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Oliver!!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 12/10/2026

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SombrioAçãoSobrevivênciaHorrorSuspenseAventuraDramaPsicológicoCenário Canônico
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Nós Cegos e Grafite Lascado

A escuridão daquele porão não era apenas a ausência de luz; tinha peso, cheiro de celulose mofada e uma textura densa que parecia grudar na pele como cola escolar ressecada.

Oliver já havia esgotado todo o repertório de xingamentos mentais que conhecia, repetindo-os em ordem alfabética para tentar não enlouquecer. Ele estava sentado no chão de concreto gelado, com as costas apoiadas contra uma viga de sustentação áspera. A corda que prendia seus pulsos atrás do corpo fora apertada com um capricho sádico, cortando a circulação e forçando seu braço esquerdo — a longa e afiada prótese de lápis de madeira — contra a madeira farpada do pilar. Qualquer tentativa de mover o braço fazia o grafite raspar inutilmente contra a superfície, arrancando apenas lascas insignificantes e um estalo frustrante.

Para piorar seu humor já terrível, havia a mordaça. Um pedaço grosso de pano áspero amarrado com força excessiva entre seus dentes, empurrando sua língua para trás e impedindo qualquer som que não fosse um resmungo gutural e abafado.

Ele sentia uma raiva tão incandescente que quase podia ignorar o frio que subia pelo chão. Quase.

Seus pés estavam desprovidos das pesadas botas pretas de cano curto. Haviam arrancado seus calçados sem a menor cerimônia, deixando apenas as meias brancas que cobriam suas canelas até a altura dos joelhos. A umidade do solo já começava a penetrar o tecido alvo, deixando a sola de seus pés dormente e gelada. Seus chifres pretos batiam contra a madeira sempre que ele jogava a cabeça para trás em pura irritação, e a mecha pontiaguda no topo de seus longos cabelos brancos parecia vibrar de ódio.

Naquele momento, Oliver daria tudo por uma barra de sabonete de lavanda para mastigar. O gosto alcalino e ceroso, com aquela textura macia que se desfazia em espuma densa na boca, sempre o acalmava nas horas mais caóticas na Paper School. Ou talvez uma caixinha de lâminas de barbear de metal puro, daquelas bem afiadas, cujo estalo crocante entre os dentes aliviava sua compulsão constante por destruir coisas. Mas tudo o que tinha na boca era aquele pano imundo com gosto de poeira e poeira antiga.

Oliver estalou a língua no céu da boca, emitindo um rosnado abafado pela mordaça:

— Mmmff! Hrrnngh!

Seus olhos vermelhos e estreitos vasculharam o breu, incapazes de enxergar qualquer coisa além das silhuetas difusas de caixas de papelão empilhadas e canos enferrujados no teto. Ele sabia que Edward estava lá fora. Seu amigo brilhante e presunçoso provavelmente já devia ter percebido seu sumiço durante o intervalo ou depois da aula de matemática. Edward não deixaria passar. Aquele cabeça de engrenagem adorava rastrear pistas, pilotar seus pequenos drones improvisados e bancar o líder calculista do trio.

Ele vai me achar, pensou Oliver, tentando manter a compostura arrogante que sempre ostentava pelos corredores. E quando ele me soltar, vou quebrar a cabeça de quem quer que tenha feito isso usando a ponta do meu lápis.

Mas o destino parecia determinado a humilhá-lo ainda mais.

Acima de sua cabeça, o rangido agudo de tábuas de madeira velhas fez o coração de Oliver saltar uma batida. Passos pesados e arrastados ecoaram pelo teto. Não eram passos leves de um estudante tentando bancar o herói; eram passos deliberados, calmos e terrivelmente firmes.

De repente, a porta pesada no topo da escadaria do porão foi escancarada com um estalo violento. Uma réstia de luz amarelada e fraca invadiu o ambiente, revelando partículas de poeira dançando no ar. Oliver estreitou os olhos, piscando com força contra a claridade repentina, forçando o pescoço para ver o topo dos degraus.

Uma sombra alta e recortada projetou-se pela escada. E, antes que Oliver pudesse distinguir qualquer detalhe anatômico de seu captor, algo grande e pesado foi arremessado escada abaixo sem a menor delicadeza.

O corpo rolou pelos quatro últimos degraus de madeira com um baque surdo, tombando no chão de cimento e erguendo uma nuvem de poeira. A porta superior foi imediatamente fechada com força, e o som metálico de uma tranca girando três vezes selou novamente o porão na escuridão absoluta.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas por gemidos dolorosos e abafados vindos da nova pilha no chão.

Oliver arregalou os olhos na penumbra, seu coração martelando contra a caixa torácica. Ele tensionou o corpo, tentando recolher as pernas para se defender caso aquilo fosse uma criatura agressiva ou um cadáver deixado para apodrecer.

— Mmmph?! — Oliver soltou um grunhido inquisitivo, o som vibrando na garganta.

A pilha no chão se mexeu. Houve um farfalhar de roupas escolares e o som inconfundível de respiração ofegante e assustada. O recém-chegado tentou se erguer, mas pareceu incapaz de usar os braços, rolando de lado e batendo as costas contra uma caixa de papelão úmida.

A criatura estava amarrada.

Oliver forçou a vista, ajustando os olhos vermelhos à escuridão que voltava a reinar. Conforme os contornos se tornavam minimamente visíveis na penumbra prateada que entrava por uma fresta alta da parede, a realidade o atingiu com a força de uma bofetada: o uniforme manchado de graxa, os cabelos escuros desgrenhados e, brilhando fracamente no chão a alguns centímetros da cabeça do garoto, um par de óculos redondos com uma das lentes trincada.

Era Edward.

Oliver deixou escapar um suspiro indignado pela mordaça. O grande salvador, o cérebro da turma, o gênio das invenções e armadilhas... havia sido capturado como um amador e jogado no porão como um saco de lixo.

Edward também estava em péssimas condições. Suas mãos estavam atadas firmemente às costas por grossas voltas de corda de cânhamo, e uma tira larga de tecido escuro selava sua boca, dando várias voltas em torno de sua cabeça. E, para completar o quadro idêntico e humilhante, os sapatos de Edward haviam desaparecido; seus pés estavam apenas com meias escuras, vulneráveis ao mesmo chão gélido que martirizava Oliver.

Ao ouvir o grunhido de Oliver, Edward sobressaltou-se. Ele se contorceu desajeitadamente no chão, apoiando o quadril para conseguir erguer o tronco. Seus olhos vasculharam o vazio até pousarem na figura pálida de Oliver, cujos cabelos brancos e compridos reluziam fracamente na escuridão, espalhados como uma poça de neve suja ao redor de seu corpo sentado.

— Mmmph! Nnngh-hff! — exclamou Edward através do pano, com os olhos arregalados de surpresa e puro desespero.

Oliver revirou os olhos com tanta intensidade que sua cabeça doeu. Ele bateu as pernas no chão, fazendo suas meias brancas levantarem uma leve brisa fria, e respondeu em um tom de evidente sarcasmo abafado:

— Mmm-mmm-ph! Hrrgh!

A conversa entre dois valentões amordaçados no fundo de um calabouço úmido era uma comédia grotesca, mas nenhum dos dois tinha qualquer vontade de rir.

Edward começou a se arrastar pelo chão frio. Ele usava os joelhos e o quadril para impulsionar o corpo, gemendo baixinho a cada movimento, claramente dolorido pela queda da escadaria. A cada centímetro que avançava, suas meias recolhiam a fuligem do chão de pedra. Quando finalmente alcançou a viga onde Oliver estava preso, ele tombou de costas contra a madeira, respirando aos solavancos pelo nariz.

Os dois ficaram lado a lado, ombro a ombro. A respiração de Edward estava quente e rápida, contrastando com o ar gélido do porão.

Oliver virou a cabeça o máximo que pôde na direção do amigo. A marca em forma de "A+" em seu cabelo parecia quase invisível na penumbra, mas o olhar assassino em suas pupilas era evidente. Ele sacudiu os pulsos amarrados atrás da viga, fazendo o cabo de madeira de seu braço de lápis ranger.

Edward entendeu o recado. O garoto gênio virou-se de costas para a viga, tentando alinhar suas próprias mãos atadas com as mãos de Oliver. O plano era óbvio e desesperado: tentar alcançar as amarras um do outro com os dedos, ou, melhor ainda, usar a ponta afiada do braço esquerdo de Oliver para rasgar as fibras grossas da corda.

No entanto, a coordenação às cegas era um desastre.

As mãos atadas de Edward tateavam no escuro, batendo desajeitadamente contra as costelas de Oliver. Oliver soltou um grunhido irritado e empurrou Edward com o ombro, tentando forçar o amigo a focar no ponto certo.

— Mmph! — resmungou Edward, balançando a cabeça freneticamente como se dissesse para Oliver parar de se mexer tanto.

— Hrrnngh! — rebateu Oliver, apontando a cabeça para as próprias mãos com impaciência evidente.

Se as bocas de ambos estivessem livres, os corredores daquele porão estariam tremendo com os gritos de Oliver mandando Edward parar de ser incompetente e com os insultos refinados de Edward sobre como Oliver era um animal impulsivo. Mas tudo o que podiam fazer era trocar cotoveladas e resmungos abafados.

Finalmente, as pontas dos dedos pálidos de Edward encontraram a madeira lisa da prótese de Oliver. Edward respirou fundo, concentrando-se. Ele deslizou as mãos ao longo da haste de grafite até alcançar a ponta afiada que servia como a mão esquerda de Oliver.

Oliver prendeu a respiração. Ele sentiu o amigo segurar a corda que prendia os próprios pulsos e esfregá-la contra o bico afiado do lápis.

Cric. Cric. Cric.

O som rítmico da madeira e do grafite raspando contra o cânhamo grosso começou a ecoar no porão vazio. Era um trabalho lento, dolorosamente minucioso e arriscado; se Oliver perdesse o ângulo, poderia facilmente perfurar a pele dos pulsos de Edward em vez da corda. Mas Edward manteve a postura firme, movendo os próprios braços em um vaivém disciplinado, usando toda a sua força para desgastar os nós.

A cada instante que passava, a mente de Oliver viajava para o culpado daquilo tudo. Quem teria sido?

Não parecia obra de um estudante comum. Nenhum dos fracassados que eles costumavam atormentar nos banheiros ou empurrar contra os armários teria coragem — ou força — para emboscar Edward e jogá-lo escada abaixo daquele jeito. Miss Circle? Miss Bloomie? Miss Thavel? Se fossem as professoras, eles não estariam amarrados em um porão escuro; estariam sendo estraçalhados e devorados em pedaços de papel ensanguentados sobre uma mesa de carvalho.

Restavam poucas alternativas, e nenhuma delas era agradável. A própria estrutura da Paper School escondia segredos podres que nem mesmo os piores valentões gostavam de perturbar.

Um estalo seco quebrou o fluxo de pensamentos de Oliver.

Uma das voltas principais da corda que prendia os pulsos de Edward se partiu com um estalo tenso. Edward soltou um suspiro aliviado e urgente pelo nariz, intensificando o movimento. Mais um puxão bruto, mais uma fricção violenta contra a ponta endurecida do lápis, e os nós cederam.

As mãos de Edward estavam livres.

Sem perder um segundo sequer, o garoto de cabelos escuros levou as mãos à cabeça, agarrando o nó da mordaça que o silenciava e puxando o tecido com força para baixo, livrando a boca.

— Argh! Que inferno de lugar! — sussurrou Edward em um tom rouco e exasperado, cuspindo no chão para se livrar do gosto horrível do tecido. — Minhas costelas estão destruídas por causa daquela escada!

Oliver se remexeu violentamente contra a coluna de madeira, batendo a cabeça para trás e emitindo um som exasperado:

— MMM-MMMPH!

— Já vai, já vai! Não começa a berrar, Oliver, seu imbecil! — Edward se ajoelhou rapidamente, ignorando as meias empoeiradas e o chão frio. Ele esticou os braços e desfez o nó da mordaça de Oliver com destreza, puxando o pano ensopado de saliva para longe da boca do amigo.

Assim que a boca foi liberada, Oliver soltou uma lufada de ar quente e arfou, estalando a mandíbula dolorida de um lado para o outro. Seus dentes afiados brilharam na meia-luz, e seus olhos fuzilaram Edward com puro veneno.

— Você demorou uma eternidade! — esbravejou Oliver, a voz rouca, porém carregada da arrogância habitual. — O que diabos você estava fazendo lá fora? Eu achei que você ia me tirar daqui, não ser despachado como uma encomenda pelo alçapão!

— Cala a boca antes que eu amarre esse pano na sua cara de novo! — retrucou Edward em um sussurro feroz, massageando os próprios pulsos marcados pelas cordas. — Eu estava tentando rastrear o sinal que sumiu perto da biblioteca. Quem quer que tenha te pegado me pegou por trás no corredor do segundo andar! Eu nem vi o que me acertou!

— Patético — resmungou Oliver, revirando os olhos. — Agora solta meus braços antes que eu use a ponta do meu lápis para furar o seu outro olho. E cadê as minhas botas? Por que tiraram a porcaria dos nossos sapatos?

— Como se eu soubesse! — sussurrou Edward, movendo-se rapidamente para trás da viga de madeira para examinar a complexidade das amarras de Oliver. — Provavelmente para não fazermos barulho se tentássemos andar por aí. O nó aqui é mais apertado. Quem fez isso sabe como imobilizar alguém.

Edward trabalhou com agilidade, usando as unhas curtas para afrouxar as voltas superiores da corda que prendia o tronco e os braços de Oliver à viga mestra. Enquanto Edward se esforçava, Oliver sentia a dormência em seu braço direito diminuir aos poucos, substituída por uma queimação dolorosa de formigamento.

— Se eu encontrar um pedaço de giz ou uma borracha jogada por aqui, eu juro que vou engolir inteiro — murmurou Oliver entre dentes, encarando a escuridão do porão com um tique nervoso nos lábios. — Minha cabeça está girando. Preciso mastigar alguma coisa dura.

— Você come porcarias o dia inteiro e ainda pensa nisso numa situação dessas? — Edward soltou uma risada abafada e incrédula enquanto puxava a última volta de corda. — Você é completamente doente da cabeça, Oliver. Pronto, puxa!

Com um puxão brusco, Oliver libertou os braços. A corda caiu pesadamente no chão de cimento.

Ele imediatamente levou a mão direita ao pulso, girando a articulação até ouvir um estalo reconfortante. Em seguida, ergueu o braço esquerdo, admirando a ponta afiada de seu lápis negro e grafite cinza, que agora exibia algumas lascas na lateral devido ao atrito contra a corda de Edward. Não importava; ainda era pontiagudo o bastante para perfurar carne ou papel com extrema facilidade.

Oliver tentou se levantar imediatamente, mas as pernas dormentes cederam. Ele cambaleou para o lado, xingando em voz baixa enquanto apoiava a mão direita na parede áspera.

— Droga... o chão é mais frio do que parece — resmungou ele, fitando os próprios pés cobertos apenas pelas meias brancas, agora completamente manchadas de fuligem cinzenta na sola.

— Eu te disse — disse Edward, agachando-se para recolher seus óculos trincados do chão. Ele os limpou na barra da camisa e os colocou sobre o nariz, piscando repetidamente para ajustar a visão parcial. — Sem os sapatos, não temos tração nenhuma nesse piso liso. E se pisarmos em algum caco de vidro ou prego enferrujado, estamos ferrados.

— Não ligo para cacos de vidro — Oliver deu um sorriso torto, quase psicótico, passando o polegar pela ponta de grafite do lápis. — Ligo para quem está do outro lado daquela porta. Ninguém me amarra, me amordaça e me deixa sem minhas botas sem pagar por isso.

Edward olhou para a longa escadaria de madeira que levava à porta trancada no topo. O silêncio que vinha de cima era absoluto, mas pesado. A atmosfera na Paper School parecia ter mudado; não havia barulho de sinos, nem o eco de risadas de outros estudantes ou os gritos habituais de advertência dos corredores. Havia apenas uma calmaria doentia.

— Oliver — chamou Edward, com a voz perdendo um pouco do tom zombeteiro e assumindo uma seriedade gélida. — O que quer que esteja lá em cima... não foi uma pegadinha da Zip. Ela não conseguiria nos derrubar desse jeito, e ela não sabe dar nós como esses.

Oliver desfez o sorriso aos poucos, embora seus olhos continuassem brilhando com um ódio teimoso. Ele ajustou a fita preta que prendia seu rabo de cavalo branco, ajeitou a gola da camisa preta e deu alguns passos cautelosos sobre as meias, acostumando-se à sensação gelada do chão que roubava o calor de seu corpo.

— Não importa se foi a Zip, se foi um monstro das salas proibidas ou se foi a própria diretoria — Oliver estalou os dedos da mão direita, caminhando silenciosamente em direção à escada. — Eles cometeram o pior erro possível.

Edward franziu a testa, seguindo logo atrás, com passos abafados e cautelosos:

— E qual seria?

Oliver virou ligeiramente o rosto, lançando um olhar mortal por cima do ombro, enquanto seu lápis apontava diretamente para a madeira da porta no topo dos degraus.

— Deixaram meu grafite afiado. Agora cala a boca e me ajuda a arrombar essa tranca antes que eu resolva mastigar o resto dos seus óculos.

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