
Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 14/10/2026
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Traços Fora da Margem
O som abafado da porta da frente batendo ecoou por todo o corredor de papel rígido da residência. Passos apressados do lado de fora indicavam que a mãe de Oliver já havia partido para os afazeres da tarde, mas não sem antes cumprir seu ritual meticuloso: todas as trancas devidamente viradas e as cortinas grossas puxadas, bloqueando quase que inteiramente a claridade do sol. O quarto de Oliver estava mergulhado em uma penumbra suave, onde apenas feixes finos de poeira luminosa flutuavam no ar estático.
No chão acarpetado, Oliver estava esparramado de maneira completamente desleixada. Seus longos cabelos brancos, que chegavam até a altura dos tornozelos, espalhavam-se como um rio pálido pelo tecido escuro, presos frouxamente pelo laço preto na base da nuca. A mecha pontiaguda no topo de sua cabeça balançava preguiçosamente de um lado para o outro enquanto ele mastigava, com um prazer quase inexplicável, um pedaço retangular de sabonete com cheiro de lavanda.
Ele mastigava a barra cerosa como se fosse chocolate fino, emitindo pequenos estalos satisfeitos. Ao lado de sua perna, uma pequena caixinha de metal guardava algumas lâminas de barbear novas e reluzentes, seu petisco favorito para quando a madeira de lápis comum ficava entediante demais.
Sentado a uma distância prudente, com as costas apoiadas na lateral da cama de Oliver, estava Edward. O rapaz ajustava com precisão meticulosa uma pequena engrenagem de um protótipo qualquer que havia trazido da escola. Seus dedos ágeis trabalhavam rápido, mas a sua concentração já havia sido quebrada há pelo menos vinte minutos, desde que o barulho de mastigação e o aroma adocicado de produto de limpeza começaram a preencher o recinto.
— Você realmente vai comer isso inteiro? — perguntou Edward, sem levantar os olhos do metal, embora sua voz entregasse uma irritação fingida. — Você tem noção do quanto isso é bizarro, Oliver? Até para o seu padrão.
Oliver engoliu a pasta cremosa de sabão e soltou uma risada rouca e divertida. Ele rolou de lado, apoiando o peso do corpo sobre o cotovelo direito, enquanto a ponta afiada de grafite do seu braço esquerdo tamborilava no chão, fazendo pequenos furos ritmados no tapete.
— Qual é, Eddie? É cheiroso, limpa o paladar e deixa um gosto refrescante — respondeu Oliver com um sorriso largo, exibindo dentes pontiagudos onde ainda brilhava uma leve película de espuma branca. — Quer um pedaço? Tem gosto de flores roxas e pura superioridade.
— Passo. Minha dieta não inclui cosméticos e produtos sanitários, muito obrigado — ironizou Edward, ajustando os óculos e tentando parecer impassível.
— Uma pena. Você vive tão tenso com essas suas parafernálias... Um pouco de sabão relaxaria esse seu estômago amarrado — zombou o albino, espreguiçante.
Oliver ergueu o tronco com a lentidão calculada de um predador que não tem pressa alguma. Ele se ajoelhou e começou a rastejar silenciosamente na direção do amigo. A marca vermelha em forma de "A+" em sua franja parecia brilhar de leve sob a luz tênue do quarto, e seus chifres negros pontiagudos cortavam a penumbra com imponência. Ele parou a poucos centímetros de Edward, inclinando a cabeça para o lado. A camisa preta de gola branca dele estava ligeiramente amassada, o relógio no pulso direito marcava horas que nenhum dos dois se importava em conferir.
Edward notou a aproximação e engoliu em seco, tentando manter os olhos grudados na engrenagem.
— O que foi agora? — resmungou Edward, sentindo a respiração alheia invadir seu espaço.
— A Zip não veio hoje — comentou Oliver, sua voz baixando para um tom quase melodioso, perigoso e provocador. — Ficamos só nós dois. A casa trancada. As cortinas fechadas. Ninguém para encher o saco... E você prefere olhar para um pedaço de ferro enferrujado?
— Não é ferro enferrujado, é um disparador de repetição aprimorado para quando a gente quiser acertar o Engel no recreio — retrucou Edward, sentindo o calor subir lentamente pelas bochechas.
— O Engel pode esperar — sussurrou Oliver, rindo baixinho.
Com uma lentidão deliberada, Oliver ergueu o braço esquerdo. A ponta de grafite escuro do lápis deslizou suavemente pela lateral do rosto de Edward, contornando a mandíbula até erguer de leve o queixo do inventor. O toque era rígido, ligeiramente áspero, mas controlado com uma delicadeza que Oliver raramente demonstrava na Paper School.
Edward estremeceu com o contato. Suas mãos travaram sobre a ferramenta.
— Oliver... O que você tá fazendo? — perguntou ele, a voz saindo uma oitava mais fraca do que planejava.
— Te admirando, gênio — respondeu Oliver, piscando o olho de maneira descarada. — Você fica tão bonitinho quando tenta bancar o intelectual estressado. Especialmente agora, que essa sua cara tá ficando vermelha que nem a minha nota na franja.
— Eu não estou vermelho! — rebateu Edward prontamente, sentindo o rosto queimar ainda mais, o que só provava a tese do outro.
— Ah, tá sim. Vermelho como uma maçã fresca... Ou talvez uma cereja. Dá até vontade de morder — provocou o garoto dos cabelos longos, diminuindo ainda mais o espaço entre eles.
Oliver avançou os joelhos, encurralando Edward contra a madeira da cama. Ele usou a mão direita de carne e osso para pousar sobre o peito de Edward, sentindo a batida descompassada do coração do amigo. Com o braço de lápis, Oliver tocou suavemente o ombro de Edward, deslizando o corpo longo até que seus rostos estivessem a milímetros de distância. O cheiro de grafite fresco misturado com lavanda artificial e metal pairava entre eles como uma névoa inebriante.
— Por que você tá tão nervoso, Eddie? — murmurou Oliver, soprando as palavras diretamente contra os lábios alheios. — A gente faz quase tudo junto. Aterroriza os novatos, rouba os testes da Miss Circle, cabula aula... Mas você nunca chega tão perto, né? Tem medo de se queimar?
— Você é um idiota, Oliver — disse Edward, embora seus olhos estivessem completamente vidrados nos lábios esbranquiçados e sorridentes do rapaz à sua frente.
— Sou mesmo. Mas sou o seu idiota favorito. Admite logo.
— Não admito nada — respondeu Edward em um tom trêmulo.
— Não precisa falar com palavras, então — sussurrou Oliver, semicerrando os olhos dourados em um desafio explícito. — Mostra. Se você for homem suficiente para aguentar o tranco.
Aquilo foi a gota d'água para Edward. Todo o controle metódico, a pose de inventor racional e a resistência que ele tentava erguer ruíram sob o peso do sorriso presunçoso e desafiador de Oliver.
Em um movimento brusco e impulsivo, Edward soltou as ferramentas no chão, que caíram com um tinido metálico no carpete. Ele avançou as mãos, enroscando os dedos com firmeza nos longos fios brancos de Oliver, puxando-o para frente sem pedir licença.
Edward selou seus lábios nos de Oliver com uma intensidade que pegou até mesmo o valentão de surpresa.
O beijo começou afoito, carregado pela frustração reprimida e pelo desejo que vinha se acumulando naquele quarto fechado. A boca de Oliver tinha o gosto bizarro e inconfundível de sabão de lavanda, com um travo metálico suave, mas longe de afastar Edward, aquilo pareceu acender ainda mais sua ousadia. Oliver emitiu um gemido surpreso contra a boca do outro, mas o choque durou apenas uma fração de segundo.
Logo, os olhos de Oliver brilharam em deleite puro. Ele adorou a reação. Adorou a audácia.
Oliver respondeu com a mesma agressividade voraz, aprofundando o contato. Sua língua encontrou a de Edward em uma dança desajeitada, quente e eletrizante. A mão destra de Oliver subiu imediatamente para a nuca de Edward, segurando-o firme, enquanto a ponta do seu braço de lápis raspava de leve nas costas do rapaz, arranhando o tecido de sua roupa em um arrepio involuntário.
Eles se beijavam com uma fome quase desesperada, tropeçando no ritmo até encontrarem um compasso próprio, úmido e barulhento na calmaria silenciosa da casa. Edward apertava a cintura de Oliver, puxando o corpo esguio do albino para mais perto, querendo eliminar qualquer distância restante.
Quando o ar finalmente se fez necessário, Edward partiu o beijo com um estalo suave, deixando um fio tênue de saliva e uma mecha branca presa entre seus rostos ofegantes. O peito de ambos subia e descia com violência.
Oliver abriu os olhos lentamente, um sorriso enorme, quase insano de contentamento, rasgando suas feições.
— Olha só... — murmurou Oliver, mordiscando levemente o lábio inferior inchado de Edward. — Você esconde as garras muito bem, seu quatro-olhos atrevido.
— Você não queria ver se eu aguentava o tranco? — devolveu Edward com um sorriso arrogante, recuperando o fôlego, com as pupilas dilatadas de pura adrenalina.
— Eu amei cada segundo — riu Oliver, antes de dar uma risadinha nasalada e travessa.
Sem aviso prévio, Oliver agarrou Edward pelos ombros e empurrou seu peso para trás, usando o impulso do próprio corpo para derrubar ambos sobre o colchão macio. Eles caíram na cama com um baque abafado, afundando nos lençóis escuros e desgrenhados.
Os cabelos imensos de Oliver se espalharam ao redor de suas cabeças como uma teia imensa, enquanto a mecha pontiaguda no topo parecia ainda mais despenteada. Edward ficou por cima por um instante, com as mãos apoiadas ao lado da cabeça de Oliver, olhando nos olhos semicerrados e brilhantes do albino.
— Tá confortável aí embaixo? — provocou Edward, passando os dedos suavemente pela bochecha pálida de Oliver, perto da marca escarlate.
— Muito — respondeu Oliver, enlaçando a cintura de Edward com as pernas longas cobertas pelas meias brancas até os joelhos. — Mas acho que você ainda me deve uma explicação... Aquele beijo foi muito bom para ter sido ideia de última hora. Há quanto tempo você tava pensando nisso, hein?
Edward desviou o olhar por um segundo, o rubor voltando a tingir suas orelhas, mas Oliver não permitiu que ele escapasse. Usando a base de madeira do seu braço esquerdo, ergueu o queixo de Edward novamente, forçando-o a encará-lo.
— Fala logo, Eddie. Eu não mordo... Muito.
— Cala a boca, Oliver — resmungou Edward, inclinando-se para frente outra vez.
— Vem calar.
Edward não precisou ouvir o convite duas vezes. Ele desceu novamente contra os lábios de Oliver, prendendo o garoto travesso sob seu peso na cama. Oliver riu contra a boca dele antes de ceder totalmente, envolvendo os braços em volta do pescoço de Edward e puxando-o para mais fundo naquele emaranhado de lençóis, cabelos alvos e segredos sussurrados no escuro.
A casa continuava trancada e vazia, o mundo de papel lá fora não fazia a menor falta, e para aqueles dois, a tarde estava apenas começando.
