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Tentando conquistar

Fandom: Cycle aurora Tyler e Saedii

Criado: 14/10/2026

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Ficção CientíficaÓpera EspacialRomanceDor/ConfortoAlmas GêmeasHistória DomésticaEstudo de PersonagemDrama
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O Peso da Coroa e o Calor da Puxada

A luz estéril dos corredores da Longbow parecia mais brilhante e irritante do que o normal, pelo menos para Saedii. Cada passo que ela dava, o som de suas botas militares contra o metal ecoava como um tiro, um lembrete ruidoso de que o dia tinha sido um desastre burocrático e estratégico. Os generais Syldari eram teimosos, os relatórios de danos eram extensos e a paciência dela tinha se esgotado aproximadamente quatro horas atrás.

Tyler Jones, caminhando meio passo atrás dela, observava a tensão nos ombros da guerreira. Ele conhecia cada linha daquela armadura emocional. Sabia que, quando Saedii apertava a mandíbula daquela forma, a ponto de os músculos do rosto saltarem, o universo inteiro corria perigo.

— Sabe, Saedii — começou Tyler, o tom de voz leve e carregado daquele otimismo que geralmente a fazia querer socá-lo —, se você continuar franzindo a testa desse jeito, vai acabar com rugas permanentes. E seria um crime galáctico estragar o rosto da mulher mais bonita de todos os setores conhecidos.

Saedii parou abruptamente e virou-se para ele. Seus olhos, escuros e intensos sob a maquiagem pesada que ainda permanecia impecável apesar do cansaço, brilharam com uma fúria contida.

— Tyler, se você disser mais uma palavra sobre a minha aparência ou usar um desses seus elogios baratos de academia, eu juro que te jogo pela eclusa de ar mais próxima. Sem traje.

Tyler não recuou. Em vez disso, deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela com a confiança de quem sabia exatamente o que estava fazendo. Ele exibiu aquela covinha característica no canto da boca, o sorriso de "garoto de ouro" que tinha o poder de desarmar frotas inteiras.

— Ah, a eclusa de ar. Que romântico. É a sua maneira de dizer que quer que eu fique sem fôlego por você? Porque já estou.

Saedii soltou um rosnado baixo, um som gutural que deveria ser ameaçador, mas que Tyler sabia ser apenas um sinal de que ela estava exausta demais para lutar contra "A Puxada". O elo biológico entre eles pulsava, uma vibração constante na base de seus crânios que implorava por proximidade.

— Vamos logo para casa — resmungou ela, virando as costas e apressando o passo em direção à pequena nave de transporte que os levaria aos seus aposentos privados na ala residencial da frota.

O trajeto foi silencioso, mas não um silêncio pacífico. Era o tipo de silêncio que precede uma tempestade de areia. Saedii tamborilava os dedos longos e finos na lateral da coxa, a irritação emanando dela em ondas. Tyler a observava de soslaio. Ele via a guerreira implacável, a mulher que fora moldada pela crueldade de um pai fanático, mas também via a mulher que, nas sombras, buscava o calor dele como se fosse a única fonte de luz no vácuo.

Quando finalmente entraram no apartamento que dividiam — um espaço que Tyler tinha tentado, sem muito sucesso, tornar "aconchegante" com algumas plantas e mantas — Saedii atirou suas armas sobre a mesa de metal com um estrondo desnecessário.

— Eu odeio todos eles — declarou ela, começando a desabotoar as placas de sua armadura com movimentos bruscos. — Odeio a burocracia, odeio a fraqueza dos conselheiros e odeio o fato de que ainda estamos discutindo rotas de suprimentos quando deveríamos estar esmagando focos de resistência.

Tyler aproximou-se lentamente, desfazendo-se também de sua jaqueta de Alfa.

— Eles são irritantes, eu sei — disse ele, suavizando o tom. — Mas você fez um bom trabalho hoje. A frota está segura por causa de você.

— Não venha com o discurso de líder motivacional, Jones — disparou ela, virando-se para ele. — Eu não sou um dos seus recrutas perdidos do Esquadrão 312. Eu sou uma arma. E agora, sinto que sou uma arma enferrujada em um mar de lama.

Ela se sentou no sofá de couro sintético, afundando a cabeça nas mãos. O cabelo escuro e levemente ondulado caiu sobre o rosto, escondendo-a do mundo. Tyler sentiu uma pontada no peito. A Puxada não era apenas atração física; era empatia em um nível celular. Ele sentia o cansaço dela, a dor nos músculos e a exaustão mental de carregar o peso de um império sobre os ombros.

— Ei — chamou ele, aproximando-se e ajoelhando-se no chão à frente dela. — Olhe para mim.

Saedii hesitou, mas acabou erguendo o rosto. A maquiagem escura estava levemente borrada nos cantos, dando-lhe uma aparência vulnerável que ela raramente permitia que alguém visse.

— O que foi? — perguntou ela, a voz falhando por um milímetro.

— Você está exausta. E quando você está exausta, fica ainda mais insuportável do que o normal — Tyler sorriu, pegando as mãos dela nas suas. — Deixe-me cuidar disso.

— Eu não preciso que cuidem de mim — ela tentou puxar as mãos, mas Tyler as segurou com firmeza, mas sem força.

— Eu sei que não precisa. Mas eu quero. E, tecnicamente, como seu parceiro de elo, é meu dever biológico garantir que você não exploda e destrua metade do quadrante.

Saedii revirou os olhos, mas a tensão começou a deixar seus ombros. Tyler levantou-se e foi até a pequena cozinha, preparando uma bebida quente com ervas que ele tinha conseguido contrabandear de um posto comercial terráqueo. Ele voltou e entregou a ela, sentando-se ao seu lado.

— Beba. É receita da minha mãe para dias em que o universo parece estar contra você.

Saedii tomou um gole, fazendo uma careta inicial que logo se transformou em um suspiro de satisfação. O calor do líquido pareceu derreter parte da armadura de gelo que ela construíra ao redor de si durante o dia.

— É... aceitável — admitiu ela.

— "Aceitável"? Uau, vou anotar isso no meu diário. "Saedii achou algo aceitável, o fim dos tempos está próximo" — Tyler brincou, ganhando um empurrão leve no ombro.

Eles ficaram ali por algum tempo, o silêncio agora mudando de forma. A Puxada estava agindo, puxando-os um para o outro como dois ímãs. Tyler começou a massagear suavemente a nuca de Saedii, seus dedos encontrando os pontos de tensão extrema. Ela soltou um gemido baixo, inclinando a cabeça para trás.

— Tyler... — ela murmurou.

— Shh. Apenas relaxe, guerreira. O império pode esperar até amanhã.

Lentamente, a postura defensiva de Saedii desmoronou. Ela se moveu, não para se afastar, mas para se aproximar. Para a surpresa de Tyler, ela não apenas encostou o ombro no dele. Ela girou o corpo e, com uma hesitação que era quase dolorosa de ver em alguém tão poderosa, deitou a cabeça no colo dele, esticando as pernas pelo sofá.

Tyler congelou por um segundo, o coração disparando. Saedii raramente iniciava esse nível de contato físico sem que houvesse uma dose de agressividade ou luxúria envolvida. Isso era... puro. Era afeto.

Ele passou a mão pelos cabelos escuros dela, acariciando os fios ondulados.

— Você está bem? — perguntou ele em voz baixa.

— Cala a boca, Jones — respondeu ela, fechando os olhos. — Se você contar para alguém que eu fiz isso, eu corto sua língua.

— Segredo de estado — prometeu ele, sorrindo para o teto. — Mas admita, meu colo é muito mais confortável do que aquele trono de comando rígido.

— É macio — admitiu ela, a voz ficando arrastada pelo sono. — Humano demais. Mas... é quente.

Tyler continuou o movimento rítmico em seu cabelo, sentindo a respiração de Saedii se tornar profunda e regular. A Puxada, que antes era um grito de necessidade, agora era um ronronar suave de contentamento. Ele olhou para ela, maravilhada com a beleza daquela mulher que era capaz de matar um pelotão inteiro com as mãos nuas, mas que agora dormia pacificamente em seu colo.

— Você é incrível, sabia? — sussurrou Tyler, sabendo que ela provavelmente não ouvia mais. — A mulher mais aterrorizante e maravilhosa da galáxia. E, de alguma forma, você é minha.

Passaram-se alguns minutos, ou talvez horas. Tyler não se importava. Suas pernas começaram a formigar, mas ele não se moveu. Ele não arriscaria acordá-la por nada no mundo.

Eventualmente, o sono começou a reclamar Tyler também. Ele se ajeitou com cuidado, deslizando o corpo para baixo até que estivesse deitado no sofá, com Saedii agora completamente por cima dele, o rosto escondido na curva de seu pescoço. Era uma posição que ela normalmente consideraria "exposta demais", mas ali, na penumbra do apartamento, era o único lugar onde ela se sentia verdadeiramente segura.

Saedii despertou por um breve momento quando sentiu a mudança de posição. Seus braços envolveram a cintura de Tyler com uma força possessiva, e ela se aconchegou mais, como se tentasse se fundir a ele.

— Tyler... — murmurou ela, a voz rouca de sono.

— Estou aqui, Saedii. Não vou a lugar nenhum.

— Fique — ordenou ela, a natureza autoritária voltando mesmo em seu estado semiconsciente. — É uma ordem do seu superior.

Tyler riu baixinho, sentindo o calor do corpo dela contra o seu, o cheiro de metal e sândalo que era tão característico dela.

— Sim, senhora. O Alfa está exatamente onde quer estar.

Pela primeira vez em muito tempo, Saedii não teve pesadelos com o pai ou com as batalhas perdidas. Ela dormiu o resto da noite abraçada ao humano que tinha tido a audácia de amá-la, recompensando-o com a única coisa que ela nunca dava a ninguém: sua total e absoluta vulnerabilidade.

E Tyler, o garoto de ouro que sempre tinha uma piada pronta, adormeceu com um sorriso sincero, sabendo que, embora tivesse salvado a galáxia algumas vezes, sua maior vitória foi ter conquistado o coração da guerreira mais implacável do universo.

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