
Claire's garrote
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 15/10/2026
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O Eco do Papel Rasgado
A penumbra que cobria o corredor da Paper School parecia densa, quase palpável, como folhas sobrepostas que bloqueavam qualquer vestígio de luz natural. O silêncio reinava absoluto, quebrado apenas pela respiração entrecortada e desesperada de Oliver, caído no piso frio e quadriculado. O garoto, conhecido pelos corredores por sua postura arrogante e travessuras cruéis, encontrava-se vulnerável, as mãos trêmulas tentando afrouxar a pressão que ainda parecia queimar ao redor de seu pescoço.
Diante dele estava Claire.
A garota de laço branco e uniforme escolar mantinha uma postura ereta, fria, completamente diferente da figura tímida e acuada que todos estavam acostumados a ver sofrendo nas mãos dos valentões da escola. Seus olhos não transmitiam o medo habitual. Havia neles uma determinação obscura, lapidada por dias de humilhação e rancor contido.
Oliver tentou apoiar seu braço de lápis contra o chão para se levantar, mas a fraqueza o fez vacilar.
— O que… o que você pensa que está fazendo? — murmurou ele com a voz rouca, tentando recuperar o tom zombeteiro de sempre. — Você acha que pode me assustar com isso, Claire?
Claire deu um passo à frente, sem hesitar. O som de seus sapatos ressoou pelo corredor vazio como uma contagem regressiva. Ela inclinou a cabeça suavemente, observando o garoto de cabelos brancos lutar para recuperar o fôlego.
— Você nunca prestou atenção em nada além de si mesmo, não é, Oliver? — A voz dela soou límpida, quase suave demais para a situação. — Achou que os bilhetes, as provocações e as risadas nunca teriam um ponto final.
— Você é fraca — insistiu Oliver, tossindo, enquanto tentava alcançar a parede para se apoiar. — O Engel não está aqui para te proteger. Ninguém está.
Claire não respondeu de imediato. Em vez disso, caminhou com calma até a sombra de um armário entreaberto no final do corredor, onde um objeto pesado repousava oculto sob uma lona escura. Ao puxar o tecido, o metal frio de uma motosserra pesada refletiu a iluminação fraca das lâmpadas fluorescentes que piscavam no teto.
O contraste entre a fragilidade aparente do mundo de papel e o peso industrial da máquina era grotesco. Oliver arregalou os olhos vermelhos, a zombaria sumindo de seu rosto de forma instantânea. Ele tentou rastejar para trás, o laço preto de seu longo rabo de cavalo arrastando-se pelo chão.
— Espere… de onde você tirou isso? — gaguejou o garoto, a respiração voltando a falhar pelo pânico.
— Todo mundo nesta escola tem uma ferramenta, Oliver — disse Claire, segurando o cabo com firmeza. — Alguns usam compassos gigantes, outros usam réguas afiadas. Por que eu deveria ser a única sem nada?
Com um puxão firme na corda de partida, o motor da máquina rugiu com uma violência ensurdecedora. O som despedaçou a calmaria da escola, vibrando pelas paredes desenhadas e fazendo o ar parecer espesso de fumaça e tensão. A lâmina dentada girava em um borrão implacável.
Oliver tentou gritar, mas o som foi engolido pelo estrondo mecânico. Ele se ergueu aos tropeços, apoiando-se no armário de metal, virando-se para correr em direção às escadas que levavam ao pátio principal. Contudo, suas pernas vacilaram no chão liso.
Claire avançou com passos rápidos e precisos. Não havia hesitação em seus movimentos, nem a menor sombra da piedade que ele esperava encontrar nela. Quando Oliver olhou para trás, viu a lâmina descendo sobre a sua frente, cortando o ar e acertando o alvo em um golpe decisivo que encerrou qualquer possibilidade de fuga.
O impacto foi devastador, quebrando a ilusão de invulnerabilidade do garoto e despedaçando a estrutura frágil que sustentava sua arrogância naquele universo monocromático. O silêncio retornou de maneira súbita e sufocante assim que o motor silenciou, deixando apenas o estalar distante das lâmpadas e o eco residual do golpe final.
Oliver caiu inerte sobre o chão branco, os cabelos compridos espalhados como tinta derramada sobre uma folha em branco.
Claire permaneceu de pé sobre ele por alguns segundos, observando o resultado de sua vingança. O peso do ar parecia ter se dissipado, substituído por uma sensação estranha de alívio mórbido. Lentamente, seus lábios se curvaram em um sorriso que nunca antes havia surgido em seu rosto.
Ela soltou uma risada baixa, quase inaudível a princípio, mas que rapidamente cresceu em tom e intensidade. Era uma risada fria, afiada, carregada de tudo o que havia sido reprimido durante incontáveis dias de tormento. O som reverberou pelas paredes de papelão e pelas vigas do teto alto, gravando-se nos corredores vazios como uma marca indelével.
Mesmo quando a consciência de Oliver já se desfazia na escuridão completa, aquela risada parecia continuar ecoando, repetindo-se sem fim, lembrando-o de que o papel, por mais fino que pareça, sempre pode cortar quem o subestima.
