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O segredo

Fandom: Csi, the trash of the count's family

Criado: 17/10/2026

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O Império Oculto do Entomologista

O silêncio do laboratório criminal de Las Vegas durante a madrugada era quebrado apenas pelo zumbido distante dos aparelhos de cromatografia e pelo farfalhar suave dos relatórios sobre a bancada. Gil Grissom ajustou os óculos no rosto, examinando uma larva sob a lente do microscópio com a costumeira atenção meticulosa. No dedo anelar da mão esquerda, a aliança de ouro polido reluzia suavemente contra a luz fria.

Ele nunca havia feito segredo daquela joia. Desde o primeiro dia em que pisara no departamento, a aliança estivera ali, tão firme quanto seu olhar impassível. No entanto, sua natureza reservada criava uma barreira que quase ninguém ousava transpor; Grissom simplesmente nunca comentava sobre sua vida privada, e seus colegas, embora curiosos, aprenderam a respeitar o enigma.

Do outro lado da sala envidraçada, Sara Sidle o observava com uma mistura de fascínio e sutil anseio. Ela se aproximou devagar, segurando uma pasta térmica com relatórios balísticos.

— Você ainda está aqui, Grissom — comentou ela, apoiando-se de leve no batente. — O turno terminou há uma hora.

— Insetos não seguem o relógio do departamento, Sara — respondeu Gil, sem erguer os olhos da lâmina. — E o tempo de decomposição exige exatidão matemática.

— Pensei que talvez você quisesse comer algo. Há um restaurante vinte e quatro horas aberto perto da Strip.

Gil finalmente levantou a cabeça, encarando-a com sua costumeira serenidade. Ele sabia perfeitamente o que se passava nas entrelinhas daquele convite; sua mente analítica não deixava passar a linguagem corporal, as pupilas dilatadas ou as hesitações de Sara. Contudo, fingir desentendimento era a rota mais eficiente e elegante para manter a distância profissional. Ele estava muito bem casado, absoluto e irrevogavelmente satisfeito em seu matrimônio.

— Agradeço a gentileza, mas já tenho compromisso — disse ele com calma, fechando o bloco de notas. — Preciso voltar para casa.

Sara disfarçou a decepção com um sorriso rápido, olhando de relance para a aliança no dedo dele.

— Claro. Bom descanso, então.

Grissom guardou o microscópio, despiu o jaleco e pegou o casaco. Ao caminhar pelos corredores da delegacia, o diretor assistente e o xerife apenas acenaram cordialmente com a cabeça, com um respeito que beirava a reverência. Ninguém no departamento entendia a verdadeira razão pela qual Grissom desfrutava de privilégios institucionais quase ilimitados — verbas infinitas para equipamentos, autorizações sem burocracia e total autonomia investigativa. Eles supunham tratar-se de sua mente genial, alheios ao fato de que Gil era, nos bastidores, o patriarca de um dos conglomerados econômicos e políticos mais poderosos e invisíveis do planeta.

Ao entrar em seu carro particular, ele ligou o motor e partiu para além das luzes cintilantes de Nevada. Seu destino final ficava em um vale isolado, protegido por florestas cerradas, segurança eletrônica impenetrável e terrenos privados de perder de vista: a mansão oculta onde Cale Henituse desfrutava da vida preguiçosa que sempre desejou.

A compleição física de Gil ao volante chamava a atenção. À primeira vista, sob as roupas largas de trabalho, ele parecia carregar um excesso de peso, mas aquilo não era gordura. Tratava-se de uma musculatura densa e pesada, desenvolvida ao longo de décadas carregando Cale no colo, nos ombros e nos braços desde a infância de ambos.

Eles se conheciam desde pequenos, com Cale sendo apenas um ano mais novo. Quando Gil completara dezessete anos, e Cale completara dezesseis, eles finalmente puderam oficializar a união em segredo perante a lei, já que Cale havia engravidado pela primeira vez quando tinha quinze anos e Gil dezesseis, obrigando-os a aguardar a idade legal permitida para consolidar o casamento. Por algum fenômeno biológico inexplicável que desafiava a própria ciência que Gil estudava, ambos haviam estagnado fisicamente no ápice absoluto de sua juventude. Suas células regeneravam-se quase instantaneamente de qualquer ferimento e a morte simplesmente parecia incapaz de alcançá-los. Gil adorava isso; significava que ele poderia amar, servir e venerar Cale por toda a eternidade.

Quando os portões de ferro forjado da mansão se abriram, Gil desceu do veículo e entrou no casarão aquecido. O silêncio acolhedor cheirava a madeira nobre, chá aromático e ao perfume inconfundível de maçãs e folhas secas que pertencia unicamente ao seu parceiro.

No salão principal, deitado sobre um divã forrado de veludo carmesim, estava Cale. O cabelo ruivo brilhante caía despenteado sobre as almofadas, e seus olhos castanho-avermelhados se ergueram devagar do livro que segurava com desdém fingido.

— Você demorou, Gilsinho — murmurou Cale com voz preguiçosa, chamando-o pelo mesmo apelido carinhoso que usava desde quando eram garotos.

— A entomologia tomou alguns minutos extras, meu amor — respondeu Gil, aproximando-se com passos firmes e um brilho afetuoso nos olhos.

Ele se ajoelhou ao lado do divã, beijando com reverência os nós dos dedos de Cale e, em seguida, seus lábios macios. Cale esticou os braços com um suspiro calmo, permitindo que Gil o erguesse como se ele não pesasse nada. Gil abraçou a cintura esguia de Cale com possessividade contida. Cale, nascido com uma condição anatômica rara que lhe dava um útero plenamente funcional, havia transformado aquela mansão em um verdadeiro berço geracional ao longo das décadas.

Foram oitenta e duas gestações concluídas com sucesso. Para manter Cale no conforto absoluto, sem precisar mover um único dedo e vivendo como o vagabundo relaxado que sempre almejou, Gil havia erguido impérios corporativos, fundos soberanos e empresas de tecnologia avançada. Gil sabia muito bem que Cale só permitia suas investidas diárias e as repetidas gestações porque ele garantia uma fortuna incalculável para bancar todo o luxo imaginável.

— As crianças mandaram notícias hoje — disse Cale, bocejando suavemente enquanto apoiava a cabeça no peito sólido de Gil.

— Todas as oitenta e duas? — perguntou Gil com um meio-sorriso.

— A maioria estava ocupada governando o mundo ou fechando tratados, mas nenhuma se esqueceu de ligar para a mamãe — retrucou Cale, com um tom de leve vaidade.

A prole deles, espalhada pelos pontos mais altos da hierarquia global, era uma obra-prima de genética combinada:

Os primogênitos, os gêmeos Alexander e Rowan, aos trinta e oito anos de maturidade funcional, comandavam os dois maiores fundos de investimento internacionais de Nova York e Genebra; ambos tinham a postura aristocrática de Cale, os cabelos castanho-escuros herdados de Gil e olhos cor de vinho.

Os trigêmeos Gilbert, Clarissa e Vincent, na faixa dos trinta e cinco anos, haviam fundado gigantes de biotecnologia e diplomacia na Europa; Vincent herdara o cabelo ruivo flamejante de Cale com a calma impassível e a voz grave de Gil, enquanto Clarissa e Gilbert ostentavam madeixas pretas onduladas e os olhos afiados que Gil usava nos laboratórios.

Os quadrigêmeos Alistair, Kaelen, Julian e Cedric, de trinta e dois anos, gerenciavam conglomerados navais e aeroespaciais; tinham feições divididas, dois ruivos de olhos cinzentos e dois morenos de olhos castanho-claros.

Abaixo deles, uma sucessão interminável de irmãos e irmãs ocupava posições monumentais: Os gêmeos Derek e Dorian (vinte e nove anos, redatores da Suprema Corte em duas potências mundiais, cabelos castanho-avermelhados); as trigêmeas Vivienne, Eleanor e Beatrice (vinte e sete anos, diretoras médicas globais, ruivas de olhos escuros); os quadrigêmeos George, Arthur, Lucas e Henry (vinte e cinco anos, ministros e diplomatas asiáticos, cabelos pretos e olhares analíticos); os gêmeos Sean e Liam (vinte e quatro anos, ruivos de físico atlético, líderes em segurança cibernética internacional); os trigêmeos Thomas, Edward e Nathaniel (vinte e dois anos, físicos teóricos de renome, cópias fiéis do Gil jovem com fios acobreados); os quadrigêmeos Samuel, Daniel, Joseph e Benjamin (vinte anos, morenos com a elegância preguiçosa de Cale, banqueiros de grande porte).

Seguiam-se os gêmeos Felix e Gabriel (dezenove anos, ruivos esguios na governança ambiental); os trigêmeos Isaac, Marcus e Anthony (dezoito anos, pesquisadores em Oxford, cabelos escuros e olhos avermelhados); as quadrigêmeas Sophia, Helena, Clara e Diana (dezessete anos, ruivas deslumbrantes com a inteligência fria do pai, diretoras de telecomunicações); os gêmeos Victor e Oliver (dezesseis anos, cabelos escuros); as trigêmeas Valerie, Camille e Simone (quinze anos, ruivas com traços suaves de Gil); os quadrigêmeos Adrian, Tobias, Nicholas e Sebastian (quatorze anos, brilhantes em engenharias nucleares); os gêmeos Elliot e Colin (treze anos, morenos analíticos); os trigêmeos Zachary, Theodore e Maxwell (doze anos, ruivos travessos com postura calma); os quadrigêmeos Philip, Charles, Raymond e Simon (onze anos, atentos e calculistas); os gêmeos Louis e Peter (dez anos, ruivos de olhos escuros); as trigêmeas Alice, Louise e Charlotte (nove anos, morenas de fala mansa); os quadrigêmeos Eric, Leon, Paul e Matthew (oito anos, cópias perfeitas da juventude de Gil); os gêmeos Jasper e Francis (sete anos, ruivos como o fogo); os trigêmeos Walter, Alfred e Hugh (seis anos, serenos e curiosos); os quadrigêmeos Timothy, Andrew, Martin e Jonathan (cinco anos, olhos penetrantes e brilhantes); e os gêmeos mais novos, Christian e David, de apenas quatro anos, com tufos de cabelo ruivo e o silêncio inquisitivo de Grissom.

Todos eles, sem exceção, tratavam Cale por "mamãe" com profunda adoração. E todos eles compartilhavam de uma mesma filosofia inabalável: o pai existia com o propósito fundamental de servir, mimar e satisfazer a mamãe.

— Sua mãe também ligou por vídeo — continuou Cale, traçando distraidamente os contornos da mandíbula de Gil. — Nós conversamos em língua de sinais por quase uma hora. Ela disse que você está trabalhando demais no turno da noite.

— Eu precisava encerrar um caso pendente antes de vir para casa — respondeu Gil, sorrindo com ternura.

A mãe de Gil, sendo surda, adorava Cale incondicionalmente. O fato de Cale ter aprendido a língua de sinais com maestria e facilidade unicamente para conversar com ela, aliado ao fato de ter lhe concedido tantos netos saudáveis e bem-sucedidos, transformava Cale no ser mais precioso aos olhos da matriarca Grissom, que ignorava completamente qualquer hábito preguiçoso do genro.

— Aquela mulher do laboratório ainda fica te olhando com cara de cordeiro abandonado? — perguntou Cale de repente, arqueando uma sobrancelha elegante com um divertimento calculista.

Gil soltou um riso baixo, encostando a testa na dele.

— Ela tentou me convidar para comer algo hoje após o plantão.

— E você?

— Eu disse a verdade: que tinha um compromisso e precisava voltar para casa, para você. Ela acha que eu não percebo o interesse dela, mas prefiro manter assim. É conveniente e poupa palavras desnecessárias.

Cale sorriu com satisfação. Ele sabia perfeitamente que outras mulheres e colegas se sentiam atraídas pela calma intelectual e misteriosa de Gil, mas jamais perdera um minuto sequer de sono por causa de ciúmes. Gil era absoluta, feroz e biologicamente obcecado por ele desde a infância. Não havia no mundo força capaz de desviar a atenção daquele homem de seu ruivo.

— Você sabe que o meu puerpério acaba no final desta semana, não sabe? — sussurrou Cale, sua voz descendo um tom, tornando-se mais íntima e aveludada.

Gil sentiu os músculos de suas costas se retesarem levemente. Sempre muito metódico e cuidadoso, Gil respeitava com rigor absoluto o intervalo de seis meses de recuperação e resguardo após cada parto de Cale, garantindo que o corpo do marido descansasse com perfeição antes que qualquer nova gravidez fosse planejada. Ele esperava cada dia com uma paciência de ferro, embora sua mente ardesse de expectativa.

— Eu conto os dias no meu calendário, Cale — murmurou Gil, as mãos descendo pelas costas de Cale até pousarem com firmeza sobre o quadril alheio. — Cada um dos cento e oitenta dias.

— Eu sei que você gosta de me ver grávido, Gilsinho. Você fica completamente insuportável de tão protetor.

— Você fica deslumbrante esperando os nossos filhos. A vida em você se torna ainda mais perfeita — disse Gil, sem qualquer pudor, depositando um beijo demorado na curva do pescoço pálido. — E você terá mais espaço neste vale. Mandei construir mais três alas na mansão, além de garantir o fundo educacional perpétuo para as crianças mais novas.

Cale soltou um suspiro de puro deleite, encostando-se ainda mais contra o calor do peito largo de Gil. Ele não precisava lutar contra nada, não precisava se meter em confusões mundanas ou lidar com dramas corporativos. As empresas de Gil cuidavam das contas, os filhos mais velhos cuidavam da estabilidade do mundo, e Gil cuidava do resto, com sua mente afiada, sua musculatura inquebrável e sua devoção incondicional.

— Você é um homem muito eficiente, Gilsinho.

— Sou apenas o seu marido — corrigiu Gil, levantando Cale nos braços com a facilidade de quem carrega uma pluma, caminhando devagar em direção aos aposentos principais. — E continuarei sendo, para todo o sempre.

Cale enrolou os braços ruivos ao redor do pescoço dele, fechando os olhos enquanto se deixava levar pela sensação aconchegante de um futuro infinito e tranquilo. Em Las Vegas, as luzes da cidade continuavam piscando para os turistas e os mistérios noturnos se acumulavam sob as lentes do departamento forense, mas para Gil Grissom, a única ciência que realmente importava naquela eternidade começava e terminava nos braços de Cale Henituse.

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