toda vez que você passa por mim no corredor — disparou Kuro, sem qualquer filtro, a respiração batendo contra o rosto dela. — De agir como um idiota só para você olhar para mim, mesmo que seja com raiva.
Antes que Tatsuyo pudesse processar o impacto daquelas palavras, a mão grande e calejada de Kuro segurou sua mandíbula com firmeza. Ele inclinou a cabeça e colou suas bocas sem qualquer aviso.
Não foi um beijo gentil. Foi agressivo, desesperado, quase violento na intensidade. Kuro a prensou contra a porta com o peso do próprio corpo, usando a força que tinha de sobra para mantê-la onde queria. Seus lábios tomaram os dela com uma urgência sufocante, a língua invadindo sem pedir licença, mordiscando seu lábio inferior com uma fome que beirava a brutalidade. Ele gemia contra a boca dela, os dedos afundando nos longos cabelos pretos de Tatsuyo, puxando de leve para expor mais o pescoço dela.
Tatsuyo soltou um gemido abafado, mas não recuou. Pelo contrário: suas mãos subiram pelo peito dele, agarrando o tecido da camiseta de Kuro, correspondendo àquele ataque com uma firmeza inesperada. Ela sentiu o coração do rapaz martelando contra a caixa torácica em um ritmo descontrolado, quase frenético.
Quando ele finalmente partiu o beijo em busca de ar, os lábios de ambos estavam vermelhos e inchados. Kuro a encarava com os olhos arregalados, o peito subindo e descendo com violência, a respiração ruidosa.
— Você fala demais, Kuro — sussurrou ela, as bochechas coradas pela timidez natural, mas com um brilho desafiador nos olhos escuros.
Com um rosnado baixo, ele puxou a própria camiseta pela gola e a jogou no chão. A visão fez a boca de Tatsuyo secar: a pele clara, os músculos dos ombros e dos braços perfeitamente desenhados, e o abdômen tão trincado quanto as fofocas do colégio afirmavam. Um espécime impecável.
Kuro avançou novamente, puxando a blusa de Tatsuyo com dedos que, estranhamente, tremiam. Ele se atrapalhou na barra da peça, puxando com força desajeitada, quase rasgando a costura.
— Droga... — resmungou ele, irritado consigo mesmo, o rosto ficando vermelho.
Tatsuyo franziu o cenho de leve, mas ajudou-o, desvencilhando-se da roupa com calma e elegância. Ficando apenas de sutiã rendado, ela viu Kuro estacar no lugar. O garoto popular, o brutamontes do rinque de gelo, parecia ter congelado diante do corpo esguio e macio da garota. As mãos dele desceram para o fecho do sutiã e travaram. Ele puxou, tentou soltar o gancho, empurrou com o polegar, mas não conseguiu abrir.
A frustração nos olhos castanhos dele era quase cômica.
— Kuro — chamou ela baixinho.
— Fica quieta, essa porcaria de fecho tá emperrado — rosnou ele, puxando o tecido com mais força do que o necessário, a respiração curta revelando um nervosismo absurdo.
Tatsuyo ergueu as mãos pequenas e segurou os pulsos fortes dele, afastando-o com cuidado. Com um movimento rápido para trás, ela abriu o fecho sem esforço e deixou a peça cair no tapete. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Kuro engoliu em seco, os olhos fixos nela, o pomo de adão subindo e descendo. Ele parecia um cervo preso nos faróis de um carro.
— Você nunca fez isso, né? — perguntou Tatsuyo, a timidez dando lugar a um sorriso genuíno e divertido.
Kuro franziu as sobrancelhas, a pele clara queimando em um tom escarlate humilhante.
— O quê? Tá louca? Eu sou o capitão do time, eu posso ter quem eu...
— Você nunca transou com ninguém — constatou ela, com uma segurança que o desarmou por completo. — Kuro, você tá tremendo.
— Cala a boca — resmungou ele, desviando o olhar, constrangido até o último fio de cabelo branco. — Eu só... nunca achei ninguém que eu quisesse de verdade. E você fica aí agindo como se soubesse de alguma coisa, sua nerd esquisita.
Tatsuyo riu baixo, um som suave que fez o estômago de Kuro revirar de uma maneira completamente nova.
— Acontece que eu sei — disse ela, dando um passo à frente e empurrando o peito musculoso dele com as palmas das mãos, fazendo-o recuar até que a dobra dos joelhos dele batesse na beirada da cama.
Kuro caiu sentado no colchão, olhando para cima com uma mistura de choque e fascínio enquanto Tatsuyo se aproximava. A garota tímida de voz suave da sala de aula parecia ter ficado do lado de fora da porta trancada. Ela desabotoou o short dele com agilidade treinada, puxando o jeans e a cueca para baixo sem qualquer hesitação, deixando-o completamente exposto.
Kuro soltou um arquejo quando o ar frio atingiu sua pele, mas antes que pudesse formular qualquer pensamento coerente, Tatsuyo já havia se livrado do restante de suas roupas.
Sem pedir permissão, ela ergueu uma perna sobre as coxas musculosas dele e sentou-se em seu colo, encaixando-se perfeitamente de frente para ele. A pele quente e parda dela contra a pele clara e arrepiada dele criava um contraste visual que fez a cabeça de Kuro rodar.
— O que você... o que a gente vai fazer? — gaguejou ele, as mãos grandes pairando no ar, incertas sobre onde pousar.
— Minha posição favorita primeiro — murmurou ela no ouvido dele, a voz suave carregada de uma malícia que Kuro jamais imaginou existir nela. — Coloca as mãos na minha cintura.
Kuro obedeceu imediatamente, como um soldado recebendo ordens do seu general. Suas mãos firmaram-se nas curvas macias dos quadris de Tatsuyo, a pegada possessiva, embora seus dedos ainda tivessem aquele resquício de hesitação.
Tatsuyo levou uma das mãos até a intimidade de Kuro, alinhando-o à sua própria entrada úmida. O contato inicial fez o rapaz jogar a cabeça para trás, fechando os olhos com força e soltando um gemido rouco e quebrado.
— Olha pra mim, Kuro — ordenou ela, descendo o próprio corpo com lentidão calculada.
Quando ele abriu os olhos, encontrou o olhar preto e intenso dela. A sensação de ser preenchida por ele foi avassaladora, fazendo Tatsuyo morder o lábio e respirar fundo para se acomodar ao tamanho avantajado do atleta. Kuro, por sua vez, parecia prestes a enlouquecer. A boca dele se abriu em um som mudo, os músculos do abdômen se contraíram como pedras e as unhas dele quase perfuraram a pele da cintura dela.
— Porra... Tatsuyo... — gemeu ele, a voz falhando miseravelmente. — É apertado demais... eu não...
— Respira — instruiu ela com calma, pousando as mãos nos ombros largos dele, sentindo cada músculo tenso. — Eu tenho o controle aqui. Só segura firme.
Tatsuyo começou a se mover. Ela erguia o quadril devagar e descia com precisão, rebolando suavemente no topo dele, encontrando o ângulo exato que a fazia arrepiar da cabeça aos pés. Kuro parecia em transe. Ele não sabia que ritmo seguir, então apenas mantinha o aperto de ferro na cintura dela, enterrando o rosto na curva do pescoço cheiroso de Tatsuyo, respirando o aroma dela enquanto o prazer o consumia em ondas brutais.
— Você é linda demais, sabia? — desabafou Kuro de repente, sem conseguir mais segurar as palavras, a boca contra a pele quente dela. — Eu passei o ano inteiro querendo morrer toda vez que outro cara chegava perto de você. Eu sou um idiota.
Tatsuyo gemeu alto com a fricção, os dedos cravando nas costas largas dele.
— Você é um idiota completo — concordou ela entre arquejos —, mas agora você é o meu idiota.
Ela acelerou o ritmo no colo dele, subindo e descendo com uma maestria que levou Kuro à beira do abismo. Ele tentou empurrar o quadril para cima para acompanhar, mas a falta de jeito o traiu, fazendo um movimento descoordenado que arrancou uma risadinha ofegante de Tatsuyo.
— Não precisa tentar adivinhar — disse ela, parando por um instante e afastando o rosto para encará-lo. Ela deslizou do colo dele, desfazendo a união com um estalo úmido que arrancou um protesto imediato do rapaz.
— Ei, por que parou?! — reclamou ele, os olhos castanhos em chamas.
— Deita — comandou ela, empurrando-o de leve pelos ombros e subindo na cama logo em seguida. — A minha outra favorita. Eu deitada e você por cima.
Kuro piscou, confuso, mas obedeceu. Tatsuyo se deitou no colchão macio, os longos cabelos pretos espalhados como um leque sobre o lençol escuro, as pernas abertas convidativamente. A visão arrancou qualquer resquício de racionalidade da mente do jogador de hóquei.
Ele engatinhou sobre ela, cobrindo o corpo menor com o seu. O peso dele era firme, reconfortante, e Tatsuyo suspirou de alívio ao sentir o calor masculino cobrindo-a por completo.
— E agora? — sussurrou ele, os braços flexionados ao lado da cabeça dela, sustentando a maior parte do próprio peso com facilidade, a musculatura desenhada em relevo sobre ela.
— Agora você entra de novo — instruiu ela, puxando-o pelos quadris com os calcanhares. — E usa essa força toda que você gasta no rinque, mas devagar. Deixa eu te mostrar o ritmo.
Kuro deslizou para dentro dela mais uma vez, um encaixe tão profundo que fez os dois fecharem os olhos em uníssono, compartilhando o mesmo gemido sôfrego. Ela envolveu as pernas ao redor da cintura musculosa dele, prendendo-o junto a si.
— Assim — guiou ela com a voz entrecortada, balançando os quadris contra os dele. — Vai, Kuro... empurra.
Livre da necessidade de controlar a situação, Kuro finalmente encontrou seu instinto. Ele apoiou as mãos espalmadas no colchão e começou a se mover. As primeiras investidas foram tímidas, quase inseguras, temendo machucá-la com o próprio peso, mas Tatsuyo respondia a cada estocada com gemidos manhosos que serviam como combustível puro.
— Mais forte — pediu ela, arqueando as costas para encontrar o impacto dele. — Não precisa ter medo de quebrar nada.
A provocação acendeu a fagulha final no atleta. Kuro trincou o maxilar e acelerou o ritmo. O som das peles colidindo com força começou a preencher o quarto, acompanhado pelo ranger suave da madeira da cama. Ele usava a força dos braços e das pernas para mergulhar fundo, acertando exatamente onde Tatsuyo precisava, a sensação de preenchimento deixando a mente dela em curto-circuito.
— Tatsuyo... olha pra mim — pediu ele, a voz entrecortada, os fios brancos do cabelo colados na testa pelo suor.
Ela abriu os olhos marejados de prazer. Kuro a encarava com uma adoração tão pura, tão despida da armadura de valentão, que o peito de Tatsuyo aqueceu mais do que o próprio corpo. Ele era agressivo no ritmo, potente na força física, mas os olhos buscavam confirmação, querendo garantir que ela estivesse sentindo o mesmo turbilhão que ele.
— Eu tô perto... — avisou ela, a respiração entrecortada, arranhando os ombros largos dele.
— Vai comigo — pediu ele, abaixando-se para beijar o pescoço dela com força, sugando a pele enquanto aumentava a intensidade das estocadas.
O clímax atingiu Tatsuyo como uma tempestade súbita, contraindo suas paredes internas ao redor dele com tanta força que arrancou um grito sufocado de Kuro. O aperto espasmódico dela foi o gatilho final que ele não conseguiu conter; com um último impulso desesperado e profundo, Kuro desmoronou sobre ela, soltando um gemido gutural contra a curva do ombro de Tatsuyo enquanto se derramava por completo.
O quarto voltou a mergulhar no silêncio, quebrado apenas pelo som pesado das duas respirações descompassadas.
Kuro permaneceu deitado sobre ela por longos minutos, o peso de seu corpo musculoso aconchegado ao dela. O coração do garoto batia tão rápido contra o seio de Tatsuyo que parecia querer escapar. Lentamente, ela começou a acariciar os fios brancos e espetados da nuca dele, sentindo-os macios entre os dedos.
— Ei — murmurou ela, com a voz rouca e preguiçosa. — O capitão do time vai ficar todo manhoso agora?
Kuro ergueu a cabeça devagar, os olhos castanhos semicerrados, a expressão dividida entre a exaustão, o constrangimento e uma felicidade que ele não conseguia disfarçar.
— Cala a boca, nerd — respondeu ele, embora não houvesse pingo de veneno no tom. Ele deslizou para o lado, puxando o lençol para cobrir os dois e trazendo Tatsuyo para o seu peito com um puxão possessivo. — Você me enganou direitinho. Anda por aí com essa carinha de santa que só lê livros, e na verdade sabe mais do que qualquer um.
Tatsuyo apoiou o queixo no peitoral dele, sorrindo abertamente, sem a menor vergonha agora.
— A teoria é importante, Kuro. Mas eu também sei a prática — brincou ela, passando a ponta do indicador pelo tanquinho dele. — Já você... muito músculo e pouca experiência. Mas você aprende rápido.
Kuro revirou os olhos, mas não conseguiu conter um sorriso de canto, o primeiro sorriso verdadeiramente genuíno que ela já o vira dar. Ele puxou a mecha longa de cabelo preto que caía no rosto dela e a prendeu atrás da orelha pequena.
— Na próxima vez, eu já vou saber o que fazer — prometeu ele em tom baixo, beijando a testa dela com uma ternura que desarmou qualquer resposta cínica. — E vai ter próxima vez. Muitas.
Do andar de baixo, o som de passos miúdos correndo e uma risada infantil ecoaram pelo corredor, lembrando-os da realidade do outro lado da porta trancada.
Tatsuyo riu baixinho contra o peito dele, sentindo-se segura no abraço firme do garoto que fingia ser durão.
— É melhor você começar a praticar, então, capitão. Porque eu não facilito para ninguém.
Kuro apenas apertou o abraço ao redor dela, fechando os olhos com um suspiro satisfeito, finalmente em paz no único lugar onde sempre quis estar.
