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Amigos?

Fandom: Stray kids

Criado: 13/10/2026

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Brasas, Cloro e o Início do Caos

O sol de verão em Seul não perdoava, mas nada queimava com tanta intensidade quanto a expectativa no ar quando estacionei em frente à casa de campo que Bang Chan havia alugado para o fim de semana. Eu e Chan tínhamos anos de amizade construída entre noites insones no estúdio, desabafos e aquela cumplicidade crua de quem se conhecia muito antes da loucura da fama engolir sua rotina. Por isso, quando ele me mandou uma mensagem curta dizendo que o Stray Kids finalmente teria três dias de folga e que eu era convidada de honra para um churrasco à beira da piscina, não pensei duas vezes.

Eu sabia exatamente o impacto que causava quando entrava em um recinto. Usava um biquíni vermelho-rubi por baixo de uma saída de praia de crochê bege, vazada o suficiente para não esconder as curvas acentuadas que a genética e o treino pesado haviam esculpido: cintura fina, seios cheios sustentados com firmeza pelo tecido e quadris largos equilibrados por pernas torneadas. Nunca fui do tipo tímida ou envergonhada. Pelo contrário, sustentava qualquer olhar com um sorriso de canto e uma postura impassível. Se alguém tentasse me intimidar, perderia a aposta antes mesmo de abrir a boca.

Ajeitei meus óculos de sol, peguei minha bolsa térmica e caminhei até os portões de ferro dos fundos, de onde já dava para ouvir o estrondo de batidas graves de hip-hop e risadas histéricas. Assim que empurrei o portão, a cena que se descortinou era puramente caótica.

— Hyejin! — O grito de Bang Chan atravessou o quintal amplo antes mesmo de eu conseguir dar três passos.

Ele largou o pegador de carne ao lado da churrasqueira fumegante e veio na minha direção de braços abertos, usando apenas uma regata cinza que deixava os ombros largos à mostra e uma bermuda preta molhada.

— Achei que você fosse amarelar e nos deixar esperando! — disse ele, me envolvendo em um abraço de urso apertado.

— Desde quando eu rejeito carne de graça e piscina privativa, Chris? — respondi, rindo contra seu ombro enquanto retribuía o abraço. — Você está cheirando a carvão e fumaça, aliás.

— É o aroma da vitória — rebateu ele, afastando-se com aquele sorriso de covinhas inconfundível. — O pessoal está quase todo na água. Entra, fica à vontade. A casa é nossa hoje.

Assim que Chan deu um passo para trás, notei os olhares se convergindo em nós. A piscina de borda infinita refletia o céu azul, mas a atenção dos outros sete garotos foi instantaneamente sequestrada pela minha chegada.

Perto da borda, com os cabelos pretos colados na testa e as gotas escorrendo pelo pescoço longo, estava Hyunjin. De todos ali, além de Chan, ele era o que eu tinha mais intimidade. Nossas conversas sobre arte, dança e futilidades da madrugada haviam criado uma ponte sólida entre nós. Seus olhos se estreitaram num misto de choque e admiração antes de ele apoiar os braços no mármore molhado da borda.

— Olha só quem resolveu dar o ar da graça — disse Hyunjin, com um sorriso lento e provocador brotando nos lábios cheios. — Quase não reconheci. Você veio para um churrasco ou para humilhar a nossa existência?

— Sempre os dois, Hwang — debochei, retirando os óculos de sol e piscando para ele. — Se não for para marcar presença, eu nem saio do meu apartamento.

— Puta merda, Changbin, olha isso! — Han gritou da outra ponta, segurando uma boia gigante em formato de flamingo, praticamente caindo para trás com a própria empolgação. — Eu falei que a amiga do Chan não brincava em serviço!

— Fecha a boca, Jisung, senão entra mosca — Seungmin soltou de uma das espreguiçadeiras, ajustando seu boné com aquela expressão impassível de puro deboche. Ele estava confortavelmente seco, lendo algo no celular e observando o resto do grupo como quem monitora animais selvagens em um zoológico. — Você parece um desenho animado desidratado.

— Me respeita, seu cachorro mimado! — Han atirou água na direção de Seungmin, que apenas levantou uma toalha com reflexos cirúrgicos para se proteger, rindo silenciosamente.

— Hyejin, não liga para eles — disse uma voz incrivelmente grave que fez o chão quase vibrar.

Felix emergiu dos degraus da piscina com um prato de frutas cortadas em uma das mãos, o cabelo loiro platinado brilhando e as sardas perfeitamente visíveis sob a luz forte. Seu sorriso caloroso era puro aconchego.

— Fico feliz que você veio. O Chan falou de você a semana inteira — continuou Felix, oferecendo-me um pedaço de melancia com a gentileza de sempre.

— Se o Felix está dizendo, eu acredito — respondi, pegando a fruta e dando uma mordida suculenta. — Você continua o único ser civilizado deste lugar, Lix.

— Ei, eu sou extremamente civilizado! — Changbin protestou da área gourmet, flexionando os bíceps enquanto virava uma montanha de carne na grelha. — Eu sou um homem de família, um fisiculturista e o mestre da carne. Olha esses cortes! Você tem que provar a minha marinada especial, Hyejin. O Chan malha bem, mas na cozinha ele é um desastre.

— Nem vem, Changbin! — Chan rebateu imediatamente, apontando a espátula para o amigo. — Quem temperou a carne de porco fui eu!

Sentado na borda funda, balançando os pés na água com uma lata de refrigerante na mão, Lee Know apenas observava tudo. O "coelho assustador", como os próprios membros o chamavam, mantinha aquele olhar afiado e misterioso, um sorriso de canto que ninguém conseguia decifrar com clareza. Nossos olhos se cruzaram por alguns segundos. Ele inclinou a cabeça levemente, fazendo um brinde silencioso no ar antes de dar um gole lento.

— Se vocês dois queimarem a comida — disse Lee Know, sua voz calma cortando o debate dos mais velhos —, eu juro que taco a cabeça de vocês dentro da grelha. E Hyejin, sente-se logo antes que esses idiotas comecem a latir de vez.

— O Minho-hyung está mais estressado que o normal hoje — Jeongin comentou baixinho, surgindo do lado com seu típico sorriso tímido de "bebê pão", balançando a cabeça. — Bem-vinda, noona. Não se preocupe, eu cuido para que eles não causem nenhum incêndio grave.

— Agradeço a proteção, Innie — sorri para o mais novo, dando um leve tapinha em seu ombro molhado. — Mas eu sei me cuidar.

Deixei minha bolsa sobre uma das mesas e, com movimentos calculados e sem pressa, desatei o nó da minha saída de praia de crochê. O tecido deslizou pela minha pele até o chão, revelando tudo o que meu biquíni mal conseguia conter: o decote generoso, o abdômen liso contrastando com a amplitude dos quadris e a bunda curvilínea que imediatamente atraiu mais alguns olhares disfarçados — e outros nada discretos.

Hyunjin pigarreou na piscina, desviando os olhos com um rubor evidente subindo pelo pescoço, embora tenha voltado a olhar um segundo depois, incapaz de disfarçar. Han quase deixou o flamingo afundar. Até mesmo Changbin congelou por um milésimo de segundo com a espátula no ar antes de pigarrear e forçar a atenção de volta para a fumaça da churrasqueira.

Ignorando o pequeno pandemônio silencioso que causei, dei alguns passos confiantes em direção à escada da piscina, sentindo o calor do piso sob meus pés, e mergulhei suavemente na água fresca.

Quando voltei à superfície, sacudindo os cabelos escuros para trás, encontrei Hyunjin nadando até parar a poucos centímetros de mim. A água batia na altura do peito de ambos. Ele apoiou um dos cotovelos na borda ao meu lado, os olhos brilhando com um fascínio travesso.

— Você adora ver o circo pegar fogo, não adora? — sussurrou ele, perto o bastante para que apenas eu ouvisse.

— Eu não fiz absolutamente nada, Hwang — respondi, mantendo a voz firme e desafiadora, sem recuar um milímetro. — Se vocês não aguentam a pressão, não deveriam ter me chamado.

— Quem disse que eu não aguento? — Hyunjin sorriu, arqueando uma sobrancelha, um desafio implícito vibrando entre nós.

Por cerca de duas horas, a tarde seguiu um ritmo de paraíso tropical enganoso. Comemos as carnes divinamente preparadas — e que geraram discussões acaloradas sobre se o tempero de Chan era melhor do que o de Changbin —, bebemos cerveja bem gelada e Felix nos serviu drinques doces com soju e frutas que desciam como água. Han cantava clássicos do rock em um tom desafinado proposital, Seungmin não perdia a chance de fazer piadas ácidas sobre a postura de Changbin, e Jeongin ria de tudo até ficar vermelho.

Eu mantinha minha compostura inabalável. Bebera o suficiente para relaxar, mas jamais para perder o controle. Nem quando Hyunjin e eu disputamos uma corrida na piscina e seus braços roçaram a minha cintura embaixo d'água eu dei o braço a torcer. Eu não era do tipo que soltava risinhos fáceis ou suspiros involuntários. Meu autocontrole era uma fortaleza.

No entanto, o verdadeiro caos estava apenas esperando o momento certo para detonar. E o estopim começou com uma garrafa de licor de canela e a mente brilhante — e perigosa — de Lee Know.

— Chega de nadar à toa — Lee Know anunciou, levantando-se da espreguiçadeira com uma garrafa escura em punho e aquele sorriso diabólico nos lábios. — Vamos jogar "Rei da Piscina". Em duplas.

— Ah, não... — Bang Chan gemeu, passando as mãos pelo rosto. — Da última vez que jogamos isso, o Jisung quase quebrou a costela.

— Mas não quebrou! — Han defendeu-se prontamente, batendo no peito. — Cicatrizes de guerra! Eu estou pronto para mais!

— As regras são simples — continuou Lee Know, ignorando os protestos do líder. — Dupla contra dupla nos ombros. O objetivo é derrubar o adversário na água. Quem perder, vira uma dose pura dessa belezura aqui sem fazer careta. E a grande final decide quem vai limpar a churrasqueira e todo o quintal sozinho amanhã de manhã.

Um silêncio competitivo pairou sobre o jardim. A perspectiva de não ter que limpar a sujeira monumental do churrasco acendeu o fogo nos olhos de todos.

— Eu topo — declarei antes que qualquer um pudesse me excluir por ser a única mulher. Nadei até o centro da parte rasa. — E já escolhi meu parceiro. Hyunjin, venha cá.

Hyunjin sorriu, vitorioso, jogando o cabelo molhado para trás.

— Não poderíamos ter uma equipe melhor — disse ele, nadando na minha direção e se posicionando para me suspender. — Segura firme, Hyejin. Eu não caio por nada.

Subi em seus ombros com agilidade. Minhas pernas envolveram seus ombros e pescoço com força, e eu mantive as costas retas, equilibrando meu peso com precisão. Hyunjin levantou-se com facilidade na água, segurando firmemente as minhas coxas para me dar estabilidade. O contato da pele molhada enviou uma corrente elétrica sutil, mas mantive a expressão de pedra, os punhos cerrados na postura de luta.

Do outro lado, o monstro foi invocado: Changbin nas costas de Bang Chan. Uma muralha de músculos combinados que parecia pronta para demolir um prédio.

— Vocês vão afundar em cinco segundos! — Changbin rugiu, rindo histericamente enquanto flexionava os braços sobre os ombros de Chan.

— É o que vamos ver, tampinha! — provoquei de volta, sem hesitar.

Seungmin apitou com os dedos, dando início ao combate.

O choque foi imediato. Chan e Hyunjin avançaram na água com violência, criando ondas que batiam contra as bordas da piscina. Changbin esticou os braços enormes para me agarrar pelos ombros, mas usei minha agilidade para desviar do primeiro golpe, empurrando seus antebraços para o lado com firmeza. Hyunjin deu um passo firme sob a água, mantendo nossa base sólida.

— Boa esquiva! — gritou Felix da borda, pulando de empolgação.

— Derruba ele, noona! — incentivou Jeongin.

Changbin avançou de novo, e dessa vez travamos os braços. A força bruta dele era absurda, mas eu usei o peso do meu próprio corpo, jogando o tronco para a frente e puxando seu braço direito para desestabilizá-lo. Chan deu um passo em falso no piso escorregadio da piscina.

— Chan, segura! — Changbin gritou, perdendo o equilíbrio.

— Estou tentando, você é muito pesado! — Chan berrou de volta, os músculos das pernas tremendo.

Eu não dei trégua. Com um puxão seco e preciso, forcei Changbin para a esquerda. Ele vacilou, e Hyunjin aproveitou a brecha para empurrar Bang Chan com o corpo.

O resultado foi estrondoso: Changbin e Chan tombaram de lado, levantando uma cortina colossal de água que voou para fora da piscina.

— Vitória! — gritei, levantando os punhos, sentindo Hyunjin comemorar me sacudindo levemente pelas coxas antes de me colocar suavemente de volta na água.

Porém, o caos não parou na comemoração. A água deslocada pelo tombo colossal de Chan e Changbin inundou a borda, criando uma lâmina escorregadia exatamente onde Han tentava dançar para comemorar.

— Cuidado, Jisung! — Seungmin tentou avisar, mas já era tarde.

Han escorregou espetacularmente. Ao tentar se equilibrar no ar, ele manoteou desesperado e agarrou a toalha de mesa da área gourmet. A toalha arrastou pratos de cerâmica, potes de molho, latas abertas e — no pior dos desastres — a bandeja de ferro onde Chan havia deixado as cinzas ainda quentes e o óleo da churrasqueira.

O som de pratos quebrando ecoou como uma explosão.

— Minhas carnes! — Changbin berrou, emergindo da água como uma fera aquática, apenas para ver Han deslizar de costas no chão engordurado, espalhando molho de pimenta por todo o deck de madeira tratada.

Lee Know tentou dar um passo para trás para salvar seu precioso licor, mas pisou na poça de molho, derrapou e caiu sentado em cheio sobre a tigela de kimchi que havia acabado de voar pelos ares. O molho vermelho espirrou em sua bermuda clara e em seu rosto. O olhar assassino que ele direcionou para o teto da varanda poderia ter desintegrado um exército.

— Han Jisung... — a voz de Lee Know soou baixa, rouca e aterrorizante. — Você tem cinco segundos para começar a rezar.

— Foi um acidente! Foi a onda da Hyejin! — Han gritou em desespero, tentando levantar, mas derrapando de novo na gordura, parecendo uma foca em pânico.

Bang Chan, que ainda estava dentro da piscina limpando os olhos cheios de cloro, olhou para o deck: pratos em pedaços, carvão espalhado, molho vermelho parecendo uma cena de crime e Lee Know levantando-se com intenções declaradamente homicidas.

— Meu depósito caução da casa... — Chan murmurou, as mãos cobrindo o rosto em pura desolação existencial. — Eu vou ter que vender a minha alma para pagar essa reforma.

Eu e Hyunjin ainda estávamos lado a lado na piscina, testemunhando a sequência ininterrupta de desastres com a água até os ombros. Hyunjin não aguentou; caiu na gargalhada, uma risada tão alta e sincera que reverberou por todo o quintal, contagiando Jeongin e Felix, que riam no canto tentando não atrair a fúria de Lee Know.

Eu cruzei os braços sobre a borda, observando o churrasco perfeito que Bang Chan planejou se transformar no mais absoluto pandemônio em questão de três minutos.

— Bem — comentei, virando o rosto para Hyunjin com um sorriso irônico desenhado nos lábios —, acho que a final do torneio acabou de ser cancelada.

— Cancelada nada — Hyunjin respondeu entre risos, aproximando-se um pouco mais, o olhar brilhando enquanto a gritaria comia solta atrás de nós. — Amanhã de manhã, todos nós vamos ter que esfregar esse chão. Mas até o sol nascer, Hyejin... a noite ainda é uma criança.

Lee Know correu atrás de Han com um pedaço de pau que achou perto dos arbustos, Changbin lamentava ajoelhado sobre as carnes perdidas, Chan tentava acalmar os ânimos gritando em três idiomas diferentes e eu apenas respirei fundo, sabendo que aquele fim de semana estava longe de terminar em paz. O verdadeiro estrago mal havia começado.

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