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Te esperarei 18.

Fandom: Minha culpa

Criado: 13/10/2026

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RomanceDramaRealismoCiúmesDor/ConfortoLinguagem ExplícitaAngústiaEstudo de PersonagemHistória Doméstica
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O Vermelho da Camisa e o Fogo do Olhar

A adrenalina ainda corria pelas veias de Júlia enquanto ela se olhava no espelho do quarto. O beijo no banheiro da festa de aniversário da mãe ainda queimava em seus lábios, uma lembrança vívida de mãos grandes em sua cintura e o frio da porcelana da pia contrastando com o calor do corpo de Davi. Ela sabia que tinha quinze anos e ele dezenove. Sabia que Maria, sua melhor amiga, era prima dele. Sabia que o mundo veria aquilo como um erro, mas quando Davi a olhava, Júlia não se sentia uma criança; ela se sentia a única mulher do mundo.

Naquela tarde de sábado, o sol brilhava forte sobre o campo de várzea onde Davi jogaria uma partida importante. Maria estava sentada na cama de Júlia, observando a amiga terminar de se vestir.

— Amiga, você tem certeza que vai com a camisa dele? — Maria perguntou, com um sorriso travesso no rosto. — Meu primo é possessivo, você sabe. Ele vai infartar quando te vir assim.

Júlia vestiu a camisa 10, que ficava enorme nela, batendo no meio das coxas. O tecido tinha o cheiro do perfume amadeirado de Davi, algo que a fazia fechar os olhos e suspirar. Ela deu um nó na lateral da camisa para ajustá-la ao corpo, deixando uma fresta da barriga bronzeada à mostra, e ajeitou os cachos volumosos.

— Ele que lute, Maria. Ele me deu a camisa, agora aguenta as consequências — Júlia piscou, passando um gloss labial que brilhava sob a luz.

Quando chegaram ao campo, o clima era de festa. O barulho da torcida, o cheiro de grama cortada e o som das chuteiras batendo no chão criavam uma atmosfera vibrante. Davi já estava no aquecimento. Ele corria pelo gramado, o suor fazendo sua pele morena brilhar, o bigodinho fininho dando aquele ar de cafajeste que Júlia tanto amava.

Assim que ele parou para tomar água e olhou em direção à arquibancada, seus olhos travaram em Júlia. O mundo ao redor dele pareceu parar. Ver sua camisa 10 nela, marcando as curvas sutis da menina que estava se tornando mulher, fez seu sangue ferver. Ele levantou a mão, apontando para ela com um sorriso de lado, um aviso silencioso de que a conversa depois do jogo seria longa.

As meninas se sentaram na parte mais baixa da arquibancada de cimento. Não demorou muito para que a presença de Júlia atraísse olhares indesejados. Um grupo de rapazes, um pouco mais velhos que ela, mas claramente ignorantes sobre quem ela acompanhava, começou a se aproximar.

— E aí, boneca? Essa camisa 10 tá sobrando em você, não quer uma companhia pra segurar esse peso? — um dos rapazes, um loiro alto com cara de poucos amigos, comentou alto o suficiente para que Maria franzisse o cenho.

Júlia ignorou, focada no campo, mas o rapaz insistiu, sentando-se um degrau acima dela.

— Tô falando com você, cacheada. Bonita assim e torcendo pra esse time de várzea? Vem com a gente que o pós-jogo é melhor.

Davi, do meio do campo, não tirava os olhos da cena. Ele viu o momento em que o cara se inclinou para perto do ouvido de Júlia. O juiz apitou o início da partida, mas a mente de Davi estava a quilômetros dali. A cada jogada, ele buscava a arquibancada.

No intervalo, a situação piorou. O rapaz tentou tocar no ombro de Júlia, que se esquivou bruscamente.

— Dá pra parar? Eu não te conheço e não quero papo — Júlia disse com a voz firme, embora o coração estivesse acelerado.

— Ih, a gatinha é brava! — o rapaz riu, chamando os amigos. — Calma, a gente só quer conversar.

Davi não esperou o técnico chamar. Ele atravessou o campo a passos largos, ignorando os gritos dos companheiros de time. Ele pulou a mureta baixa que separava o gramado da torcida com uma agilidade predatória.

— Algum problema aqui? — A voz de Davi saiu grave, como um rosnado.

Ele se colocou exatamente entre Júlia e o grupo de rapazes. A diferença de postura era nítida. Davi tinha dezenove anos, o corpo treinado pelo futebol e uma fúria protetora que emanava de cada poro.

— Relaxa, jogador. A gente só tava trocando uma ideia com a menina — o loiro disse, tentando manter a pose, mas recuando um passo.

— A "menina" tem nome e tem dono. E se eu vir você encostando um dedo nela de novo, a gente vai resolver isso de um jeito que você não vai gostar — Davi deu um passo à frente, peito com peito. — Sumam daqui. Agora.

Os rapazes, percebendo que o clima tinha ficado pesado demais e que outros jogadores já olhavam na direção deles, resmungaram algo e se afastaram para o outro lado do campo. Davi respirou fundo, tentando controlar a pulsação. Ele se virou para Júlia, os olhos escuros faiscando.

— Você está bem? — perguntou ele, a voz suavizando apenas um pouco.

— Estou, Davi. Não precisava disso tudo, eu sei me cuidar — Júlia respondeu, embora estivesse secretamente encantada com a proteção dele.

— Comigo por perto, você não precisa se cuidar de nada — ele rebateu, passando a mão pelo rosto suado. — Fica perto da Maria. Eu vou terminar essa droga de jogo e a gente vai embora.

O restante da partida foi um borrão. Davi jogou com uma agressividade renovada, marcando dois gols e dedicando ambos a Júlia com beijos soprados em sua direção. Assim que o apito final soou, ele nem ficou para as comemorações do time. Pegou suas coisas, trocou apenas a chuteira pelo chinelo e caminhou até Júlia, pegando-a pela mão com firmeza.

— Maria, você vai com o pessoal? — Davi perguntou à prima.

— Vou sim, Davi. Pode levar a Júlia, eu aviso a mãe dela que ela está comigo — Maria piscou para a amiga, sabendo exatamente o que aconteceria.

Davi guiou Júlia até seu carro, um modelo antigo que ele cuidava com todo o zelo. Assim que entraram e ele deu partida, o silêncio no veículo era carregado de eletricidade. Ele não dirigiu para a casa dela, mas sim para um mirante afastado, onde a cidade começava a acender suas luzes.

Ele estacionou e desligou o motor, mas não saiu. Ficou ali, as mãos apertando o volante, a respiração ainda um pouco errática do esforço físico e da raiva.

— Você fica linda com a minha camisa — ele disse finalmente, a voz rouca. — Mas me mata de ciúmes ver aqueles caras te olhando.

Júlia soltou o cinto de segurança e se inclinou para perto dele, o cheiro de suor e perfume dele a inebriando.

— Você sabe que eu só tenho olhos para o camisa 10, Davi.

Ele se virou para ela, os olhos percorrendo cada detalhe do rosto de Júlia.

— Eu não consigo parar de pensar naquele banheiro, Júlia. Eu não consigo parar de pensar em você. Isso é errado, eu sei que é. Você tem tanto pra viver ainda...

— E eu quero viver com você — ela o interrompeu, colocando a mão pequena sobre a dele. — Não me trata como se eu fosse de porcelana.

Davi não aguentou. Ele puxou Júlia pela nuca, colando seus lábios em um beijo urgente, faminto. Não era um beijo de adolescentes; era um beijo de posse, de desejo acumulado. Júlia soltou um gemido baixo, subindo no colo dele mesmo com o espaço limitado do carro. A camisa 10 subiu, revelando a pele macia que Davi começou a mapear com as mãos grandes e calejadas.

— Você vai ser minha ruína, pequena — ele sussurrou contra o pescoço dela, distribuindo beijos molhados que a faziam arquear as costas.

— Então ruamos juntos — ela respondeu, puxando o cabelo da nuca dele, incitando-o a continuar.

Ali, sob o luar, as leis da sociedade e as diferenças de idade não existiam. Havia apenas o calor de dois corpos que se reconheciam, o som da respiração ofegante e a promessa silenciosa de um amor que, embora impossível aos olhos do mundo, era a única coisa real para eles. Davi a apertou contra si, sentindo o coração dela bater no mesmo ritmo que o seu, e soube, naquele momento, que não importava quanto tempo tivesse que esperar, ele a esperaria. Porque Júlia era sua, e ele protegeria o que era dele contra tudo e contra todos.

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