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O segredo de hakutaku

Fandom: hozuki's coolheadedness, the trash of the count's family

Criado: 17/10/2026

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O Ninho Dourado em Shangri-La

O vento suave de Togenkyo soprava entre as copas das macieiras e pessegueiros celestiais, carregando um aroma doce que acalmaria até a alma mais atormentada do Inferno. No entanto, muito além dos caminhos pavimentados onde o cão Shiro, o macaco e o faisão passeavam, existia uma fenda dimensional cuidadosamente selada por barreiras divinas e runas ancestrais. Ali, em um vale particular banhado por uma névoa dourada, erguia-se um palácio feito de jade branco, madeira perfumada e montanhas literais de tesouros acumulados.

Na varanda mais espaçosa, deitado sobre um divã forrado com as sedas mais raras dos três mundos, Cale Henituse desfrutava da sua tão sonhada vida de vagabundo.

Ele tinha uma taça de suco de frutas espirituais frescas em uma das mãos, enquanto a outra repousava com desdém preguiçoso sobre o volume nítido de sua barriga arredondada. O tecido fino de sua túnica carmesim mal conseguia conter a curva madura que carregava, mais uma vez, trigêmeos celestiais.

Para a maioria dos seres vivos, um homem engravidar seria uma anomalia cósmica. Para Cale, aquilo era apenas a rotina estabelecida ao longo de três milhões de anos.

Ele fora um dos primeiros humanos a pisar sobre a terra primordial. Desde os seus dezessete anos, quando aquele auspicioso e extravagante monstro sagrado cruzou seu caminho, o destino de ambos fora selado. Hakutaku, no milésimo de segundo em que os olhos avermelhados de Cale encontraram os seus, reconheceu sua alma gêmea. Desde aquele exato dia, três milhões de anos atrás, a besta divina jamais tocou intimamente em qualquer outro ser vivo.

O corpo humano de Cale, exposto a séculos de sexo selvagem, divino e ininterrupto, acabou se adaptando à essência potente da besta primordial. As descargas colossais que Hakutaku teimosamente despejava no fundo de seu ventre — adormecendo enterrado profundamente dentro de Cale noite após noite — reescreveram sua carne. Cale se tornou fértil. E Hakutaku se tornou um viciado.

— Mamãe, o senhor não deveria estar tomando bebidas geladas sem comer algo quente primeiro.

Uma voz suave quebrou o silêncio idílico da tarde.

Cale virou os olhos na direção da entrada da varanda. Um jovem de postura impecável e elegância celestial aproximava-se com uma bandeja de prata. Ele se chamava Bai-Hyeon. Tinha a pele alva como a porcelana mais fina de Togenkyo, cabelos longos de um vermelho profundo herdados de Cale, mas ostentava um par de chifres curvos e perolados na cabeça, além de olhos dourados luminosos como os de Hakutaku. Ele vestia mantos tradicionais que misturavam o estilo clássico chinês com cortes aristocráticos ocidentais.

— É apenas suco, Bai-Hyeon — murmurou Cale, sem mover um único músculo que não fosse estritamente necessário. — E pare de me chamar de mamãe na frente de visitas.

— Não há visitas aqui, mamãe. Apenas seus filhos e aquele velhote barulhento — respondeu outra voz, acompanhada pelo som de passos firmes.

Desta vez, era Lian-Rong quem entrava. Seus cabelos eram brancos como a neve primordial de Hakutaku, mas caíam em ondas desgrenhadas exatamente iguais às de Cale, com olhos castanho-avermelhados afiados que pareciam capazes de calcular o preço da alma de qualquer divindade. Lian-Rong trazia uma pilha de mantas de pele de fênix e almofadas extras, empurrando-as delicadamente atrás das costas de Cale para garantir que ele ficasse no ápice do conforto.

— O pai já deveria ter voltado da farmácia para massagear seus pés — continuou Lian-Rong, ajeitando as cobertas com um carinho meticuloso. — A única utilidade daquele bode velho é trabalhar duro para sustentar o luxo da mamãe e servi-lo quando o senhor está esperando nossos irmãos.

Cale suspirou, deixando a cabeça tombar contra as almofadas.

Ao longo de três milhões de anos, entre partos de gêmeos, trigêmeos e quadrigêmeos, ele havia dado à luz exatamente 8.265.306 filhos.

Cada um deles estava espalhado pelos múltiplos reinos: no Paraíso, nas cortes do submundo, governando províncias no mundo humano, ou mesmo administrando corporações discretas nos tempos modernos. Todos eles veneravam Cale como a figura suprema da família. Todos o chamavam de mamãe. E todos concordavam em um único dogma inegociável: o pai deles, a gloriosa besta sagrada Hakutaku, existia primordialmente para ser o servo financeiro e pessoal de Cale.

— Ele estava ocupado destilando um novo elixir de vitalidade — comentou Cale com indiferença. — Desde que ele continue trazendo ouro divino e gemas purificadas para os cofres, ele pode demorar o quanto quiser.

Hakutaku sabia muito bem que Cale jamais aceitaria levar aquela rotina interminável de gestações se não houvesse uma contrapartida à altura: riqueza infinita e a garantia absoluta de uma vida de vagabundo. Por isso, a besta médica passara eras acumulando montanhas de tesouros. Cada palmo de terra daquele refúgio era pago com a fortuna colossal de Hakutaku.

— Ele não pode demorar, não — insistiu Bai-Hyeon, pousando a sopa de ervas doces sobre a mesa ao lado. — Seus seios devem estar doendo de novo, mamãe. A túnica já está manchando.

Cale baixou os olhos e franziu ligeiramente a testa. De fato, pequenas manchas úmidas se espalhavam pelo tecido carmesim sobre o seu peito. Com tantas gestações quase ininterruptas através dos milênios, a produção de leite de Cale tornara-se contínua, abundante e excessivamente rica, nutrida tanto pelos alimentos celestiais quanto pela Vitalidade do Coração. Seus Poderes Antigos, agora infinitamente mais fortes e estabilizados pela biologia quase divina que desenvolvera, pulsavam com um calor acolhedor. Ele nunca mais cuspiu uma única gota de sangue; em vez disso, seu corpo usava o poder restaurador para alimentar a vida em seu ventre e saciar as exigências da besta que o reivindicara.

Passos rápidos e afobados ecoaram pelo corredor externo, acompanhados pelo tilintar inconfundível de pingentes e frascos de remédio.

— Cale! Meu tesouro, minha flor de lótus, meu amor eterno! Cheguei!

A porta foi escancarada sem qualquer cerimônia. Hakutaku entrou praticamente tropeçando nas próprias vestes chinesas brancas e amarelas. O chapéu estava ligeiramente torto, os brincos balançavam freneticamente, e um sorriso desavergonhado e derretido estampava seu rosto.

Imediatamente, os dois filhos presentes lançaram olhares gélidos em direção ao progenitor.

— Está atrasado, pai — disse Lian-Rong, cruzando os braços com uma autoridade que lembrava assustadoramente o próprio Cale. — A mamãe já está acordada há mais de uma hora.

— E ele está desconfortável — acrescentou Bai-Hyeon, sem esconder a reprovação. — Vá lavar as mãos antes de tocar nele. Você cheira a poeira de Togenkyo.

— Seus ingratos! É assim que falam com quem lhes deu metade da linhagem sagrada? — chiou Hakutaku, ajeitando o chapéu, mas sem perder um segundo para correr até a bacia de água perfumada no canto, esfregar as mãos vigorosamente e depois se jogar de joelhos ao lado do divã de Cale.

— Pare de escândalo — ordenou Cale, com a voz preguiçosa. — Minha cabeça dói quando você grita.

No mesmo instante, o grande e temido Hakutaku murchou como uma flor sem água, adotando uma expressão de cachorrinho repreendido. Ele descansou as mãos pálidas sobre o abdômen volumoso de Cale, acariciando a pele esticada por sob a seda com uma reverência que beirava a idolatria pura.

— Perdão, meu amor. Eu trouxe três novos baús cheios de ouro estelar do armazém principal, e vendi aquele lote de pílulas raras para um deus menor que pagou o dobro do valor em jade imperial. Já mandei os servos guardarem tudo no seu cofre particular.

— Bom trabalho — concedeu Cale, deixando escapar um leve suspiro quando as mãos quentes de Hakutaku começaram a enviar ondas de energia calmante para a sua barriga.

Os trigêmeos dentro de Cale pareceram se acalmar instantaneamente sob o toque do pai, parando de chutar as costelas de Cale.

Hakutaku ergueu os olhos para o rosto do marido, e o brilho neles era de pura e doentia obsessão. Para o mundo exterior, Hakutaku era um libertino incorrigível, um beberrão desbocado que tentava dar em cima de qualquer beldade feminina que cruzasse a farmácia em Togenkyo. Hoozuki zombava dele constantemente; Momotaro revirava os olhos toda vez que ele levava um fora retumbante; os empregados do inferno cochichavam sobre suas tentativas patéticas de romance.

Mas Cale sabia a verdade absoluta. Era tudo uma farsa instintiva ou um teatro sem sentido que a própria personalidade barulhenta de Hakutaku mantinha por pura inércia. Hakutaku nunca escondera a aliança de casamento de ouro e jade que reluzia em seu anular esquerdo — ele a exibia o tempo todo. Mas seu comportamento era tão absurdo que ninguém nos três mundos jamais acreditou que aquele anel representasse um casamento real. Todos achavam que era apenas mais um acessório extravagante para atrair mulheres.

Ninguém desconfiava. Nem os deuses, nem Hoozuki, nem os humanos. Ninguém sonhava que os milhões de seres talentosos espalhados pelas dinastias e dimensões eram a prole direta de Hakutaku. Nenhum dos filhos escondia o sobrenome quando questionado, mas ninguém ligava os pontos, porque a imagem pública de Hakutaku como um mulherengo solteirão e fracassado era impenetrável demais na mente de todos.

E Cale preferia que continuasse exatamente assim. Sem burocracia do Inferno, sem reuniões divinas, sem Hoozuki aparecendo com sua clava pontiaguda para atrapalhar seu descanso. Apenas paz, ouro e lençóis caros.

— Vocês dois, saiam — ordenou Hakutaku aos filhos, sem desviar os olhos da figura preguiçosa de Cale. — Vão conferir os tributos no pátio. Eu preciso cuidar da sua mãe agora.

Lian-Rong e Bai-Hyeon trocaram um olhar cético, mas, vendo que Cale não protestava, fizeram uma reverência respeitosa em direção ao ruivo.

— Estaremos nos jardins, mamãe. Chame se o velho fizer qualquer coisa estúpida.

— Vão logo! — rosnou Hakutaku, acenando as mangas.

Assim que a porta foi fechada pelos jovens, o clima no quarto mudou de imediato. A energia auspiciosa e pesada de Hakutaku preencheu o espaço, densa, quente e inebriante. Seus olhos se cravaram no decote entreaberto de Cale, onde o leite úmido manchara a seda escarlate.

— Você fica tão lindo assim... — sussurrou a besta sagrada, a voz subitamente rouca e desprovida de qualquer tom cômico. Suas mãos subiram pela cintura de Cale, alcançando as amarras da túnica. — O ventre cheio dos meus herdeiros, os seios fartos... Três milhões de anos, Cale, e eu ainda sinto que vou enlouquecer toda vez que olho para você grávido. Eu nunca vou me cansar disso. Nunca.

— Você diz isso toda vez — respondeu Cale, deixando a cabeça pender para trás enquanto as mãos compridas de Hakutaku desatavam os nós de sua roupa. — Mas lembre-se do nosso acordo. Depois que esses três nascerem, serão exatamente seis meses de puerpério. Se você encostar um dedo abaixo da minha cintura antes dos cento e oitenta dias de descanso terminarem, eu fecho o selo deste vale e você não entra aqui por um milênio.

Hakutaku engoliu em seco, mas assentiu de imediato, inclinando-se para beijar o queixo pálido do humano.

— Eu sempre respeito o seu puerpério, meu lorde. Eu cuido de você perfeitamente durante os seis meses, não cuido? Dou banho na sua banheira de ouro, preparo os tônicos, deixo você dormir o quanto quiser...

— Você só faz isso porque sabe que, se não fizer, eu não te deixo transar comigo de novo.

— E porque eu te amo mais do que a minha própria divindade — respondeu Hakutaku com um fervor quase assustador, antes de descer os lábios até a curva do peito exposto de Cale.

Cale arquejou baixo quando a boca quente da besta se fechou sobre o bico sensível, sugando com avidez o leite que se acumulava em excesso. O alívio na pressão do peito foi imediato, fazendo Cale afrouxar os ombros e afundar ainda mais no divã. Seus dedos involuntariamente se enroscaram nos cabelos alvos de Hakutaku, segurando a base de seus chifres com uma familiaridade gravada por eras de intimidade.

Hakutaku bebia ruidosamente, gemendo contra a carne macia de Cale, completamente perdido no sabor da essência pura que sustentava sua obsessão. Ele ergueu uma das mãos, passando-a lentamente pelas coxas cobertas de Cale, subindo em direção ao quadril, sentindo a plenitude do corpo que havia sido moldado e alargado para recebê-lo.

O membro de Hakutaku, mesmo sob as camadas de suas vestes cerimoniais, já se encontrava rijo e monumental, latejando contra a coxa de Cale com uma promessa que o ruivo conhecia bem demais. Todas as noites, mesmo durante a gravidez, Hakutaku precisava preenchê-lo. Quando finalmente chegasse o momento após o resguardo, Cale sabia que a besta passaria dias inteiros empalando-o vorazmente contra os colchões, liberando litros de semente divina no fundo do seu interior e recusando-se a sair, dormindo enterrado profundamente dentro de Cale para garantir que o próximo ciclo se iniciasse sem falhas.

— Você é perfeito... — Hakutaku murmurou entre uma mamada e outra, erguendo a cabeça para capturar os lábios de Cale em um beijo úmido e compartilhado com o próprio leite celestial. — Quando esses nascerem... e passarem os seis meses... vamos tentar quadrigêmeos de novo? O que você acha? Eu compro aquela ilha de corais no mar do leste que você estava de olho. Eu trago as pérolas com as minhas próprias mãos.

Cale entreabriu os olhos pesados, encarando o olhar fervoroso, quase animalesco, da criatura mais antiga e poderosa do mundo espiritual. A ideia de carregar quatro de uma vez novamente faria qualquer um tremer de terror. Mas a promessa de uma ilha inteira de corais, tesouros intocados, servos dedicados e mais alguns séculos de pura preguiça deitado em sedas celestiais enquanto Hakutaku fazia todo o trabalho pesado... era uma barganha tentadora.

— Traga os títulos de posse da ilha antes de conversarmos sobre isso — respondeu Cale, com um tom de voz que não admitia réplicas.

Hakutaku abriu um sorriso triunfante, estendendo-se por cima de Cale com todo o cuidado para não pressionar a barriga sagrada, voltando a devorar o peito farto do ruivo com uma dedicação devota.

Lá fora, o restante do mundo dos espíritos continuava achando que Hakutaku era um tolo solitário que nunca conseguira uma esposa. E ali dentro, cercado por milhões de filhos reverentes e uma fortuna imensurável, Cale Henituse fechava os olhos, plenamente satisfeito em governar aquele paraíso escondido pelo resto da eternidade.

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