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Presos juntos

Fandom: Kpop

Criado: 14/10/2026

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O Labirinto de Aço

O cheiro de ferro enferrujado e desinfetante barato era a única coisa real naquele pesadelo.

Park Jimin mantinha a cabeça baixa, mas seus pensamentos estavam a quilômetros dali, dentro de um quarto estéril de hospital onde os monitores cardíacos apitavam em um ritmo frágil. Sua mãe estava deitada sob lençóis brancos, acreditando piamente que seu único filho havia conseguido um contrato corporativo irrecusável no exterior. Ela sorrira, fraca e com as bochechas encovadas pelo tratamento agressivo, dizendo para ele não se preocupar e que aquele dinheiro finalmente pagaria as cirurgias.

Ela não sabia que o suposto trabalho de entregador de documentos era uma farsa calculada. Jimin fora parado por homens engravatados e policiais armados até os dentes antes mesmo de pisar no aeroporto. Em sua mala modesta, não havia roupas ou papéis, mas sim quilos de substâncias ilícitas e registros adulterados. Tudo armado com uma precisão cirúrgica da qual ele era totalmente ignorante.

Ele era pobre, não tinha um tostão para pagar advogados decentes e agora estava ali, trancafiado no inferno de concreto da penitenciária de segurança máxima de Haenam.

— Olhem só o que caiu na nossa rede, rapazes.

A voz grossa e rouca ecoou pelo pátio cinzento, interrompendo os pensamentos dolorosos de Jimin. O sol da tarde quase não aquecia o chão de cimento batido. Os fios loiros de Jimin, brilhando contra a monotonia do uniforme azul-escuro de presidiário, chamavam uma atenção indesejada desde o minuto em que ele havia cruzado os portões de ferro fundido. Para piorar, seus olhos azuis cristalinos — uma herança genética rara que sua mãe sempre elogiara — pareciam duas gemas brilhantes demais para um esgoto como aquele.

— Carne fresca — assobiou outro detento, aproximando-se com passos pesados. Ele tinha o dobro da largura de Jimin, com uma cicatriz feia rasgando o supercílio. — E das mais macias. O que um princesinho loiro como você fez para parar aqui? Roubou a bolsa de alguma madame?

Jimin parou onde estava, apertando as mãos em punhos dentro dos bolsos do macacão largo. Seu coração martelava contra as costelas, o medo querendo paralisar seus membros, mas o orgulho e o desespero falaram mais alto.

— Não é da sua conta — respondeu Jimin, a voz firme apesar do tremor sutil em seus lábios. — Fique longe de mim.

Uma gargalhada alta e debochada explodiu do grupo de três homens que o cercavam lentamente. Outros prisioneiros pararam para assistir, encostados nas cercas de arame farpado, sorrindo com a violência iminente.

— Ele é bravinho — disse o homem da cicatriz, estendendo uma mão calejada e encardida em direção ao rosto de Jimin. — Vamos ver quanto tempo essa marra dura quando a gente...

Antes que os dedos imundos tocassem sua pele, Jimin reagiu. O medo acumulado explodiu em adrenalina pura. Ele se esquivou com agilidade e desferiu um soco direto no nariz do agressor. O estalo de cartilagem quebrando ecoou no ar, seguido por um urro de dor e fúria.

— Seu desgraçado! — rugiu o brutamontes, cobrindo o rosto ensanguentado.

— Peguem ele! Quebrem as pernas desse merdinha! — gritou o terceiro homem, avançando como um touro.

Jimin tentou manter a postura defensiva que aprendera em aulas baratas de defesa pessoal na adolescência, mas a realidade de uma prisão não perdoava a técnica. Ele conseguiu acertar um chute na canela de um dos agressores, fazendo-o cambalear, mas logo foi atingido por trás.

Um golpe violento contra suas costas tirou o ar de seus pulmões. Jimin caiu de joelhos no asfalto áspero, ralando a pele sob o tecido fino. Antes que pudesse se levantar, um chute atingiu suas costelas, fazendo-o cuspir sangue.

— Acha que é homem, loira? — rosnou um deles, puxando-o pelos cabelos loiros com força cruel.

Mesmo sufocado pela dor lancinante, Jimin não se calou. Com a visão turva pelo sangue e pelas lágrimas, ele cuspiu diretamente no rosto do homem que o segurava.

— Vão para o inferno — rosnou ele entre dentes.

A resposta foi uma sequência brutal de socos e pontapés. Jimin se encolheu, protegendo a cabeça com os antebraços, mas os ossos pareciam ranger a cada impacto. Eram três contra um. O barulho de risadas sádicas, o gosto amargo de ferro na boca e o cheiro de poeira sufocavam seus sentidos. Ele não implorou. Não pediu misericórdia. Preferia morrer ali a dar esse prazer à escória que o cercava.

De repente, apitos estridentes cortaram o barulho da carnificina.

— Afastem-se! Todos no chão agora! — gritaram guardas armados com cassetetes pesados e escudos de choque, empurrando a multidão com violência teatral.

Curiosamente, nenhum guarda parecia surpreso. Nenhum deles agira com pressa real para salvar o novato. Dois oficiais agarraram Jimin pelos braços, puxando-o sem qualquer delicadeza enquanto ele gemia de dor, os pés mal tocando o chão.

O capitão da guarda, um homem de meia-idade com olhar gélido e sorriso cínico, aproximou-se devagar.

— Olha só... mal chegou e já está arrumando motim, garoto? — disse o oficial, inclinando-se para encarar os olhos azuis e desafiadores de Jimin.

— Eles me atacaram... — balbuciou Jimin, a voz entrecortada pelo fôlego curto. — Foram três contra um...

— Não quero saber das suas desculpas — cortou o capitão, com um brilho calculista no olhar. — Na minha prisão, baderneiros recebem lições especiais. Vamos ver se você mantém essa audácia toda onde a luz não bate.

Longe dos olhos dos outros detentos, enquanto era arrastado pelos corredores subterrâneos do Bloco D, Jimin não percebeu a troca cúmplice de olhares entre os carcereiros. Ele não sabia, mas tudo — desde sua prisão armada na capital até aquela briga orquestrada no pátio — era uma engrenagem fria e meticulosa. Jimin não passava de uma isca. Um coelho ferido jogado de propósito na jaula do predador mais temido do país para ver se conseguiam fazê-lo cantar onde estavam as armas.

O Bloco D era assustadoramente silencioso. Não havia gritos de desespero, nem pancadas em grades. Conforme desciam os lances de escada, a temperatura caía drasticamente. O ar tinha um peso quase físico, uma aura opressiva que fazia até os guardas mais brutais calarem a boca e andarem com passos comedidos.

Ali ficavam os monstros que o governo não podia executar, mas também não conseguia controlar.

E, no topo dessa cadeia alimentar, havia apenas um nome.

Os guardas pararam diante da cela de número 01, no final do corredor isolado. A porta não era de barras comuns, mas de aço reforçado com apenas uma pequena fresta para passagem de ar e uma portinhola inferior. Um dos guardas destrancou as pesadas travas eletrônicas e manuais com mãos visivelmente tensas.

— Boa sorte, loirinha — zombou o capitão em um sussurro abafado, antes de empurrar Jimin violentamente para dentro.

A porta bateu com um estrondo metálico definitivo, trancando-se com três cliques pesados.

Jimin tropeçou nos próprios pés doloridos, o corpo clamando por repouso, e acabou caindo de joelhos no chão de pedra fria. O impacto fez suas costelas feridas latejarem em agonia. Ele apoiou as palmas no chão, respirando com dificuldade, os fios loiros caindo desgrenhados sobre a testa suada e marcada por fuligem e sangue.

O silêncio do lugar era absoluto, quebrado apenas por sua respiração ofegante.

Lentamente, Jimin ergueu a cabeça e examinou o espaço.

A cela não parecia em nada com o restante da prisão decrépita. Não havia mofo aparente, nem sujeira acumulada pelos cantos. Havia uma cama estreita, mas impecavelmente arrumada, com lençóis esticados sem uma única dobra. Sobre uma escrivaninha de madeira maciça — um privilégio impensável para qualquer preso comum —, pilhas de livros de capa dura repousavam em simetria perfeita, alinhados com precisão milimétrica ao lado de um tinteiro e uma luminária de leitura que emitia uma luz âmbar e suave.

E, sentado na beirada daquela cama, estava o dono do território.

Jimin sentiu o ar sumir de seus pulmões, e desta vez não foi por causa dos golpes que levara.

Jeon Jungkook era uma lenda viva do submundo, e Jimin já ouvira sussurros sobre ele até mesmo nas periferias onde crescera. O homem à sua frente parecia esculpido em granito e sombras. Ele vestia uma regata preta justa que deixava à mostra ombros largos, trapézios imponentes e braços incrivelmente musculosos, cuja pele bronzeada era quase inteiramente coberta por tatuagens intricadas: dragões orientais, ideogramas antigos, flores de lótus envoltas em arame farpado e serpentes que pareciam se mover sob os músculos tensos.

Jungkook estava com a cabeça baixa, compenetrado na leitura de um livro espesso encadernado em couro. Ele nem sequer havia piscado ou levantado o olhar quando a porta se abriu com estrondo. Sua postura era a de um predador em repouso absoluto, alguém que não precisava provar seu perigo porque o mundo inteiro já tremia diante de sua existência. Até os guardas se curvavam quando ele passava; a rede de tráfico de armas e mercadorias que ele comandava continuava funcionando perfeitamente do lado de fora, mesmo com seu líder atrás das grades.

O silêncio estendeu-se por um minuto que pareceu durar séculos.

Jimin engoliu em seco, tentando se levantar. Suas pernas fraquejaram, mas ele se recusou a ficar rastejando no chão como um animal abatido. Apoiou a mão na parede fria e ficou de pé, cambaleando levemente. A dor em seu lábio partido pulsava a cada batimento cardíaco.

Jungkook finalmente moveu um dedo, virando uma página do livro com lentidão quase cerimonial. O farfalhar do papel soou alto demais no cubículo silencioso.

— Você está sangrando no meu chão — disse Jungkook.

A voz era profunda, aveludada, mas carregava uma frieza cortante que fez os pelos da nuca de Jimin se arrepiearem. Ele não olhou para Jimin ao falar; continuava com os olhos escuros fixos nas linhas do livro.

— Desculpe por existir tão inconvenientemente — retrucou Jimin, com um tom áspero, a voz falhando ligeiramente pela garganta seca. Ele não conseguia evitar; o sarcasmo era a única armadura que lhe restara depois de ter sido espancado.

Jungkook pausou. Pela primeira vez, ergueu o rosto devagar.

Seus traços eram aristocráticos e selvagens ao mesmo tempo: um maxilar quadrado e afiado, lábios finos, e olhos escuros como poços sem fundo que pareciam capazes de dissecar a alma de qualquer um. Quando aquele olhar recaiu sobre Jimin, analisando-o dos pés à cabeça — detendo-se no contraste dos cabelos dourados bagunçados e dos olhos azuis intensos —, o ar da cela pareceu rarefeito.

— Você tem língua comprida para alguém que mal consegue ficar de pé — observou Jungkook, fechando o livro com um estalo suave. Ele colocou o volume exatamente sobre a marca deixada na mesa, mantendo o ângulo reto com a borda.

— Não sabia que precisava de autorização para falar — respondeu Jimin, limpando o sangue do canto da boca com as costas da mão suja, apenas para borrar ainda mais o rosto.

Apesar da dor terrível em suas costelas, a curiosidade inata de Jimin não tardou a se manifestar. Ele era um enxerido incorrigível, o tipo de pessoa que não conseguia deixar de observar detalhes, mesmo quando a situação exigia discrição absoluta. Ele notou a caneta tinteiro dourada na mesa, os títulos dos livros — clássicos da literatura russa e tratados de estratégia militar —, e o fato de que tudo ali dentro cheirava a madeira de cedro e sândalo, não a suor e urina como o resto da prisão.

Jimin deu um passo trôpego para o lado, querendo se afastar da presença avassaladora de Jungkook, mas seu pé tropeçou na quina de um pequeno banquinho de madeira colocado estrategicamente perto da escrivaninha.

— Cuidado! — a voz de Jimin soou num sobressalto infantil quando perdeu o equilíbrio.

Ao tentar se segurar na borda da mesa para não cair, seu braço bateu acidentalmente na pilha de cadernos meticulosamente organizados. Três deles escorregaram, caindo no chão com estrondo, enquanto o tinteiro balançou perigosamente, parando torto sobre uma folha de anotações impecável.

Jimin congelou, segurando a respiração.

O olhar de Jungkook desceu lentamente da figura trôpega e desastrada de Jimin para os cadernos caídos no chão, e depois para a mesa onde sua ordem impecável acabara de ser violentada. O maxilar tatuado do chefe do tráfico se retesou, veias saltando em seus braços volumosos conforme suas mãos grandes se fecharam em punhos.

A temperatura da cela pareceu cair abaixo de zero.

— Eu... eu não fiz de propósito — apressou-se Jimin em dizer, agachando-se rapidamente em uma tentativa desesperada de consertar o erro. — Já estou juntando, calma...

Ele estendeu a mão em direção aos cadernos, mas antes que seus dedos tocassem o couro das capas, uma sombra cobriu seu corpo por inteiro.

Jungkook se movera com a velocidade de um felino predador. Em um segundo ele estava na cama; no outro, estava de pé diante de Jimin. Ele não precisou erguer a mão para agredir; apenas a proximidade física de seu peito musculoso e sua altura imponente foram suficientes para fazer Jimin recuar contra a parede, prendendo o ar.

— Se der mais um passo em falso — sussurrou Jungkook, inclinando-se para frente até que sua respiração quente batesse na pele ferida de Jimin —, ou se você ousar encostar um único dedo imundo nas minhas coisas novamente, eu garanto que os três homens lá fora vão parecer um piquenique de primavera comparado ao que farei com você.

Jimin engoliu em seco, sentindo as costas coladas no concreto áspero. Os olhos azuis encararam os abismos negros de Jungkook com uma mistura volátil de medo genuíno e teimosia incurável.

— Foi um acidente — murmurou Jimin, os lábios trêmulos, mas a voz teimando em não quebrar.

Jungkook encarou a face machucada do rapaz loiro por longos segundos. Havia algo estranho nele. A fragilidade aparente do corpo não condizia com o fogo insolente naqueles olhos azuis claros. Jungkook sabia reconhecer um criminoso endurecido a quilômetros de distância, e Park Jimin claramente não era um. No entanto, os guardas o haviam jogado especificamente ali. Na sua cela. No seu espaço sagrado.

O chefe do crime estreitou os olhos, a mente afiada processando as peças invisíveis de um tabuleiro que Jimin nem sequer sabia que existia.

— Fique no seu canto — ordenou Jungkook, virando as costas e pegando os cadernos do chão com movimentos calmos, restaurando a ordem de sua mesa com precisão milimétrica. — Não fale comigo. Não olhe para mim. E não respire perto das minhas coisas.

Jimin escorregou pela parede até sentar-se no chão frio, encolhendo os joelhos contra o peito e abraçando as próprias pernas doloridas. Seu corpo todo queimava pelas pancadas, mas sua mente estava em turbilhão. A mãe enferma, a armadilha em que caíra, e agora... aquele homem monstruosamente perigoso e meticuloso que parecia dividir o mesmo oxigênio que ele.

Sem que nenhum dos dois soubesse, a caçada havia apenas começado, e a linha tênue entre a isca e o predador estava prestes a se romper para sempre.

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