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Damn drunkenness

Fandom: EngLot

Criado: 13/10/2026

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RomanceOmegaversoDramaGravidez Não Planejada/IndesejadaHumorHistória DomésticaCiúmes
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Café, Sangue e Mel

O ar condicionado da suíte presidencial do Grand Hyatt estava ajustado para dezenove graus, mas o ambiente parecia prestes a entrar em combustão. O cheiro de café forte e amargo, característico da linhagem alfa dos Waraha, colidia violentamente com a doçura densa de leite e mel que emanava da herdeira dos Austin. Era uma guerra olfativa, um prelúdio para o desastre que se desenhava entre lençóis de seda egípcia e garrafas de cristal vazias.

Engfa Waraha ajeitou os óculos de grau no rosto, observando a mulher à sua frente com um desdém que mal escondia o desejo latente. Ela girou o anel de ouro no polegar, um tique nervoso que só aparecia quando estava prestes a perder a paciência — ou a razão.

— Você continua sendo a pessoa mais insuportável que eu já tive o desprazer de encontrar em um evento de gala, Austin — Engfa destilou, a voz rouca pelo whisky caro. — Sua arrogância é quase tão grande quanto a conta bancária do seu pai.

Charlotte Austin, sentada na beirada da cama enquanto tentava, sem muito sucesso, fechar o zíper lateral de seu vestido de grife, soltou uma risada anasalada e sarcástica. Seus olhos castanhos brilharam com um desafio perigoso sob a luz suave do abajur.

— E você, Waraha, continua sendo uma alfa tecnocrata com o ego do tamanho desse prédio — rebateu Charlotte, jogando o cabelo castanho-claro para trás. — Acha que porque comanda meia dúzia de nerds e tem um porte imponente, eu vou cair de joelhos? Por favor. Eu pratico tiro ao alvo com coisas mais interessantes que você todas as manhãs.

Engfa deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal da ômega. O aroma de café tornou-se sufocante, dominante.

— Engraçado — disse Engfa, inclinando-se até que seus lábios roçassem a orelha de Charlotte —, você não parecia tão interessada em tiro ao alvo há uma hora, quando estava implorando para que eu não parasse.

Charlotte sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas não baixou a cabeça. Nunca baixaria. Ela se virou bruscamente, ficando a centímetros do rosto de Engfa.

— Eu não implorei por nada, sua babaca orgulhosa — sibilou a ômega, as sardas em seu nariz franzindo-se em irritação. — Foi apenas o álcool e o tédio daquela festa. Você foi apenas uma ferramenta conveniente para passar a noite.

— Uma ferramenta que deixou marcas no seu pescoço que nem o seu melhor corretivo de skin care vai esconder amanhã — Engfa sorriu, um sorriso de canto, cruel e possessivo.

— E eu deixei marcas nas suas costas que vão fazer você se lembrar de quem manda, mesmo que você tente fingir que é a alfa dominante o tempo todo — Charlotte retrucou, empurrando o peito de Engfa com a ponta dos dedos cobertos de anéis prateados.

A tensão explodiu. O que deveria ser o fim de uma noite de erro tornou-se um novo round de provocações que terminou com Engfa prensando Charlotte contra a cabeceira da cama. Nenhuma das duas queria ceder. Era uma luta de poder, um choque de titãs da elite tailandesa. Elas se odiavam, ou pelo menos era isso que diziam a si mesmas enquanto se entregavam a um desejo que desafiava a lógica das suas famílias rivais.

— Você é minha hoje, Austin — rosnou Engfa, a voz carregada de uma possessividade que a assustaria se estivesse sóbria.

— Nos seus sonhos, Waraha — Charlotte respondeu, puxando o cordão no pescoço da alfa para trazê-la para mais perto. — Você é quem está fazendo exatamente o que eu quero.


Dois meses depois.

O escritório de Engfa na Waraha Tech era um santuário de minimalismo e eficiência. A luz da manhã entrava pelas janelas do chão ao teto, iluminando a poeira que dançava no ar enquanto a CEO revisava relatórios de desenvolvimento de software. Ela estava de mau humor — mais do que o normal. O café, seu combustível vital, parecia ter um gosto estranho naquela manhã.

A porta foi aberta sem nenhuma cerimônia. Engfa nem precisou olhar para cima para saber quem era. O cheiro de leite com mel, embora estivesse mais fraco e estranhamente alterado, era inconfundível.

— Eu tenho secretárias e protocolos de segurança, Charlotte — Engfa disse, sem tirar os olhos da tela do computador. — O que você quer? Veio me insultar pessoalmente ou esqueceu mais algum anel na minha cama?

Não houve resposta imediata. O silêncio era atípico para a esnobe herdeira dos Austin. Engfa finalmente levantou o olhar, ajustando os óculos.

Charlotte estava parada no meio da sala. Ela usava um conjunto de alfaiataria impecável, mas seu rosto estava pálido. As sardas pareciam mais evidentes contra a pele descorada. Ela não parecia a mulher arrogante e provocadora de dois meses atrás.

— Waraha — começou Charlotte, sua voz falhando levemente, algo que Engfa nunca tinha ouvido antes. — Nós temos um problema. Um problema monumental.

Engfa largou a caneta, cruzando os braços sobre o peito. Sua postura imponente e o olhar observador focaram intensamente na ômega.

— Se for sobre a fusão das terras no norte, meu advogado já disse que...

— Não é sobre terras, sua estúpida! — Charlotte explodiu, recuperando um pouco de sua faísca habitual. Ela caminhou até a mesa de Engfa e jogou uma pasta de couro sobre o tampo de vidro. — Abra.

Engfa franziu o cenho, o pavio curto já começando a queimar. Ela abriu a pasta com movimentos lentos e deliberados. Dentro, havia um exame laboratorial do hospital mais caro de Bangkok.

Os olhos de Engfa percorreram as linhas técnicas até pararem no resultado final.

Positivo.

A alfa sentiu o sangue fugir do rosto. O cheiro de café em volta dela pareceu amargar instantaneamente, tornando-se pesado e carregado de eletricidade.

— Isso é... — Engfa começou, mas a voz sumiu.

— É seu — Charlotte disse, a voz trêmula apesar do esforço para parecer indiferente. — Eu fiz três testes de farmácia e dois de sangue. Não há erro. A noite do evento... o preservativo deve ter falhado, ou o álcool nos fez esquecer de metade das precauções.

Engfa levantou-se bruscamente, a cadeira rolando para trás e batendo na parede. Ela começou a andar de um lado para o outro, as mãos nos quadris, a mente processando a informação na velocidade de um de seus processadores de última geração.

— Caralho! — Engfa praguejou, passando a mão pelo cabelo castanho-escuro. — Charlotte, você tem noção do que isso significa? Nossas famílias estão em guerra fria há três décadas! Se meu pai souber que eu engravidei a herdeira dos Austin em uma noite de bebedeira...

— E você acha que eu estou feliz? — Charlotte rebateu, as lágrimas de frustração brilhando nos olhos, embora ela se recusasse a deixá-las cair. — Eu sou uma Austin. Eu deveria me casar com um lorde, ou no mínimo com alguém que não fosse uma alfa arrogante e insuportável como você! Minha vida estava planejada, Waraha. Skin care, treinos de tiro e gerenciar fundos de investimento. Não fraldas e... e... o cheiro de café o tempo todo!

Engfa parou na frente dela. O ciúme e a possessividade, traços inerentes ao seu lobo alfa, rugiram em seu peito de uma forma nova. Não era apenas o desejo de possuir Charlotte agora; era algo instintivo sobre o que crescia dentro dela.

— Você não vai a lugar nenhum — Engfa disse, a voz baixa e perigosamente firme.

Charlotte soltou uma risada sarcástica, embora estivesse tremendo.

— Ah, agora a alfa resolveu ser protetora? Poupe-me, Engfa. Eu vim aqui apenas para comunicar. Eu posso cuidar disso sozinha. A família Austin tem recursos.

— Nem por cima do meu cadáver — Engfa rosnou, aproximando-se e segurando os ombros de Charlotte com firmeza, mas sem machucar. — É o meu sangue. É um Waraha. Você pode ser a ômega mais esnobe da Tailândia, mas não vai esconder meu filho de mim.

— Filha — corrigiu Charlotte, a voz subitamente suave. — O exame genético precoce diz que é uma menina.

O impacto daquela palavra atingiu Engfa como um soco no estômago. Uma filha. Uma pequena mistura da sua arrogância com a teimosia de Charlotte.

— Uma menina... — Engfa repetiu, a expressão suavizando-se por um milésimo de segundo antes de sua máscara de controle retornar. — Isso muda tudo. Nós vamos ter que nos casar, Charlotte.

— Casar? Com você? — Charlotte empurrou as mãos de Engfa, o orgulho ferido. — Eu prefiro levar um tiro de raspão no treino. Você é mandona, possessiva e acha que o mundo gira em torno do seu umbigo.

— E você é antipática, provocadora e acha que pode mandar em mim — Engfa rebateu, um brilho desafiador nos olhos. — Parece o par perfeito para um desastre diplomático. Mas escute bem, Austin: ninguém toca no que é meu. E você e essa criança agora são minha responsabilidade.

— Eu não sou sua propriedade, Waraha! — Charlotte apontou o dedo para o peito da alfa. — E não tente me dar ordens. Eu vou continuar fazendo o que eu quiser.

— Veremos — disse Engfa, voltando a se sentar, mas mantendo o olhar fixo na ômega. — Comece a fazer as malas. Você vai se mudar para a minha cobertura hoje à noite. O ar lá é melhor para o bebê, e eu posso monitorar sua dieta.

— Você ficou louca? Eu não vou a lugar nenhum! — Charlotte cruzou os braços, o queixo erguido.

— Charlotte — Engfa disse, a voz carregada de uma autoridade que raramente falhava —, ou você vem por bem, ou eu ligo para o seu pai agora mesmo e conto que a preciosa herdeira dele está carregando o fruto da "babaca Waraha". O escândalo vai destruir o valor das ações da sua família antes do almoço.

Charlotte cerrou os dentes, os olhos faiscando de ódio e algo que parecia muito com uma admiração relutante.

— Eu odeio você.

— O sentimento é mútuo, querida — Engfa sorriu, o primeiro sorriso genuinamente divertido do dia. — Mas você adora o meu cheiro de café, e eu tolero o seu leite com mel. Vamos sobreviver a isso. Ou vamos nos matar antes da Sonya nascer.

— Sonya? — Charlotte franziu a testa. — Quem disse que o nome será Sonya?

— Eu decidi agora — Engfa deu de ombros, voltando sua atenção para o computador, embora não conseguisse ler uma única palavra. — É um nome forte. Como eu.

— Vai se ferrar, Engfa! O nome vai ser o que eu escolher! — Charlotte gritou, batendo o pé antes de sair furiosa da sala.

Engfa esperou a porta bater para soltar o ar que nem percebeu que estava segurando. Ela tocou o próprio pescoço, onde ainda parecia sentir o calor da pele de Charlotte naquela noite de luxo e pecado.

— Sonya Waraha-Austin — sussurrou a alfa para o escritório vazio. — Que o universo nos ajude.

Do lado de fora, no corredor, Charlotte parou por um momento, levando a mão ao ventre ainda plano. Um sorriso minúsculo e quase imperceptível surgiu em seus lábios.

— Sonya... — ela murmurou, revirando os olhos logo em seguida. — Nome horrível. Mas a alfa é tão convencida que chega a ser quase suportável.

O caos estava apenas começando. As duas famílias mais poderosas do país estavam prestes a colidir, e no centro de tudo, uma noite de bebedeira havia criado um laço que nem o orgulho, nem a arrogância, seriam capazes de quebrar. Engfa Waraha e Charlotte Austin achavam que mandavam em tudo, mas logo descobririam que a pequena vida que crescia entre o café e o mel seria a única a realmente dar as ordens dali em diante.

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