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Moralin

Fandom: (18+)

Criado: 13/10/2026

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Entre as Sombras e o Azul Profundo

O sol da tarde filtrava-se pelas persianas entreabertas da sala, pintando listras douradas sobre o chão de madeira desgastada. Torajo estava debruçado sobre a mesa de centro, revirando uma pilha desordenada de cadernos de anotações e cabos de microfone, resmungando baixinho sobre algum prazo esquecido. No canto oposto, sentada de pernas cruzadas no tapete felpudo, Zulmi terminava de prender os cabelos com um elástico rosa, rindo do desespero teatral do amigo.

Morajo, por sua vez, mantinha-se à distância. Encostado na ombreira da porta que dava para a cozinha, com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão de tédio cuidadosamente calculada, ele fingia prestar atenção nas nuvens pela janela. Qualquer um que não o conhecesse diria que ele estava à beira de explodir de irritação. No entanto, sua mente estava presa a quilômetros dali, ou melhor, a alguns passos da porta de entrada.

O som característico da tranca girando quebrou o ritmo das queixas de Torajo.

Linn entrou na sala trazendo consigo o aroma fresco do vento lá fora. Tirou os sapatos na entrada com a calma habitual, ajeitando a franja que caía suavemente sobre os olhos. O casaco casual parecia um pouco grande demais em seus ombros, conferindo-lhe uma aura acolhedora que sempre, inevitavelmente, desarmava qualquer ambiente tenso.

Ao erguer os olhos e encontrar os três presentes, um sorriso sereno desenhou-se em seus lábios.

— Oi, tudo bem? — perguntou Linn, fechando a porta atrás de si com um clique suave.

— Finalmente você chegou! — exclamou Torajo, erguendo os braços como se visse um milagre. — O Linn vai salvar a pátria. Linn, me diz que você comprou as pilhas novas pro gravador, por favor!

— Eu comprei, Torajo. Estão aqui na mochila — respondeu o azulado, rindo baixinho enquanto avançava pela sala.

— Você é um anjo, juro por Deus — suspirou Zulmi, levantando-se em um salto e batendo no ombro de Torajo. — Viu só? Eu avisei que ele não ia esquecer. Agora vamos logo antes que a papelaria feche, você ainda precisa imprimir aqueles roteiros gigantescos.

— Tá, tá, já estou indo! — Torajo juntou as folhas em uma pasta qualquer, calçou os tênis às pressas e olhou para o irmão com uma careta rápida. — Morajo, você vem com a gente ou vai continuar fazendo cosplay de gárgula nessa porta?

Morajo revirou os olhos com um estalo de língua, descruzando os braços apenas para enfiá-los nos bolsos da jaqueta escura.

— Prefiro ficar aqui e não morrer de vergonha alheia no meio da rua com vocês dois berrando — respondeu ele, a voz rouca e carregada daquele sarcasmo defensivo habitual. — Vão logo de uma vez.

— Grosso como sempre — brincou Zulmi, passando por ele e dando-lhe um tapinha inofensivo no braço. — A gente volta em uma hora, no máximo. Linn, você fica descansando, você parece cansado do trabalho.

— Eu fico bem, Zulmi. Vão com cuidado — disse Linn docemente.

A porta bateu, e o silêncio que se instalou de repente pareceu três vezes mais pesado do que o barulho anterior. O eco dos passos de Torajo e Zulmi descendo as escadas do prédio desvaneceu-se em poucos segundos, deixando para trás apenas o zumbido distante da cidade e a respiração contida dos dois rapazes na sala.

Morajo não se moveu de imediato. Seus olhos, antes fixos no chão, subiram lentamente até encontrar Linn.

Linn havia deixado a mochila sobre a poltrona e agora o observava com uma tranquilidade desconcertante. Havia um brilho curioso e terno em suas íris claras, algo que fazia o estômago de Morajo dar voltas desconfortavelmente intensas.

— O que foi? — perguntou Morajo, quebrando o silêncio com uma aspereza fingida. — Tem alguma coisa na minha cara?

— Nada — respondeu Linn, dando dois passos lentos em direção a ele. — Só achei que você ia ser um pouco mais simpático depois de passar a semana inteira dizendo que não tinha tempo pra conversar.

— Eu estava ocupado.

— Estava? — Linn parou a menos de um metro de distância, inclinando ligeiramente a cabeça para o lado. O perfume dele, uma mistura sutil de sabonete cítrico e chuva, invadiu o espaço pessoal de Morajo com uma violência suave. — Ou estava só me evitando?

Morajo cerrou os dentes. Ele detestava o quanto Linn conseguia enxergar através de suas barreiras sem fazer o menor esforço. Era humilhante e viciante ao mesmo tempo.

— Eu não evito ninguém, Linn. Não viaja.

— Então por que você não olha direito pra mim desde que eu pisei nessa sala?

— Eu estou olhando pra você agora mesmo — rebateu Morajo, fixando os olhos castanhos nos dele com uma intensidade quase desafiadora.

— Agora está — murmurou Linn, a voz descendo meio tom, tornando-se mais baixa, mais aveludada.

Sem aviso, Linn ergueu a mão direita e tocou a lateral do rosto de Morajo. A ponta de seus dedos estava ligeiramente fria por causa da rua, contrastando violentamente com o calor febril que ardia sob a pele pálida do moreno.

Morajo estremeceu. Um arrepio nítido desceu por sua espinha, e o ar pareceu subitamente rarefeito. Ele tentou manter a postura rígida, o queixo empinado, mas quando o polegar de Linn acariciou a linha tensa de sua mandíbula, seus lábios se entreabriram em uma respiração curta e trêmula.

— Linn... — avisou Morajo, embora sua voz não carregasse autoridade alguma, soando mais como uma súplica disfarçada. — Os dois podem voltar a qualquer momento.

— Eles demoram pelo menos uma hora, você sabe disso — sussurrou o rapaz de cabelos azuis, dando o passo final que eliminava qualquer distância restante entre eles. Seus corpos quase se tocavam. — E mesmo se voltassem... eu não me importo.

A confissão pairou no ar, densa e carregada de uma eletricidade palpável.

A paciência de Morajo, que já vinha se desgastando ao longo de semanas de toques acidentais, olhares furtivos durante as gravações e noites maldormidas imaginando exatamente aquele cenário, finalmente se rompeu.

Com um rosnado abafado, Morajo agarrou o pulso de Linn, mas em vez de afastá-lo, puxou-o contra si com firmeza, prendendo-o contra a parede do corredor ao lado da sala. Seus olhos faiscavam em um tom escuro de pura frustração e desejo reprimido.

— Você gosta de me provocar, não gosta? — rosnou Morajo, inclinando-se para frente até que suas respirações se misturassem. — Fica aí todo calmo, bancando o santo, enquanto sabe exatamente o que faz comigo.

Linn não recuou. Pelo contrário, apoiou as palmas das mãos no peito largo de Morajo, sentindo as batidas aceleradas e descompassadas do coração do rapaz sob o tecido escuro da camisa. Um sorriso pequeno e confiante curvou seus lábios.

— Talvez — admitiu Linn, sem desviar o olhar nem por uma fração de segundo. — Mas você demora demais pra tomar uma atitude se eu não fizer nada.

— É mesmo? — Morajo deslizou uma das mãos pela cintura de Linn, apertando o tecido fino do casaco e puxando-o para mais perto, até que a linha de seus quadris colidisse. — Então você quer atitude?

— Quero você — rebateu Linn, a sinceridade crua daquelas duas palavras atingindo Morajo com a força de um soco.

Morajo não esperou por mais nada.

Colapsou a distância entre eles em um beijo urgente, faminto e desprovido de qualquer delicadeza inicial. Seus lábios colidiram com os de Linn com uma avidez que vinha sendo alimentada pelo silêncio e pela negação. Linn soltou um suspiro abafado contra a boca dele, abrindo passagem de imediato para a língua de Morajo, que invadiu o espaço quente com uma possessividade ardente.

As mãos de Linn subiram freneticamente, abandonando o peito de Morajo para se enterrarem nos cabelos escuros e bagunçados da nuca dele, puxando-o ainda mais para baixo. Morajo gemeu baixo, um som gutural que vibrou no peito de ambos, enquanto pressionava Linn com mais força contra a parede fria. A mão de Morajo subiu da cintura para as costas do outro, traçando o contorno de sua espinha sob as roupas, sentindo cada músculo de Linn estremecer sob o seu toque.

O beijo que começou caótico logo encontrou um ritmo febril e compassado, profundo e úmido, interrompido apenas por respirações curtas e entrecortadas. Morajo desceu os lábios para a mandíbula de Linn, mordiscando a pele sensível antes de descer pelo pescoço pálido.

— Morajo... — arquejou Linn, jogando a cabeça para trás contra o reboco da parede, expondo a garganta enquanto os dedos se fechavam nos fios escuros de Morajo com força redobrada. — Ah... desse jeito...

— Você não tem noção... — murmurou Morajo contra a pele quente do pescoço dele, depositando um beijo pesado logo abaixo da orelha antes de sugar a pele até deixar uma marca avermelhada e evidente. — Não tem noção do quanto eu queria fazer isso. Toda vez que você sorri daquele jeito idiota na minha frente... eu só penso em te calar assim.

— Então cala — desafiou Linn com a voz entrecortada, os olhos brilhando em uma névoa de luxúria e entrega.

Morajo sorriu contra a pele dele, um sorriso torto e carregado de uma escuridão apaixonada. Ele segurou Linn pelas coxas, erguendo-o do chão sem esforço. Instintivamente, Linn cruzou as pernas ao redor dos quadris dele, soltando um gemido rouco quando seus corpos se chocaram novamente, alinhando a fricção inescapável que agora pulsava evidente entre ambos.

Caminhando com passos pesados e sem quebrar o contato visual por mais do que alguns segundos, Morajo carregou-o pelo corredor curto até o seu quarto, chutando a porta para fechá-la atrás de si com um estrondo abafado.

A penumbra do quarto os envolveu. Morajo deitou Linn sobre a cama com um cuidado contrastante à urgência de seus movimentos anteriores. Ele se posicionou por cima dele, cobrindo o corpo esguio do rapaz azulado com o seu próprio, sentindo o calor irradiar por todos os pontos de contato.

Linn levou as mãos à barra da jaqueta de Morajo, puxando-a para fora de seus ombros com pressa. Morajo se desvencilhou da peça pesada e jogou-a no chão sem olhar, fazendo o mesmo com a camisa cinza de Linn logo em seguida. A visão do torso despido de Linn sob a meia-luz fez a garganta de Morajo secar completamente. A pele clara, as costelas marcadas pela respiração ofegante, o contraste nítido de sua vulnerabilidade oferecida de bom grado.

— Você é lindo pra caralho — soltou Morajo em um sussurro involuntário, uma verdade arrancada de seu peito antes que seu cinismo pudesse censurá-la.

As bochechas de Linn coraram intensamente, mas seu olhar permaneceu firme, brilhando com um afeto transbordante.

— Beija logo — pediu Linn, puxando-o pelo colarinho imaginário.

Morajo atendeu ao pedido, mas desta vez o beijo foi diferente. Havia uma reverência pesada e dolorosa por trás da paixão. Seus lábios desceram pelo queixo de Linn, pelo peito, detendo-se nos mamilos sensíveis que endureciam sob o toque quente de sua língua, arrancando gemidos agudos e sussurros desconexos do outro rapaz.

As mãos de Morajo exploravam cada centímetro da pele de Linn com uma avidez quase desesperada, como se tentasse gravar a textura daquele corpo em suas próprias palmas. Linn arqueava as costas a cada carícia mais ousada, suas unhas cravando-se nos ombros largos de Morajo, deixando arranhões tênues que Morajo sentia como medalhas de fogo.

O atrito das roupas restantes tornou-se uma tortura insuportável. Em movimentos febris e desajeitados pela pressa, as calças e roupas de baixo foram empurradas para longe, até que não restasse mais nenhuma barreira entre eles. O choque do contato direto de suas peles desnudas fez ambos soltarem um gemido em uníssono, as respirações entrelaçando-se na penumbra do quarto abafado.

Morajo apoiou o peso nos antebraços, pairando sobre Linn enquanto olhava profundamente dentro daqueles olhos azuis, agora escurecidos pelo prazer e pela expectativa crua. Seus dedos desceram lentamente, preparando o caminho com cuidado meticuloso, sem pressa de quebrar a fragilidade daquele momento, garantindo que a entrega mútua não carregasse dor, apenas a ardência doce da comunhão.

Linn mordia o lábio inferior com força para conter os sons que ameaçavam escapar de sua garganta, suas mãos vagando pelas costas tensas de Morajo, acariciando os músculos delineados pelo esforço.

— Olha pra mim — pediu Morajo com a voz rouca, quase irreconhecível de tão carregada de emoção.

Linn abriu os olhos, piscando contra as lágrimas de excitação que começavam a se formar nas bordas dos cílios.

— Sempre — sussurrou Linn.

Quando Morajo finalmente se uniu a ele, empurrando para a frente em um movimento lento, firme e contínuo, o mundo pareceu encolher até o tamanho exato daquele colchão. Linn soltou um suspiro longo e entrecortado, jogando a cabeça contra o travesseiro enquanto seus dedos se cravavam com força nos lençóis ao redor.

Morajo parou por um instante, o peito subindo e descendo em arfadas pesadas, sentindo o calor e o aperto avassalador que o cercava. A sensação era quase avassaladora demais para suportar. Ele esperou até que Linn relaxasse sob o seu peso, até que a expressão de tensão no rosto delicado se transformasse em puro êxtase.

— Você tá bem? — perguntou Morajo, a voz tremendo de uma forma que ele nunca admitiria em voz alta para mais ninguém.

Linn respondeu puxando o rosto dele para baixo e selando seus lábios em um beijo suave, doce e molhado.

— Tô perfeito — murmurou Linn contra a boca dele. — Não para.

O ritmo que se seguiu foi implacável. Morajo começou a se mover com estocadas lentas e calculadas que logo ganharam força e cadência. Cada impulso fazia a estrutura da cama chiar baixinho, acompanhada pelo som úmido de seus corpos colidindo em um compasso frenético. Linn não conseguia mais conter os gemidos; eles escapavam livres, preenchendo o quarto com uma melodia pecaminosa que alimentava ainda mais o fogo de Morajo.

As mãos de Linn exploravam os quadris de Morajo, guiando o ritmo, puxando-o para mais fundo a cada investida. A sensação de estarem completamente entregues, sem as máscaras que usavam no dia a dia, transformava o ato físico em algo quase sagrado. Morajo via o seu próprio reflexo no olhar febril de Linn — despido de seu cinismo, livre de suas defesas infantis, reduzido a um homem desesperadamente apaixonado.

O clímax começou a se aproximar com a força de uma tempestade incontrolável. A respiração de Morajo tornou-se errática, suas investidas mais rápidas e profundas, buscando aquele ponto específico que arrancava os gemidos mais doces e agudos de Linn. Linn ergueu os quadris em resposta, completamente entregue à onda avassaladora de calor que subia por suas pernas e explodia em seu ventre.

— Morajo... Morajo, eu vou... — Linn gemeu com a voz embargada, os olhos revirando ligeiramente enquanto o ápice tomava conta de seus sentidos.

— Comigo, Linn. Agora — ordenou Morajo em um rosnado ofegante, acelerando o movimento final.

O ápice atingiu Linn em uma onda avassaladora de tremores. Ele arqueou o corpo para fora do colchão, soltando um grito abafado contra o ombro de Morajo enquanto o calor quente de seu próprio prazer se derramava entre seus corpos colados. O impacto da contração de Linn foi o suficiente para que Morajo perdesse o restante de seu autocontrole; com um gemido profundo que reverberou pelas paredes do quarto, ele afundou uma última vez, derramando-se inteiramente dentro dele em espasmos fortes e ritmados.

O quarto voltou lentamente ao silêncio, quebrado apenas pelas respirações pesadas, descompassadas e ruidosas dos dois.

Morajo desabou para o lado, puxando o corpo trêmulo e suado de Linn contra o seu peito. O lençol estava revirado e empurrado para os pés da cama. Linn aconchegou-se imediatamente, descansando a cabeça na curva do pescoço de Morajo, ouvindo os batimentos cardíacos violentos que ainda ecoavam dentro da caixa torácica dele.

Por longos minutos, nenhum dos dois disse nada. Morajo deslizava os dedos distraidamente pelos fios azuis de Linn, que agora estavam bagunçados e úmidos de suor. Não havia mais a ironia costumeira, nem a distância fingida. Apenas uma ternura tácita e protetora.

O som distante de uma risada alta ecoou na escadaria do prédio, vindo do andar de baixo. Torajo e Zulmi estavam voltando.

Linn soltou uma risada fraca e anasalada contra a pele de Morajo.

— Acho que a hora deles acabou — murmurou Linn, preguiçoso, sem fazer o menor esforço para se mover.

Morajo apertou o braço ao redor dos ombros dele, puxando o cobertor com o pé para cobrir ambos.

— Que se danem eles — respondeu Morajo baixinho, depositando um beijo suave no topo da cabeça de Linn. — Se o Torajo bater nessa porta, eu digo que você tá dormindo. E se ele insistir, eu jogo um sapato na cabeça dele.

Linn ergueu o rosto, os olhos brilhando em divertimento enquanto fitava os traços descansados de Morajo.

— Você é inacreditável.

— E você gosta — sussurrou Morajo, curvando os lábios em um sorriso genuíno antes de capturar a boca de Linn mais uma vez, em um beijo calmo e interminável, deixando o resto do mundo do lado de fora da porta trancada.

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