
Tensão em Ponto de Ebulição
Ayla odiava Gabriel com todas as forças que o seu corpo era capaz de produzir, ou pelo menos era isso o que ela repetia religiosamente para si mesma toda vez que aquele desgraçado cruzava a porta de entrada. O problema era que Gabriel praticamente morava em sua casa. Sendo o melhor amigo de Lucas desde a adolescência, o sujeito tinha passe livre, chave sobressalente e a irritante mania de andar pelos corredores sem camisa, exibindo um abdômen escandalosamente definido, ombros largos e uma coleção de tatuagens que desciam pelo peitoral e sumiam na linha da cintura baixa da calça de moletom.
Ele era o típico homem que sabia exatamente o estrago que causava. Alto, com a pele bronzeada, traços angulosos, um maxilar afiado coberto por uma barba rala sempre por fazer e aqueles olhos castanho-escuros que pareciam despir qualquer um sem o menor pudor. E Ayla, com seu metro e sessenta e oito de pura petulância, cabelos negros ondulados que batiam na cintura e curvas generosas que roubavam o fôlego de qualquer um que ousasse olhar por mais de dois segundos, não suportava admitir que seu corpo ardia em chamas toda vez que ele respirava perto demais.
Era sexta-feira à noite. O calor do início do verão deixava o apartamento abafado, pesado, quase elétrico. Lucas havia saído há vinte minutos para buscar cerveja e pizza no térreo, prometendo voltar logo, mas o elevador do prédio havia enguiçado e a espera estava se arrastando.
Ayla aproveitou a suposta calmaria para ir até a cozinha. Usava apenas um shortinho curto de seda preta e uma regata branca fina, que marcava seus seios empinados sem sutiã. O tecido fino deixava pouco para a imaginação, mas ela achava que Gabriel estava trancado no quarto de hóspedes jogando videogame.
Ela abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água gelada e bebeu direto do gargalo, deixando uma gota solitária escorrer pelo canto dos lábios, descer pelo pescoço esguio e se perder no decote.
— Se eu soubesse que a recepção ia ser com esse show particular, já tinha mandado o Lucas embora há mais tempo.
Ayla se sobressaltou. O som daquela voz grave, rouca e arrastada ecoou bem atrás dela.
Quando virou de supetão, deu de cara com a parede de músculos tatuados. Gabriel estava ali, parado a centímetros de distância, com uma mão apoiada na bancada de mármore e a outra no bolso da bermuda jeans. Ele estava sem camisa. O cheiro dele — uma mistura inebriante de madeira nobre, menta e pele quente — tomou conta de todos os sentidos dela instantaneamente.
— Você não sabe bater na porta, babaca? — disparou Ayla, cruzando os braços sob os seios para disfarçar o arrepio violento que desceu por sua espinha, o que apenas empurrou o decote mais para cima.
Os olhos de Gabriel desceram deliberadamente até ali. Um sorriso lento, insolente e absurdamente atraente surgiu no canto de seus lábios.
— A cozinha não tem porta, gracinha — murmurou ele, dando um passo lento para a frente, encurralando-a contra a pia fria. — E você sabe muito bem que eu fico onde eu quiser.
— A casa é do meu irmão. E minha. Você é só um parasita bonito demais pro próprio bem que não se toca que é indesejado.
Gabriel deu uma risada baixa, rouca, que vibrou no peito largo. Ele se inclinou para a frente. O calor que emanava dele era tão intenso que Ayla sentiu as pernas fraquejarem.
— Parasita bonito? — Gabriel inclinou a cabeça, os olhos faiscando de malícia. — Engraçado... você adora dizer que me odeia, Ayla. Mas toda vez que eu passo por você, o seu coração bate tão forte que dá pra escutar daqui. E você tá toda arrepiada agora. É de ódio também?
— É nojo — mentiu ela, o peito subindo e descendo com força, o ar de repente rarefeito demais entre eles. — Dá o fora do meu caminho, Gabriel.
Ela tentou empurrá-lo pelos ombros, mas suas palmas apenas encontraram a rigidez sólida da pele quente dele. Era como tentar mover uma rocha esculpida. Gabriel nem se mexeu. Em vez disso, seus dedos grandes e ásperos envolveram os pulsos delicados de Ayla, erguendo-os e prendendo-os contra o mármore atrás das costas dela.
A proximidade agora era total. O peito nu dele colou nos seios cobertos pela regata fina. Ayla soltou um suspiro entrecortado quando sentiu a rigidez indiscutível entre as pernas de Gabriel pressionando o vão de suas coxas.
— Mente pra mim de novo — sussurrou ele, a boca a milímetros do ouvido dela, fazendo os pelinhos da sua nuca se arrepiarem por completo. — Me xinga, vai. Fala que me odeia enquanto você molha esse shortinho só de sentir meu peso em cima de você.
— Gabriel... seu desgraçado... — arfou ela, mas a voz saiu sem forças, quase um gemido, desarmada pela boca dele que roçou a curva do seu pescoço.
— Eu sou um desgraçado, Ayla — ele sussurrou contra a pele macia dela, cravando os lábios no ponto sensível logo abaixo da orelha e sugando de leve, arrancando um tremor involuntário dos quadris dela. — Mas sou o desgraçado que você passa a noite inteira sonhando acordada em ter em cima de você. Não tenta negar. Eu vejo como você me olha quando acha que eu não tô prestando atenção.
Ayla tentou resistir, tentou reunir o orgulho que manteve por meses de brigas infantis, alfinetadas venenosas e olhares disfarçados do outro lado da sala de estar. Mas a verdade é que o ódio sempre fora apenas a máscara mais conveniente para o desejo alucinante que a consumia dia e noite.
— Se o Lucas... se ele entrar... — murmurou ela, as unhas agora se cravando nos braços fortes dele em vez de tentar afastá-lo.
— O Lucas tá preso na portaria esperando o síndico liberar o elevador com as chaves — Gabriel murmurou, descendo os lábios pelo queixo dela até alcançar a boca entreaberta. — Nós temos tempo. E eu esperei tempo demais pra calar essa sua boca atrevida do único jeito que funciona.
Antes que ela pudesse retrucar, Gabriel a beijou.
Não foi um beijo suave. Foi uma invasão faminta, crua, urgente. A língua dele abriu passagem de forma dominante, quente e possessiva, encontrando a dela num ritmo selvagem que fez a cabeça de Ayla rodar. O gosto dele era viciante, uma tempestade de adrenalina e luxúria acumulada por anos de tensão não resolvida. Ayla soltou um gemido abafado contra a boca dele e respondeu na mesma moeda, enlaçando os braços no pescoço bronzeado de Gabriel e puxando-o para mais perto, querendo mais, querendo tudo.
Gabriel gemeu rouco contra os lábios dela. Com uma facilidade impressionante, ele a segurou pela cintura fina e a ergueu, sentando-a de uma vez sobre a bancada de mármore. Suas pernas se abriram naturalmente para acomodar o corpo pesado dele entre elas.
— Caralho, Ayla... — praguejou ele entre os beijos, a respiração queimando. — Você é uma perdição. Gostosa pra caralho.
As mãos grandes de Gabriel desceram vorazes para a barra da regata dela, arrancando a peça branca por cima da cabeça dela em um único movimento bruto. Os seios fartos, perfeitos, com os bicos rosados e rígidos pela excitação, saltaram diante dos olhos escuros dele. Gabriel engoliu em seco, o olhar brilhando como o de um predador faminto que finalmente alcança a presa.
— Você é linda demais. Puta que pariu — rosnou ele, curvando-se para abocanhar um dos bicos entre os lábios quentes, chupando com força, enquanto sua mão massageava o outro com a pressão perfeita.
Ayla jogou a cabeça para trás, cravando os dedos nos cabelos castanhos e espessos de Gabriel. As costas dela arquearam para a frente, entregando-se sem reservas ao prazer que explodia em ondas pelo seu ventre.
— Gabriel... porra, não para... — implorou ela, abandonando qualquer vestígio de fingimento.
Ele atendeu ao pedido, alternando as carícias com a língua áspera, lambendo, mordiscando a carne macia até deixá-la em carne viva de puro deleite. Ao mesmo tempo, a mão direita dele desceu pela barriga lisa dela, passando pela barra de elástico do short de seda e mergulhando diretamente na calcinha úmida.
Quando os dedos compridos de Gabriel encontraram a intimidade empapada e febril de Ayla, ele soltou uma risada rouca, carregada de triunfo e tesão desenfreado.
— Olha só isso... — sussurrou ele, deslizando dois dedos pelo centro molhado dela, massageando o clitóris intumescido com movimentos circulares precisos. — Diz pra mim de novo que você me odeia, Ayla. Fala na minha cara.
— Eu te odeio... — gemeu ela, os quadris rebolando instintivamente contra os dedos dele, buscando alívio para a fricção deliciosa. — Eu odeio como você me deixa louca, odeio o quanto eu te quero... caralho, Gabriel, por favor!
— Eu também quero você, porra. Quero você desde o primeiro dia que botei os pés nessa casa — confessou ele com a voz embargada de desejo, a farsa do homem impassível se desfazendo completamente.
Sem perder mais nenhum segundo, Gabriel puxou o short de seda e a calcinha dela de uma só vez, jogando as peças no chão da cozinha. Seus olhos devoraram a visão dela, nua da cintura para baixo, aberta e brilhando de desejo sobre a bancada. Com pressa febril, ele abriu a própria bermuda, empurrando o jeans e a cueca para baixo até que seu pau pulasse para fora — longo, grosso, latejante de veias saltadas e com a ponta vertendo líquido seminal.
A visão daquele homem absurdo pronto para tomá-la fez a boca de Ayla secar.
Gabriel segurou as coxas macias dela, puxando-a até a beirada extrema do mármore. Ele alinhou a ponta úmida de sua glande com a entrada apertada e quente dela, encarando-a fundo nos olhos. Não havia mais zombarias, apenas uma paixão feroz, despida de defesas.
— Olha pra mim — ordenou ele em tom rouco. — Não fecha os olhos.
Gabriel empurrou o quadril para a frente, afundando com firmeza e lentidão em seu interior.
Ayla soltou um grito abafado, que ele engoliu capturando sua boca novamente. A sensação de ser preenchida por ele era avassaladora; Gabriel era grande demais, quente demais, ocupando cada centímetro dela com uma plenitude que a fez arquear o corpo inteiro. Ele estacou por um segundo no fundo, deixando que as paredes quentes dela se moldassem à sua grossura, respirando pesado contra a bochecha corada de Ayla.
— Você é perfeita... tão apertada... — murmurou ele, gemendo de prazer puro.
Ele começou a se mover. Primeiro com estocadas lentas, profundas, arrancando gemidos sôfregos do fundo da garganta dela a cada investida. As pernas de Ayla envolveram a cintura estreita de Gabriel, puxando-o ainda mais para o fundo, trancando seus corpos em um encaixe sem espaço para o ar.
O ritmo rapidamente se acelerou. O som dos corpos suados colidindo no silêncio da cozinha começou a ecoar ritmicamente, pontuado por respirações entrecortadas e sussurros sujos. Gabriel segurou os quadris dela com força suficiente para deixar marcas, cravando as pontas dos dedos na carne macia enquanto a fodia com uma cadência implacável, forte e certeira, acertando em cheio o ponto mais sensível dentro dela a cada estocada.
— Mais... Gabriel, mais forte! — pedia ela, sem pudor algum, jogando os braços no peito dele, arranhando suas costas com as unhas compridas.
— Você gosta assim, porra? Gosta do meu pau no fundo da sua buceta? — rosnava ele no ouvido dela, os dentes mordiscando seu ombro enquanto aumentava a violência deliciosa de suas investidas.
— Eu adoro... meu Deus, eu vou... eu não vou aguentar...
— Vem pra mim, Ayla. Goza em mim — ordenou ele, os movimentos se tornando quase desesperados, o suor brilhando em seus ombros e gotejando no peito dela. — Goza no meu pau agora!
O mundo se reduziu àquele atrito febril. Ayla sentiu a onda de choque se acumular no fundo do seu ventre, uma tensão insuportável que explodiu de repente em um orgasmo dilacerante. Suas paredes internas se contraíram com violência ao redor do membro dele, ordenhando-o em espasmos incontroláveis. Ela gritou o nome dele, as pernas tremendo enquanto se derramava por completo.
A pressão insana daquele aperto foi a gota d'água para Gabriel. Com um rosnado primitivo e gutural, ele enterrou o quadril uma última vez até a raiz, tremendo dos pés à cabeça enquanto jorrava jatos quentes e copiosos dentro dela, inundando-a com sua essência em um clímax longo e devastador.
Por vários minutos, o único som na cozinha era o de suas respirações ofegantes, desacelerando aos poucos. Gabriel manteve a testa colada na dela, os olhos ainda fechados, o peito subindo e descendo freneticamente contra o dela. Ele não recuou; manteve-se profundamente enterrado dentro de Ayla, como se recusasse a deixá-la ir.
Devagar, Gabriel abriu os olhos. O deboche habitual havia desaparecido por completo, dando lugar a uma intensidade vulnerável que Ayla nunca tinha visto nele. Sua mão grande e calejada subiu com cuidado para acariciar a bochecha úmida dela, afastando uma mecha de cabelo grudada pelo suor.
— Isso nunca foi ódio, não é? — perguntou ele, a voz incrivelmente mansa, desprovida de qualquer cinismo.
Ayla engoliu em seco, sentindo o coração disparar no peito de um jeito completamente diferente de antes. O calor que restava entre eles não era apenas tesão; era o peso esmagador de algo muito mais profundo, algo que nenhum dos dois conseguia mais ignorar.
— Não — admitiu ela em um sussurro sincero, descansando a mão sobre o peito dele, onde o coração de Gabriel batia no mesmo ritmo descompassado que o seu. — Nunca foi ódio.
Gabriel sorriu, um sorriso genuíno que iluminou todo o seu rosto, e beijou suavemente os lábios dela, sem pressa, com uma ternura inesperada que fez o estômago de Ayla revirar em borboletas.
— Bom — disse ele contra a boca dela, os olhos brilhando —, porque agora que eu sei o gosto que você tem, Ayla, você nunca mais vai se livrar de mim. Nem que o Lucas tente me matar.
O barulho distante de chaves tilintando na fechadura da porta principal quebrou o transe.
— Droga! O Lucas! — arregalou os olhos Ayla, o pânico tomando conta.
Gabriel riu baixo, uma risada rouca e deliciosa, puxando-se para fora dela com relutância antes de puxar a bermuda para cima. Com um piscar de olhos cúmplice e safado, ele pegou a regata dela no chão e a entregou:
— Veste isso rápido, minha marrenta. Mas isso aqui tá longe de acabar.
