
O melhor amigo do meu irmao
Fandom: tom kaulitz
Criado: 13/10/2026
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Entre Guitarras e Implicâncias
O som abafado da bateria de Gustav ecoava pelas paredes do porão, um ritmo constante que servia como trilha sonora para a rotina da casa dos Schäfer em Magdeburgo. No andar de cima, o ar estava impregnado com o cheiro de laca de cabelo e o aroma forte de café. Era 2007, e o mundo parecia girar em torno de calças largas, delineador preto e o sucesso meteórico do Tokio Hotel.
Karol estava jogada no sofá da sala, folheando uma revista de música onde a banda do irmão ocupava a capa. Ela suspirou, afastando uma mecha de cabelo do rosto. Ser irmã de Gustav tinha suas vantagens, mas a maior desvantagem atendia pelo nome de Tom Kaulitz.
A porta da frente se abriu sem cerimônias. Tom entrou como se fosse o dono do lugar, as dreadlocks balançando sob o boné de aba reta e as calças tão baixas que Karol se perguntava como elas não caíam. Ele trazia aquele sorriso convencido no rosto, o tipo de sorriso que dizia que ele sabia exatamente o efeito que causava nas garotas.
— E aí, pirralha? — Tom disse, jogando as chaves na mesa de centro e se jogando no sofá bem ao lado dela, invadindo seu espaço pessoal sem o menor pudor. — Onde está o seu irmão?
Karol revirou os olhos, fechando a revista com um estalo.
— No porão, Tom. Onde mais ele estaria? Ele realmente ensaia, sabia? Ao contrário de certas pessoas que acham que o talento vem por osmose.
Tom soltou uma risada anasalada, inclinando a cabeça para trás.
— Eu sou um gênio da guitarra, Karol. Gênios não precisam de tanto esforço. E você sabe que eu toco melhor que qualquer um que você já viu.
— Você é um convencido, isso sim — ela retrucou, embora um pequeno sorriso tentasse escapar de seus lábios.
— Convencido e irresistível. Admita.
— Prefiro admitir que você é insuportável.
A interação deles era sempre assim: uma dança de provocações que beirava o limite entre a amizade e algo que nenhum dos dois queria nomear. Tom era o melhor amigo de seu irmão, um mulherengo confesso que trocava de namorada como quem trocava de palheta, e Karol era a garota que ele conhecia desde sempre, a única que não caía imediatamente aos seus pés.
— O que vocês dois estão discutindo agora? — Georg apareceu na porta da cozinha, segurando um pacote de salgadinhos. Ele era o radar oficial de fofocas da banda e não perdia uma oportunidade de observar a dinâmica entre os dois.
— A Karol, que continua negando que sou o homem dos sonhos dela — Tom brincou, esticando o braço para roubar um salgadinho de Georg.
— Sonhos? Mais para pesadelos, Tom — Karol respondeu, levantando-se do sofá. — Vou ver se o Gustav precisa de ajuda com alguma coisa. Pelo menos ele é produtivo.
— Ela me ama — Tom murmurou para Georg assim que ela saiu da sala.
— Sei... — Georg deu um sorriso malicioso, mastigando. — Cuidado, Tom. O Gustav te mata se você tentar qualquer gracinha com a irmã dele. E a gente sabe que você não consegue manter as mãos quietas.
Tom endureceu o olhar por um segundo, o sorriso sumindo brevemente antes de voltar com força total.
— Relaxa, Georg. Ela é só a Karol. A pirralha irritante do Gustav.
Mais tarde naquela noite, a casa estava cheia. Bill estava sentado no chão, desenhando novos figurinos em um caderno, enquanto Gustav e Georg discutiam sobre o setlist da próxima turnê. Karol estava na cozinha, tentando preparar um sanduíche, quando sentiu a presença de alguém atrás dela.
— Quer um pouco de ajuda ou vai colocar fogo na casa? — A voz de Tom estava perto do seu ouvido, fazendo os pelos do seu braço se arrepiarem.
— Eu sei fazer um sanduíche, Kaulitz — ela disse, sem se virar.
— Sei. Da última vez você quase perdeu um dedo cortando tomate.
— Foi uma vez! — Ela se virou bruscamente, dando de cara com o peito dele. Tom não recuou. Ele a encarava com aqueles olhos escuros, um brilho de diversão brilhando neles.
— Você fica fofa quando está brava — ele comentou, a voz baixando um tom.
— E você fica irritante quando respira.
— Uau. Essa doeu — ele colocou a mão no coração, fingindo estar ofendido. — Mas sério, o Gustav me disse que você vai começar naquela escola nova na segunda.
Karol suspirou, a ansiedade voltando a apertar seu peito.
— Vou. E daí?
— E daí que se algum idiota mexer com você, você me avisa. Eu tenho uma reputação a manter, e ninguém mexe com a irmã do meu melhor amigo.
— Eu sei me cuidar, Tom. Não preciso de um guarda-costas com dreads.
Tom deu de ombros, pegando um pedaço de queijo da tábua.
— Só estou avisando. O mundo lá fora é cheio de caras como eu, Karol. E você é... bem, você é você.
Ela o olhou com curiosidade.
— O que isso significa?
— Significa que você é ingênua demais para o seu próprio bem — ele disse, voltando ao seu tom arrogante habitual. — Agora termina esse lanche, você está ficando magra demais.
Ele saiu da cozinha antes que ela pudesse responder, deixando-a sozinha com o coração batendo um pouco mais rápido do que o normal.
A segunda-feira chegou com a promessa de mudanças. Karol caminhava pelos corredores da escola nova, sentindo-se um peixe fora d'água. Foi quando ele apareceu.
— Precisa de ajuda para encontrar sua sala? — Um garoto alto, de cabelos levemente bagunçados e um sorriso fácil, parou na frente dela.
— Ah, sim, por favor — Karol respondeu, sentindo um alívio imediato. — Estou procurando a sala de história.
— Sou o Lukas — ele disse, estendendo a mão. — E você deve ser a garota nova de quem todo mundo está falando. A irmã do baterista do Tokio Hotel, certo?
Karol sorriu, um pouco tímida.
— Sou a Karol. E sim, o Gustav é meu irmão. Mas prefiro ser conhecida apenas como Karol.
Lukas riu, um som caloroso que a fez relaxar.
— Justo. Vem, a sala de história é por aqui. Eu te mostro o caminho.
Eles conversaram durante todo o percurso. Lukas era divertido, festeiro e parecia genuinamente interessado no que ela tinha a dizer. Ao final do dia, ele já tinha conseguido o número de telefone dela.
Naquela tarde, quando Karol chegou em casa, Tom estava sentado na varanda, dedilhando um violão. Ele parou assim que a viu.
— Como foi o primeiro dia, pirralha? — ele perguntou, tentando parecer desinteressado, mas seus olhos a analisavam de cima a baixo.
— Foi ótimo — ela disse, com um brilho nos olhos que Tom não gostou nem um pouco de ver. — Conheci um garoto. Lukas. Ele é muito legal.
A mão de Tom travou nas cordas do violão, produzindo uma nota dissonante e estridente.
— Lukas? — ele repetiu a palavra como se fosse veneno. — Que tipo de nome é esse?
— Um nome normal, Tom. Ele me ajudou com as salas e a gente conversou bastante. Ele é divertido.
Tom soltou uma risada seca, levantando-se da cadeira.
— Divertido, é? Deixa eu adivinhar: ele tem aquele sorriso de comercial de pasta de dente e fala o que você quer ouvir?
— Qual é o seu problema? — Karol cruzou os braços. — Você nem conhece o garoto.
— Eu conheço o tipo, Karol. Ele é um babaca. Eu sinto o cheiro de babaca de longe.
— Ah, claro, porque você é o especialista no assunto, não é? — ela retrucou, sentindo a raiva subir. — O grande Tom Kaulitz, o mestre da sinceridade e do respeito pelas mulheres.
Tom deu um passo à frente, o rosto ficando a poucos centímetros do dela. O ciúme, que ele jamais admitiria, queimava em seu peito como brasa.
— Eu só estou dizendo para você ter cuidado. Você é burra se acha que um cara como esse Lukas quer apenas ser seu "amigo divertido".
— E se ele quiser mais? O que tem de errado nisso? Eu sou solteira, ele é solteiro...
— Você não vai namorar esse cara — Tom afirmou, a voz fria e possessiva.
— Você não manda em mim, Tom! — Karol gritou, contornando-o e entrando em casa, batendo a porta com força.
Tom ficou na varanda, o punho cerrado em volta do braço do violão. Ele não entendia por que estava tão irritado. Ele era Tom Kaulitz. Ele tinha qualquer garota que quisesse. Karol era apenas a irmã de Gustav.
Mas a ideia de Karol sorrindo para esse tal de Lukas da mesma forma que sorria para ele... aquilo o deixava doente.
Lá dentro, Georg, que assistia a tudo da janela da sala, deu um tapinha no ombro de Gustav.
— A coisa está ficando feia lá fora — Georg comentou, pegando o celular. — O Tom está com um humor de cão por causa de um tal de Lukas.
Gustav suspirou, limpando as baquetas.
— Eu avisei ao Tom. A Karol está crescendo. Ele não pode tratar ela como se fosse propriedade dele para sempre.
— Ah, mas ele vai tentar — Georg sorriu, já digitando uma mensagem para Bill. — Isso vai ser melhor do que qualquer novela alemã.
Nos dias que se seguiram, a tensão entre Tom e Karol só aumentou. Toda vez que o telefone dela tocava, Tom estava por perto, lançando olhares mortais para a tela do aparelho.
— É ele de novo? — Tom perguntou certa tarde, enquanto eles estavam no estúdio de ensaio da banda.
— É, Tom. O Lukas me convidou para uma festa na sexta — Karol respondeu, sem tirar os olhos do celular.
— Você não vai — Tom disse, ajustando o volume do amplificador com mais força do que o necessário.
— Eu vou sim. E você não tem nada a ver com isso.
Gustav, que estava afinando a bateria, interveio:
— Tom, deixa ela. O Lukas parece ser um cara legal, eu vi ele na porta da escola ontem.
Tom olhou para Gustav como se ele tivesse acabado de cometer uma traição imperdoável.
— Você viu ele? E deixou ele falar com ela? Gustav, você é o irmão dela, deveria proteger ela desses predadores!
— Predadores? — Karol soltou uma gargalhada sarcástica. — Tom, olhe no espelho! Se tem alguém aqui que é um perigo para as garotas, esse alguém é você. O Lukas é gentil. Ele me trouxe flores ontem.
— Flores? — Tom cuspiu a palavra. — Que clichê barato.
— Eu gostei — ela disse, desafiadora.
Tom largou a guitarra no suporte e saiu do estúdio sem dizer mais nada. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som do relógio na parede.
— Ele está bem mal, hein? — Georg comentou, quebrando o gelo.
— Ele está sendo um idiota — Karol murmurou, mas no fundo, uma parte dela se perguntava por que Tom estava agindo daquela forma. Ele nunca tinha se importado tanto com quem ela saía antes.
Na sexta-feira à noite, Karol estava terminando de se arrumar. Ela usava uma saia xadrez curta, meias calças rasgadas e uma bota pesada, bem ao estilo da época. Seus olhos estavam marcados com lápis preto, destacando sua pele clara.
Ela desceu as escadas e encontrou a banda na sala. Bill foi o primeiro a vê-la.
— Uau, Karol! Você está incrível! — Bill disse, levantando-se para dar um abraço nela. — O Lukas é um cara de sorte.
— Obrigada, Bill — ela sorriu.
Tom, que estava sentado no canto, escondido pelas sombras, não disse nada. Ele apenas a observava com uma intensidade que a fazia querer desviar o olhar. Ele usava um casaco oversized e seu boné estava baixo, cobrindo parte dos olhos.
A campainha tocou.
— Deve ser ele — Karol disse, sentindo um frio na barriga.
Ela abriu a porta e Lukas estava lá, vestindo uma jaqueta de couro e exibindo seu sorriso mais charmoso.
— Pronta para a melhor festa do ano? — ele perguntou.
— Pronta.
Antes de sair, ela olhou para trás uma última vez. Tom tinha se levantado e estava parado no meio da sala.
— Juízo, Karol — Gustav gritou da cozinha.
— Pode deixar!
Assim que a porta se fechou, Tom chutou a mesa de centro.
— Eu odeio aquele cara — ele rosnou.
— A gente percebeu, Tom — Georg disse, sem tirar os olhos do celular. — Mas olha pelo lado positivo, agora você tem a casa livre para convidar a Vanessa.
Tom olhou para Georg com desprezo.
— A Vanessa? Aquela garota da sala de artes?
— É, ela vive perguntando de você. É bonita, ciumenta do jeito que você gosta... e talvez te ajude a tirar a Karol da cabeça.
Tom ficou em silêncio por um longo tempo. Ele pensou em Karol no carro de Lukas, rindo das piadas dele, talvez chegando perto demais. O pensamento era insuportável.
— Talvez você tenha razão, Georg — Tom disse, embora sua voz não tivesse a convicção de costume. — Liga para a Vanessa. Vamos dar a nossa própria festa.
A festa na casa de Lukas estava lotada. A música alta e o cheiro de fumaça preenchiam o ar. Karol tentava se divertir, mas sua mente teimava em voltar para a expressão de Tom quando ela saiu de casa.
— Você está muito quieta — Lukas disse, aproximando-se dela com dois copos de ponche. — Algum problema?
— Não, só estou me acostumando com o barulho — ela mentiu, aceitando o copo.
Lukas colocou a mão na cintura dela, puxando-a para mais perto.
— Relaxa, Karol. A noite está apenas começando.
Eles dançaram por um tempo, e Lukas era realmente um bom dançarino. Ele era atencioso e a fazia se sentir especial. Por um momento, ela quase esqueceu as provocações de Tom e a tensão constante em casa.
— Eu queria te pedir uma coisa — Lukas disse, gritando por cima da música, levando-a para um canto mais reservado da varanda.
— O que foi?
Lukas pegou as mãos dela.
— Eu sei que a gente se conhece há pouco tempo, mas eu gosto muito de você. De verdade. Você quer ser minha namorada?
Karol ficou paralisada. Era o que ela queria, não era? Lukas era o oposto de Tom. Ele era aberto, demonstrava o que sentia e não a tratava como uma "pirralha".
— Sim, Lukas. Eu quero — ela respondeu.
Ele a beijou então. Foi um beijo doce, mas Karol não pôde deixar de sentir que faltava algo. Não havia faíscas, não havia aquele fogo que ela sentia sempre que brigava com Tom. Mas ela ignorou o sentimento. Ela queria ser feliz, e Lukas parecia o caminho certo.
Enquanto isso, na casa dos Schäfer, a "festa" de Tom era um desastre. Vanessa estava sentada no colo dele, tentando chamar sua atenção, mas Tom estava com o olhar perdido na parede.
— Tom? Você está me ouvindo? — Vanessa perguntou, fazendo um biquinho. Ela era possessiva e já estava começando a ficar irritada com a falta de atenção dele.
— Sim, Vanessa. Você estava falando sobre... o seu cabelo?
— Sobre a minha nova tatuagem! — ela bufou. — Você está muito estranho hoje.
— É o ensaio, a turnê... estou cansado — ele mentiu.
Naquele momento, a porta da frente se abriu. Karol entrou, radiante, seguida por Lukas. Eles estavam de mãos dadas.
O clima na sala congelou instantaneamente. Tom empurrou Vanessa gentilmente para o lado e se levantou.
— O que ele está fazendo aqui? — Tom perguntou, a voz perigosamente baixa.
— O Lukas veio me trazer em casa, Tom — Karol disse, mantendo a cabeça erguida. — E eu tenho uma novidade para contar para o meu irmão.
Gustav saiu da cozinha, secando as mãos em um pano.
— O que foi, Karol?
— O Lukas me pediu em namoro. E eu aceitei.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Georg parou de digitar no celular, Bill arregalou os olhos e Gustav olhou de Karol para Lukas, processando a informação.
— Namoro? — Tom repetiu, a palavra soando como um insulto. — Você só pode estar brincando.
— Não estou brincando, Tom — ela disse, apertando a mão de Lukas. — Estamos namorando oficialmente.
Tom olhou para Lukas, e se olhares pudessem matar, o garoto estaria reduzido a cinzas.
— Parabéns, eu acho — Gustav disse, tentando quebrar a tensão, embora seu instinto protetor estivesse em alerta máximo.
— É, parabéns — Tom disse, com um sorriso sarcástico que não chegava aos olhos. — Espero que você saiba no que está se metendo, Lukas. A Karol pode ser bem... difícil.
— Eu dou conta — Lukas respondeu, mantendo o sorriso, embora estivesse visivelmente desconfortável com a hostilidade de Tom.
Vanessa, sentindo o clima, passou o braço em volta do pescoço de Tom.
— Que bom para eles, Tomzinho. Agora a gente pode focar na nossa noite, não é?
Tom olhou para Vanessa, depois para Karol e Lukas. O ciúme era uma fera rugindo dentro dele, mas ele a trancou a sete chaves. Ele não daria a Karol o prazer de saber que ela o tinha afetado.
— Claro, Vanessa — Tom disse, puxando-a para um beijo possessivo, bem na frente de todos. — A noite é nossa.
Karol sentiu uma pontada no peito ao ver a cena, mas desviou o olhar rapidamente.
— Vamos para o meu quarto, Lukas? Quero te mostrar uns CDs — ela disse, puxando o namorado pelas escadas.
Enquanto subiam, Karol podia sentir os olhos de Tom queimando em suas costas. Ela tinha o que queria: um namorado legal, a aprovação do irmão e uma vida normal de adolescente. Então por que, ao fechar a porta do quarto, ela sentiu como se tivesse acabado de começar uma guerra que não tinha certeza se queria vencer?
Lá embaixo, Tom se soltou de Vanessa e foi para a cozinha pegar uma bebida forte. Ele sabia que as coisas iam mudar a partir de agora. A pirralha não era mais apenas a irmã do seu melhor amigo. Ela era o território proibido que ele, pela primeira vez na vida, não sabia como conquistar.
E em 2007, na Alemanha, entre guitarras e segredos, o jogo estava apenas começando.
