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Lorna !!:3

Fandom: Terrible Mouse

Criado: 12/10/2026

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Horror de SobrevivênciaPós-ApocalípticoAçãoHumorCrack / Humor ParódicoExperimentação HumanaSombrioAventura
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Diagnóstico de um Coração Acelerado

O cheiro pungente de desinfetante hospitalar e ferro enferrujado ardia nas narinas de Luke a cada respiração entrecortada. A sola de seus sapatos pretos derrapava no piso de linóleo encardido, ecoando freneticamente pelo corredor escuro do hospital abandonado. Ao seu lado, Robbie corria tropeçando nos próprios pés, ofegante, o desespero estampado em cada linha de sua expressão.

Atrás deles, porém, o som era infinitamente pior.

Não era apenas o clique ritmado de garras afiadas contra o chão úmido. Era a risada. Uma gargalhada aguda, estridente e desprovida de qualquer vestígio de sanidade, ricocheteando nas paredes descascadas como uma canção de ninar distorcida.

— Venham cá, meus pequenos pacientes! — a voz cantada de Lorna reverberava pelo vazio, carregada de uma doçura sádica. — O procedimento ainda nem começou! Uma incisãozinha aqui, outra ali... Prometo que não vai doer nada além do insuportável!

Luke puxou o gorro azul mais para baixo, sentindo as abas pontudas roçarem em suas orelhas quentes pelo esforço físico. Seus olhos cinzentos faiscavam de desconfiança e tensão. Ele já tinha sido traído uma vez, abandonado para levar a culpa por um crime terrível cometido por outros que se diziam seus parceiros; aprendera da pior maneira possível a não confiar em ninguém. Mas ali, preso naquele pesadelo vivo, tudo o que restava a ele era sobreviver e puxar Robbie pela manga para mantê-lo vivo.

— Ali! Entra ali, anda! — sibilou Luke, empurrando Robbie em direção a uma porta entreaberta marcada com uma placa desbotada de "Sala de Esterilização".

Os dois rapazes se jogaram para dentro da sala escura. Luke bateu a porta de madeira pesada e correu a tranca enferrujada, apoiando as costas contra o batente. Seu peito subia e descia violentamente sob a blusa bege de gola alta, onde o gato preto estampado parecia tão assustado quanto os próprios ocupantes do quarto. O canino afiado de Luke mordiscava seu lábio inferior com força, visível mesmo com a boca quase cerrada, enquanto o suor frio escorria pelas sardas e pelos arranhões de seu rosto.

— Cala a boca e não faz barulho — sussurrou Luke, encarando Robbie na penumbra.

Robbie levou as mãos à boca, tentando sufocar as lufadas ruidosas de ar. A sala cheirava a mofo, frascos de vidro quebrados e gaze apodrecida. Por alguns segundos que pareceram horas, o único som foi o zumbido monótono de uma lâmpada fluorescente moribunda pendurada no teto.

Então, os passos pararam exatamente do lado de fora.

O silêncio que se seguiu foi asfixiante.

— Eu sei que vocês estão aí dentro... — a voz sussurrada de Lorna surgiu colada à fresta da porta, doce, melíflua e aterradora. — Ratos sempre correm para os cantos mais escuros quando o predador se aproxima. Mas esqueceram que eu conheço muito bem o cheiro do medo?

Antes que Luke pudesse processar o aviso, um estrondo colossal despedaçou a madeira ao redor da fechadura.

A porta foi arrombada com uma violência grotesca, lascas voando em todas as direções quando a lâmina pesada de uma ferramenta cirúrgica arrebentou o trinco. Uma risada histérica explodiu na escuridão.

Lorna entrou no cômodo com passos deliberados e teatrais. A luz fraca e bruxuleante banhou sua figura bizarra e impecavelmente aterrorizante. Sua pelagem era branca como a neve recém-caída, criando um contraste macabro com o ambiente imundo. Dois coques baixos de cabelo cor de creme repousavam sobre seus ombros tensos, emoldurando um rosto que ostentava um nariz rosa em formato perfeito de coração e dois círculos rosados nas bochechas que simulavam uma timidez infantil. No topo da cabeça, a pequena touca branca com uma cruz vermelha escura permanecia perfeitamente equilibrada.

Mas não havia nada de dócil em seus olhos. A esclera amarela brilhava na penumbra, envolvendo íris negras e pupilas brancas pontiagudas, que se dilataram de pura euforia predatória ao fixarem em Luke e Robbie encurralados contra um armário de metal. Suas mãos exibiam garras felinas compridas e curvas, prontas para dilacerar pele e separar carne de osso — uma vingança perversa contra a humanidade que um dia a trancara em uma gaiola e esfolara seus semelhantes em mesas frias de autópsia.

— Encontrei vocês! — cantarolou ela, soltando mais uma risadinha psicótica que fez os pelos da nuca de Luke se arrepiarem. — Hora do exame completo! Quem quer ser dissecado primeiro?

Robbie puxou a manga da blusa de Luke, tremendo descontroladamente.

— Luke... Luke, a gente tá ferrado! Ela vai picotar a gente igual carne moída!

— Cala a boca, Robbie, eu tô pensando! — rebateu Luke entre dentes, os olhos cinzentos vasculhando desesperadamente o ambiente em busca de uma barra de ferro, um bisturi velho, qualquer coisa que pudesse usar como arma.

— Eu tenho um plano! — Robbie sussurrou de volta, a voz trêmula mas subitamente urgente.

Luke virou o rosto para ele com uma carranca cheia de descrença.

— O quê? Você ficou maluco por acaso?! A gente tá na frente de um monstro assassino com um bisturi do tamanho do meu braço e você quer vir com plano?!

— Escuta, cacete! — Robbie puxou Luke pelo colarinho da gola alta, forçando-o a se abaixar um pouco para que pudesse sussurrar diretamente em seu ouvido.

Luke franziu o cenho, esperando alguma ideia lógica sobre derrubar o armário ou jogar produtos químicos nos olhos amarelos da criatura. Contudo, conforme as palavras sussurradas de Robbie preenchiam seus ouvidos, a expressão de raiva e tensão de Luke foi se desmanchando em algo completamente diferente.

Seus olhos se arregalaram. Uma onda avassaladora de calor subiu do peito até as pontas de suas orelhas sob o gorro azul.

— O QUÊ?! — Luke recuou um passo, o rosto queimando em um tom escarlate profundo. — Você tá completamente louco?! Isso é ridículo! Que tipo de plano doentio é esse?!

— É a única chance de quebrar a postura dela! — sibilou Robbie desesperado, apontando para Lorna, que se aproximava lentamente, girando um gancho cirúrgico com os dedos cobertos de pelos brancos. — Ela tem essa pose de médica perfeita, cara! É um choque psicológico! Se você fizer isso, ela vai travar! Vai logo antes que ela abra a minha garganta!

Lorna deu mais um passo à frente, os dentes afiados à mostra em um sorriso sádico. Suas garras flexionaram no ar.

— Que segredinhos fofos vocês estão compartilhando antes do óbito? — zombou ela, os olhos amarelos brilhando como faróis maliciosos. — Não se preocupem. Eu posso juntar os pedaços de vocês dois na mesma bandeja depois!

Ela saltou.

O movimento foi veloz e animalesco, os músculos poderosos de suas pernas híbridas impulsionando-a pelo piso quebrado como um felino caçador. O reflexo metálico da lâmina desceu em direção ao peito de Luke.

O instinto de Luke, forjado em brigas de rua, socos desleais e anos de sobrevivência no colégio, assumiu o controle antes que seu cérebro pudesse hesitar pelo constrangimento.

Em vez de recuar, Luke avançou.

— Desgraça de ideia...! — praguejou ele.

Ele se jogou por baixo do braço armado de Lorna, esquivando-se da lâmina por milímetros. O vento do golpe cortou o ar ao lado de sua orelha, mas Luke não parou. Usando todo o peso do corpo e agarrando-se à sugestão absurda de Robbie, ele estendeu as duas mãos calejadas e agarrou o tecido fino do avental médico de Lorna bem na altura do colarinho frontal.

Com um puxão violento e desesperado para desequilibrá-la, seus dedos puxaram para fora e para baixo.

O som do tecido se rasgando ecoou alto na sala fechada:

CRACK!

As costuras simples do avental médico curto não aguentaram a força bruta da puxada. O tecido branco rasgou-se de alto a baixo, abrindo-se completamente como uma cortina arrancada do varal. A parte frontal do avental cedeu, despencando e expondo inteiramente o tronco da médica híbrida. Seus seios claros, macios e delicadamente cobertos por uma fina camada de penugem alva, ficaram totalmente à mostra para o ambiente gélido da sala.

O tempo pareceu parar.

A lâmina cirúrgica caiu da mão de Lorna com um tilintar metálico estridente contra o piso de cerâmica.

Um silêncio sepulcral engoliu o cômodo, quebrado apenas pela respiração entrecortada dos presentes.

Lorna congelou no lugar. Seus olhos amarelos se arregalaram até o limite da estrutura facial, as pupilas brancas tremulando em um choque que nenhuma dor física jamais fora capaz de causar a ela. Lentamente, a postura ereta, imponente e assassina desmoronou.

Um rubor avassalador, vivo e brilhante começou a queimar sob sua pelagem branca, devorando as bochechas cor-de-rosa e se estendendo até as orelhas felinas erguidas no topo da cabeça.

— AAAAAAHHHHHHHHHHH!

O grito que escapou da garganta de Lorna não tinha nada da risada assassina de minutos atrás. Era um guincho incrivelmente agudo, feminino e desesperado, carregado de pura vergonha e constrangimento. Suas garras mortais desapareceram instantaneamente quando ela cruzou os dois braços sobre o peito com força desesperada, tentando esconder cada centímetro exposto de sua pele, enquanto as pernas se juntavam em uma postura encolhida e defensiva.

— S-Seu... Seu pervertido imundo! — guinchou ela, a voz quebrando completamente, os olhos cheios de lágrimas de pura humilhação enquanto recuava passos trôpegos até bater as costas em uma mesa de exames. — O-O que você... Por que você fez isso?! Humano asqueroso, sem vergonha!

Luke continuava congelado a poucos passos de distância, com pedaços do tecido branco ainda presos entre os dedos trêmulos. Seus olhos cinzentos estavam cravados na figura à sua frente.

Ele esperava uma reação furiosa, talvez ser decapitado na hora por tê-la ofendido daquela maneira. Mas o que estava vendo diante de si era algo completamente fora de qualquer parâmetro que sua mente pudesse conceber.

Lorna, a monstra sanguinária, o pesadelo do hospital que torturava humanos com sorrisos psicopatas, estava ali... encolhida, corada como uma adolescente envergonhada, cobrindo o peito com braços trêmulos e lágrimas infantis de constrangimento nos cantos dos olhos. Aquele nariz rosa em formato de coração se contorcia em uma careta adoravelmente ultrajada.

Algo dentro do peito de Luke falhou uma batida. E depois disparou em um ritmo ensurdecedor.

O calor que já queimava seu rosto intensificou-se a níveis vulcânicos. Ele sentiu as mãos suarem frio, as sardas em suas bochechas quase sumindo sob a vermelhidão profunda que tomava conta de sua pele. O canino protuberante mordeu o lábio com tanta força que quase sangrou.

Ela... ela é...

Uma sensação estranha, desconcertante e completamente avassaladora atingiu o estômago de Luke. Ele estava com medo, mas agora estava profundamente irritado consigo mesmo e, acima de tudo, ridiculamente fascinado. Era uma combinação caótica de indignação, vergonha e um aperto súbito no coração que ele nunca havia sentido por ninguém antes. Aquele pequeno monstro de avental rasgado parecia, sob aquela luz terrível, absurdamente linda.

— Que droga... — murmurou Luke, a voz falhando em um tom rouco e desconcertado, os olhos fixos nela sem conseguir desviar. — Que droga é essa...?

Lorna soltou mais um soluço abafado, abaixando a cabeça para esconder o rosto em brasa, incapaz de encarar os olhos cinzentos do garoto.

— V-Vire para lá! Não olhe para mim! — gritou ela, a autoridade médica totalmente estilhaçada, soando agora apenas como uma garota apavorada com a própria nudez.

No canto da sala, Robbie observava a cena em choque absoluto. Seus olhos pulavam de Lorna para Luke, que parecia ter entrado em transe, parado feito um idiota enquanto encarava a híbrida que quase os havia matado dez segundos atrás.

A paciência de Robbie explodiu.

— Luke! — Robbie gritou, dando um passo à frente com os braços erguidos em pura revolta. — Luke, seu imbecil! O que você tá fazendo parado aí babando?!

Luke piscou, arrancado bruscamente de seu torpor, e olhou para trás por cima do ombro com uma carranca embaraçada.

— O quê?!

— O que você tá olhando, seu idiota?! — reclamou Robbie, gesticulando furiosamente para a porta quebrada. — Era pra ser uma distração pra gente correr, não pra você ficar encarando ela feito um cachorro tonto! Ela é uma psicopata que queria cortar nossos rins fora, seu demente! Dá pra parar de secar a mulher-rato e mover a bunda daqui?!

O rosto de Luke ficou ainda mais vermelho, se é que isso era fisicamente possível. A vergonha explodiu em seu peito, misturando-se à fúria de ter sido flagrado naquele estado de vulnerabilidade emocional bem na frente do amigo.

— Cala a boca, Robbie! — esbravejou Luke, a voz oscilando entre a agressividade habitual e um desespero adolescente inconfundível. — Eu não tô secando ninguém! Você que mandou eu fazer essa idiotice, seu desgraçado!

— Eu mandei você rasgar a roupa pra distrair, não pra você se apaixonar pela assassina no meio do apocalipse! — Robbie rebateu aos berros, apontando o dedo na cara dele. — Olha pra sua cara! Você tá parecendo um pimentão! Vamos embora logo antes que ela ache um lençol e corte as nossas bolas fora!

Luke engoliu em seco, sentindo seu coração socar a caixa torácica como um tambor desgovernado. Ele lançou um último olhar furtivo na direção de Lorna.

A híbrida ainda estava encolhida contra a mesa de exames, os braços firmemente apertados contra o próprio peito, os círculos rosados de suas bochechas brilhando sob o pelo imaculado. Por entre os dedos brancos, ela ergueu os olhos amarelos e encontrou o olhar cinzento de Luke por um breve segundo. Havia ali raiva, ultraje, mas também uma surpresa desconcertada que refletia exatamente o tumulto dentro da alma do garoto.

Luke desviou o olhar às pressas, o peito ardendo em uma confusão de sentimentos que ele não sabia como nomear e nem tinha a menor condição de lidar naquele momento.

— Vamos logo, droga! — rosnou Luke, puxando Robbie pelo colarinho com força excessiva para disfarçar o tremor em suas próprias mãos.

Ele disparou em direção à porta arrombada, arrastando o amigo pelo corredor escuro, sem olhar para trás nenhuma vez — embora soubesse, com uma certeza desesperadora, que a imagem daquela médica envergonhada e corada ficaria gravada em sua mente por muito, muito tempo.

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