
Engel & Bubble vs Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 17/10/2026
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Gotas Vermelhas sobre Papel Rasgado
O silêncio que reinava na floresta nos arredores da Paper School era costumeiramente denso, quebrado apenas pelo roçar seco de folhas que pareciam feitas de cartolina grossa e dobraduras angulares. Entre as árvores geométricas de troncos acinzentados, a luz do entardecer filtrava-se em feixes pálidos, projetando sombras compridas que se estendiam como garras pelo chão coberto de cascas secas.
Apoiado contra uma árvore de tronco largo, Engel respirava de maneira entrecortada. O garoto mantinha uma das mãos apoiada no peito, enquanto o outro braço pendia ao lado do corpo, deixando escapar um rastro rubro e viscoso que manchava as folhas caídas. Seus braços negros, terminados em quatro dedos pontiagudos e afiados, tremiam levemente com a dor pulsante do corte profundo que rasgava o tecido de sua camisa branca de gola polo. As duas listras, uma azul e outra vermelha na manga esquerda, estavam quase escurecidas pelo sangue que teimava em descer até os nós afiados de seus dedos.
Ao lado dele, Bubble tentava conter o pânico evidente que a dominava. Ela não possuía uma cabeça sólida com boca ou nariz para gritar seu desespero; sua cabeça era um amontoado volumoso de cabelos brancos e fofos que se comportavam e pareciam nuvens de sabão, bolhas que se moviam em uma dança etérea. No topo daquela massa espumosa, um pequeno patinho amarelo-claro e uma escova de dentes azul balançavam freneticamente de acordo com seus tremores. Seus olhos expressivos — metade azuis na parte inferior e metade pretos na parte superior — tinham pupilas brancas em forma de estrela que agora oscilavam e encolhiam de puro terror. Sua cauda macia, igualmente formada por nuvens e bolhas alvas, agitava-se de um lado para o outro enquanto suas mãos de dedos curtos procuravam algo no bolso grande de seu vestido jardineira preto.
— Está tudo bem, Bubble... — murmurou Engel, tentando esboçar um sorriso reconfortante, embora sua respiração soasse entrecortada e áspera. — É só um arranhão feio. Eu só preciso estancar antes que... antes que alguém sinta o cheiro.
Ele ajeitou com a mão limpa as duas penas — uma azul e outra vermelho-alaranjada — presas no lado direito de sua cabeça, entre os longos fios brancos que caíam despenteados em um rabo de cavalo baixo. Suas polainas listradas estavam salpicadas de poeira e terra preta, e sua pequena cauda branca se recolheu, denunciando que, apesar de suas palavras corajosas, seu instinto gritava por perigo. Ele tinha sua costumeira lupa presa à cintura pelo macacão preto, mas nenhuma ferramenta daquelas servia para curar a ferida que latejava sem cessar.
Bubble aproximou-se cautelosamente, estendendo os braços com a intenção de pressionar a barra de sua camiseta branca contra o machucado de Engel. Ela emitiu pequenos sons abafados, cliques suaves que lembravam o estalo de espuma de banho se desfazendo, tentando transmitir urgência. Ela apontava repetidamente para a trilha, indicando que precisavam voltar correndo para o pátio do colégio, mesmo sabendo que a escola estava longe de ser um refúgio inteiramente seguro.
Foi exatamente nesse instante de fragilidade que o silêncio da floresta foi estilhaçado.
Primeiro veio o som seco de galhos finos se partindo sob solas de botas pesadas. Depois, um barulho ritmado, quase nojento, de mastigação úmida. Das sombras que se acumulavam atrás de uma rocha pontiaguda, um vulto alto emergiu com uma calma aterrorizante.
Oliver caminhava com passos arrastados e descontraídos, parecendo genuinamente entretido com a própria caminhada. Seus cabelos brancos inacreditavelmente longos, que chegavam quase até os tornozelos, balançavam presos em um laço preto perto da nuca, enquanto uma mecha superior e dividida balançava como antenas alertas acima de seus chifres escuros. No lado direito de seu cabelo, o círculo vermelho com o símbolo "A+" brilhava com uma clareza sinistra. Oliver levava à boca o restante de uma barra de sabonete comum, mastigando pedaços sólidos com naturalidade desconcertante, fazendo pequenas bolhas de espuma perfumada escaparem pelos cantos dos lábios.
Quando seus olhos pousaram na dupla encurralada, um sorriso zombeteiro e afiado rasgou seu rosto pálido. Sua língua bifurcada, fina e serpentina como a de uma víbora, deslizou para fora para lamber os resquícios do sabão em seus lábios antes de se recolher.
— Ora, ora... Vejam só o que eu achei perdido entre os rabiscos — cantarolou Oliver com uma voz cheia de deboche infantil. Ele inclinou a cabeça, os olhos faiscando de malícia. — O que os dois passarinhos estão cochichando aí na lama? O recreio já acabou faz tempo, sabiam?
Ele não esperou por uma resposta. Com um movimento teatral e fluido, Oliver ergueu o braço direito — ou melhor, o que restava dele: um lápis gigantesco, negro e amadeirado, terminado em uma ponta afiada de grafite escuro que brilhava como a ponta de uma lança mortal. Ele apontou o lápis diretamente para o peito de Engel, dando dois passos à frente com suas botas pretas batendo no chão de papel rígido.
Bubble recuou um passo, emitindo um gorgolejo aterrorizado. As estrelas em seus olhos tremeram tanto que pareceram prestes a se partir ao meio.
— Fica longe dela, Oliver! — rosnou Engel, dando um passo à frente de Bubble, apesar da fraqueza que começava a turvar sua visão. Suas garras pretas se fecharam em punhos cerrados. — O que você quer aqui? Não tem nada para fazer além de perseguir quem não mexe com você?
— O que eu quero? — Oliver riu, um som estridente que ecoou entre os galhos secos. Ele enfiou a mão esquerda no bolso de seus shorts brancos e retirou não apenas um sorriso largo, mas uma lâmina prateada, uma faca afiada que reluziu à luz fraca do crepúsculo. Ele empunhou a faca com maestria, girando-a entre os dedos cobertos pelo relógio de pulso antes de apontar alternadamente a lâmina para o rosto de Bubble e o lápis para o pescoço de Engel. — Eu só queria me divertir um pouquinho. Zip e Edward estão ocupados construindo alguma bobagem na sala de artes, e eu fiquei... solitário.
Ele deu mais um passo. Havia uma volúpia sádica em seus olhos. Não contente com o lápis e a faca, Oliver guardou a lâmina por um segundo para puxar de seu casaco escuro um pequeno cilindro mecânico acinzentado. Era um mecanismo bizarro, repleto de engrenagens diminutas e tubos de vidro finos que continham um líquido viscoso, denso e de uma tonalidade cinza-chumbo envenenada. Na extremidade do aparelho, havia uma agulha longa, pontiaguda e reluzente, feita de metal cirúrgico, pingando gotas da substância mecânica corrosiva na grama de cartolina, que chiou instantaneamente ao toque da gota tóxica.
— Sabem o que isso faz? — sussurrou Oliver, aproximando a ponta afiada do cilindro em direção aos dois. — Se essa pontinha aqui encostar em vocês... o grafite e o metal vão corroer cada pedacinho desse corpinho frágil até sobrar só poeira cinza. Vamos ver o que derrete primeiro: a espuma fofa da menininha ou as penas do passarinho?
Oliver avançou em um bote repentino, mirando a ponta mortífera direto no peito exposto de Engel.
Foi uma fração de segundo, mas para Bubble pareceu uma eternidade. Ao ver o brilho assassino da agulha descendo em direção ao amigo ferido, seu instinto protetor falou mais alto do que seu próprio medo paralisante. Ela não hesitou. Usando a base flexível de seu corpo de espuma e toda a força concentrada em suas pernas, Bubble deu um salto em direção a Engel.
Com um empurrão desesperado e surpreendentemente forte, Bubble atingiu as costas do rapaz com as duas mãos. Engel, pego de surpresa pelo impacto e pelo peso pluma da garota, foi arremessado para longe. Seu corpo leve e esguio cortou o ar como se tivesse asas de verdade, cruzando vários metros por cima de uma moita de arbustos recortados e pousando pesadamente na clareira mais adiante, fora do raio de alcance do golpe letal de Oliver.
No entanto, o sacrifício de Bubble cobrou seu preço imediato.
Com Engel fora do caminho, o ataque de Oliver não encontrou o alvo pretendido, mas a faca em sua outra mão cortou o ar em um reflexo furioso de frustração. A lâmina afiada desceu em um arco veloz, atingindo a lateral da cabeça de Bubble.
Snip.
Um pedaço considerável de seus cabelos volumosos e brancos foi decepado com um ruído seco. O tufo de espuma e nuvens se desprendeu, flutuando como bolhas rompidas que estalaram no ar antes de desaparecerem em finas gotículas de sabão inerte. O patinho amarelo e a escova de dentes em sua cabeça chacoalharam com violência, quase caindo.
Bubble cambaleou para trás, caindo de joelhos no chão áspero. Um zumbido ensurdecedor parecia preencher o espaço onde seus ouvidos deveriam estar.
Oliver recolheu a faca e o cilindro cinza, olhando para o chumaço de bolhas que se desfazia aos seus pés e, em seguida, voltando seus olhos escuros e malévolos para a garota encurralada. Ele não parecia mais com pressa. Pelo contrário, desfrutava do momento. Ele guardou o cilindro no bolso com um estalo e se inclinou sobre Bubble, suas botas pisando a poucos centímetros dos sapatos pretos dela.
— Olha só para você... — desdenhou Oliver, balançando a cabeça em falsa reprovação. Sua língua de cobra escapou novamente, provando o ar frio da floresta. — Tão boazinha, tão tola. Jogou o passarinho para longe para virar meu almoço? Você nem tem cérebro aí dentro, tem? É só vento e sabão.
Bubble ergueu os olhos em formato de estrela para ele, encolhendo os ombros. Ela tremia tanto que seus joelhos batiam um contra o outro. O bolso grande de seu vestido parecia pesado demais, seu corpo parecia frágil demais diante daquele monstro com chifres e ponta de lápis letal.
Oliver ajoelhou-se lentamente diante dela, ficando na altura de seu rosto sem feições. Ele estendeu a mão pálida com unhas afiadas e tocou de leve a lateral onde havia acabado de cortar o cabelo dela, provocando-a com uma carícia zombeteira e fria.
— Sabe de uma coisa, Bubble? — Ele sorriu, um sorriso cheio de dentes que parecia rasgar suas bochechas de orelha a orelha. Os olhos dele brilhavam com um divertimento doentio. — Eu até que achei você corajosa. O que acha de sermos amigos? Hum? Os melhores amigos da Paper School. Eu posso te ensinar a comer sabão, posso quebrar as pernas de quem te olhar torto... e, em troca, você só precisa me deixar cortar um pedacinho seu todos os dias. O que me diz?
A voz dele era melosa, mas carregada de uma crueldade palpável.
Bubble não conseguia se mexer. Ela sentiu, pela primeira vez em muito tempo, algo aterrador acontecendo em seu interior. Aquele corte não fora superficial como aparar o cabelo de um aluno comum. Havia um líquido escuro, rubro e espesso, começando a borbulhar e a subir dentro de sua estrutura interna transparente e vaporosa. Uma sensação de queimação, como se sangue estivesse se misturando à sua espuma vital, manchando sua brancura translúcida por dentro. Gotículas avermelhadas começaram a emergir entre os poros de suas nuvens, estourando em pequenos salpicos de dor pura. Ela estava sangrando de dentro para fora.
Oliver notou o fenômeno e arregalou os olhos, soltando uma gargalhada genuína de excitação.
— Uau! Olha só isso! Você sangra por dentro? Que coisa fascinante! Deixa eu ver mais de perto...
Ele ergueu o lápis, pronto para cravar a ponta afiada de grafite bem no centro da massa de bolhas de Bubble.
Mas ele não teve a chance.
Um rugido furioso ecoou por entre os galhos de papel da floresta, quebrando a zombaria do valentão. Antes que Oliver pudesse virar a cabeça para verificar a origem do som, duas mãos negras de quatro garras afiadas agarraram seus longos cabelos brancos e seus chifres por trás com uma violência avassaladora.
Engel estava de volta.
Mesmo enfraquecido e manchado de sangue, o rapaz de penas na cabeça havia corrido com a agilidade desesperada de quem defendia o que tinha de mais precioso. Usando o tronco curvo de uma árvore próxima como trampolim, Engel pegou impulso, projetou todo o seu corpo para frente e travou os braços em volta dos ombros de Oliver, puxando-o para trás para desestabilizá-lo.
— Tira as mãos dela! — gritou Engel, a voz rouca de ódio e adrenalina.
No ar, aproveitando o momento exato em que puxava Oliver para desequilibrá-lo, Engel flexionou as duas pernas, recolhendo os joelhos até o peito, e esticou os pés calçados em sapatos pontiagudos em uma voadora devastadora com os dois calcanhares.
O impacto foi estrondoso.
Os sapatos de salto pequeno de Engel atingiram em cheio o peito de Oliver, bem no losango vazado de sua camisa preta. O estalo seco do golpe reverberou pela floresta, expulsando todo o ar dos pulmões de Oliver em um engasgo violento. O valentão foi catapultado para trás, soltando o lápis no chão e voando vários metros até colidir brutalmente contra o tronco espesso de uma árvore de papelão, caindo de cara no chão de cascas secas, atordoado e tossindo fragmentos de sabão e saliva.
Engel aterrissou agilmente no chão, derrapando com as polainas listradas levantando poeira, embora uma pontada aguda em seu braço machucado o tenha feito arfar de dor. Ele não perdeu tempo apreciando o golpe. Sem sequer olhar se Oliver tentava se levantar, Engel girou sobre os calcanhares e correu até Bubble.
Ele se ajoelhou rapidamente diante dela, suas mãos pretas e afiadas tocando os ombros da garota com um cuidado extremo, com medo de ferir ainda mais aquela estrutura tão delicada.
— Bubble! Você está me ouvindo? Levanta, vamos! — disse ele, a respiração ofegante, os olhos cheios de uma preocupação genuína ao ver os traços avermelhados de sangue se misturando às bolhas de sua amiga.
Bubble ergueu o rosto nublado, as estrelas em seus olhos voltando a brilhar com alívio, apesar das lágrimas de sabão que escorriam invisíveis por seu corpo. Ela assentiu com vigor, apoiando-se nas mãos dele enquanto se erguia do chão frio.
Mais adiante, entre as folhas caídas, Oliver começava a se mexer, apoiando o braço de lápis no chão e rosnando como um animal ferido, seu longo rabo de cavalo sujo de poeira e terra.
— Você... seu passarinho desgraçado... — balbuciou Oliver, tentando levantar a cabeça com o ódio faiscando nos olhos.
Engel não esperou o valentão se recompor. Segurando firmemente a mão pequena e fofa de Bubble com seus dedos afiados, ele a puxou para junto de si.
— Corre, Bubble! Não olha para trás!
Juntos, o garoto com penas na cabeça e a menina feita de nuvens e bolhas dispararam em direção às luzes distantes da Paper School, deixando para trás as sombras ameaçadoras da floresta e um rastro de papel rasgado que o vento frio começava a soprar para longe.
