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Oh dear Fanny Fanny x tree

Fandom: Bfb-tpot

Criado: 18/10/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoFofuraEstudo de PersonagemCenário CanônicoHistória DomésticaHumor
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Ventos de Mudança e Raízes Profundas

O sol de Goiky estava particularmente implacável naquela tarde. A grama verde estendia-se até onde a vista alcançava, pontilhada por objetos de todas as formas e cores que tentavam, à sua maneira, sobreviver a mais um dia de competições e dramas interpessoais. Tree, com sua copa frondosa balançando levemente, buscava um pouco de paz perto da orla da floresta. Ele gostava do silêncio, ou pelo menos do que restava dele quando Black Hole não estava por perto sugando a atmosfera.

Foi então que ele a viu. Sentada — ou melhor, apoiada em sua base — perto de uma rocha, Fanny parecia estar em sua atividade favorita: detestar o mundo. Suas hélices não giravam, mas a expressão em seu rosto metálico era de puro desdém.

Tree hesitou por um momento, ajustando a postura de seu tronco de madeira. Havia algo nela que sempre o intrigou. Talvez fosse a honestidade brutal, ou o fato de que ela era a única pessoa que não tentava parecer agradável o tempo todo.

— Olá, Fanny — cumprimentou Tree, com seu sotaque australiano arrastado e calmo. — O dia está bonito, não acha?

Fanny girou levemente o corpo para encará-lo, seus olhos simplistas transmitindo uma irritação imediata.

— Eu odeio o dia! — exclamou ela, a voz saindo com aquele chiado eletrônico característico. — E eu odeio o sol! Ele é muito brilhante e faz tudo parecer... feliz. É nojento!

Tree soltou uma risada baixa, um som que lembrava o roçar de folhas secas.

— Bem, você tem um ponto. Às vezes a luz excessiva pode ser um pouco cansativa para a visão.

Fanny piscou, surpresa por ele não ter discutido ou tentado convencê-la do contrário como os outros faziam.

— E eu odeio que você concorde comigo! — acrescentou ela, embora o tom tivesse perdido um pouco da agressividade inicial. — Por que você está aqui, Tree? Não deveria estar fazendo coisas de "árvore"? Tipo... ficar parado e ser alto?

— Eu decidi que hoje queria uma companhia que não fosse me pedir para filtrar oxigênio ou reclamar sobre a morte térmica do universo — Tree explicou, aproximando-se e sentando-se na grama ao lado dela. — E você parece ser a especialista em evitar conversas fúteis.

Fanny bufou, mas não se afastou.

— Eu odeio conversas fúteis. E odeio especialistas.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos. Para qualquer outro habitante da ilha, aquele seria um silêncio desconfortável, mas para Tree, era refrescante. Ele observou como as pernas finas de Fanny balançavam levemente. Ela não tinha braços, mas a maneira como se expressava com todo o corpo era fascinante para ele.

— Sabe — disse Tree, quebrando o gelo novamente —, eu gosto do jeito que você diz o que pensa. A maioria das pessoas aqui gasta muita energia tentando ser o que não é.

— Eu odeio energia! — Fanny retrucou automaticamente, mas depois hesitou. — Mas... eu odeio menos quem não é falso. A maioria deles é feita de açúcar e mentiras.

— Concordo plenamente, mate — Tree sorriu. — É exaustivo tentar manter as aparências sob pressão.

Nos dias que se seguiram, o que começou como um encontro casual tornou-se uma rotina estranha. Tree sempre encontrava Fanny após os desafios. Às vezes, eles falavam sobre o quanto odiavam a liderança de certos objetos; outras vezes, Tree contava histórias sobre as florestas de onde vinha, e Fanny ouvia, ocasionalmente interrompendo para dizer que odiava árvores genealógicas ou o conceito de raízes.

No entanto, Tree começou a notar algo. Ele não apenas gostava da companhia dela; ele ansiava por ela. Quando Fanny não estava por perto reclamando de algo, o mundo parecia... silencioso demais. Sem cor. Ele se pegava olhando para as hélices azuis dela e imaginando como seria se ela as usasse para voar, ou apenas para sentir a brisa que ela mesma criava.

Uma noite, sob o brilho prateado da lua, eles estavam sentados no topo de uma colina.

— Eu odeio a lua — murmurou Fanny, mas sua voz estava baixa, quase suave. — Ela fica lá em cima, vigiando todo mundo sem permissão.

— Ela é apenas um reflexo — disse Tree, olhando para o horizonte. — Ela não tem luz própria. Talvez ela se sinta solitária.

Fanny olhou para ele. O rosto de Tree estava sereno, a luz lunar destacando as texturas de sua casca.

— Eu odeio coisas solitárias — disse ela. — E odeio quando você fala coisas poéticas. Isso me faz querer... não odiar tanto.

Tree sentiu um calor estranho em seu cerne de madeira. Ele se inclinou um pouco mais para perto.

— Fanny, posso te perguntar uma coisa?

— Eu odeio perguntas. Mas vá em frente.

— Por que você odeia tudo? Digo, realmente tudo? — Tree perguntou com sinceridade. — É uma proteção ou você realmente não encontra beleza em nada?

Fanny ficou em silêncio por um longo tempo. O único som era o vento soprando entre as folhas de Tree.

— Se eu odiar tudo — começou ela, a voz falhando por um milissegundo —, nada pode me decepcionar. Se eu disser que gosto de algo e isso sumir, ou quebrar, ou me trair... então eu perco. Mas se eu já odeio... eu estou segura.

Tree sentiu um aperto no peito que nenhuma tempestade jamais causara.

— É uma maneira muito solitária de viver, mate.

— Eu já disse que odeio a solidão! — Fanny exclamou, virando-se para ele. — Mas eu odeio mais ainda a ideia de me importar!

— E se... — Tree hesitou, buscando as palavras certas em seu vocabulário australiano — ...e se houvesse algo que você não precisasse odiar? Algo que fosse estável. Como uma árvore. Nós temos raízes profundas, Fanny. Nós não vamos a lugar nenhum.

Fanny olhou para as pernas dele, depois para o rosto dele.

— Você está dizendo que eu não deveria odiar você? — perguntou ela, desafiadora.

— Estou dizendo que, se você decidir não me odiar, eu prometo que não vou te dar motivos para mudar de ideia.

Fanny soltou um som que parecia um motor engasgando. Era o mais próximo que ela chegava de um suspiro de incerteza.

— Eu odeio promessas. Elas são feitas para serem quebradas.

— Então não veja como uma promessa — disse Tree, aproximando sua copa da base dela. — Veja como um fato biológico. Eu sou uma árvore. Eu fico.

Fanny não respondeu de imediato. Em vez disso, ela fez algo que Tree nunca esperaria. Ela se inclinou para frente e encostou sua carcaça fria de plástico contra o tronco dele. Foi um contato breve, mas para dois seres que raramente demonstravam afeto físico, foi como uma explosão.

— Eu odeio como você é quente — murmurou ela. — E odeio como sua casca é áspera.

Tree sorriu, fechando os olhos e sentindo a presença dela.

— E eu odeio o fato de que você é a única pessoa que eu não odeio agora — confessou Fanny, a voz quase um sussurro eletrônico.

Os dias passaram e a dinâmica entre os dois mudou. Eles ainda eram os mesmos — Fanny continuava a gritar seu desdém pelos desafios absurdos de Two, e Tree continuava a ser o diplomata calmo da equipe Death P.A.C.T. Yet, mas havia um novo entendimento.

Durante um desafio particularmente caótico onde todos estavam correndo de um lado para o outro, Tree se viu cercado por lava ou algum outro perigo iminente criado pela produção do programa.

— Tree! — gritou Fanny à distância.

Ela correu em sua direção, suas pernas movendo-se mais rápido do que nunca. Sem braços para puxá-lo, ela fez a única coisa que podia: ligou suas hélices na potência máxima.

— EU ODEIO ESTE DESAFIO! — gritou ela, criando uma lufada de vento tão forte que empurrou Tree para fora do caminho do perigo, mas o recuo a jogou para trás, fazendo-a capotar na grama.

Tree rapidamente se recuperou e correu até ela.

— Fanny! Você está bem? — Ele se ajoelhou ao lado dela, preocupado.

Fanny estava de cabeça para baixo, suas pernas balançando no ar. Ela parecia tonta.

— Eu odeio gravidade! — resmungou ela. — E odeio salvar pessoas! É tão... heroico. Eca!

Tree soltou uma gargalhada genuína, ajudando-a a se desvirar com cuidado.

— Você me salvou, Fanny. Obrigado.

— Não se acostume! — disse ela, embora suas hélices estivessem girando devagar, em um ritmo que Tree já tinha aprendido a identificar como "felicidade oculta". — Eu só fiz isso porque odeio ver madeira queimada. O cheiro é horrível.

— Claro, claro — Tree sorriu, sabendo a verdade.

Mais tarde, naquela noite, eles se encontraram novamente no mesmo local de sempre. O céu estava limpo e as estrelas brilhavam intensamente.

— Tree? — chamou Fanny.

— Sim, mate?

— Eu estive pensando... sobre o que você disse. Sobre raízes.

Tree inclinou a cabeça, ouvindo atentamente.

— Eu ainda odeio quase tudo — continuou ela. — Eu odeio o Two, odeio o Winner, odeio o ar que eu sopro... mas...

Ela parou, parecendo lutar com o vocabulário que passara anos construindo em torno da negação.

— Mas você... eu odeio o fato de que eu gosto de você.

Tree sentiu como se suas folhas estivessem florescendo fora de época. Ele nunca tinha ouvido algo tão bonito vindo dela.

— Eu também gosto de você, Fanny — disse ele suavemente. — E eu adoro o fato de que você odeia tudo, porque isso faz com que o fato de você não me odiar seja a coisa mais especial deste mundo.

Fanny ficou em silêncio, sua tela facial parecendo brilhar um pouco mais.

— Isso foi muito brega — disse ela. — Eu odeio coisas bregas.

— Eu sei — Tree riu.

— Mas... — Fanny aproximou-se, encostando-se nele novamente — ...você pode continuar sendo brega. Só por hoje.

Tree envolveu-a com a sombra de seus galhos, protegendo-a do resto do mundo que ela tanto desprezava. Ali, entre o vento e a madeira, eles encontraram algo que nenhum dos dois sabia que estava procurando.

— Tree? — Fanny chamou novamente após um tempo.

— Sim?

— Eu odeio o fato de que vamos ter que acordar amanhã e fazer tudo de novo.

— Eu também, Fanny. Eu também.

— Ótimo — concluiu ela, fechando os olhos. — Pelo menos concordamos em algo.

E ali, sob o céu de Goiky, o ventilador que odiava tudo e a árvore que amava o silêncio descobriram que, às vezes, o ódio compartilhado pelo resto do mundo é o alicerce mais forte para um amor inesperado. Tree sabia que as estações mudariam e que os desafios poderiam separá-los, mas enquanto ele tivesse raízes e ela tivesse vento, eles estariam bem. Afinal, no meio de tanto caos e competições sem sentido, eles tinham encontrado a única coisa que não podiam odiar: um ao outro.

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